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(pt) [excertos de posição de 1972 da FAU- Federação Anarquista Urugu aia] Posição libertária sobre a luta avançada.

Date Sun, 3 Dec 2006 12:59:16 +0100 (CET)


[de anarkismo.net]
EL COPEI
Posição libertária sobre a luta avançada.
Este documento interno da FAU produzido em 1972 abordou o problema da luta
armada quando as forças repressivas uruguaias cantavam vitória e faziam
destroço da estrutura que restava dos Tupamaros. Estava ?na onda?, naquele
momento com muito vigor, a concepção denominada como foquismo. O projeto
de luta armada dos anarquistas da FAU, diferia profundamente da formulação
do foco. Desde que triunfa a Revolução Cubana, começou a formular essa
diferença. Em discussões e documentos internos, em Comícios, em Lucha
Libertaria, Cartas de FAU, foi se desenvolvendo nossa posição. Finalmente
um companheiro se encarregou de sistematizar em um discurso exaustivo, a
posição da FAU elaborada nesses anos. Esse trabalho se denominou
internamente como COPEY, por razões de segurança. Pela extensão do
trabalho, aqui se publica só fragmentos que resumem sua atualidade.


Tem sucedido coisas importantes. Fatos que introduzem variantes
significativas para justificar uma revisão de temas táticos, que exigem
mais afinamento dentro do novo marco criado por aqueles fatos. Sem dúvida,
um dos aspectos mais importantes tem sido a ofensiva repressiva e seus
efeitos, já bem visíveis.

...Nesses resultados obtidos pela repressão, a propaganda reacionária
pretende fundar conclusões políticas: ?A luta armada não é viável no
Uruguai, e a violência como o crime não se paga?... Por sua vez os
reformistas fazem coro: ?A luta aramada não só não conduz ao poder, senão
que é contraproducente, compromete o trabalho de massas, e ?deixa
queimados? os militantes que a levam a cabo?...

As classes dominantes querem impor que todos joguem o seu jogo. Um jogo
inventado e previsto por eles, um jogo onde eles não podem perder... A
derrota de hoje não é tampouco a derrota da luta armada. Esta existe e
existirá como um nível da luta de classes... Sempre haverá organizações
que assumam essa tarefa. O que não deve perdurar, é a concepção errônea
que tem predominado aqui, até agora nessa matéria. O que está em crise,
esperemos que definitiva, é a concepção foquista.

Propostas gerais da concepção foquista

- A necessidade de iniciar a tarefa armada a maior brevidade possível,
sempre que existam condições econômico-sociais que a façam viável. Se
partia da base, de que estas condições estavam em toda América Latina,
como conseqüência do subdesenvolvimento.

- As condições políticas, e ainda ideológicas (chamadas ?condições
subjetivas?), se desenvolveriam como conseqüência da atividade do foco
armado. Daí que a existência ou não da organização política revolucionária
fosse considerado secundário, e seguramente não prioritário. A simpatia
gerada pela atividade do foco, devia ser enquadrada em grupos cuja função
era quase exclusivamente contribuir ao esforço e a vitória militar. Com
meras tarefas de apoio logístico e de propaganda, recrutamento, etc.
concentradas no desenvolvimento do foco. O desenvolvimento da luta seria
medido em termos de crescimento da capacidade operativa. A expectativa e a
confiança na vitória militar através da luta armada, era o logro e o
requisito essencial no plano ideológico.

- A atividade militar do foco, inauguraria um processo onde cada ação,
motivaria uma replica generalizada... Na medida em que a guerrilha fosse
operando com uma intensidade maior, a níveis mais altos, a repressão iria
endurecendo e se generalizando... Com esta repressão generalizada, maiores
seriam as simpatias que convocaria o foco, e por tanto, maiores seriam
suas possibilidades de desenvolvimento. Nessa dialética ascendente de
ação-repressão, se gerariam condições políticas e sociais cada vez mais
favoráveis a luta armada, até culminar em uma situação ideal em que
importantes setores de população sustentam a guerrilha, sua ?vanguarda
armada?, impondo a caída do governo despótico só sustentado pela minoria
privilegiada e o aparato repressivo...

A dinâmica antes dita em definitivo ? proposta central do foco ? emanaria
dos êxitos armados... A atividade da guerrilha, a resposta repressiva,
fecharia todas as portas a qualquer via que não fosse a luta armada,
voltando necessariamente o povo para as filas da revolução. Assim se
procederia, por um caminho curto, simples e direto, à ?politização das
massas?, e seu nucleamento detrás da guerrilha.

A partir dessa linha, foi subestimada a importância de toda tarefa
vinculada com a atividade de massas (associativa, sindical, propaganda,
atividade política pública) que não apontasse de maneira direta a
favorecer o esforço bélico. Uma atividade de massas supunha, distrair
esforços em aspectos considerados muito secundários e ainda negativos, que
poderiam abrir expectativas e competir com a luta armada. Além do mais, se
partia da base de que toda atividade pública, seria rapidamente varrida
uma vez desatada a mecânica de ação ? repressão, acionada pelo foco
guerrilheiro. Dita influencia, pode ser atribuída a maioria dos fracassos
experimentados em Cuba, logo do triunfo da revolução.

