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(pt) A BATALHA N. 209: A MORTE DE MANUEL FIRMO

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Date Wed, 9 Mar 2005 13:51:20 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
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Na madrugada de 30 de Janeiro faleceu no seu domicílio, em Barcelona, o
último (tanto quanto sabemos) militante libertário que combateu na Guerra
Civil da vizinha Espanha, de 1936 a 1939, e o último também dos que
padeceram no campo de concentração do Tarrafal.Manuel Firmo, o mais velho de três irmãos – todos libertários – nasceu no
Barreiro a 9 de Setembro de 1909, filho dum maquinista do Caminho de Ferro
do Sul e Sueste. O pai foi transferido para Faro em 1914 e foi nesta
cidade que Manuel frequentou a instrução primária. Regressado com a
família ao Barreiro em Dezembro de 1918 começou a trabalhar numa fábrica
de cortiça com doze anos incompletos. Despedido em consequência duma
greve, foi sucessivamente servente de pedreiro, contínuo nos escritórios
da CUF (donde foi despedido por se recusar a denunciar dois colegas) e
novamente operário da indústria corticeira.Desejoso de melhorar os seus conhecimentos frequentou a biblioteca da
Associação dos Corticeiros e, posteriormente, a do Sindicato dos
Ferroviários. Fez exame de admissão às Oficinas Gerais do Caminho de Ferro
do Sul e Sueste onde aprendeu o ofício de serralheiro.Aprendeu Esperanto e iniciou a sua militância anarco-sindicalista. Em
1936, estando em risco iminente de ser preso pela polícia política em
virtude da sua actividade militante, fugiu para Espanha. Detido por
entrada ilegal, foi libertado ao cabo de algumas semanas por intervenção
do antigo presidente da República Bernardino Machado, então exilado em
Madrid. Para esta cidade se dirigiu e um mês depois deu-se o golpe militar
fascista de 18 de Julho.Manuel Firmo incorporou-se nas milícias da CNT e foi enviado para a
frente, em Somossierra. Dadas as más condições de alojamento, vestuário e
alimentação combinadas com o frio rigoroso desse primeiro inverno adoeceu
com pneumonia, numa época em que não existiam ainda antibióticos. A
gravidade da situação determinou a sua evacuação, primeiro para Madrid e
depois para Valência, onde convalesceu. Com a incorporação das milícias no
exército regular da República, Manuel Firmo, dadas as suas habilitações
profissionais, foi integrado na aviação republicana como sargento
mecânico. O avanço nacionalista levou à evacuação da força aérea para
Barcelona e, posteriormente, à retirada do exército governamental para a
fronteira pirenáica, no que foi acompanhado por muitos milhares de civis.
Ao entrar em França foi internado, como a maior parte dos refugiados, em
campos de concentração sem as mínimas condições de alojamento, higiene ou
alimentação. Passou pelos ignominiosos campos de Argelés-sur-Mer e de
Gurs, sendo requisitado para trabalhar numa fábrica de material
aeronáutico após a entrada da França em guerra com a Alemanha. À
capitulação seguiu-se o reenvio para o campo concentração e ulterior
incorporação em companhias de trabalho com características de companhias
disciplinares. Ao ter conhecimento de que se projectava o envio para a
Alemanha duma força de trabalho composta de refugiados espanhóis, Manuel
Firmo decidiu fugir de França e regressar a Portugal. Detido na fronteira,
passou longos meses em prisões metropolitanas (Aljube, Caxias, Peniche)
sendo finalmente enviado para o campo de concentração do Tarrafal, sem
sombra de processo judicial. Finda a II Guerra Mundial foi libertado ao
fim de 53 meses de encarceramento. Sendo-lhe muito difícil encontrar
trabalho em Portugal, ao fim de dois anos emigrou para Angola onde esteve
colocado inicialmente numa empresa de exploração de sisal e, mais tarde,
na Companhia dos Caminhos de Ferro de Benguela. Aí se lhe juntaram os dois
irmãos. Regressou a Portugal e, decorridos dois anos, partiu para
Barcelona onde reside a família da esposa, aí permanecendo até à sua
morte. Enquanto a saúde lho permitiu vinha a Portugal todos os anos, nas
férias estivais. Nessa altura costumava frequentar o C.E.L., participando
nas suas actividades e, nomeadamente, proferindo aí algumas palestras.Manuel Firmo era um homem culto, autodidacta, que escrevia com elegância.
Deixou-nos um livro autobiográfico, "Nas Trevas da Longa Noite, da Guerra
de Espanha ao Campo do Tarrafal", editado por Publicações Europa-América.
A sua colaboração em A Batalha, encontra-se reunido «Caderno d' A Batalha»
– Em torno da Guerra Civil Espanhola – publicado em 2003. Deixa ainda
outra obra que não chegou a ser editada por haver adoecido e não poder
acompanhar a sua revisão.Mas o que sempre mais nos impressionou nele foi a extrema correcção e
delicadeza, a atitude tolerante e bondosa, o bom senso, a simplicidade e a
sua cultura.Para esposa Josefa, que o acompanhou nos momentos dificeis do exílio,
também ela internada num campo de refugiados em França, que sofreu a
separação dos longos anos de prisão e o acompanhou indefectivelmente em
Portugal, Angola e Espanha, nomeadamente nos últimos anos de doença e
invalidez, vai a manifestação do nosso pesar, bem como para o seu irmão,
cunhada e sobrinhos, familiares da esposa e amigos mais íntimos.O Colectivo Redactorial






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