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(pt) INFORME ANARQUISTA Nº02 do COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS

Date Mon, 26 Sep 2005 19:14:35 +0200 (CEST)


Informativo trimestral do COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS ?
Setembro a Novembro de 2005.

Pág01
Crise política: Uma análise Anarquista

Vivemos no momento de maior crise política do Partido dos Trabalhadores e
do governo Lula. Trata-se de um momento em que, por um lado, a ilusão de
muitos brasileiros sinceros se desmorona, e, por outro, as forças
políticas se jogam em uma disputa para retirar os maiores saldos
políticos.
Ao mesmo tempo em que nos indignamos com as roubalheiras dos políticos,
porque como trabalhadores sabemos que cada dinheiro roubado é fruto do
nosso trabalho suado, vemos diversas visões sobre os fatos a nos serem
apresentadas.
Toda essa crise política está sendo amplamente divulgada pelos grandes
veículos de comunicação que, transmitem a visão dos ricos e dos partidos
de direita sobre a crise. A direita aliada dos grandes meios de
comunicação ataca o governo e tenta ao máximo desgastar a imagem de Lula
até as próximas eleições presidenciais. Esta visão dos partidos de direita
que fazem oposição ao PT e que têm a mídia burguesa como principal
instrumento identifica o problema da crise política: a direção do Partido
dos Trabalhadores. E como não pode deixar de ser, sugerem uma solução: a
mudança da direção. A intenção destes partidos é a de desgastar o PT para
impossibilitar a reeleição do Lula. Fazem isso criticando os ?vícios de
esquerda? do PT, caracterizados pelo leninismo de Dirceu, e, ao mesmo
tempo, a ?ignorância dos pobres?, caracterizado pela criação de uma figura
ingênua de Lula.
A grande mídia aliada da burguesia e do poder usa crise para vender
jornais, revistas e aumentar o ibope e ainda passa a sua versão dos fatos
impregnada de preconceitos contra os pobres, edições e ideologia. Isso nos
mostra que o que realmente se passa é um jogo das elites por poder dentro
da estrutura do estado. Nenhum desses partidos, nem os de direita nem os
de esquerda, estão compromissados com os interesses populares e não somos
nós que afirmamos isso, são os fatos, a realidade que afirmam. Desde
sempre o estado é corrupto, nunca foi honesto. O Estado é um instrumento
da burguesia. São os interesses dos ricos que dão o contorno de sua
lógica. Ele está fundado nos interesses dos latifundiários, das grandes
empresas, das multinacionais, mas se mascara de instrumento do povo, de
instrumento do ?Bem Comum?.
Por outro lado movimentos sociais que estão na mão do PT e seguem uma
linha governista de atuação como a UNE, MST e a CUT se lançam em uma
campanha de apoio ao governo Lula acusando a direita de tentar dar um
golpe no atual governo. Essa posição mostra como os movimentos sociais
servem de correia de transmissão do governo quando seus interesses estão
atrelados a partidos políticos que chegam ao poder. Existem também os
partidos políticos de esquerda como o P-SOL e o PSTU que traçam uma
crítica as alianças do PT com a burguesia e se apresentam enquanto
alternativa Esses partidos acreditam que a via eleitoral pode contribuir
para mudança social. Se esforçam em dizer que são diferentes e que seus
políticos estão comprometidos de fato com os interesses populares. Fica
aqui a pergunta: a experiência do PT não os ensinou nada?
A crise do governo Lula colocou em evidência esta ineficácia da via
eleitoral como via de mudança social profunda. Se há mais uma crítica que
possa ser feita ao PT, não é só o fato dele ter escolhido as alianças com
os partidos de direita. Mas, o fato dele ter surgido enquanto partido
institucional.

