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(pt) Assembleia Libertária do Porto: 1º de Maio

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Sun, 1 May 2005 21:27:26 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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1º de Maio. De memória sangrenta, comemora em primeiro lugar o dia 1 de
Maio de 1886, quando se realizou uma manifestação sindical de centenas de
milhares de trabalhadores nas ruas de Chicago, reivindicando a redução da
jornada de trabalho para 8 horas diárias, o que deu início uma greve geral
nos EUA. O dia 3 de Maio terminou com a morte de um dos manifestantes em
confrontos com a polícia. A 4 de Maio, uma nova manifestação foi
organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo
terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos (que, veio a
apurar-se depois, pertenciam à própria polícia) para o meio dos polícias
que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A
polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo
dezenas, o que é hoje conhecido como a Revolta de Haymarket. Três anos
mais tarde, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu
escolher essa data para convocar uma manifestação anual com o objectivo de
continuar a lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A 1 de Maio de 1891
uma manifestação no norte de França foi dispersada pela polícia, o que
resultou na morte de dez manifestantes e serviu para reforçar o dia como
um dia de luta dos trabalhadores. Alguns meses depois a Internacional
Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de
reivindicação de condições laborais.A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e
proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o
1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos
outros países.
Em Portugal festeja-se livremente o 1º de Maio a partir da revolução de 1974.
No entanto, este festejo acontece de forma cada vez mais esmorecida, muito
provavelmente porque as condições reais de vida e trabalho dos
trabalhadores se modificaram radicalmente, as RELAÇÕES SINDICAIS com o
patronato e o governo provaram-se igualmente CORROMPIDAS e transformadas
em mero INSTRUMENTO INSTITUCIONAL DE NEGOCIAÇÃO e os novos problemas que
surgiram com o avanço da política e ideologia do capitalismo e do
liberalismo esperam ainda pela verbalização consciente dum novo equacionar
das dificuldades, das modalidades da exploração e das contradições de
interesses de classe.
O Estado tem assumido a responsabilidade da oferta de educação em níveis
aparentemente cada vez mais altos (o 9º ano, actualmente) e o objectivo
primordial, conforme a lógica liberal, é “a tomada de consciência dos
direitos e deveres sociais e o desenvolvimento da capacidade produtiva
para apropriação e transformação da natureza em benefício de toda a
população” ( Isaura Belloni, 1992).No entanto, este facto é acompanhado de modelos de aprendizagem e
avaliação que agudizam a EXCLUSÃO DO ENSINO, a triagem encapotada das
elites e o avanço de apenas uns poucos, à partida privilegiados, para um
ensino na pré-universidade e universidade caro e distintivo, reproduzindo
o modelo social altamente hierarquizado a que conduz a dinâmica do
desenvolvimento económico e a lei dos peixes sempre maiores comerem os
menores porque se rege a profunda injustiça da nossa sociedade actual.
A mundialização ou GLOBALIZAÇÃO, selvaticamente imposta pelas grandes
potências muito antes que as economias em vias de desenvolvimento dela
pudessem retirar proveito, escravizando-as, consequentemente, é outra
faceta desta mesma política e ideologia, que aparentemente confere as
mesmas oportunidades de praticar o comércio livre a todas mas joga com
cartas marcadas pelas vantagens à partida; e com um interesse unicamente
pautado pela possibilidade de se encher à custa da derrota, do
empenhamento e da miséria alheios.Esta lógica de crescimento económico que tudo justifica, pondo, sem
considerações éticas ou morais, o lucro e a recompensa material no
investimento à frente dos custos da ANIQUILAÇÃO DOS MEIOS DE SUBSISTÊNCIA
de terceiros, contaminou, pela corrupção dos agentes políticos pelos
económicos, a própria ideologia e política do estado, que galopantemente
substitui conceitos e revoga leis que garantiam direitos adquiridos
mínimos e inalteráveis dos trabalhadores e da população em geral ( como o
DIREITO AO TRABALHO), privatizando serviços básicos essenciais tais como a
saúde, a educação, os transportes e os serviços de água, saneamento e
distribuição de energia.
O conceito, que evoluía no sentido de tornar universalmente consciente que
a gratuidade é condição sine qua non para uma efectiva LIBERDADE na
IGUALDADE DE OPORTUNIDADES E CONDIÇÕES, enquanto socialização de todos os
bens e recursos produzidos colectivamente, é substituído pela LIBERALIDADE
na COMERCIALIZAÇÃO de tudo. Devido a este significado político e
ideológico, a GRATUIDADE é um CONCEITO ESSENCIAL nas lutas dos
trabalhadores por melhores condições de vida.
