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(pt) [França] Colônia Libertária, uma experiência pedagógica

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 29 Mar 2005 09:15:38 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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São mais de 10 anos de aventura coletiva e autogestionária, descobrindo o
sentido e o exercício da liberdade. É a "Colônia Libertária", um espaço
educacional anti-autoritário e nômade na França, levado a cabo por
"pequenos e grandes" de diversas cidades francesas. A seguir uma conversa
com Roberto, um dos participantes do projeto desde a sua criação.
Agência de Notícias Anarquistas > Quando e como surgiu o projeto “Colônia
Libertária”?
Roberto < O projeto "Colônia Libertária" existe há mais de dez anos. Mas,
antes era "relativo aos pais", isso quer dizer que os pais levavam seus
filhos, grandes ou pequenos, e eles mesmo eram encarregados de uma ética
de educação libertária. Isto tinha a vantagem de criar solidariedade entre
as gerações (pequenos/as, grandes, adultos/as).
A "nova fórmula" é aplicada desde há 4 anos. Em 2001, escrevemos um
projeto pedagógico, que tratamos de manter, embora tenha se desenvolvido,
e foi necessário introduzir alguns ajustes. Este novo projeto nasceu como
continuação da "Colônia Libertária". A idéia era boa, então foi
considerado interessante continuar.

ANA > Quem participa deste projeto? É uma iniciativa da Federação Anarquista?

Roberto < Quando este projeto foi iniciado participavam pessoas do
ambiente libertário. Havia pessoas da FA, mas a colônia é um projeto
aberto, e não é necessário ser da FA para participar. Sequer ser
anarquista... Na atualidade, há pessoas de diversas orientações, mas é
evidente que todas estão interessadas em pedagogias alternativas,
libertária, diferente...

ANA > Onde acontecem as atividades? Qual é a dinâmica desenvolvida?

Roberto < Os lugares mudam todos os anos. No princípio alugávamos às
associações… (os dois primeiros anos). No ano passado, a associação
“Pássaros em Trânsito”, que participavam do projeto “Colônia Libertária
2004”, nos ofereceu um lugar onde desenvolvem suas atividades. Tivemos que
nos adaptar: acampar, fabricar instalações que faltavam. Ficou
interessante. Pudemos propor diferentes trabalhos manuais, teatro e outras
atividades, que não teria sido possível numa localidade tradicional. O
lugar estava em constante evolução, o que permitia estimular a imaginação
dos/as adolescentes. Além do mais pudemos desenvolver atividades de lazer
“não consumíveis”.
Sua dinâmica é mais ou menos a seguinte: adaptação com respeito à proposta
dos lugares, debates coletivos (3 reuniões por ano + uma lista de
discussão pela internet), iniciativas pessoais, tanto dos/as adultos/as
como dos/as adolescentes (propostas de atividades, aceitação de mandatos
etc). Este ano, um adolescente se postulou como o secretário da Colônia,
outros/as para buscar informações da Espanha (projetos em curso) etc. O
estímulo origina-se do lugar, das idéias dos/as demais.

ANA > Há uma interação com os vizinhos da comunidade, nos lugares onde
acontece a Colônia Libertária, ou é exclusivo para os membros do grupo?
Roberto < A partir do ano passado, e com a contribuição da associação
gestora do lugar, tratamos efetivamente de entrar em contato com as
pessoas que nos abriga. Antes, o lugar era alugado a alguém a quem nunca
era visto. Agora tentamos eleger lugares "alternativos", afins a nossos
princípios libertários. Tentamos dar uma mão para melhorar o lugar. Dessa
maneira são criados vínculos, se busca organizar outras atividades, ou de
continuar a colônia com novas pessoas.
Se uma ou mais pessoas do lugar têm alguma proposta podem realizá-la,
naturalmente, respeitando o projeto pedagógico e com o acordo de todo/as.