A ALTERNATIVA ANARQUISTA
Compreender que a política parlamentar, o jogo institucional no interior
do Estado, não gera transformações para as classes exploradas, não
significa eliminar a possibilidade de gerar uma mudança. Pelo contrário, a
política não se resume à lógica parlamentar e eliminar esta via significa,
antes, encontrar caminhos reais de luta do povo explorado.
A crise do governo abre este espaço. O espaço de deslegitimação da
democracia burguesa, o espaço da percepção de que tudo foi uma ilusão e
que agora é preciso centrar-se em um outro caminho. Vivemos em um momento
de resistência de caráter defensivo, lutas descontínuas e fragmentadas,
baixo nível de consciência e organização de base. As entidades de luta
social, como os sindicatos, as entidades estudantis, as associações de
bairro, se encontram em sua maioria sem capacidade real de mobilização,
burocratizadas, hierarquizadas e atreladas ao governo, aos partidos
políticos e a políticos oportunistas.
Neste momento, a nossa alternativa é a luta popular, é reconstruir fora
das instâncias parlamentares, nos bairros, nas vilas, nas escolas, nos
locais de trabalho os movimentos de luta do povo oprimido. Somente
movimentos autônomos, horizontais e combativos, firmados na ação direta
popular poderão servir como instrumento de transformação profunda da
realidade. É essa a prática política libertária, a prática que não visa o
poder do Estado, mas a auto-organização do povo explorado, visando gerar
uma frente de oprimidos capaz de construir um projeto político popular e
fazer frente ao Estado e às classes dominantes. Falamos de protagonismo da
luta popular, esta luta direta em que o trabalhador não depende dos
políticos para representá-lo, mas de sua própria organização, mobilização,
ação e luta. É este protagonismo que pode gerar uma transformação real
nesta sociedade e a construção de um poder popular, um poder não
hierárquico, não firmado na representatividade da democracia burguesa, mas
um poder que vem de baixo, a partir da federação de cada espaço de
organização dos oprimidos, um poder onde os trabalhadores tenham o poder
de definir os rumos de nossa própria vida.
Só a Luta popular gera lutadores do povo!

Pág 02
Entrevista com o Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares-AL
Entrevista realizada pelo Coletivo pró organização Anarquista em Goiás

1) Como e quando surgiu o CAZP?

O nosso coletivo surge em meados de março de 2002, sendo fundado por
estudantes, alguns já militantes do movimento estudantil e outros que se
aproximaram. Desde seu inicio se tinha como idéia uma atuação de inserção
social, porém naquela época a leitura era pouca. Hoje estamos mais firmes
quanto aos nossos propósitos.


2) Quais são as perspectivas de luta do CAZP para um curto período de tempo?

Dado a composição do grupo, por uma questão de circunstâncias, não de
princípios, nossa perspectiva de luta esta voltada ao movimento
estudantil, mas procurando costurar uma militância fora desse âmbito.
Depois do III FAO iniciamos um processo, que é constante, de (re)discussão
da nossa militância e também algumas questões referentes a organização de
nosso coletivo o que conseqüentemente reflete em nossas concepções de uma
organização anarquista, coisa que em nossa carta de princípios falhava,
como a unidade de ação, método decisório e critério de ingresso. Vemos
como fundamental estarmos nos dedicando para a construção do FAO, em
especial no Nordeste, para que mais grupos/indivíduos venham a se envolver
com este projeto.


3) Como os compas analisam toda essa crise política que o Brasil vive?

É a constatação de que qualquer vinculação de luta pela via eleitoral,
remete a um progressivo distanciamento dos ideais socialistas e sujeição
ao jogo parlamentar (corrupção). Muitos a partir do momento que quiseram
se diferenciar do ?socialismo real?, mas assumiram a consigna de
?socialismo democrático?, não rompendo com o paradigma de Estado, levou a
uma forte e irreversível guinada a direita. Essa é a história do PT e de
tantos outros pelo mundo. A nós anarquistas, cabe fortalecermos nossos
métodos e ideais junto a luta popular, de base, pois só ela pode decidir a
favor dos trabalhadores. Qualquer concessão a política burguesa (mesmo
concebendo eleições como uma questão tática) se enquadra no reformismo. A
saída deve ser fomentando os métodos revolucionários, fundamentalmente no
povo organizado em luta tendo seu protagonismo nela garantido.


