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(pt) [Espanha] Periódico CNT, Nov. 2005: Entrevista com Rafael Corral es , secretário geral do CNT [ca]

Date Wed, 12 Apr 2006 13:58:59 +0200 (CEST)


Periódico CNT - Novembro 2005
Entrevista com Rafael Corrales, secretário geral do Comitê Nacional
?Temos que fazer ver aos trabalhadores que a CNT é uma alternativa real?
É de agradecer quando você está indo entrevistar alguém que te transmita
otimismo e entusiasmo desmedido. Mesmo com qual está caindo. Rafael
Corrales têm ambas as coisas à flor da pele e, embora diga que não sabe
falar, gira muito bem o carretel do que foi sua vida e espera que o
continue sendo, a luta por um outro mundo que deva estar neste e que deva
passar com a realização das únicas idéias que acredita válidas para
desemaranhar tantas complicações como carrega uma sociedade injusta: as do
anarco-sindicalismo. Que passam necessariamente através do fortalecimento
da Confederação Nacional do Trabalho.

O novo Comitê Nacional e ele, como secretário, é o que querem contribuir
fundamentalmente com seu trabalho. Para fazer ver à organização que há
meios, possibilidades de fazer as coisas bem, resquícios para trabalhar em
todos os campos e crescer na filiação e, assim, transmitir algo de
esperança às pessoas de modo que continuem pensando que, na realidade,
sim, é possível mudar revolucionando as coisas. Não somente existe
história que garante o futuro, mas presente, já que está convencido de que
as idéias anarco-sindicalistas são as únicas que ficaram para seguir
buscando a mudança social. Todas as demais sucumbiram, se traíram a si
mesmas ou, simplesmente, demonstraram que não serviam.

Assegura que, quando se instalou em Sevilha nos anos 80, após os anos de
trabalho e de luta em Madri, já tinha consciência da injustiça social que
vai associada ao sistema como norma e que suas exposições já eram
anarquistas. Como de brincadeira, nos escapa a pergunta de: e agora,
tantos anos depois? E nem se perturba para responder: "continuo sendo
anarquista".
O trabalho realizado em Sevilha, as greves ganhas e a maneira de reforçar
o sindicalismo são um exemplo do muito que poderia ser feito em todos os
lados. O sucesso, em qualquer caso, considera que não tinha sido possível
sem o incondicional entusiasmo e o trabalho dos companheiros que souberam
manter em pé à organização em anos tão complicados, quando o movimento
anarquista e a CNT estavam quase esquecidas: "sinto orgulho por estes
companheiros e companheiras que permaneceram fieis nos anos difíceis. Eles
possibilitaram que agora chegue gente nova, que retoma a luta e as idéias.
Graças a eles começamos outra vez a se mover".


Como chegaste a estas idéias, tinhas referências do passado?

Ao mesmo tempo em que comecei a aprender a ler e a escrever, comecei a ler
a história do movimento operário. Cativou-me o pensamento operário
anarquista, foi com o que mais me identifiquei. Depois fazíamos reuniões
para estudar a história. Víamos as idéias do marxismo, estudávamos a
Anselmo Lorenzo, analisávamos a Primeira Internacional... Cativou-me o
movimento anarquista. Tanto é assim que comecei a lutar por esta idéia,
segui lutando e espero seguir fazendo isso.


Antes do atual, ocupou outros cargos representativos da CNT?

O último, no ano 2003, que fui secretário da CNT de Sevilha. Mais ou menos
quando começou a despontar o sindicato com a greve de Tomares. Confluímos
um montão de gente da CNT e nos pranteamos mudar a forma de funcionamento
do sindicato. O sindicato não o entendemos como estar esperando a que
venham os trabalhadores. Mas sim que há que buscá-los nos conflitos da
rua. A ação da CNT deve estar aí, sua força e sua vida estão na periferia:
não podemos ficar nos sindicatos como se fossem monastérios, em quatro
paredes aonde guardamos a essência da atividade. Mudamos o sistema, a
forma, as dinâmicas de funcionamento, fomos às fábricas, nas periferias,
às 6 da manhã, a hora que fosse. Exatamente começamos a fazer o mesmo que
fazíamos nos anos 70 do século passado. Coger e ir nas periferias repartir
periódicos, informação, propaganda. Devemos ir oferecer nossa
solidariedade e nossa luta.


