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(pt) [Brasil] AVALIAÇÃO DO REFERENDO DO CONTRA A VENDA DE ARMAS

Date Fri, 4 Nov 2005 10:23:21 +0100 (CET)


Buscando encerrar o balanço do referendum por alguns tratado como uma luta
do bem contra o mal e que alguns tinham a expectativa de que estaria
dividindo as opiniões da população, para no fim considerar o seu resultado
uma vitória da direita.

Em 1º lugar temos que diferenciar essa discussão da questão da ?violência
revolucionária? ou de como imaginaríamos que funcionaria uma sociedade
anárquica (comunista libertária, logo socialista ? não vamos mais separar
os termos, fato que devemos aos marxistas que criaram falsas dicotomias e
construíram o caminho da traição entrando no mundo político e separando a
revolução em etapas, que para nós não existem!!!). Na verdade estamos em
meio a uma guerra e a questão é se concordamos ou não em entregar as
nossas armas para o inimigo.

A idéia do referendo surgiu anteriormente ao escândalo da corrupção
política partidária, tendo o PT à frente, quando se discutia o estatuto do
desarmamento, mas sem dúvida passou a exercer o papel de cortina de fumaça
e diversionismo para tirar o foco do centro do poder, com os petistas e
até a burguesia tentando proteger o mandato de Lula de um impedimento.

Em 2º lugar temos que identificar o Índice de Rejeição Eleitoral (IRE) e
separá-lo na interpretação final, assim tivemos 21,7 % de abstenção (cada
0,1% representam cerca de 120 mil votos), cerca de 4% de nulos e cerca de
2% de brancos, dando por volta de 29% o índice de rejeição eleitoral (algo
em torno de 36 milhões dos votos totais=123 milhões) e cerca de 48
milhões de votos para o NÃO (40 % dos votos totais) e cerca de 39 milhões
de votos para o SIM (32% dos votos totais).

Assim podemos ter uma interpretação mais realista dos acontecimentos, na
verdade o NÃO não chegou a atingir 50%+1 dos votos totais!

Da mesma maneira como podemos falar que o resultado foi uma vitória da
indústria bélica e da reação, também podemos afirmar que quem deu as
condições para que isso se desse foi o próprio governo petista que pensava
em usar essa como uma bandeira eleitoral, antecipando a campanha eleitoral
de 2006, que foi antecipada pela denuncia de corrupção que começou nos
correios e chegou ao mensalão. Na verdade o PT montou o palanque para a
direita, e até a extrema-direita, e dessa responsabilidade eles não podem
se evadir: NÃO FOI NOSSA CAMPANHA PELO VOTO NULO QUE DERROTOU O SIM, mesmo
porque titubeamos em São Paulo e não colocamos a campanha na rua com a
força que ela merecia, apesar dela ter atingido mgrande repercusão no Rio
Grande do Sul nas ações da Federação Anarkista do Rio Grande do Sul e da
FORGS/COB-AIT! Outro aspecto importante é que, referendum já marcado no 1º
semestre de 2005, o SIM chegou a ter mais de 80% das intenções de voto,
mas a medida que o ano avançava, o escândalo de corrupção tomava o
governo e os índices de aprovação e popularidade do governo Lula/PT caiam,
o SIM caia com ele enquanto o NÃO subia. Isso culminou com a declaração
de voto de Lula para o SIM, no próprio dia do referendum, o que fez com
que o NÃO estourasse a boca do balão superando o número de votos da
pesquisa de boca de urna: O referendum contra a venda de armas se
transformou num plebiscito sobre o governo.

O resultado foi uma retumbante derrota para o governo, a mídia e as ONGs
que apoiavam o governo. A nós anarkistas não cumpre ficar com pena do
governo petista de Frente Popular ou preocupados com o crescimento da
direita, temos que nos preocupar é em termos condições de responder ao
crescimento da direita que se reflete no próprio governo lulista que
governa para os banqueiros, p/ o FMI, para o latifúndio, etc. Se houve um
crescimento da direita, fato que já vimos denunciando no O COLETYIVO
LIBERTÁRIO e no jornal da Federação Operária de São Paulo/CO-AIT o A
PLEBE ao combatermos o fascismo, isso se deve a dois fatores: a política
oficial que favorece o crescimento da reação e a radicalização da crise
econômico-social que vem colocando a revolução na ordem do dia (e nesse
caso nossa prioridade é estimular a auto-organização autônoma da classe
trabalhadora em sindicatos livres e de luta, retomando o sindicalismo
revolucionário e rearticulando a COB/AIT).

Por isso não podemos nos permitir abandonar a agenda do Movimento
Libertário Brasileiro (MLB) pelos obstáculos que as elites nos colocam,
assim foi um erro termos caído na falsa dicotomia que eles colocaram
discutindo o SIM e o NÃO quando na verdade a questão era denunciar a
manobra diversionista e lançar já a campanha pelo voto nulo, anti-FMI e
pela revolução social (que já tem sido nossa linha de ação).
Permitirmo-nos seguir a reboque da política burguesa ou partidária é
também uma perda de autonomia e iniciativa, uma perda de tempo.

SAÚDE E ANARKIA!

cldvulg@bol.com.br
cldvulg1917@yahoo.com.br
cldvulg1985@yahoo.com.br


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