4) Nós fale um pouco das experiências de atuação social que o CAZP já teve
e tem.

Como já colocado, nossa militância encontra-se hoje centrada no movimento
estudantil, mais especificamente fincada na Comuna Estudantil (grupo
formado por socialistas revolucionários em geral) e junto as entidades de
base. Fora deste meio, já tivemos uma experiência na Vila Emater,
localizada ao lado do aterro sanitário de Maceió onde muitos trabalham
como catadores de material reciclável. Iniciamos um projeto de
alfabetização de jovens e adultos que durou apenas cerca de 2 meses embora
nosso contato com a comunidade tenha durado pelo menos 1 ano , mas acabou
sendo abortada por uma série de dificuldades que vão desde a falta de
estrutura a própria dificuldade nossa de naquele momento manter nossa
militância.


5) Deixem um recado para os compas de todo Brasil.

Saúde e disposição. Anarquismo é luta!!
____________
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares
Cx. Postal 136 CEP: 57020-970 Maceió-AL
Email: cazpalmares@hotmail.com




LIBERDADE A GABRIEL ROSER!!
Solidariedade aos lutadores do povo argentino!
Liberdade para Gabriel Roser!

Chamamos todas as organizações do povo, dos trabalhadores e trabalhadoras,
estudantes e quem mais se sensibilize com a causa da luta por justiça no
mundo, a solidarizarem-se com os movimentos populares da nossa vizinha
Argentina, os valentes piqueteros, que, neste momento, sofrem implacável
perseguição por parte do governo argentino e órgãos de repressão. Um
destes movimentos teve um dos seus importantes militantes preso
injustamente.

Gabriel Alejandro Roser é um militante popular, responsável por uma horta
e um restaurante comunitários que funcionam no bairro Ringuelet, da cidade
de La Plata, República Argentina. Bairro onde vivia e desenvolvia sua
militância. Também era, até o momento de sua detenção, encarregado de
segurança do Movimento de Unidade Popular (MUP).
Gabriel tem 26 anos e se encontra detido desde 29 de abril de 2004.
Gabriel é um preso político, porém acusado falsamente por um delito comum,
um roubo qualificado por uso de arma. A causa foi grosseiramente armada
pela polícia da comisaría 6º de Tolosa, La Plata e validada pelo Fiscal
Martini e Juíz De Aspro.

Até envolverem-no neste fato, Gabriel não tinha antecedentes criminais,
entretanto, hoje está detido, sofrendo prisão preventiva e com sua causa
ainda por ser julgada; por uma acusação feita por três pessoas, uma das
quais, filho de um cabo eleitoral do PJ (Partido Justicialista, partido do
governo). Este último havia sido denunciado pelo MUP semanas antes ,
perante o município, por por irregularidades na distribuição de alimentos
em um restaurante comunitário do bairro. Este fato aumentou ainda mais a
tensão que havia entre o PJ e o movimento.
Em 29/04/04, Gabriel é detido em um procedimento no qual não faltaram
golpes aos companheiros nem destroços no restaurante comunitário, que fica
ao lado da casa de Gabriel.

É importante aclarar que nenhum dos objetos roubado nem a arma que
procurava a polícia foram achados no dito procedimento. Não resta dúvidas
de que Gabriel é vítima de uma acusação falsa, consequência de sua
militancia política.
O caso de Gabriel é mais um exemplo da repressão e perseguição que sofrem
os lutadores populares da Argentina, com os quais devemos nos solidarizar,
por construírem dia a dia o poder dos de baixo.

Depois de muitas mobilizações dos companheiros da Frente Darío Santillán
(A coordenação dos movimentos piqueteros mais combativos) e muitas cartas
enviadas de várias partes do mundo, inclusive do Brasil, se conquistou
para nosso companheiro encarcerado o direito de ter um julgamento ainda
este ano. Sim, Gabriel está preso há mais de um ano sem ter passado por um
processo judicial!

libertadagabriel@yahoo.com.ar

Envie cartas exigindo a liberdade de Gabriel Roser
O endereço para o envio de cartas é:

Tribunal Penal n°2 de La Plata. Calle 7, entre 56 y 57. La Plata (1900)
Buenos Aires, Argentina.