Falas que voltastes a começar como há mais de 30 anos. Todo este tempo não
há servido para nada, estamos como no início?

Um pouco sim. Tenho que dizer que eu no ano de 84 me afastei da CNT,
depois de anos de trabalho e militância. Parei um pouco a pensar depois de
que minha vida, minha projeção pessoal, meu trabalho, haviam sido o
anarquismo e a CNT. Pensava se minha luta servia para algo quando nós
estávamos brigando entre nós mesmos. Pensei que não lutava contra o
capital, nem contra o Estado, nem contra a monarquia, nem contra nada.
Alguns iam da CNT por diversos motivos, porque queriam participar das
eleições, porque queriam participar dos privilégios do sindicalismo
oficial que se estava surgindo entre os governos e o Estado. Ante a
continua luta entre companheiros nas assembléias, nas manifestações, nos
sindicatos, eu não me encontrava com gosto nem como trabalhador nem como
pessoa. Afastei-me, porém segui mantendo minhas idéias anarquistas, segui
lutando só, em temas culturais, em associações de vizinhos e
desempregados. Em Sevilha e em outros lugares. No ano de 2001 minha filha,
Libertad, se filiou à CNT e começou a me convencer de que voltasse. Se
agora sigo trabalhando pelo o mesmo se deve muito a ela.

As dúvidas no começo por acolher o Comitê Nacional parece que mudou pela
ilusão de contribuir de que a CNT cresça.

Ao princípio, nós não queríamos acolher nenhum comitê. Estávamos metidos
em um projeto de trabalho anarcosindical e o que queríamos era crescer,
estar presentes nos conflitos e que as pessoas soubessem que a CNT e o
anarco-sindicalismo estão vivos. Que a organização nos encarregara de
formar o Comitê Nacional nos criou algum problema, porque isso supunha que
uma série de companheiros se ia perder para a Federação Local. Depois de
duas assembléias e por nossa responsabilidade militante pensamos que não
podíamos rechaçar o mando da Organização. Desde o principio tivemos claro
que tinha que ser uma equipe para trabalhar. Não cabem os dirigismos, nem
personalismos, nem protagonismos de nenhum tipo. A equipe de trabalho foi
criada com companheiros de outros lugares próximos a Sevilha para não
carregar a esta Federação Local com todo o peso. Nossa idéia básica ao
formar esta equipe é tentar aproximar a CNT de nossa própria experiência
de trabalho. Quer dizer, fazer ver a organização que o objetivo principal
da CNT é ter sindicatos fortes que tenham possibilidade de impor ao
sistema nossos planteamentos, nossa ideologia, nossas táticas, nossas
finalidades.


Crês que serão capazes de consegui-los?

A nível pessoal temos muita ilusão. Somos trabalhadores, mulheres e homens
da CNT. E o fundamental para nós é sacar a organização do fechamento
interno que tem e que se abra para os problemas do trabalho, que seja
capaz de criar expectativas. Creio que nosso futuro é bom. Hoje em dia, em
Espanha, é o único sindicato que transmite uma ação fora dos meios do
sistema. Devemos faze-lo ver aos trabalhadores, que a CNT é uma
alternativa real. Mas antes, se nós não somos fortes nem capazes de
transmitir essa ilusão a nós mesmos, a todos os companheiros, a todos os
filiados, não haveremos cumprido os objetivos.


Que coisas se devem fazer na prática para vê-los cumprido?

