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(pt) Peru: Oficina Libertária, aprendendo sem escola

Date Wed, 29 Jun 2005 10:01:10 +0200 (CEST)


de a_n_a(at)riseup.net
Diz um dito libertário: "há duas revoluções a fazer, uma nos espíritos e
outra nas ruas, a segunda depende da primeira. Um revolucionário que não
estuda é como um barco sem piloto".

E é seguindo essa máxima que jovens anarquistas peruanos iniciaram em 2003
o projeto Oficina Libertária, com o propósito de aprender sem escola, numa
iniciativa voltada para a liberdade. Confira a seguir a entrevista que a
Oficina Libertária concedeu à ANA.
Agência de Notícias Anarquistas > Conte um pouquinho o que é a "Oficina
Libertária", e em que contesto surgiu.

Oficina Libertária < No Peru, a cultura ácrata é muito forte nos primeiros
anos de 1900, logo passamos por uma espécie de esquecimento forçado,
porque nós, pessoas com menos de 30 anos, tivemos pouco contato com o que
alguma vez foi um grupo anarquista ou anarco-sindicalista no Peru. À
exceção de 2 livros e de algumas tradições orais. Mas a informação sobre
anarquistas no Peru sempre motivou nossa curiosidade.

Em um concerto punk no começo do ano 2003 um companheiro que já tinha
diversos anos envolvido com esse movimento contatou um grupo de jovens que
estava a ponto de começar a viver juntos em uma casa desocupada, onde eles
tinham acesso.

Assim começou a se desenvolver um laço de amizades entre eles/as, e entre
conversações sobre música e experiências, observaram que seu tempo entre
conversas e cortes estranhos, muitas vezes, foi um tempo perdido, e
tentaram recuperar esse tempo, então decidiram desenvolver conversações
internas sobre assuntos gerais, como antimilitarismo e antisexismo.

Nesse momento não tinham nome nem grandes afinidades, mas a inquietude de
saber. Ao passar alguns meses não eram mais os 5 iniciais, mas 12 ou 13
pessoas que se reuniam para cozinhar, passar a tarde e conversar sobre as
dúvidas que sempre tiveram sobre o anarquismo.

Então a esse grupo foi se somando mais pessoas com idéias anarquistas e
material de formação e debates. Pouco a pouco os assuntos tratados
passaram por diferente estágios, desde o antifascismo geral que podiam
receber dos fanzines, às análises das estruturas de poder e teorias de
Stirner.

Em paralelo foram se juntando material de leitura e formação anarquista, e
deixando em segundo plano os pasquins e fanzines quase somente musicais,
assim também ocorreu um giro à maneira de distribuir as obrigações dentro
de cada militante, tendo agora um delegado de economia, um delegado da
feira, e um delegado de audiovisual, e uma presença em diferentes espaços
políticos, que antes nos apareciam como "proibidos", por estar próximo da
esquerda ortodoxa ou simplesmente de não ser
anarquistas.

Este último período foi sendo entregue e lido saudações firmadas pela
Oficina Libertária, em muitas partes do mundo, como também a propagação de
folhetos em mobilizações populares onde é explicado a posição anarquista
frente a cada assunto.

ANA > Quem participa do projeto?

OL < A Oficina Libertária de Lima está formada por pessoas que necessitam
de um período de reflexão e formação crítica desde uma leitura anarquista,
para passar a uma ação proletária com sentido. Principalmente é gente nova
que participa.

ANA > E aonde funciona?

OL < Fisicamente as reuniões passaram por muitas casas e parques, sem ter
no momento um espaço físico estático, isso ajuda a conhecer mais lugares
onde podemos apreciar a tranqüilidade.

ANA > O fato de não ter um local próprio deve ser um problema, não?

OL < Não ter um local incomoda um pouco, porque a cada semana temos que
procurar um espaço diferente sem muito ruído e onde possamos ler e
conversar sem ser interrompidos A rua é um bom lugar, mas os sons dos
automóveis e das pessoas não ajudam muito. A vantagem é que quando temos
mobilizações podemos fazer algo e não sermos seguidos a um local físico, é
mais fácil manter a segurança.

ANA > Como é a dinâmica da Oficina...

OL < A oficina já passou por 3 estágios, atualmente estamos escolhendo um
texto, e cada pessoa leva uma cópia para casa, dá uma lida e na semana
seguinte comenta o texto, escreve os acordos e desacordos, aí as notas são
indicadas para poderem ser reeditadas, com nossos comentários, uma pessoa
faz a diagramação e nós editamos com fundos próprios que conseguimos da
venda de material que temos.

ANA < Como vocês avaliam o projeto desde o seu surgimento até agora, quais
os logros mais significativos?

OL < Fazer leitura no Peru já é difícil, fazer leitura de textos críticos
é ainda mais difícil, e escrever um documento coletivo é mais difícil
ainda. Quando começou a Oficina Libertária, haviam pessoas que nunca
tinham lido uma linha, e que não tinham a intenção de faze-lo, só repetir
letras de canções.

De ser um grupo de amigos passou a ser um grupo de companheiros, que em
teoria e prática estão aprendendo as coisas que nunca seriam explicadas
nas escolas, mas por nós mesmos.

Também melhorou nossa relação com os grupos que estão em luta constante,
como os cocaleiros, por exemplo, tendo eles mais respeito à idéia
anarquista, conhecendo melhor o que significa a anarquia e que nós
anarquistas não somos o protótipo de jovens que sempre foi visto em
revistas musicais. Era difícil encontrar relações entre campesinos e
jovens anarquistas da cidade, mas agora tem sido possível fazer
laços de ajuda.

ANA > E quais as relações que possuem com os cocaleros?

OL < Os campesinos cocaleiros têm uma grande tradição de luta na América
do Sul, e há 3 anos estão fazendo seus congressos na cidade de Lima, e
desde o começo houve uma aproximação em que se chamou ?Coordenadoria em
Solidariedade com os Cocaleiros", e alguns de nós participou de dito
grupo, aprendemos a preparar o pão de coca e usar a farinha da folha de
coca em diversos alimentos. Também conhecemos a situação real dos
cocaleiros. O segundo ano apoiamos ativamente suas mobilizações que
aconteceram por diversos dias, e neste terceiro ano já com maior relação e
com mais participação das pessoas da Oficina Libertária, participamos do
congresso cocaleiro como delegados fraternos. Um dos pontos de início para
nos relacionarmos com eles, foi a libertação de Nelson Palominio,
dirigente cocaleiro preso pelo governo de Toledo, tivemos o gosto de ser
saudado pelo companheiro Nelson e agora fomos convidados a ir para Uchiza,
um vale cocaleiro que recentemente foi fumigado por DEVIDA e o governo
americano.

A inter-relação que se pode resgatar com este setor de luta, é a
similaridade de práticas libertarias.

Contato: tallerlibertario@riseup.net ou ingorbenables@hotmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

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