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(pt) O Globo Ataca Mov. Anticopyright e Coletivo Sabotagem

From sabotagem@riseup.net
Date Tue, 22 Mar 2005 19:44:55 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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Depois da indústria fonográfica e de cinema, agora é a vez da indústria
editorial ser incluída no processo de democratização. No entanto, a
tendência de democratização defendida pelos movimentos sociais emergentes
não é vista com bons olhos pelos grandes grupos editoriais, tão
acostumados com privilégios e receitas inimagináveis.
A primeira evidência deste desagrado veio na forma de um curta intitulado
Gatunos do Conhecimento publicado faz alguns meses no sítio Clippin News,
um informativo mercadológico vinculado a Câmara Brasileira do Lucr...
Livro. Através deste, a CBL, pela primeira vez, deixou clara sua
tendência a criminalizar qualquer movimento que questionasse a lógica por
trás dos direitos autorais de seus “insumos culturais”.
Em seguida, a revista Época, semanário da Editora Globo, reconhecida pelo
seu alto grau de manipulação informativa, por meio de um de seus ditos
“jornalistas”, entrou em contato com o Coletivo Sabotagem propondo uma
“entrevista”. Cientes do grau de distorção presente no material
jornalístico veiculado pelo grupo, assim como os interesses que
historicamente o conglomerado Globopar (Globo Comunicações e
Participações) vem defendendo desde o último período ditatorial, o
coletivo recusou veementemente a proposta. E diante da possibilidade da
matéria na Revista Época sair mesmo sem a entrevista com o coletivo,
prevendo as inclinações ideológicas de seu texto, o Sabotagem optou por
buscar, de algum modo, possibilitar a outra versão dos fatos em uma mídia
de massa menos perniciosa e não tão comprometida com a manutenção do
status quo e os interesses das Elites. Foi assim que o Coletivo entrou em
contato, através de e-mails, com a Revista Carta Capital, propondo a
matéria com o tema anti-copyright e colocando-se a disposição para uma
possível entrevista.
Hoje, após algum tempo, a Editora Globo ergue-se novamente em nome dos
direitos autorais. Através de uma matéria publicada no Jornal O Globo
(edição de 21/03) bem como no sítio de seu autor
http://www.polzonoff.com.br/mambo/index.php?option=com_content&task=view&id=352&Itemid=85,o “jornalista” Paulo Polzonoff Júnior se esforça por criminalizar as
ações do coletivo Sabotagem bem como o movimento Anti-Copyright,
limitando-se a um viés legalista que só interessa àqueles que defendem os
interesses dos empresários que se fartam nos lucros obtidos com os
chamados “produtos culturais”.
Durante toda matéria, o autor deixa bem claro seu posicionamento – a
ideologia de mercado defendida por ele sequer é pensada enquanto
ideologia; já ascendeu a um status de verdade absoluta e inquestionável
condição em que qualquer tipo de crítica torna-se uma heresia. É num tom
ameaçador que “lembra” aos escritores que desejem quebrar com a lógica da
“industria cultural” que mesmo que estes queiram disponibilizar suas
obras de um modo mais democrático, “estão presos às suas editoras por
contratos que em geral deixam claro a proibição, por parte do autor, de
disponibilizar o livro gratuitamente, por qualquer meio”.
O que está em jogo é, obviamente, dinheiro e poder, e os “Templos
Editoriais” assim como as “Igrejas Fonográficas”, não estão poupando
esforços para “formatar” a opinião pública, para converter almas em nome
do seu próprio Capital. “Chamam-nos de pirata, mas sabemos muito bem quem
fará de tudo para ficar com o ouro.”
O que os defensores dos direitos autorais não se dão conta é de que ele
nada mais é do que a noção de propriedade privada, tal qual ela foi
concebida em termos clássicos, transplantada para o domínio das idéias.
Utilizam percepções e leis que serviram primeiramente para demarcar
terrenos, objetos físicos e não multiplicáveis, que são únicos no tempo e
no espaço para exclusivização do universo das idéias e do conhecimento,
sem praticamente nenhuma modificação. Só que não existem meios de se
limitar o conhecimento; Ele é ilimitável. Não se perde o conhecimento,
este nem sequer é segmentado, quando compartilhado com outra pessoa. As
idéias não conhecem cercas, elas não as reconhecem por mais que os
radicais do Capital afirmem todos os dias a existência destas.
Há um grande equívoco em alegar que o Coletivo Sabotagem é contra o ganho
escritor através de seu trabalho, isso jamais foi defendido em lugar
algum. São as idéias que devem ser emancipadas de seu caráter de
propriedade, ao mesmo tempo em que os autores devem se libertar das
imposições e manipulações das grandes editoras. Organizando-se junto a
seus iguais, podem buscar independência desse sistema editorial
pernicioso que só existe com a intenção de os explorar, bem como
“consumir” os chamados “consumidores”. O ganho justo por um livro é
aquele que leva em conta outros fatores que não somente o que dita o
próprio ego.
Outro erro é afirmar que o Sabotagem considera todos os grupos de mídia
como sendo “engajados na aniquilação do sólido movimento anticopyright
(sic)”. A grande mídia se esforça por ocultar o movimento de Mídia
Independente surgido na Internet há quase uma década, a mesma grande
mídia que se esforça por demonizar rádios livres e comunitárias em nome
de seu lucrativo oligopólio das ondas de rádio. E existem também outros
veículos midiáticos que mesmo sendo comerciais, prezam por outros valores
que não a manutenção e ampliação cega do sistema neoliberal, que no
futuro se configurará como um tiro no pé dos mesmos que, hoje, optam por
defendê-lo. O Coletivo sempre estará aberto ao diálogo com qualquer
veículo de informações sério, que tenha como princípio informar sem
manipulações, defender a democracia ao invés do autoritarismo e as
pessoas antes do lucro. Muitas vezes esse diálogo fica impossibilitado
diante da
perseguição executada pela mídia de massa bem como pelas grandes
editoras, que, no fundo, são faces diferentes da mesma moeda.
Nenhum fanático reconhece o fanatismo em si mesmo, já que o homem é sua
própria medida. E é assim que o pior dos fundamentalismos se multiplica:
o extremismo de mercado sempre se insinuando como única verdade a ser
considerada, aprisionando-nos em um mundo privatizado, onde tudo já foi
dividido e deve gerar lucro conforme as expectativas de seu respectivo
empresário. Segundo seus defensores nada dessa configuração deve ser
sequer posta em dúvida. Sem que percebamos, nos tolhe de todos os modos
possíveis e imagináveis. Quando nos damos conta disto a falsa liberdade
se desfaz no ar, revelando as verdadeiras grades da nossa prisão.
E é só o conhecimento aplicado à realidade que pode nos libertar. O mesmo
que não se compra, nem se vende, só se toma e se compartilha.
Poe Sabótt
Coletivo Sabotagem
www.sabotagem.cjb.net

E-mail do Autor da matéria para o Globo: paulo@polzonoff.com.br




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