Bem, primeiro, a CNT deve entender que o sindicato não é uma casa ocupada,
não é um grupo de afinidade, não é um edifício, é um local para falar,
para organizar, para criar, para formar e para fazer ações na rua, no
trabalho. É a idéia fundamental que nós queremos transmitir: ser capazes
de que os sindicatos estejam bem organizados. Que quando um trabalhador
chegue a um sindicato da CNT tenha já a idéia de que é um sindicato
diferente, que está organizado, que tenha preparação, que tenha uma
jurídica, que prática a ação sindical, cursos de formação
anarco-sindicalista, que as pessoas saibam o que é a ação direta ou porque
nós estamos contra o Estado, contra a monarquia, por que não somos um
sindicato comercial como os demais. A CNT quer mudar a sociedade porque
tem idéias, porque tem história. E porque temos uma ideologia baseada no
anarquismo e o no sindicalismo revolucionário. Nós temos começado com
muita ilusão, com muitas ganas de fazer coisas. Espero que com a
colaboração de todos os filiados e filiadas se possa conseguir. E de todos
os sindicatos, de todas as regionais. De fato, todo o mundo está nos
apoiando, creio que vêem que nesta situação na que nos movemos tanto no
nível interno como externo gera ilusão. Vamos tentar trabalhar para ativar
nossas idéias, para ativar a ação sindical, a recuperação de nosso
patrimônio, ativar a informatização dos sindicatos, que tenhamos
informação direta, fluida, clara. Temos que recuperar também a memória
histórica. Que quando há espaços que são da CNT, de nossa história e
quando outros a estão manipulando ou incluso levando como bandeira, se
saiba que essa é nossa história. Se não estamos em esses lugares, aonde
temos que estar, outros se aproveitam, a utilizam e a desvirtuam. Este
Comitê Nacional, sem ser dirigentes, quer ser motivador, fio condutor
deste sentimento de que a CNT está na rua, cresça, se fortaleza e crie
sindicatos que sejam capazes de levar nossa alternativa a sociedade.


Ainda num momento em que as pessoas estão afastadas, desencantadas dos
sindicatos?

Está claro que as pessoas estão desencantadas dos sindicatos. Mas é que
esses sindicatos não são sindicatos, na realidade são agências comerciais.
Vivem da estrutura do Estado, dos liberados, dos cursos de formação pagos
com fundos europeus, vivem para vender seguros de carros, das promoções
nos dentistas, das agências de viagens. A CNT não é um ente comercial, mas
um sindicato com ideologia. Somos trabalhadores e devemos estar aonde
estão os problemas dos trabalhadores. Nós demonstramo-lo nos conflitos de
Sevilha, as pessoas compreenderam nosso trabalho, nos apoiaram e se
filiaram à CNT. Há mais exemplos, como aqueles de Adra, como aqueles de
Torrelavega, como os de Canarias, Extremadura, Jaén, Catalunha etc.,
vários locais em que a CNT está retomando a ação direta. Nós iremos
conquistando sindicato a sindicato, conflito a conflito, até que a
organização seja um sindicato poderoso como foi no passado.


Deve haver alguma reflexão interna, analisar como as coisas foram feitas,
ou mudar as formas de trabalhar?

Penso que a CNT deve mudar de atitudes, a nível organizativo, a nível
interno. Esta organização é extraordinária na solidariedade, tem
militantes, companheiros e companheiras maravilhosos que dão a vida pela
CNT, pela idéia anarquista. Toda esta gente é muito generosa, porque dão
tudo, sua vida, sua família, seu entorno, tudo oferecem pela CNT. Mas
muitas vezes a CNT é ingrata com estes companheiros e não é necessário ser
tão ingratos. A mesma generosidade que é demonstrada para a parte externa
se deve demonstrar mais generosa com os companheiros, mesmo em algum
momento dado em que os companheiros mudem e têm outras maneiras de ver as
coisas. Não é necessário ser assim tão ingratos. Há que tomar um pouco a
generosidade no sentido anarquista da vida e compreender que essa
ingratidão que às vezes se tem não é bom, é muito mais negativa para a CNT.


Pensa-se às vezes que um dos males da CNT desde a transição foi seu
complexo de inferioridade, embora talvez também de superioridade.

