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(pt) Domingos Passos: O "Bakunin Brasileiro"

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Date Thu, 10 Mar 2005 20:15:14 +0100 (CET)


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Renato Ramos & Alexandre Samis
(Federação Anarquista do Rio de Janeiro-FARJ)

“Eram 5 horas quando me levantei. O Passos, acordado não sei desde que
horas, estava sentado na cama, lendo o “Determinismo e Responsabilidade”,
de Hamon. Tomei a toalha e desci, para banhar o rosto. Quando voltava do
pateo, enxugando-me, vi dois individuos, que logo tomei pelo que realmente
eram, de revolver em punho, dirigirem-se para mim, perguntando
asperamente.
- Onde está o Domingos Passos?

Prevendo uma dessas violencias de que o nosso querido companheiro tem sido
tantas vezes victima, senti forte desejo de escondel-o e neguei sua
presença, dizendo:
- Domingos Passos não mora aqui!”

Esse pequeno trecho do depoimento do operário Orlando Simoneck ao jornal A
Pátria1, tomado em 16 de março de 1923, expressa claramente alguns
aspectos da situação então vivida por aquele rapaz mestiço, neto de avós
índios2, carpinteiro de profissão, anarquista e ativo sindicalista do ramo
da construção civil: o “camarada Passos” era, já naquele ano, o alvo
preferido da Polícia carioca e, se não o mais, um dos mais queridos e
respeitados militantes operários do então Districto Federal. Outra
característica notável de Domingos Passos, destacada no depoimento de
Simoneck, era seu incansável autodidatismo, sua sede pela instrução e pela
cultura, que o fazia varar as madrugadas devorando os livros da pequena
biblioteca de Florentino de Carvalho, que morava naquela mesma casa da Rua
Barão de São Félix, muito próxima da sede do seu sindicato.
Domingos Passos era natural do Rio de Janeiro, tendo nascido,
provavelmente, na última década do século XIX. Sua trajetória militante
está em grande parte ligada à sua organização de classe, a União dos
Operários em Construcção Civil (UOCC), fundada como União Geral da
Construcção Civil (UGCC) em abril de 1917 (a UGCC havia sido, na verdade
fundada em 1915, mas teve existência breve). Apenas 2 meses após a sua
fundação, a UGCC já com mais de 500 filiados, conseguiu mobilizar mais de
20.000 trabalhadores para o sepultamento dos 13 operários mortos no
desabamento do New York Hotel, que se transformou em uma grande
manifestação contra a ganância patronal.
No rastro da greve geral iniciada em São Paulo após o assassinato do jovem
sapateiro Martinez, a UGCC e outras associações de resistência declararam,
em 22 de julho de 1917, a extensão do movimento para o Rio de Janeiro,
tendo como conseqüência imediata o fechamento de várias sedes sindicais
pela Polícia até o início de setembro e a prisão de vários militantes4.
Outra conseqüência nefasta para a luta dos trabalhadores, foi o banimento
da Federação Operária do Rio de Janeiro (FORJ), que só veio a ser
substituída em 18 de janeiro de 1918 pela União Geral dos Trabalhadores
(UGT).
Em 26 de junho de 1918, a UGCC mudou sua denominação para UOCC. Em outubro
desse ano, a epidemia de gripe espanhola causou a morte de mais de 12.000
pessoas no Rio de Janeiro e a fome assolou a população trabalhadora,
principalmente nos cortiços do Centro e nos subúrbios. Criou-se então, a
partir da UOCC, o Comitê de Combate a Fome, que a despeito de sua intenção
e da tragédia vigente, teve várias de suas reuniões interrompidas pela
polícia e quase todos os seus integrantes presos5.
Em 18 de novembro de 1918, a UOCC participou ativamente da tentativa de
greve insurrecional, tendo sua sede novamente fechada durante a onda
repressiva que se seguiu, desta vez por mais de 70 dias. Centenas de
operários foram encarcerados e a UGT, com apenas 9 meses de vida, foi
fechada por decreto federal.
Em abril de 1919, após um ano e meio de disputas internas entre os
sindicalista revolucionários (anarquistas) e a “facção conservadora” da
UOCC6, os primeiros elegeram uma nova comissão executiva e conseguiram que
a organização voltasse a ser regida pelas Bases de Acordo originais (em
dezembro de 1917, um manobra dos conservadores havia “legalizado” um
estatuto que previa os cargos de presidente e vice, e que nunca havia sido
reconhecido pelos libertários).
Em maio de 1919, a UOCC conquistou finalmente às 8 horas de trabalho
diário para a categoria e, em julho, vários de seus membros participaram
da fundação do novo organismo federativo, a Federação dos Trabalhadores do
Rio de Janeiro (FTRJ).
Nos meses de setembro e outubro de 1919, uma feroz repressão foi
desencadeada contra as associações de resistência do Rio de Janeiro. No
dia 10 de setembro, a sede da UOCC e de várias outras entidades de classe
foram atacadas pela Polícia, tendo sido efetuadas dezenas de prisões. No
dia seguinte, a FTRJ convocou uma manifestação de protesto contra a
violência policial, que degenerou em um conflito com a Força Pública,
resultando feridos em ambos os lados.