Pág03
Trabalhadores/as ambulantes são impedidos de trabalhar nos terminais de
ônibus em Goiânia.


Em meados de Maio a Sefur (Secretaria Municipal de Fiscalização Urbana) e
a CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos) começaram a
expulsar dos terminais de ônibus da região metropolitana de Goiânia a
maioria dos/as trabalhadores ambulantes.

Em Junho foi determinado que apenas 278 trabalhadores/as informais
poderiam permanecer nos terminais de ônibus de Goiânia, estima-se que mais
de 850 trabalhadores/as vendiam seus produtos nos terminais. Os
trabalhadores/as ambulantes que não foram contemplados pela medida absurda
da prefeitura de Goiânia trabalham agora durante a noite ou muito cedo
para fugirem da ação dos/as fiscais que literalmente roubam as mercadorias
desses/as trabalhadores/as que tiram daí o pão para seus filhos comerem.
Os fiscais apreendem mercadorias como roupas e frutas dos/as trabalhadores
ambulantes que tem que pagar uma multa de R$145 para recuperar o produto
apreendido. Os fiscais com o apoio da PM cometem verdadeiros absurdos
contra a classe pobre e trabalhadora de Goiânia agindo covardemente contra
os/as ambulantes.

Os órgãos repressivos assim como a mídia burguesa vendem informações que
tentam deslegitimar o trabalho dos/as ambulantes, acusam muitos/as
trabalhadores/as de serem oportunistas e que só vendem nos terminais nos
horários de pico abandonando suas bancas em outros pontos da cidade. Essa
notícia é mais um absurdo cometido contra a classe dos trabalhadores/as
ambulantes, pois a maioria absoluta não tem bancas regulamentadas pelo
município para trabalharem e circulam nos terminais por estes serem locais
de grande movimento durante todo o dia. Essa tentativa de difamar os/as
ambulantes mostra novamente que no jogo por lucro e poder as elites não
medem esforços nem calunias contra a classe trabalhadora.

Acreditamos que é hora dos/as ambulantes se organizarem para reivindicarem
seus direitos, só com a luta popular, com a participação direta de
todos/as nas decisões políticas, com a ação direta como método de luta e
com autonomia de partidos políticos e do governo é que os trabalhadores
conseguirão melhorias e respeito. Todos/as tem direito ao trabalho, não é
possível que as pessoas vão continuar sendo proibidas de trabalhar!

Todo apoio aos ambulantes de Goiânia!
Luta, organização e Resistência!


Fórum do Anarquismo Organizado ? 3º Encontro Nacional

O FAO - Fórum do Anarquismo Organizado é um espaço de debate e articulação
entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a
intenção de trabalhar de forma organizada atuando socialmente.
A primeira edição aconteceu na cidade de Belém do Pará em 2002, passando
pela plenária de Porto Alegre em janeiro de 2003, o encontro nacional de
novembro de 2003 em São Paulo,a reunião em janeiro de 2005 em Porto Alegre
e o encontro em Goiânia em Julho de 2005. No inicio do ano de 2005, em
Porto Alegre, foi aprovada a Carta de Intenções do FAO, documento que
apresenta a proposta do Fórum do Anarquismo Organizado e que passou a ser
a forma de divulgação do mesmo. Durante todo esse período, grupos e
indivíduos entraram em contato com a Secretaria Nacional do FAO. Esses
grupos e indivíduos junto com os grupos e organizações que já participavam
do FAO se reuniram nos dias 01,02,03 de Julho em Goiânia para a realização
do 3º Encontro Nacional do Fórum do Anarquismo Organizado. Estiveram
presentes neste encontro grupos, coletivos, organizações e indivíduos das
cinco regiões do Brasil.
O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma
verdadeira organização anarquista no Brasil. Tarefa que sabemos não ser de
curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já.
Presentes no encontro: CAEA - Coletivo Amazonida de estudos Anarquistas -
Bélem-PA, GELB - Grupo de estudos libertários babilônia - Macapá-AP, CAZP
- Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares - Maceió-AL, Pró Grupo Anarquista
Organizado Vermelho e Negro - Feira de Santana-BA, RLBS - Rede libertária
da baixada Santista - Santos, LL - Luta Libertária - São Paulo, Coletivo
Pró Organização Anarquista em Goiás - Goiânia-GO, GEAL - Grupo de Estudos
e Ação Libertária - Cuiabá-MT, FAG - Federação Anarquista Gaúcha - RS e
indivíduos. Para receber a declaração final do encontro escreva para
secretariafao@riseup.net

