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(pt) BOLETIM FAÍSCA #05 [Faísca Publicações Libertárias]

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Mon, 14 Mar 2005 22:18:08 +0100 (CET)


______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________

Assuntos desse boletim:
1. A Guerra da Tarifa de Leo Vinicius
2. Distribuidora Faísca
3. Excertos do lançamento Anarquismo na Rússia
4. Lançamentos
5. Próximos Lançamentos

Olá!

O nosso 5º boletim começa comunicando uma inclusão nos lançamentos e que
provavelmente deve passar na frente de outros. Como havíamos mencionado,
um dos grandes objetivos da Faísca é estimular o debate entre as pessoas
envolvidas com os grupos e movimentos de cunho antiautoritário e
libertário para que ganhemos maturidade e tenhamos um espaço público de
debate, com alto nível de argumentação. Acreditamos que um dos grandes
problemas do nosso movimento, se é que podemos chamá-lo assim, é que
ficamos presos em boatos, divergências inúteis, desinformação e sede por
confusões, que acabam fazendo com que tenhamos problemas e não consigamos
trabalhar uns com os outros. Esse espaço que começaremos a proporcionar,
apesar de limitado, objetiva principalmente a troca de idéias e o debate
maduro, no nível dos argumentos e sem deixar espaço para aquilo que nos
desmobiliza e desconstrói o pouco que conseguimos construir. Queremos
também estimular a publicação de anarquistas brasileiros, tratando de
diversos temas a partir de uma perspectiva libertária e tentando adaptá-la
o máximo possível, à nossa realidade local. Continuaremos com as
traduções, mas também queremos que os nossos companheiros contribuam nos
debates, e que eles sejam publicados para que outros tomem conhecimento. O
primeiro lançamento já está no prelo e chama-se A GUERRA DA TARIFA de Leo
Vinicius, cujos comentários a respeito seguem abaixo.
Estamos enviando alguns trechos de ANARQUISMO NA RÚSSIA – REVOLUÇÃO,
BOLCHEVISMO E REBELIÃO DE KRONSTADT, um de nossos próximos lançamentos.
Após os últimos acertos, o livro já irá para a gráfica. Aliás, o assunto é
de suma importância, já que a história dos socialistas libertários foi
suprimida pela literatura autoritária, leninista em grande medida. A
maioria absoluta dos relatos sobre a Revolução Russa segue o antigo ditado
de que “quem ganha a guerra conta história”. São relatos como os de Eric
J. Hobsbawm, que dizem que “os bolcheviques foram benevolentes com os
anarquistas”. Esse livro vai colocar alguns “pingos nos is” e esclarecer
muita coisa que aconteceu no final da década de 1910 e início de 1920 e
que não nos foi contado pelos vencedores do conflito
autoritários-libertários, cujo início deu-se ainda dentro da AIT de 1864.
Historicamente, é um texto de suma importância para trazer a tona a
história do socialismo libertário na Revolução Russa e fazer justiça aos
companheiros exterminados pelo Exército Vermelho de Trotsky. É fundamental
para diferenciar a idéia dos sovietes (conselhos) presente no início da
revolução, cuja máxima “todo poder aos sovietes” dava um sentido de
autonomia e descentralização a eles, de sua completa deturpação para o
socialismo de Estado, centralizador e tirano, dando por conseqüência lugar
às tantas atrocidades que hoje conhecemos.
Falando em história do movimento libertário, podemos sugerir ao leitor o
recente lançamento da editora Imaginário HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO
REVOLUCIONÁRIO. Há um artigo do companheiro Alexadre Samis tratando da
história do anarquismo no Brasil que é estupendo. Há ainda uma série de
outros textos tratando basicamente da história de sindicalismo
revolucionário com ênfase em países como Espanha, Itália, França, Japão,
Argentina e Estados Unidos. No item “distribuidora” desse boletim,
tratamos com detalhe o assunto e você pode comprá-lo conosco pelo correio.
Fechamos a data e local da nossa festa de aniversário de um ano! Será no
mês de abril em São Paulo. Quando chegar mais perto, daremos todas as
coordenadas!
Se você conhece pessoas que poderiam se interessar pelos assuntos
publicados no boletim da Faísca, reenvie o boletim a elas ou então peça
que se cadastrem no www.editorafaisca.net!

