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(pt) «Luta Social» : Médio Oriente: uma situação que mais séria não poderia ser.

Date Sat, 5 Aug 2006 15:33:40 +0200 (CEST)


de http://luta-social.blogspot.com/
por Pier Francesco Zarcone

Estará o movimento Hezbollah agradecido ao Estado de Israel, pelo
reconhecimento que hoje goza no mundo árabe, não só xiita, depois do
desatinado ataque ao Líbano?

Israel, de facto, demonstrou que: o rapto de dois soldados judeus vale a
vida de centenas e centenas de árabes; não tem capacidade de vencer a
guerrilha do Hezbollah; a sua política externa nasce dum cocktail de medo
e violência e, por isso, não tem saída.

Hoje, os inimigos de Israel são fundamentalistas. Situação que dificulta
uma tomada de posição, particularmente numa perspectiva libertaria. Mas a
realidade é o que é. E desde há muito tempo que as políticas dos Estados
Unidos e de Israel têm feito com que as classes dirigentes árabes laicas
(falar mal destas é legitimo, mas ?) percam a sua força e as sociedades do
Médio Oriente conheçam hoje uma hegemonia fundamentalista.

Falar de espaços esquerdistas ou libertários nestas sociedades quer dizer
confundir os desejos com a realidade, visto também que a cultura islâmica
? nesta altura sem rivais ? não conheceu os nossos processos históricos.
Não houve fenómenos análogos aos que puseram um ponto final, na Europa, ao
fundamentalismo cristão: humanismo, reforma protestante (com o princípio
do livre exame), iluminismo, revolução francesa, liberalismo, marxismo,
anarquismo, consumismo, etc.

Neste contexto, não me parece praticável o princípio revolucionário
segundo o qual os inimigos dum povo não são os outros povos, mas as
respectivas burguesias exploradoras; à parte que, também na Europa e desde
a I Guerra Mundial, as massas proletárias não são sensíveis a esta
indicação.

Mesmo sem estes considerandos, a aplicação às relações entre árabes e
Israel não seria fácil. Israel, enquanto Estado, nasce do sionismo,
ideologia duma parte da burguesia hebraica europeia do século XIX e
corresponde aos interesses burgueses.

O Estado sionista é racista por definição, ficando reservado só aos judeus
e não se pode esquecer que - também antes do nascimento de Israel - as
organizações hebraicas da Palestina não admitiam trabalhadores árabes. E
hoje Israel é a ponta de lança do imperialismo USA no Médio Oriente.

Os poucos pacifistas de Israel merecem consideração pelo ambiente judeu
hostil onde actuam, mas têm uma incidência nula dentro da sua sociedade e
não há comunidade hebraica no mundo que não faça sua a causa de Israel.

Tudo isto para dizer que nesta altura é fundamental uma mobilização
internacional que pare a matança no Líbano (que se soma à matança na
Palestina). Depois, veremos. Mas que fique claro que - mesmo após a
suspensão das hostilidades - nestas condições falar de paz será um sonho,
que se pode tornar um pesadelo se ninguém tiver a força de fazer entender
a razão a Israel; que ? sobretudo ? Israel permanece um corpo estranho
introduzido à força no Médio Oriente; e que cada paz vai ser débil e fruto
de coerção.

Israel tem somente um título de legitimidade formal (embora opinável): a
decisão das Nações Unidas de dividir a Palestina em dois Estados. Naquela
ocasião, a ONU deu também o mapa desta divisão. Israel deveria ficar só
dentro daquelas fronteiras e os palestinianos deveriam poder ? se o
quiserem ? constituir o seu próprio Estado. Considerando que Israel não
aceitou nunca, nem aceita hoje, o mapa da ONU ? dois e dois fazem quatro.
A guerra vai continuar, pelo menos enquanto não mudar a cultura dominante
nos países árabes e em Israel, mas não existem sinais nesta direcção.

Uma coisa é segura: nem as matanças sionistas, nem a política de Bush no
Iraque, nem a falta de coragem da União Europeia, podem fazer nada a favor
das vidas humanas e serão o ódio e o medo a aconselhar outros disparates
sangrentos.
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