Pág04
Desarmamento: Sim ou Não?

No próximo mês de Outubro será realizado no país um referendo perguntando
às pessoas se elas são à favor ou contra a venda de armas e munições no
Brasil. Sob um ponto de vista contestador e anarquista algumas questões
devem ser levantadas.
Em primeiro lugar a mídia burguesa deu início à uma campanha em prol do
"sim" no referendo de Outubro, ou seja, estão passando a idéia de que o
maior problema da violência no Brasil é o fato da população civil possuir
armas de fogo, desta forma todos/as aqueles/as que querem a paz para si
próprios e para seus familiares devem dar o"bom exemplo" de votar sim à
proibição do comércio de armas e munições no Brasil.

O que não falta na imprensa falada e escrita da classe dominante são
exemplos de pessoas que perderam a vida em brigas de trânsito ou
discussões domésticas e mesmo acidentes dentro de casa provocados por
crianças e adolescentes que mataram colegas ou parentes ao terem acesso às
armas de seus pais descuidados. Bom, tudo isso parece bem lógico à
primeira vista e num primeiro momento caso não tenhamos a preocupação de
tecermos uma análise estrutural mais adequada em relação aos interesses do
povo, caímos sem pestanejar nesse discurso enganador e burguês que insiste
em dizer que o problema da violência no Brasil está nas armas e não nas
desigualdades sociais.

Tendo armas ou não o povo será sempre explorado enquanto existir essa
monstruosa separação entre capital e trabalho, entre os que realmente
trabalham e aqueles que vivem da exploração do trabalho alheio.
Se uma grande parcela da população não possui as condições mínimas de
existência que são: alimentação, moradia, vestuário, educação, lazer,
saúde logo, essas pessoas desiludidas por causa do desemprego, do baixo
salário e consequentemente a fome pegam em armas e vão cometer delitos em
busca de seu sustento. Se um pai ou uma mãe de família chega em casa após
perder o emprego de forma injusta, com vários problemas imediatos para
resolver, aluguel, filhos/as, comida, transporte, saúde, etc, ele/a sem
dúvida vai fazer alguma coisa para resolver o problema seja mendigar ou
roubar e nesse caso roubar seria muito mais digno que mendigar, pois
esse/a pai/mãe de família estaria apenas recuperando parte do que lhe foi
roubado pélas relações de produção assim como se dão neste contexto. Então
não adianta dizer que desarmar as pessoas irá resolver ou amenizar a
questão da criminalidade no país, pois a violência exercida pela população
contra ela mesma é resultado de uma violência original empreendida pelas
instituições estatais. O Governo no interesse de manter o estado de coisas
em benefícios de grupos minoritários, exerce cotidianamente a violência em
suas mais variadas formas, entre elas a violência física através da
polícia e das forças armadas em diferentes contextos históricos e lugares
distintos. A violência exercida pelo povo é na verdade uma forma de
violência contestadora, reativa contra a violência estatal. Mas os
governos insistem em dizer que a violência executada pelo Estado é uma
necessidade para a organização da sociedade que sem segurança (polícia e
exército) tende a ser cada dia mais violenta. Na verdade os fatos nos
mostram que não adianta endurecermos as leis e muito menos fornecer armas
sofisticadas para a polícia. Pois o povo maltratado e esquecido pela
política parlamentar estando armado ou não, não deixará de ser violento em
algumas situações enquanto não mudarem as relações de produção, enquanto
não deixar de existir a exploração de um ser humano sobre outros seres
humanos, enquanto todos/as não tiverem a dignidade, a igualdade e a
liberdade não nos moldes da Revolução Francesa, mas sim valores que sejam
criados, preservados e disseminados nas bases da sociedade.