Assuntos desse boletim:
1. A Guerra da Tarifa de Leo Vinicius
2. Distribuidora Faísca
3. Excertos do lançamento Anarquismo na Rússia
4. Lançamentos
5. Próximos Lançamentos


#1. A GUERRA DA TARIFA#

Pegando carona nos recentes acontecimentos que envolveram a questão do
transporte nos últimos meses em alguns locais do país, achamos por bem
publicar um relato libertário sobre os acontecimentos. Escolhemos para
isso, o texto a Guerra da Tarifa de Leo Vinicius que conta, dia-a-dia, as
manifestações contra o aumento dos transportes em Florianópolis e pelo
passe livre dos estudantes. O sucesso do movimento e seu caráter
libertário é o que mais nos inspira para que esse tipo de ação se espalhe
pelo país e possa dar um novo fôlego aos movimentos de ação direta. O
autor já preparou uma introdução apresentando o texto e refletindo sobre
alguns aspectos do movimento. Abaixo reproduzimos um trecho da introdução
escrita pelo autor ainda esse mês. Esperamos que todos apreciem e muito em
breve o livro estará publicado! A Faísca deseja toda força aos movimentos
que lutam pelo transporte público descente e mais barato e mais ainda aos
libertários e libertárias que fazem com que os aproveitadores de plantão
não se apropriem de algo que nos é tão caro: a nossa liberdade.
Nas palavras do autor

“A Guerra da Tarifa é um relato feito no calor dos acontecimentos; logo
após a vitória de um movimento/revolta popular que fez retroceder um
aumento de tarifas de ônibus em Florianópolis, no ano de 2004. Trata-se de
algumas memórias de um anarquista, sobre as duas semanas de sua vida.
Não foi uma revolução, evidentemente (não houve alteração da estrutura
econômica, social e política), mas não esteve longe de ser uma
insurreição. E era difícil prever o que poderia ocorrer naquela
quinta-feira, 8 de julho, caso, pouco antes da meia-noite de quarta-feira,
através do Poder Judiciário a classe dirigente não houvesse revogado o
aumento das tarifas. O ultimato dado pelo movimento, e a convocação de
megamanifestações e de desobediência civil generalizada, deixou a cidade
em verdadeiro clima pré-insurrecional. Havia planos de ocupar/tomar pontos
simbólicos de poder, como a Prefeitura, a Assembléia, etc.. Enfim, se a
massa resolvesse tomar esses lugares e se achar no direito e no dever de
se autogovernar, a situação poderia sair completamente do controle das
autoridades constituídas (e destituídas!), ou pelo menos ser criado um
abalo político sem precedentes na cidade. E a classe dirigente sabia bem
desse risco e dessas intenções, deixadas vazar propositalmente como parte
de uma guerra psicológica.
Mais uma vez, e como sempre, é a perspectiva revolucionária que arranca as
reformas e reivindicações pontuais. É preciso almejar e planejar a
revolução mesmo para conseguir melhorias neste sistema.”

