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(pt) [Brasil] Federação Anarquista Gaúcha - FAG: A farsa do refere ndo

Date Tue, 11 Oct 2005 11:17:26 +0200 (CEST)


A farsa do referendo
Ninguém mais do que os anarquistas, defendem as formas democráticas de
participação política. Aquelas onde o povo participa diretamente das
decisões. Considerando a atual conjuntura e a co-relação de forças
impostas na sociedade, é possível dizer que um referendo cumpre este
papel, o de dar vasão à opinião popular. Porém, este referendo da
proibição, lançado pelo governo central, e justo neste momento de crise
política, não passa de uma farsa, um engodo.
Neste momento, temos duas CPI?s em curso, as denúncias de corrupção no
governo Lula ainda ecoam na sociedade brasileira. Nunca esta administração
sofreu pressão tão forte e os índices de rejeição à Lula estão aumentando.
Realmente, é uma conjuntura propícia para se tirar o foco das atenções de
Brasília. E, quem sabe, fazer uma propaganda positiva, fazendo um
referendo e causando a impressão de se estar fazendo democracia,
"consultando" o povo.

Qual problema se busca solucionar com a questão posta no referendo? A
resposta é unânime, tanto para os defensores do "sim", como para os
defensores do "não": a segurança pública. Para se chegar a esta solução,
será esta a pergunta certa a se fazer? "Você concorda ou não com a
comercialização de armas de fogo no Brasil?". Parece que este
questionamento não leva em consideração uma situação desconfortante que
encontramos em nosso país, um dos mais desiguais do mundo. Aqui, existem
1.162.164 famílias com renda superior a 22.487 reais por mês, o
equivalente a 2,4% da população. Por outro lado, temos 20 milhões de
famílias com renda inferior a 520 reais mensais, isso significa 48% da
população. Nas universidades brasileiras, encontramos apenas 7,4% dos
jovens entre 18 e 24 anos. Neste país, 27 milhões de trabalhadores não
possuem cobertura social ou qualquer direito trabalhista (dados extraídos
da revista Carta Capital de 21 de setembro de 2005, ano 12, n°360), estão
jogados à sorte do trabalho informal. Com condições sociais tão
brutalmente desiguais, é fácil identificar as causas da violência no
Brasil.

Agora, voltando à pergunta do referendo, ela serve para se chegar à
solução do problema da violência? A questão a ser posta deve ser outra, e
tem de levar em consideração a situação apresentada acima. 500 milhões de
reais sairão dos cofres públicos para financiar esta farsa de democracia,
dinheiro que poderia ser usado para reverter os números da nossa
desigualdade social.

Várias medidas de maior significado foram tomadas pelo governo central,
sem consultar a população:

aprovação da reforma da previdência,
pagamento da dívida externa,
manutenção do superávit primário em níveis elevados além do que pede o
próprio FMI,
envio de tropas para o Haiti, negociações da ALCA,
mais recentemente, a transposição do Rio São Francisco, obra de gigantesco
impacto negativo para a região do nordeste brasileiro,
aumento do salário mínimo bem abaixo da inflação e que não dá para
sustentar um trabalhador por 30 dias, conforme manda a Constituição
burguesa.
Na tomada dessas decisões, não fomos consultados. Para elas, nossa opinião
não servia. Agora, para se passar por democrático, o governo Lula nos
chama a opinar sobre uma questão que pouco ou nada tem a ver com o
problema que diz buscar solução.
Por isso tudo, dizemos que este referendo é uma farsa. Queremos ter voz,
sim. Mas não somos tontos, o governo não quer nossa participação real. Ou
então, não nos colocaria um questionamento tão sem propósito. Nossa
participação conquistamos nas ruas, em cada marcha, barricada erguida,
greve e ocupação realizada, galpão conquistado e rádio comunitária que vai
ao ar.

Nossa participação conquistamos lutando.


Federação Anarquista Gaúcha

http://www.fag.rg3.net


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