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(pt) Sonho Real:O Forte e Guerreiro Povo Lutador de Goiânia

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Date Tue, 1 Mar 2005 19:16:17 +0100 (CET)


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[de CMI Brasil]
Por Coletivo Pró-Organização Anarquista em Goiás
Somos guerreiros,somos povo lutador...
Luta pela terra.
SONHO REAL:
O FORTE E GUERREIRO POVO LUTADOR DE GOIÂNIA
"Nós somos fortes, somos guerreiros, somos povo lutador" dizia a canção do
músico Marcos, companheiro sem teto da ocupação SONHO REAL (região oeste
de Goiânia), que foi espancado brutalmente pela polícia militar no último
dia 16 durante a desocupação da área.
A canção, intitulada de "Nossa História" durante uma noite na ocupação,
encheu os olhos de lágrimas de todos os companheiros que estavam reunidos
há dez meses na luta pela moradia, pois expressava a sensação de força e
luta que o povo adquire quando se une por um objetivo em comum.
A ocupação do Sonho Real surgiu em maio de 2004. A área ocupada estava
completamente abandonada e servia simplesmente para desova de corpos,
assaltos e estupros. Ela amedrontava os moradores da região enquanto a
especulação imobiliária aumentava os preços do aluguel e gerava lucros
para os proprietários da terra: família milionária, que dava sustentação
ao prefeito de Goiânia, e devia mais de 2 milhões de IPTU daquela área.
A ocupação que se iniciou de forma espontânea assumiu grandes proporções:
chegou a abrigar quase 4.000 famílias que ali viveram tranquilamente até o
início deste ano, quando a liminar de reintegração de posse decidiu pela
desocupação.
Do chão vermelho da terra e do barro cotidiano das chuvas noturnas, a
solidariedade dos sem-teto cresceu. Ameaçados pelo despejo, montaram
barricadas, proibiram a entrada da polícia, levantaram o Conselho Popular,
organizaram a vigília, prepararam coquetéis molotov, foguetes, paus e
pedras. Sem a confiança nos políticos, que durante todo o ano eleitoral,
prometeram mantê-los ali (dentre os políticos, estão o atual prefeito e o
governador), o que estava na mente, nos corações e na boca de cada
sem-teto era uma só frase: a resistência popular é o que nos vai fazer
vencer.
Em torno de uma questão concreta, a necessidade real de um pé de terra
para viver, a associação dos sem-tetos surgiu, deixando em segundo plano
as divergência de idéias políticas e religiosas. Só uma bandeira foi
levantada, a bandeira da moradia, do direito de se viver, a bandeira da
causa econômica comum a todos os trabalhadores explorados. É a resistência
que nos faz vencer.
E a luta solidária em torno de uma causa concreta fez surgir entre os
sem-tetos a compreensão, não devido a idéias, mas devido a comprovação
pelo fato cotidiano que a luta fez saltar aos olhos, de que os nossos
companheiros eram cada família pobre que lutava dignamente para sobreviver
e que os nossos inimigos eram os donos da terra, parte de uma classe
dominante da cidade, que tinha os interesses contrários aos interesses dos
oprimidos, a lei burguesa, que defende os interesses da classe dominante,
a polícia, força militar do Estado e, portanto, também um instrumento dos
proprietários contra os desapropriados do mundo, e a imprensa burguesa que
vinculada aos interesses dos capitalistas mentia descaradamente sobre a
realidade.
A polícia, infiltrada na ocupação através de P2, sabia da força popular
que ali estava concentrada. Temendo o conflito, adiou várias vezes a ação
de despejo, só agindo após a ameaça pelo judiciário de prender o
Secretário de Segurança e o coronel da Polícia Militar por não cumprimento
da liminar.
E, assim, instrumentos de uma classe exploradora, a polícia organizou a
repressão. Montou a Operação Triunfo na qual uma das principais
estratégias era a operação Inquietação. Tratava-se de atormentar os
moradores durante a noite, com tiros e bombas em seus barracos,
contra-informações, alertas falsos de invasão, etc. Tudo para estressar os
moradores, fazer com que gastem suas armas e trazer o cansaço psicológico.
Mas, das barracas atingidas, das crianças feridas, das noites sem sono no
Conselho Popular, das vigílias nas barricadas, a solidariedade crescia. Os
moradores se conheceram e desenvolveram o apoio mútuo, o respeito e a
confiança em cada combatente que carregando um pedaço de pau de dispunha a
lutar lado a lado.
Em uma destas noites da Operação Inquietação, a polícia atacou com tiros e
bombas (não só balas de borracha, ou bombas de efeito moral) e os
sem-tetos resistiram bravamente: um policial e dois sem-tetos foram
feridos. A polícia, decidida a se vingar preparou um massacre.
No dia 16 de fevereiro, a polícia invadiu a área e, não sem resistência,
desocupou os sem-tetos. A força bruta chegou para matar muitos daqueles
que já havia marcado nas barricadas durante a Operação Inquietação. Vários
moradores foram assassinados cruelmente, fuzilados após já estarem
dominados. Dentre os mortos, apenas dois corpos apareceram: o dos
companheiros lutadores Wagner da Silva Moreira (21 anos) e de Pedro
Nascimento da Silva (27 anos). Seus sangues, derramados brutalmente, hão
de alimentar milhões de corações. Mais de 20 mortes foram presenciadas e
os corpos desapareceram, 30 sem-tetos estão desaparecidos, 800 presos,
dentre eles companheiros anarquistas, e centenas de feridos. A
investigação agora recai sobre os companheiros: telefones grampeados e
vidas reviradas é o que cada lutador está vivendo. Fome e falta de
dignidade atormentam as famílias de sem-teto que continuam na luta mesmo
despejadas, para conquistar o direito a moradia.
Como dizia Bakunin, "os nossos inimigos organizam as suas forças com a
força do dinheiro e com a autoridade do Estado. Nós só podemos organizar
as nossas com a convicção e com a paixão." E se a força do Estado e dos
capitalistas desta vez foi maior que a nossa, então continuamos na luta,
porque o Sonho Real fortaleceu a dignidade de cada um dos exploradores,
separou na consciência, através dos fatos, o mundo dos ricos do mundo dos
explorados, e criou nos Joãos e Marias que conhecemos na luta do barro
vermelho, a consciência de classe.
Nos organizarmos ainda mais, lado a lado com o povo guerreiro de tapuias,
de Trombas e Formoso, do Araguaia. Construir a cada dia a luta popular,
,fortalecendo a associações dos explorados, para que a cada novo amanhecer
se criem novas campos de luta e para que a nossa força organizada seja
maior que a força do dinheiro do Estado e do patrão. VIVA A RESISTÊNCIA
POPULAR!
A TODOS OS COMPANHEIROS QUE TOMBARAM ASSASSINADOS NA LUTA DO SONHO REAL!



Coletivo Pró-Organização Anarquista em Goiás

proorganarquista_go@riseup.net


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