#2. DISTRIBUIDORA FAÍSCA#

O livro citado acima, HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO,
editado pela editora Imaginário, pode agora ser adquirido conosco pela
internet. O sumário está reproduzido abaixo e sem poupar elogios, é uma
das grandes obras libertárias publicada nos últimos anos. Para o universo
brasileiro, poderíamos arriscar que é uma das mais importantes obras já
publicadas. Para aqueles que quiserem adquirir o livro, o preço é R$
56,00. O livro tem mais de 350 páginas e várias figuras e imagens
belíssimas. O procedimento de compra é o mesmo que os livros da Faísca, em
caso de dúvidas é só consultar o www.editorafaisca.net e verificar a parte
de “Vendas”.
HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO
*Eduardo Colombo – “Uma história escamoteada”
*Marianne Enckell – “A A.I.T.: a aprendizagem do sindicalismo e da política”
*Francisco Madrid – “Anarquismo e organização na Espanha. "Solidaridad
Obrera" e as origens da C.N.T.”*Larry Portis – “Os I.W.W. e o internacionalismo”
- Anexo: Comitê executivo geral dos I.W.W. A posição internacional dos
Industrial Workers of the World (I.W.W.)*Eduardo Colombo – “A F.O.R.A.. O "finalismo" revolucionário”
*Alexandre Samis – “Sindicalismo e anarquismo no Brasil: pavilhão negro
sobre pátria oliva”*Maurizio Antonioli – “A U.S.I.. O sindicalismo revolucionário italiano”
*Claudio Venza – “O anarco-sindicalismo italiano durante o "Biennio Rosso"
(1919-1920)”*Philippe Pelletier – “Um esquecido do consenso: o anarco-sindicalismo no
Japão de 1911 a 1934”*Rudolf De Jong – “A A.I.T. de Berlim. De 1922 à Revolução espanhola”
- Anexo: Rudolf De Jong – “Alguns dados sobre a A.I.T. de Berlim”
*Daniel Colson – “A crise do sindicalismo revolucionário na França e a
emergência do fenômeno comunista”*Frank Mintz – “Reflexões sobre a formação do conceito de "comunismo
libertário" nos anos 30 na Espanha”*Eduardo Colombo – “Post-scriptum concernindo a Espanha revolucionária”


#3. EXCERTOS DO ANARQUISMO NA RÚSSIA#

* Trechos de "A queda do Anarquismo Russo" de Paul Avrich:

“Durante os primeiros meses de 1919, enquanto Makhno e seus partidários
preparavam a estrutura de uma sociedade libertária, suas relações com os
bolcheviques seguiram sendo razoavelmente amistosas, ao menos na
superfície. Os camponeses de Guliai-Pole enviaram carregamentos com
grandes quantidades de grãos aos trabalhadores industriais de Petrogrado e
Moscou, que sofriam drásticas restrições de alimentos. A imprensa
soviética exaltava Makhno como um "valoroso guerrilheiro" e como um grande
líder revolucionário. As relações alcançaram seu melhor momento em março
de 1919, quando Makhno e os militares concluíram um acordo para a ação
militar conjunta contra o Exército Branco do general Denikin. Segundo este
acordo, o Exército Insurgente da Ucrânia convertia-se em uma divisão do
Exército Vermelho, sujeita às ordens do Comando Supremo Bolchevique, mas
mantendo seus próprios oficiais e estrutura interna, assim como seu nome e
a bandeira negra .
Porém, todos estes gestos externos de harmonia não podiam acabar com a
hostilidade básica que existia entre os grupos. Aos comunistas desagradava
demasiadamente o estatuto de autonomia do Exército Insurgente, ou a
poderosa atração que este exercia sobre os seus seguidores camponeses; por
sua parte, os makhnovistas temiam que cedo ou tarde o Exército Vermelho
tentaria domesticar seu movimento. No começo do ano, alguns porta-vozes
dos dois primeiros Congressos makhnovistas haviam acusado o partido
bolchevique de tentar "acabar com a autonomia e a liberdade dos sovietes
locais de delegados operários e camponeses" e de "querer estruturar-se com
o monopólio a revolução". Quando se convocou um Terceiro Congresso, em
abril, o chefe do Exército Vermelho na área do Dnieper, Dybenko,
proibiu-o, qualificando-o de reunião "contra-revolucionária". O Conselho
Militar Revolucionário de Makhno despachou uma resposta indignada: "Que
direito tem você de chamar de contra-revolucionária uma gente que [...]
tem quebrado as correntes da escravidão e que quer moldar sua vida à sua
própria maneira? Por acaso as massas populares vão permanecer caladas
enquanto os 'revolucionários' acabam com a liberdade que elas têm
conquistado?" O Terceiro Congresso de Camponeses, Operários e Insurgentes
começou em 10 de abril, desafiando abertamente a proibição de realizá-lo.
A partir deste momento, os periódicos soviéticos abandonaram seus elogios
aos makhnovtsy e lançaram uma campanha de ataques qualificando-lhes de
"kulaks" e "anarco-bandidos". Em maio foram capturados e executados dois
agentes da Cheka que portavam a missão de assassinar Makhno. A ruptura
final produziu-se quando os makhnovtsy convocaram o Quarto Congresso
Regional, em 15 de junho, e convidaram os soldados da base do Exército
Vermelho a enviar seus próprios representantes. Trotsky, mentor das forças
bolcheviques, estava furioso. Em 4 de junho publicou um decreto proibindo
o Congresso e colocando Makhno como fora de lei. As tropas comunistas
lançaram um ataque conta Guliai-Pole e ordenaram a dissolução da Comuna
"Rosa Luxemburgo" e das comunas semelhantes. Poucos dias depois chegavam
as forças de Denikin e completavam do trabalho, esmagando o que restava
das comunas e liquidando os sovietes locais.
[...]