Foi durante esse duro período que registramos a primeira aparição
“oficial” de Domingos Passos, quando este foi eleito, em 16 de outubro de
1919, o 2o Secretário da UOCC e, em dezembro desse mesmo ano, 1o
Secretário para o período de janeiro a julho de 19207. Destacamos, no
entanto, que o fato de Domingos Passos ter passado a ocupar tais cargos na
organização em um momento tão difícil, indica que sua trajetória na UOCC
vinha, no mínimo, de alguns meses antes.
Domingos Passos foi indicado, junto com José Teixeira8, delegado da UOCC
no 30 Congresso Operário Brasileiro (1920), quando foi eleito Secretário
Excursionista da Confederação Operária Brasileira (COB)9. Ao ser escolhido
para tal cargo, Passos certamente já se destacava no campo do proletariado
organizado por sua inteligência e oratória, cultivada no cotidiano de
lutas de sua categoria. Segundo Pedro Catallo10, Passos era “dono de uma
oratória suave, envolvente e agressiva o mesmo tempo, multiplicava a
afluência aos comícios, desejosa de ouvi-lo falar. Depois, raramente
chegava ao seu domicílio porque a polícia cercava-o no caminho e levava-o
para o xadrez, onde repousava de quinze a trinta dias por vez”.
A repressão durante todo o governo Epitácio Pessoa foi brutal, com um sem
número de deportações de militantes anarquistas, prisões, torturas e
assassinatos, fechamentos de sindicatos e empastelamentos de jornais
operários. Em outubro de 1920, a polícia dissolveu à bala uma passeata de
trabalhadores na Avenida Rio Branco e, não satisfeita, novamente assaltou
a sede da UOCC, ferindo 5 trabalhadores, prendendo 28 e, posteriormente,
deportando 8 destes11.
O movimento operário sentiu os golpes, e declinou a partir de 1921. Os
sindicatos “amarelos” e “cooperativistas” se fortaleceram rapidamente, e
passaram a disputar a hegemonia de diversas categorias com os sindicatos
revolucionários. Entre os anarquistas, desmoronaram as esperanças na
Revolução Russa, com a chegada das notícias sobre a repressão bolchevique,
notadamente o massacre de Kronstadt, em março de 1921.
Em 16 março de 1922, nove dias antes da fundação do Partido Comunista, a
UOCC publicou o documento Refutando as afirmações mentirozas do Grupo
Comunista, declarando sua incompatibilidade com os “comunistas de
estado”12. Este importante manifesto certamente teve a participação de
Domingos Passos. Este, como outros militantes da Construção Civil foram,
por toda a década de 1920, os oponentes mais ferrenhos e intransigentes da
doutrina bolchevista, encarnando a consciência crítica e, em determinados
aspectos, punitiva, dos quadros comunistas.
“Na Rússia, onde alguns membros do partido Communista, entronizados no
poder, exercem a ditadura em nome do proletariado, estão sendo
perseguidos, encarcerados e mortos todos os revolucionários da esquerda,
mormente os combatentes anarquistas. Se é a obra de tal partido que os do
Grupo Communista propagam e pretendem realizar, outra não pode ser a
atitude da Construcção Civil, senão a de opozição à ditadura, e aos seus
ditadores”.13
Em julho de 1922, no rastro do esmagamento da revolta dos tenentes do
Forte Copacabana, a repressão fechou o jornal O Trabalho, órgão da UOCC,
do qual Passos foi assíduo colaborador. Um novo bastião dos anarquistas na
imprensa ficou a cargo de outro militante da Construção Civil, o
carpinteiro e jornalista português José Marques da Costa, redator da
Secção Trabalhista do jornal A Pátria.
Em 1923, continuamente perseguido pela polícia, Domingos Passos afastou-se
da Comissão Executiva da UOCC e passou a se dedicar à propaganda e à
organização federativa, tendo viajado duas vezes ao Estado do Paraná14
para colaborar com sindicatos de resistência locais. Durante todo o
primeiro semestre deste ano foi um dos principais articuladores da
refundação da Federação Operária do Rio de Janeiro (FORJ), já que a FTRJ,
sob o controle dos bolchevistas, agonizava e, cada vez mais, aproximava-se
taticamente da Confederação Sindicalista Cooperativista Brasileira (CSCB),
entidade que congregava desde sindicatos colaboracionistas até
instituições reacionárias como a Liga de Defesa Nacional e o Centro
Industrial do Brasil15. Quando a FORJ reapareceu, em 19 de agosto de 1923,
Passos foi eleito para o Comitê Federal16.
Assim como José Oiticica, Carlos Dias e Fábio Luz, Domingos Passos era
freqüentemente convidado para conferências nas sedes sindicais. Também
participava ativamente dos festivais operários, atuando nas peças teatrais
organizadas pelo Grupo Renovação, declamando e palestrando sobre temas
sociais. Certamente, foram esses festivais alguns dos poucos momentos de
lazer que Passos usufruiu em sua vida de rapaz trabalhador e ativista
sindical.
A FORJ, refundada por seis associações de classe (Construção Civil,
Sapateiros, Tanoeiros, Carpinteiros Navais, Gastronômicos e o Sindicato de
Ofícios Vários de Marechal Hermes), até meados de 1924 teve a adesão de
mais cinco categorias importantes: Fundidores, Ladrilheiros, Ferradores,
Metalúrgicos e Operários em Pedreiras. O sindicalismo revolucionário, a