Segundo os princípios de movimentos libertários e libertadores, a
gratuidade caracteriza-se como sendo a (re)apropriação de bens e direitos,
dos frutos do trabalho colectivo sobre bens essenciais comunais, tais como
hospitais, escolas, universidades, estradas, caminhos de ferro, a água, o
vento, o sol...
E só pode coexistir com a retomada do conceito da própria reapropriação
pelo planeta de si mesmo, abusivamente tornado, no conjunto da sua
DIVERSIDADE BIOLÓGICA, como FEUDO OU COUTADA de alguns seres humanos, que
acham que podem explorar ou extinguir espécies e conspurcar o que é de
todas e de ninguém a bel-prazer dos seus interesses económicos.
O modo de produção capitalista, cujo fundamento é a EXCLUSÃO crescente e a
concentração da PROPRIEDADE nas mãos de cada vez menos, caracteriza a
negação e a comercialização do acesso aos bens espirituais e materiais
comunais, e um dos seus sintomas gritantes, que é preciso consciencializar
e denunciar urgentemente na nossa sociedade, é a NEGAÇÃO DA GRATUIDADE
como direito colectivo inalienável.
È preciso tornar visível o CRIMINOSO proceder das PATENTES sobre
pensamentos, conhecimentos ancestrais, sementes, genes, etc., pertencentes
a toda a gente e a ninguém, a introdução de PLANTAS TRANSGÉNICAS (cujos
malefícios para a saúde estão provados) PATENTEADAS que polinizam as
outras mas são pertença duma empresa que pode exigir pagamento pela
contaminação, o que só pode conduzir ao estabelecer de relações comerciais
escravizantes e a um NOVO FEUDALISMO.
Assim como é preciso cada vez mais tornar visível o criminoso paradoxo da
tecnologia, que em princípio moral e éticamente evidente, nos deveria
RESTITUIR COLECTIVAMENTE O TEMPO LIVRE, mas ao contrário, coloca a mais
valia resultante do tempo poupado pelas máquinas a trabalhar para nós, nas
mãos dos CADA VEZ MENOS DETENTORES DOS MEIOS DE PRODUÇÃO, aumentando o
desemprego e, ao aumentar a PRECARIEDADE do emprego, sujeitar os
trabalhadores a cada vez maiores jornadas de trabalho, a mobilidades
geográficas que destroem a integração social e que conduzem à NOVA
ESCRAVATURA.
Essa precariedade atinge em primeiro lugar as mulheres e, reduzindo-lhes a
sua segurança e margem de manobra económica, fortalece as condições que
perpetuam a dependência da família e a aceitação de JORNADAS DUPLAS de
trabalho (com a acumulação do trabalho doméstico e dos filhos) e a
permanência em situações insustentáveis de humilhação e VIOLÊNCIA, o
recurso sistemático à dependência pandémica de drogas barbitúricas para
aguentar as desumanas condições de vida.
Ao vulgarizar a venda da imagem de indivíduos concretos como meio
publicitário e ao liberalizar a venda do sexo transformando corpos em bens
de consumo, o capitalismo cria ainda uma crescente ESCRAVATURA SEXUAL com
milhões de crianças e mulheres envolvidas, o que evolui ainda
dramaticamente no sentido de liberalizar-se e legalizar-se o proxenetismo.
Esta materialização radical do sentido da vida vinda dos agentes
económicos de cima é acompanhada pela mais hipócrita das MEDIATIZAÇÕES DA
IGREJA e da sua tradicional influência no manter duma mentalidade
crucificada em DEUS PÁTRIA E FAMÍLIA, cristalizadores da resignação
sofredora e crística das massas em baixo, agudizando-se a repressão
sexual, a moral dupla e a comercialização encapotada tanto do sexo como da
vida familiar.
Fica aquela pergunta que só nos pode remeter para a brutal tomada de
consciência da dimensão da rapina a que estamos, como pessoas com direitos
de decisão e cidadania, colectivamente sujeitas:Se o estado não tem dinheiro para financiar a gratuidade da educação, da
saúde, da água e luz, dos transportes e das comunicações, porque raio
aumenta as verbas para os estádios de futebol, para o exército, a polícia
e as despesas dos próprios políticos? Como se atreve a mandar GNRs para o
Iraque?
Façamos portanto do primeiro de Maio um dia de reflexão, reapropriação e
luta. Não de festejo estéril de direitos adquiridos que não só nos são
encapotada e descaradamente retirados como ainda se tornaram obsoletos
pela evolução das condições reais tecnológicas. Lutemos pela reapropriação
de todos os nossos direitos comunais, pela verdadeira igualdade de
oportunidades, pela tomada da consciência da necessidade e do direito
universal a estruturas libertárias organizadas desde a base, uma divisão
justa do conhecimento e do poder de decisão que proteja e assegure a
igualdade e a justiça social e ecológica.1 de Maio de 2005 Assembleia Libertária do Porto




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