Aos finais de 1919, Makhno recebeu instruções do Comando Vermelho para
deslocar seu exército à frente polaca. A ordem estava claramente dirigida
para retirar aos makhnovtsy de seu território e deixar, dessa forma, o
terreno livre aos bolcheviques para implantar sua ordem. Makhno negou-se a
cumpri-la. Respondeu que seu Exército Insurgente era a única força
verdadeiramente popular da Ucrância, e que deveria permanecer ali para
defender a liberdade popular conquistada novamente. Trotski, ele dizia,
queria substituir as "hordas" de Denikin pelo Exército Vermelho, e aos
terra-tenentes pelos comissários políticos. A resposta de Trotsky foi
imediata e sem paliativos: todos os makhnovtsy estavam fora da lei, e
dispunha-se a marchar contra eles. Em uma desesperada tentativa de impedir
o ataque, o quartel general de Makhno em Gulai-Pole lançou uma quantidade
enorme de panfletos conclamando as tropas bolcheviques para se negarem a
obedecer qualquer ordem que tratasse de "obscurecer a vida pacífica na
Ucrânia". O povo não necessita da "lei dos comissários", declaravam os
panfletos, mas sim de uma "ordem soviética livre". "Responderemos à
violência com violência" .
A essas declarações, seguiram-se oito meses de duras lutas, com graves
perdas de ambos os lados. Uma forte epidemia de tifo aumentou o número de
vítimas. Volin, atacado pela doença na cidade de Krivoi Rog, foi capturado
pelo Exército Vermelho e enviado à prisão de Moscou. Inferiores em número,
os guerrilheiros de Makhno evitavam batalhas em campo aberto e atuavam
seguindo a tática da guerrilha que haviam praticado e aperfeiçoado durante
mais de dois anos de guerra civil. Em uma de suas canções, proclamavam sua
fé na liderança de Makhno:
Terminaremos a guerra derrotando-os e esmagando-os.
Apoderaremo-nos até do último comissário.
Hei, hei hei!
Vamos contra o inimigo
por matushka Galina,
por batko Makhno!

Em outubro de 1920, o barão Wrangel, sucessor de Denikin no sul, lançou
uma importante ofensiva, avançando até o norte desde a península da
Criméia. Uma vez mais, o Exército Vermelho solicitou a ajuda de Makhno,
uma vez mais se firmou uma aliança pela qual o Exército Insurgente
convertia-se em uma divisão semi-autônoma sob a direção do comando
bolchevique. (Volin, já recuperado de seu tifo, pôde reiniciar a
publicação do Nabat, em Kharkov, e começar os preparativos para um
Congresso Pan-Russo de Anarquistas, cuja reunião ficou prevista para o fim
do ano.)
Menos de um mês depois, o Exército Vermelho havia conseguido a vantagem
suficiente para considerar vencida a guerra civil, e os dirigentes
soviéticos abandonaram seus acordos com Makhno.”