despeito da repressão estatal e das manobras bolchevistas, se fortalecia
sob a orientação da FORJ, que organizava uma conferência intersindical e
planejava para aquele ano o 4o Congresso Operário Brasileiro.
“E é por isso, simplesmente por isso que dia a dia os trabalhadores vão
abandonando os embusteiros, enveredando pelo caminho da organização
operaria, não para fortalecer nenhum partido "socialista" ou burguez, e
sim para fortalecerem a si mesmos, nos seus organismos de resistencia e de
combate as explorações da sociedade actual.
Quando a organização operaria tiver attingido ao apogeu almejado, uma das
suas principaes preocupações é a de atirar por terra não só o partido
"socialista" (dito Communista) como todos os partidos.
Não é de partidos que precizamos. Os partidos são cacos e os cacos só tem
uma utilidade: a de encher as "garys" e ir aterrar a Sapucaia17.
Precizamos é de "inteiros" e estes só se conseguem com a "organização
syndicalista revolucionaria", que une, que eleva, que constroe.”18
Em julho de 1924, todo esse afã organizacional foi ceifado pela repressão
que se seguiu à nova revolta dos tenentes, agora em São Paulo. As sedes
sindicais foram invadidas e fechadas, centenas de anarquistas encarcerados
e muitos deles deportados, entre estes Marques da Costa e Antônio Vaz.
Domingos Passos foi um dos primeiros a serem presos e, após 20 dias de
sofrimentos na Polícia Central19, foi recolhido ao navio-prisão Campos,
fundeado na Baía de Guanabara. Sua permanência por 3 meses na embarcação
caracterizou-se por momentos de profunda privação e constrangimento.
Transferido para o navio Comandante Vasconcellos20, enfrentou mais 22 dias
de suplícios junto a outras centenas de cativos (anarquistas, soldados e
sub-oficiais sediciosos, ladrões, malandros, cáftens, imigrantes pobres e
mendigos), inaugurando em dezembro de 192421 a fase prisional da Colônia
Agrícola de Clevelândia, o “Inferno Verde” do Oiapoque, no atual Estado do
Amapá.
Após alguns meses nessa “Sibéria Tropical”, onde os maus tratos e as
doenças dizimaram centenas de homens, Domingos Passos conseguiu fugir para
Saint George, na Guiana Francesa. Entretanto, as febres adquiridas na
selva o obrigaram à buscar medicamentos em Caiena, tendo sido acolhido
fraternalmente por um créole, que o ajudou a recuperar as forças22. Da
Guiana, seguiu para Belém do Pará, onde permaneceu por algum tempo
amparado pela solidariedade ativa do proletariado organizado daquela
capital.
Domingos Passos estava entre os que retornaram ao Distrito Federal após o
estado de sítio imposto por quase todos os quatro anos do governo de
Arthur Bernardes (1923/1926). Ao chegar ao Rio de Janeiro, no início de
1927, retornou ao ativismo sindical, mesmo sofrendo das seqüelas do
impaludismo, contraído no Oiapoque. Nesse mesmo ano, mudou-se para São
Paulo, onde atuou na reorganização da Federação Operária local (FOSP) e na
articulação do Comitê de Agitação Pró-Liberdade de Sacco e Vanzetti23,
criado no início de 1926, tendo ainda participado do 4o Congresso Operário
do Rio Grande do Sul, realizado em Porto Alegre.
Em agosto de 1927 foi preso durante um meeting pró-Sacco e Vanzetti no
Largo do Brás, e levado à temida “Bastilha do Cambucí”, onde permaneceu
por 40 dias sujeito à toda sorte de maus tratos. Solto, saiu de São Paulo
em direção ao Sul do país, perseguido em todos os cantos, conseguindo
chegar a Pelotas, onde foi preso e embarcado à força em um navio para
Santos24. Ao chegar nessa cidade, conseguiu fugir e voltar a São Paulo,
vivendo oculto por algum tempo até que, em fevereiro de 1928, foi preso
juntamente com o operário sapateiro Affonso Festa25.
Segundo Pedro Catallo26, por ordem do delegado Hibraim Nobre, Passos foi
deixado incomunicável por mais de três meses em um cubículo de 2 m2 da
“Bastilha do Cambuci”, escuro e sem janelas, recebendo alimentação apenas
uma vez por dia. Ao ser retirado da cela imunda, tinha o corpo coberto de
feridas e vestia apenas trapos. Foi embarcado em um trem e enviado para
morrer nas matas da região de Sengés, no interior ainda selvagem do Estado
do Paraná. Algum tempo depois, conseguiu abrigo neste povoado e pôde
escrever para os camaradas de São Paulo solicitando dinheiro, que foi-lhe
levado em mãos por um emissário.
Aí terminou a trajetória conhecida deste que foi um dos mais influentes e
respeitados ativistas do anarquismo e do sindicalismo revolucionário de
seu tempo. Nunca mais se teve qualquer notícia dele, apenas boatos
esporádicos e nunca confirmados.
Não foi à toa que Domingos Passos ganhou de seus contemporâneos a alcunha
de “Bakunin Brasileiro”. Poucos como ele se entregaram de tal forma ao
Ideal e sofreram tanto as conseqüências dessa dedicação à luta pela
emancipação dos homens e mulheres. Durante apenas uma década, em grande
parte passada nas prisões e nas selvas tropicais, Passos tornou-se a
grande referência de militância libertária e social de seu tempo...e do
nosso também!
Nossos passos seguirão os seus, Passos!