Muitos conservadores direitistas, latifundiários, políticos reacionários
estão fazendo campanha a favor do ?não?. Estes setores fazem parte de uma
ala rica e conservadora da sociedade, eles defendem o ?não?, pois querem
ter o direito de defender suas riquezas e propriedades a todo custo,
querem ter o direito de manter seus privilégios que são obtidos através da
exploração da classe trabalhadora e oprimida. Podemos afirmar que esse
discurso é de uma outra parte da elite brasileira que também não está
interessada em realizar mudanças sociais profundas, querem defender suas
riquezas dos ?ladrões?, ?invasores?, na bala.

Outro ponto importante de analisar neste referendo é o efeito que o
resultado pode ter sobre os movimentos sociais. Sabemos que o Estado e os
ricos tentam sempre criminalizar os movimentos sociais de várias maneiras.
Se a venda de armas for proibida fica muito fácil para a polícia
incriminar os movimentos populares combativos, basta plantar uma arma em
algum militante ou nos espaços em que os movimentos sociais se reúnem.
Falamos isso, pois sabemos que os poderosos jogam sujo na luta contra
qualquer movimento que seja formado pelo povo e que lute por seus
direitos. Se o ?sim? ganhar os movimentos populares combativos devem
redobrar sua atenção com o jogo sujo da burguesia.


Não podemos deixar de lado também que uma vez que o Estado é o grande
autor da violência, detém o uso ?legitimo? da força(polícia e exercito),
tendo monopólio da violência que é usada contra o povo pobre. A violência
do povo é uma violência reativa, o povo reage aos males que lhe são
impostos pelos ricos através do Estado.Um pai que rouba para o filho comer
não é ladrão, um jovem que rouba para comer, se vestir também não é
ladrão.
Será porque ninguém nunca falou em desarmar junto com o povo a polícia e o
exército? Outra coisa será que os grileiros de terras serão proibidos de
se armar? Será que os esquadrões da morte vão ser desarmados? Os jagunços
que matam sem-terra? Será que a polícia vai deixar de ser violenta? E
miséria, vai acabar?


NOTAS:

LIVROS ANARQUISTAS
O Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás está vendendo livros como
forma de difundir o anarquismo e também como forma de arrecadar fundos
para o Coletivo. Até o momento estamos vendendo dois livros:1)
?Anarquistas Expropriadores? de Osvaldo Bayer, 95 pág. Ed.Luta Libertária
e ?Anarco-Comunismo Italiano? de Malatesta e Luigi Fabbri, 196 pág. Ed.
Luta Libertária. Ambos os livros custam 15,00 reais. Se você tem interesse
em adquirir algum livro entre em contato conosco pelo nosso e-mail ou pela
caixa postal.

10 ANOS DE FAG
A Federação Anarquista Gaúcha completa em Novembro dez anos de luta
popular e anarquista no Brasil. Felicitamos esses/as fortes
companheiros/as que não abaixam a cabeça diante das injustiças e mantêm
viva a chama do Socialismo e da Liberdade nos pampas Gaúchos.Parabéns FAG!
Não tá morto quem luta e quem peleia!Anarquismo é luta! www.fag.rg3.net

MOVIMENTO PELO PASSE LIVRE
Estão sendo realizadas no DCE-UFG(próximo a praça universitária) as
reuniões do MPL(Movimento pelo Passe-Livre)-Goiânia toda Sexta Feira às
18:30hs. O MPL é um movimento autonomo, apartidário e horizontal.
Participe, a luta por melhorias no transporte é de todos/as! Contato:
passelivre-goiania@lists.riseup.net



COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS
Caixa Postal 92 CEP74003-901 Goiânia-GO
e-mail:: proorganarquista_go@riseup.net
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