* Trechos de "A Revolta de Kronstadt" de Alexander Berkman:

“Os elementos mais revolucionários da Rússia, os trabalhadores de
Petrogrado, foram os primeiros a se manifestar. Eles declararam que, entre
outras causas, a centralização, a burocracia e a atitude autocrática dos
bolcheviques para com os camponeses e operários foram diretamente
responsáveis por grande parte da miséria e sofrimento da população. Muitas
fábricas e campos de Petrogrado foram fechados, e os trabalhadores
estavam, literalmente, morrendo de fome. Eles convocavam plenárias para
avaliar a situação. Elas foram reprimidas pelo governo. O proletariado de
Petrogrado, que havia mantido a principal força das lutas revolucionárias
e cujos enormes sacrifícios e um heroísmo solitário haviam salvado a
cidade de Yudenitch, ofendeu-se com a ação do governo. Os sentimentos
contra os métodos empregados pelos bolcheviques continuaram a crescer.
Mais plenárias foram convocadas, com o mesmo resultado. Os comunistas não
fariam nenhuma concessão ao proletariado, sendo que, ao mesmo tempo, eles
ofereciam compromissos aos capitalistas da Europa e da América. Os
trabalhadores estavam indignados – eles haviam despertado. Para compelir o
governo a considerar suas demandas, foram convocadas greves na produção de
munições na Patronny, nos campos de Trubotchny e Baltiyski e na fábrica
Laferm. Ao invés de se importar com os trabalhadores insatisfeitos, o
"governo dos operários e dos camponeses" criou um Komitet Oborony (Comitê
de Defesa) da época de guerra, tendo Zinoviev, o homem mais odiado em
Petrogrado, como dirigente. O objetivo declarado desse Comitê era reprimir
o movimento grevista.
[...]

O governo respondeu às demandas dos grevistas realizando inúmeras prisões
e reprimindo severamente organizações de trabalhadores. A ação resultou em
um crescente temperamento popular anti-bolchevique; slogans de reação
começaram a ser ouvidos.
[...]

Os marinheiros de Kronstadt ficaram muito perturbados pelo o que aconteceu
em Petrogrado. Eles não viam com bons olhos o drástico tratamento do
governo para com os grevistas. Eles sabiam o que o proletariado
revolucionário da capital vinha suportando desde a primeira fase da
revolução, e o quão pacientemente eles estavam sofrendo privações e
miséria. Mas Kronstadt estava longe de favorecer a Assembléia Constituinte
ou a reivindicação por livre comércio que se fez ouvir em Petrogrado. Os
marinheiros eram profundamente revolucionários em espírito e em ação. Eles
eram os mais decididos apoiadores do sistema soviético, mas opunham-se à
ditadura de qualquer partido político. O movimento de simpatia com os
grevistas de Petrogrado iniciou-se primeiramente entre os marinheiros dos
navios de guerra Petropavlovsk e Sevastopol – os navios que, em 1917,
foram o principal apoio dos bolcheviques. O movimento disseminou-se por
toda a esquadra de Kronstadt, e então para o regimento do Exército
Vermelho ali situado. Em 28 de fevereiro, os homens do Peropavlovsk
passaram por uma indecisão que coincidiu com os marinheiros do Sevastopol.
A resolução demandava, entre outras coisas, a livre reeleição ao Soviete
de Kronstadt, assim que o período da última gestão estivisse para expirar.
Ao mesmo tempo, um comitê de marinheiros foi mandado à Petrogrado para
estudar a situação por lá.”