Referências

1 A Pátria, Secção Trabalhista, 16/03/1923 (Seção de Periódicos,
Biblioteca Nacional).
2 “Memórias” manuscritas de Pedro Catallo in Edgar Rodrigues. Os
Companheiros 2. VJR Editores Associados Ltda. Rio de Janeiro, 1995.
3 Ibidem.

4 Leal, Juvenal. Histórico da União dos Operários em Construcção Civil (18
de março de 1917 a 31 de dezembro de 1919). Edição da União dos Operários
em Construcção Civil, 1920. pgs. 10-12 (Acervo da Biblioteca Social Fábio
Luz, também disponível no site www.insurgentes.nodo50.org).
5 Ibidem. pg.. 16

6 Ibidem. pg. 24.

7 Ibidem. pg. 28.

8 Rodrigues, Edgar. Nacionalismo & Cultura Social (1913-1922). Laemmert,
1972, p.307.
9 Ibidem. p. 314.

10 Rodrigues, Edgar. Os Companheiros 2, p. 26.

11 Rodrigues, Edgar. Nacionalismo & Cultura Social (1913-1922). p. 335-336.

12 UOCC .Refutando as afirmações mentirozas do Grupo Comunista. Edição da
União dos Operários em Construcção Civil, 1922. (disponível no site
www.insurgentes.nodo50.org).
13 Ibidem.

14 A Pátria, Secção Trabalhista, 08/07/1923.

15 Castro Gomes, Ângela. A Invenção do Trabalhismo. São Paulo: Vértice;
Rio de Janeiro: IUPERJ, 1988, p. 160.
16 A Pátria, Secção Trabalhista, 18/10/1923.

17 A Sapucaia era o depósito de lixo da cidade, situado no bairro do Caju,
às margens da Baía de Guanabara, hoje cortado pela Linha Vermelha.
18 Passos, Domingos. Em frente - Ao Partido Communista. A Pátria, Secção
Trabalhista, 04/05/1924. (disponível no site www.insurgentes.nodo50.org).
19 A Plebe, 26/02/1927.

20 Samis, Alexandre. Clevelândia: Anarquismo, Sindicalismo e Repressão
Política no Brasil. São Paulo: Ed. Imaginário; Rio de Janeiro: Achiamé,
2002, p. 194.
21 A Plebe, 12/03/1927.

22 A Plebe, 26/02/1927.

23 Rodrigues, Edgar. Novos Rumos (História do Movimento Operário e das
Lutas Sociais no Brasil, 1922-1946). Rio de Janeiro, Edições Mundo Livre,
1978.
24 Panfleto “Trabalhadores Conscientes, Procurae saber o paradeiro de
Domingos Passos” (1928). Arquivo Biblioteca Social Fábio Luz.
25 Rodrigues, Edgar. Novos Rumos. op. cit. p. 278.

26 Ibidem, p. 279.

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