São dois sentimentos que eu acredito que ocorram entre nós e devemos
romper com eles. Às vezes de inferioridade, porque pensamos que não se
pode fazer as coisas e outras, no sentido oposto de que somos os únicos,
de que somos puros e que as pessoas devem vir a nós. Acredito que a CNT
deve ir às pessoas. O movimento anarquista históricamente sempre foi às
pessoas, sempre esteve com as pessoas. Não pode permanecer isolado, não é
possível estar em grupúsculos e em dizer que a sociedade está ruim e que
há que mudá-la, mas não pomos meios para mudá-la. A CNT e o anarquismo têm
várias alternativas, de idéias, de projetos históricos, atuais e futuros.


É necessário quebrar o tabu com os meios de informação?

O de Sevilha pode ser um exemplo. Também temos quebrado esse tabu, essa
fixação de que a CNT não existia. Foi fundamental criar um grupo de
trabalho, um secretariado de comunicação no sindicato que serviu de modo
que os companheiros moveram-se de tal maneira que foram aos jornalistas
diariamente, pelo telefone, pelo fax, pelo correio eletrônico, em pessoa,
às agências, a todos os lugares. Mas, naturalmente, teve o eco pela luta
de que nós fizemos. Souberam reconhecer o trabalho, o que nós fazíamos,
foi feito eco e nós saímos durante as greves. Nossa ação gerou notícias
diárias na imprensa, televisão e rádio. Teve mesmo periódicos que
estamparam os assuntos da CNT na primeira página. E por muitos anos que
não acontecia assim.


A CNT tem um legado histórico na luta e nas soluções que poucas
organizações podem acreditar. Mas a informação para fora, às vezes, pode
ter falhado. A projeção para a parte externa pode ser uma boa tarefa da
FAL?

A CNT não é somente um sindicato, é uma organização que empreende a
mudança da sociedade, que sua ideologia está impregnada de alternativas e
de mudanças. Tem uma história e um legado histórico importantíssimo, tanto
vital quanto escrito, e essa é uma outra coisa que a CNT deva também saber
transmitir. O mundo intelectual, o mundo artístico teve sempre lugar na
CNT. Esta idéia de aprofundar-se na cultura cumpriu-a amplamente a
Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo. Nestes anos, a FAL tem
sido o baluarte nacional e internacional da CNT e da idéia anarquista, da
história do movimento anarquista e do movimento operário em geral. O
trabalho que os companheiros da FAL fizeram foi muito bom, conseguiram que
a idéia fosse reconhecida. Por essa razão é necessário continuar apoiando
a Fundação, mantendo-a, querendo-a, mimando ela. Com a compra do novo
local foi dado um grande passo, a fim de criar expectativas novas, para
fomentar a cultura, de modo que a CNT esteja presente em todos os lugares,
em todas as propriedades, não somente na mera ação sindical.


Como os sindicatos, deve ser um lugar aberto?

Está claro que a FAL é uma fundação de estudos libertários, o qual requer
que esteja aberta a todos. O anarquismo nunca foi fechado, não é uma
ideologia que está fechada em uma gaveta. O anarquismo quando cresce é
quando é posto na prática. A CNT quando cresce é quando se põe em prática.
Nunca a CNT saiu derrotada em controvérsia com outras ideologias. Só foi
derrotada pelas armas ou pelas ditaduras. Mas nunca às exposições básicas
da cultura, do crescimento pessoal das pessoas, dos povos, da formação
pessoal, da dimensão da pessoa. A mim, isso que me custou tanto esforço
estudar e aprender, o tenho muito claro, é necessário aprender
continuamente, formando-se. O estado põe tantos gastos e tanto impedimento
para que às pessoas não saibam, não aprendam, que nós devemos pôr o mesmo
esforço e aprender mais, para crescer intelectualmente, para ser capazes
de demonstrar com razões, mais do que com títulos ou carreiras, que é
necessário organizar o sistema de baixo para cima. Nós temos que ser
capazes de pôr também a cultura à serviço de todos. Nossa história diz que
ali onde havia um militante, havia um jornal, uma voz que falava de
liberdade. A FAL pode cumprir bem a função de ser um vozeiro mais das
idéias de transformação e liberdade.

M.G.Blázquez/M.A.Fernández

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