#4. LANÇAMENTOS#

Lembrando que nossos três lançamentos estão à venda e podem ser adquiridos
pelo correio. Quem tiver interesse, é só consultar o site para saber o
procedimento de compra ou nos escrever no faisca@riseup.net. Para quem
ainda não conhece, abaixo estão nossos lançamentos:
* NOTAS SOBRE O ANARQUISMO
Noam Chomsky
Sedição Editorial / Editora Imaginário
224 pgs. 14X21
R$ 35,00

Em dois artigos e oito entrevistas, Chomsky critica autoridade e poder
ilegítimos, e fala sobre marxismo, identificando-se com os marxistas
heterodoxos e tecendo duras críticas ao bolchevismo. Ao mesmo tempo,
invoca os anarquistas clássicos em sua crítica ao socialismo de Estado e à
burocracia que surge a partir dele. Discute os freqüentes antagonismos
entre os projetos políticos futuros e as situações reais do dia-a-dia.
Fala sobre democracia, fazendo suas as críticas à democracia
representativa, há muito conhecidas pelos anarquistas. Defende como forma
ideal de uma sociedade futura, aquela que permite às pessoas decidirem
sobre o que as afeta: uma sociedade autogerida. Uma sociedade em que a
liberdade seja sua principal característica.
* AUTOGESTÃO HOJE: TEORIAS E PRÁTICAS CONTEMPORÂNEAS
Michael Albert, Noam Chomsky, Pablo Ortellado, Murray Bookchin e Abraham
GuillénFaísca Publicações Libertárias
124 pgs. 14X21
R$ 15,00

Esse livro é uma coletânea organizada por nós, que contribui para
conceituar o que se entende por autogestão e também para enriquecer o
debate sobre o assunto. A autogestão é possível dentro do sistema
capitalista? A autogestão restringe-se apenas ao âmbito econômico? As
cooperativas são um modelo de autogestão? Socialismo é sinônimo de
autogestão? Afinal de contas, o que é autogestão? Esse livro tem por
objetivo esclarecer essas e outras questões, além de suscitar novas.
* RUMO A UM NOVO ANARQUISMO
Andrej Grubacic
Faísca Publicações Libertárias
36 pgs. 15X21
R$ 5,00

Andrej Grubacic inicia seu artigo questionando os rótulos, ou os “ismos”,
como ele mesmo se refere. Defende uma forma de anarquismo que não seja
abarcada por uma teoria fechada e geral e diz acreditar que a história do
movimento anarquista pode dividir-se em cinco fases. A primeira delas
estaria dentro da segunda metade do século XIX e presente no agrupamento
bakuninista dentro da Primeira Internacional. A segunda fase iria dos fins
do século XIX até a Revolução Russa de 1917; a terceira, dos anos 1920 até
1940, tendo dentro de si a importante Revolução Espanhola. A quarta
geração, para o autor, estaria presente, de maneira dispersa, nos
movimentos dos anos 1960 e 1970 como feminismo, situacionismo,
black-power, etc. e também nos grupos anarquistas organizados que, do seu
ponto de vista, eram bastante sectários. A quinta geração, contemporânea,
estaria dividida em duas: a primeira, com as federações anarquistas e
sindicatos anarco-sindicalistas como o IWW , e a segunda, dentro do
movimento de resistência global, que, apesar de muitas vezes contar com
militantes que não se intitulam anarquistas, estes trabalham sob os mesmos
princípios e devem ser considerados como tais. Um texto introdutório ao
pensamento anarquista e bastante interessante.

#5. PRÓXIMOS LANÇAMENTOS#

* A GUERRA DA TARIFA
Léo Vinícius

* O ANARQUISMO NA RÚSSIA - Revolução, Bolchevismo e a Rebelião de Kronstadt
Alexander Berkman e Paul Avrich

* AÇÃO DIRETA E PARTIDOS POLÍTICOS
“O Papel do Partido Político” – Mauricio Tragtemberg
“De Movimento a Partido Político” – Janet Biehl
“A Relevância da Ação Direta” – Felipe Corrêa
“Política Anarquista e Ação Direta” – Rob Sparrow


Faísca Publicações Libertárias
www.editorafaisca.net
faisca@riseup.net



Email:: faisca@riseup.net
URL:: http://www.editorafaisca.net





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