ANA > Qual é o balanço neste tempo de atividades e o que mais
significativo você destacaria? E neste ano?
Roberto < O resultado, em seu conjunto, é bastante positivo. Este ano
demos conta do significado do que te dizia antes: fazer-se responsável, a
evolução positiva dos/as “antigos/as” da Colônia, que se conheciam muito
bem, mas que não conseguiam se integrar com os/as recém chegados/as. Assim
mesmo, conseguimos renovar a equipe “animadora” (não gostamos muito deste
termo), onde permanecem alguns “antigos/as” como elo.
Sobre o projeto deste ano, ainda se encontra em construção, e
conseguiremos concretiza-lo, nos sentiremos muito orgulhosos/as. É uma
questão de ir ao exterior. A princípio, se pensou em fazer uma colônia
itinerante na Espanha, mas devido a problemas técnicos logísticos
(transporte + calor) e, também, humanos (os/as adolescentes não quiseram),
deixamos de lado. Agora estamos pensando em ir ao norte da Espanha ou da
Itália.
Bom, a Colônia, primeiro é dos/as adolescentes, nós estamos ali para
ajuda-los a que façam sua Colônia de forma libertária. O mais
significativo para nós de tudo isto é que nós também, como adultos/as, nos
desenvolvemos com respeito a nossa relação com os jovens.
Por exemplo, fazemos assembléias gerais separadas, a fim de que os/as
adolescentes tenham mais espaço e uso da palavra. Há um intercâmbio e isso
resulta ser muito interessante.

ANA > Vocês vão publicar um livro sobre este projeto?

Roberto < Há algo mais que nos anima: há um projeto de livro proposto
pelos/as adolescentes! Alguém disse que tomaria fotos, outros/as se
somaram para fortalecer a idéia de fazer um livro, propondo escrever os
textos. Até tinham pensado no editor! Não sei quando estará pronto, mas
isso é o menos importante.

ANA > E até onde vocês pretendem chegar com...

Roberto < Gostaríamos de editar algo bastante sólido, por exemplo, um
documento, de modo que o “projeto colônia libertária” possa ser
compartilhado, retomado por outras pessoas, em outros lugares. No plano
pessoal, gostaríamos de evoluir em direção de uma pedagogia cada vez mais
libertária; e com respeito aos jovens, embora temos nossas esperanças e
expectativas, ele/as são quem deveriam falar de seus desejos e esperanças.

ANA > A Colônia acontece em Besançon, e sempre no verão europeu?

Roberto < A Colônia nunca aconteceu em Besançon, e creio que nunca vá
acontecer lá, simplesmente por que as atividades que queremos realizar não
se prestam ao espaço da cidade (passeios, bricolagens, construção). Ela
sempre acontece no verão europeu porque as férias liberam tempo pra todo
mundo.

ANA > Vocês já pensaram em transformar esse projeto numa escola?

Roberto < Não, alguns indivíduos que participam do projeto "Colônia
Libertária" vislumbram igualmente a possibilidade de uma escola, mas as
duas coisas não tem ligação.

ANA > Mudando um pouco de assunto, qual o panorama do anarquismo hoje em
Besançon? Há espaços libertários, atividades, lutas regulares...
Roberto < Nós, Grupo Proudhon da FA, temos uma livraria que abre duas
vezes por semana, às quartas e sábados. Organizamos regularmente, em geral
uma vez por mês, conferências ou reuniões públicas. A última aconteceu em
18 de março, sobre Anticapitalismo e Altermundismo. Participamos de uma
“Rede de Troca de Saberes”, junto com outras associações. Fazemos
refeições no bairro, umas das quais ocorre no 1º de maio, que organizamos
juntamente com a CNT. Participamos dos movimentos sociais, das lutas
reivindicativas de trabalhadores e trabalhadoras, das lutas dos
desempregados e desempregadas... Editamos um periódico mensal que se chama
"Drapeau Noir", uma folha mensal que se chama "La Mauvaise Graine". A mais
ou menos dois anos houve um movimento de “squatts”, que hoje não existe
mais (mas que não exige nada além de se repartir um imóvel). Há um
sindicato anarco-sindicalista, a CNT, que não é nada mal pra uma cidade
pequena como Besançon, mas isso não é suficiente para nós, bem entendido.

ANA > Para finalizar deixe alguma mensagem para os leitores e leitoras
dessa entrevista. Obrigado pela paciência!
Roberto < A única mensagem que eu gostaria de deixar é que é necessário
continuar a lutar, não importa por quais meios. Façam colônias libertárias
onde quer que seja possível, é uma experiência enriquecedora para
todos/as. As pedagogias são libertárias ou então não são dignas desse
nome! "Abram escolas (libertárias se possível) e vocês fecharão uma
prisão." (não sei de quem é a citação...).

Mais infos: www.lautodidacte.lautre.net


Colaborou na tradução: Alicia Zarate e Allyson Bruno

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