Nossa concepção de luta armada:

- Ainda com seus fracassos, é inegável que a prática ampla da luta armada
contribuiu decisivamente para modificar as pautas de ação política na
América Latina. Desde então está aberto, o problema do método a empregar
para desenvolver a via armada da revolução. O sistema capitalista não será
destruído seguindo as regras do jogo que ele mesmo gera para garantir sua
continuidade. Essa continuidade é a que contribui para manter quem se
reduz a fazer só o que a legalidade burguesa permite, ou seja, só o que a
legalidade criada e manejada pela burguesia recomenda que se faça.

A luta armada, concebemos como aspecto fundamental da prática política de
um partido clandestino, que atua também com base em uma estratégia
harmônica e global, a nível de massas. Uma organização é realmente
revolucionária, se coloca para si e resolve adequadamente o problema do
poder.

Uma pergunta: para que se faz a guerrilha, quais são seus objetivos, seu
programa?

Os objetivos de uma revolução condicionam toda a política revolucionária,
sem excluir tampouco seus aspectos militares. Daí que seja prévia a toda
outra consideração, definir os objetivos, ou seja ? em termos gerais o
caráter do processo revolucionário no qual se inscreverá nossa prática
político-militar.

Nas guerras de independência, a causa é ?nacional?... A nação não é mais
que acão burguesa, onde dominam os burgueses. Desde um ponto de vista de
classe, o único conceito de ?nação? aceitável, é o que envolve a
desaparição do capitalismo, a construção do Socialismo. Assim o ?interesse
nacional? da burguesia, nada tem em comum com o interesse nacional dos
trabalhadores. Mas nas lutas anticoloniais, é geralmente a ideologia
nacionalista burguesa a que prevalece e aglutina atrás das classes
dominantes locais o conjunto da população. A realidade da luta de classes,
se obscurece então, atrás da ideologia ?patriótica?. Agora, se a guerra
não é anticolonial senão social, como é o caso do Uruguai, haverá tantos
?patriotismos? como classes sociais estejam em condições de gerar
tendências ideológicas...

A guerrilha urbana, não terá nunca o apoio de toda nação, por mais
nacionalista que se proclame. Só terá apoio daquelas classes interessadas
no Socialismo. Sucederá assim, porque é um tema social e não
anticolonial... Não é possível aqui uma luta nacional, ou anti
imperialista, a margem da luta de classes. Dito de outro modo. O central e
prioritário aqui é a revolução contra a burguesia nacional dependente, e
só através desta se desenvolverá uma verdadeira ?causa nacional? do
povo... É inútil, portanto, incitar a adesão de setores burgueses entorno
de uma política revolucionária, por mais que esta se vista de ?nacional?.

Tudo parece indicar que a função da guerrilha urbana não é buscar a
vitória em um enfrentamento direto mano a mano com o exército... Em
definitivo a guerrilha urbana, se de revolução social se trata, parece ter
como função idônea preparar o salto, o trânsito qualitativo a outra forma
de luta através do qual sim, pode ser conseguida a vitória decisiva no
marco urbano, a insurreição. A guerrilha, cremos por tanto, só é legítima
como preâmbulo e preparação necessária da insurreição. Dito processo
insurrecional implica sempre a participação de setores de massas de certo
volume... Tampouco dizemos que é necessário que a metade mais um dos
habitantes decidam se levantar em armas para fazer uma insurreição... Como
toda ação armada, uma insurreição se decide centralmente por operações,
por combate armado mais que por manifestações de rua... Portanto aludimos
a uma série de ações de massas de outro nível, subentendido que participe
o setor mais dinâmico do povo.

Para nosso entendimento, qualquer forma de ação insurrecional pressupõe
necessariamente uma prática militar prévia e a existência de um aparto
militar clandestino, previamente organizado, com suficiente capacidade
operativa e suficiente experiência para canalizar, organizar e levar a bom
porto o processo insurrecional.

Poderíamos definir três requisitos para o êxito do processo insurrecional:

1) A participação ativa de setores importantes de massas, através de ações
de outro nível.

2) A existência prévia de um aparato armado clandestino com experiência
militar já adquirida, que canalize e conduza o processo.

3) A existência de um trabalho político prévio sobre os elementos do
aparato repressivo.

Estes três requisitos pressupõem como é óbvio, a existência de um
minucioso trabalho político prévio, do qual só pode se fazer cargo a
Organização Política, ou partido. Como centro político capaz de
desenvolver, promover e harmonizar em uma direção comum estas diversas
atividades.

Esta concepção da luta armada, de desenlace insurrecional, conduz a
conclusão de que a estruturação da Organização Política é tarefa
fundamental na etapa de processamento das condições para insurreição, e
não o inverso. Ou seja, a ação armada se processa através de um centro
político, e não o centro político através da tarefa armada.

Tem que partir da base de que a destruição do Poder Burguês em nosso país
é somente a abertura de uma nova etapa de luta contra a intervenção
estrangeira. Seria absurdo pensar o Socialismo ?em um só país?, no
Uruguai. A partir da destruição do poder burguês no Uruguai, a luta se
internacionaliza para fora e volta nacional para dentro, no sentido de que
a intervenção estrangeira é praticamente inevitável, dada a situação
geopolítica.



Documento FAU de 1972


*Trecho traduzido em português retirado do site da Federação Anarquista
Gaúcha.


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