A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement
First few lines of all posts of last 24 hours || of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004 | of 2005

Syndication Of A-Infos - including RDF | How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
{Info on A-Infos}

(pt) XXV Anos de Autogestão, Solidariedade e Criatividade

Date Fri, 24 Jun 2005 14:13:09 +0200 (CEST)


No último 1° de maio foi comemorado o 25° aniversário da
ocupação/recuperação do Ateneu Libertário de Villaverde Alto, em Madrid,
uma das ocupações mais dinâmicas e antigas da Espanha. E como não é todo
dia que um espaço libertário celebra 25 anos de vida, divulgamos a seguir
excertos de um artigo escrito pelo companheiro e membro do Ateneu, Pascual
Gonzáles, falando um pouco dessa iniciativa anárquica.

> História de uma experiência autogestionária <

No 1° de maio de 1980, após uma manifestação comemorada na rua Bravo
Murillo, de Madri, entramos, cerca de uma centena de cenetistas, num local
quase destruído, em Villaverde Alto. Um bairro localizado ao sul de Madri,
cercado por indústrias metalúrgicas, que tinha sido um pequeno povoado
agrícola e que, na atualidade, continua sendo um distrito deprimido, sem
vida própria, embora um pouco mais colorido pela concentração de
imigrantes de todas as cores e países.

Foi uma das muitas ocupações realizadas pela CNT para reivindicar a
devolução de seu patrimônio histórico, roubado pelo franquismo no fim da
chamada guerra civil. Normalmente, a polícia imediatamente evacuava a
ocupação. Neste caso, não obstante, a polícia tardou em chegar, assim que
a assembléia, reunida sobre toneladas de escombros, reagiu enviando alguns
companheiros aos locais da CNT de Madri para proceder com a retirada de
escombros e fechamento do edifício. Durante semanas, dezenas de militantes
limpávamos o interior do espaço que parecia uma fotografia tirada de
Berlim em 1945 e que, de fato, tinha-se submetido a dois incêndios
parciais e era um depósito de lixo para ratos e yonkis há um par de anos.

Na realidade, a construção era relativamente nova, 1960, e quem a fez foi
o sindicato vertical do franquismo sobre os terrenos de uma fábrica de pão
autogestionada por trabalhadores cenetistas, que se chamava "O pão do
Trabalhador". Ao dissolver esta organização fascista, o espaço foi usado
por sindicatos e trabalhadores de empresas da região para fazer reuniões e
assembléias (nesse tempo eram diárias) dado a falta de locais sindicais,
até que, em 1977/78, caiu em desuso. Logo começaram os roubos (até as
máquinas de escrever tinham sido levadas) e rapinas (não ficaram nem os
condutores da luz, sanitários de água, calefação e até as paredes laterais
- eram de ferro e cristal - foram desmontadas).

O primeiro ato público, seguido por uma quantidade grande de vizinhos e de
cenetistas emocionados, foi a demolição dos símbolos fascistas que
figuravam na fachada principal. Caíram desde a parte mais elevada, com um
grande barulho. Queríamos a recuperação de um espaço que foi uma
experiência revolucionária, e que pretendíamos que retornasse a ser.

Com essas pretensões, as atividades começaram quase que imediatamente:
mesmo tardando em tirar uma quantidade grande de escombros. O bairro
sempre teve deficiências de todo o tipo, assim iniciamos pelas atividades
cultural, com Cayetano Morales - cantor e militante do Sindicato de
Construção da CNT - como primeiro convidado, e que não pararam até hoje.
Como Cayetano, seguiram outros muitos cantores conhecidos, Joaquin Sabina,
Javier Krahe, Pablo Guerrero, Chicho Sanchez-Ferlosio, Rafael Amor e uma
lista longa, mas não foi o único tipo de música que oferecemos ao bairro
nestes 25 anos: rock, blues, punk e música clássica ou folk, também foram
destaques nos nossos cenários. E, naturalmente, tampouco a música foi a
única atividade cultural: palestras-colóquios aconteceram por dúzias,
teatro, cinema, exposições ou apresentações de livros, continuam sendo uma
parte importante da vida deste local situado no centro de Villaverde Alto.

Aqui está, também, a escola infantil "Pequen@ Companheiro@". Foi um dos
primeiros projetos propostos com a ocupação, assim já vão pelo seu
vigésimo quarto curso. O grupo de Mulheres Livres de Madri, a redação do
periódico ?Terra e Liberdade?, o Comedor Vegano, com cursos e oficinas
feitos pelos próprios cozinheiros/as.

E a Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo, arquivo, biblioteca,
hemeroteca e editoria da CNT, além do mais de algumas outras tarefas,
igualmente interessantes, como a organização de importantes Jornadas e
Congressos de estudo e debates do anarquismo. Não podemos esquecer o
sindicato: a Comarca Sul da CNT que, com alguns altos e baixos, está hoje
com mais filiados que nunca e uma atividade transbordante, nem o Ateneo
Libertário de Villaverde, que já leva sete anos de percurso quando se
recuperou o local. Músicos, artesãos etc., continuam tendo, também, este
edifício como seu segundo lugar, e o bairro e os anarquistas, um espaço
para aprendizagem e desfrute.

Naturalmente, nunca se deixou de lado a luta de rua. Manifestações,
concentrações ou piquetes para reivindicar ou denunciar situações como as
dos presos e presas reprimidos pelo Estado, os antimilitaristas, os
imigrantes ou os trabalhadores explorados, sancionados ou demitidos pelo
capitalismo selvagem e cruel, foram freqüentemente repetidos e organizados
desde o local. Tivemos por essa razão, pessoas detidas, surradas e feito
várias denuncias, mas ninguém se deixou levar por tudo isso, nem se
esqueceu da solidariedade generosa e brava da CNT e do resto de coletivos.

Realmente, os anarquistas têm demonstrado que podemos transformar as
ruínas por um mundo novo e que, para isso, não necessitamos nem das
subvenções do Estado, nem líderes, liberados ou parasitas. O que
necessitamos, a fim de continuar outros 25 anos de autogestão, é a
participação e entrega dos militantes libertários, como até agora.

-----------------------------------

agência de notícias anarquistas-ana

RETIRADO DO SITE: http://www.anarquismo.org/noticias



_______________________________________________
A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
http://ainfos.ca/cgi-bin/mailman/listinfo/a-infos-pt


A-Infos Information Center