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(pt) [Ossela e Oliveira de Azemeis , Portugal] 75º aniversário de A Selva, de Ferreir a de Castro

Date Fri, 29 Jul 2005 21:23:15 +0200 (CEST)


[de http://pimentanegra.blogspot.com/]
Por ocasião do 75º aniversário da publicação de A SELVA, está o Centro de
Estudos Ferreira de Castro a promover um Congresso Internacional para
assinalar esta efeméride, de 28 a 30 de Julho de 2005, em Ossela e
Oliveira de Azeméis, terra natal e sede de concelho de Ferreira de Castro.
(Ver http://www.ceferreiradecastro.org/module.php?p=congresso)

Recorde-se que Ferreira de Castro (1898-1974) foi um escritor-operário que
defendia o ideário anarco-sindicalista e um dos escritores portugueses
mais lidos de todos os tempos. Para além disso, a sua escrita faz a ponte
entre um naturalismo ecologista e o neo-realismo social.
Recusava-se também a ser mais um patrioteiro, Numa carta com data de 1953
escrevia:
"(..) a verdade é que, por cima da condição de europeu, de latino e de
português, sinto na minha alma uma grande identidade com a alma de todos
os outros povos."
Já noutro momento o escritor declarara:
"Eu não sou bairrista, não sou regionalista, não sou nacionalista; amo
Portugal inteiro, a Europa inteira, o mundo inteiro; amo profundamente o
povo do nosso país, mas amo também toda a Humanidade."
Esse amor pela Humanidade passava por compreender e amar o semelhante pelo
que tem de positivo e negativo, de sucesso ou de insucesso, ou seja, pelo
seu todo, e pelo que intrinsecamente é. Passava, finalmente, também, por
"compreender e fraternizar com os homens (...) de todas as cidades e de
todas as aldeias de todos os países da Terra, por cima de todas as
fronteiras e de todas as pátrias."



Cronologia de Ferreira de Castro


1898 ? Nasce em Salgueiros, Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis (24 de
Maio), filho de José Eustáquio Ferreira de Castro e Maria Rosa de Castro,
camponeses.

1903 ? Nasce Roberto Nobre, ensaísta e crítico de cinema, artista gráfico,
um dos maiores amigos do escritor.

1904 ? Inicia os estudos na escola de Ossela.

1906 ? Morte do pai.

1910 ? Faz o exame da instrução primária (22 de Agosto). Tira o passaporte
para o Brasil (6 de Dezembro).

1911 ? Parte de Ossela (6 de Janeiro) com destino a Leixões, embarca (7 de
Janeiro) no vapor inglês ?Jerôme? rumo a Belém do Pará, cidade que vivia
ainda do fausto proporcionado pela borracha. Durante 28 dias fica em casa
dum conhecido da família que, não o protegendo como se esperava,
despacha-o a bordo do ?Justo Chermont? para o seringal «Paraíso», nas
margens do rio Madeira, braço do Amazonas.

1912 / 1913 ? Vive em plena selva, trabalhando como caixeiro. Escreve os
primeiros contos e crónicas enviando-os para jornais do Brasil e de
Portugal. Redige o romance O Amor de Simão, título que virá a modificar
mais tarde para Criminoso por Ambição.

1914 ? O dono do seringal perdoa-lhe a dívida, permitindo-lhe deixar o
«Paraíso» (28 de Outubro) para regressar a Belém do Pará, levando consigo
o manuscrito do seu primeiro romance.

1915 ? Período de grandes dificuldades. Cola cartazes em Belém, trabalha
como embarcadiço num navio de cabotagem que faz a carreira do Oiapoque, o
?Cassiporé?, entre aquela cidade e a Guiana Francesa. Redige então umas
Impressões de Viagens. Começa a colaborar no Jornal dos Novos. Tira o
primeiro retrato.

1916 ? Edita Criminoso por Ambição (?Sensacional romance expurgado de
phantasia?), impresso em fascículos. Publica a peça em dois actos Alma
Lusitana, tendo como pano de fundo o conflito luso-alemão de Naulila.

1917 ? Funda e dirige com outro emigrante, João Pinto Monteiro, o
semanário Portugal (Março), destinado à comunidade lusa de Belém do Pará.

1918 ? Ganha notoriedade como jornalista. É homenageado pela comunidade
portuguesa de Manaus. A peça O Rapto (inédita) é representada no
«Teatro-Bar Paraense» (Agosto). O Portugal publica em folhetim o romance
Rugas Sociais, que ficou inacabado.

1919 ? Viagem a S. Paulo e Rio de Janeiro. Regressa a Portugal (9 de
Setembro) a bordo do ?Desna?, com quatrocentos escudos no bolso. Breve
estada com a família em Ossela. Decide-se de novo a enveredar pelo
jornalismo, em Lisboa, sem qualquer conhecimento no meio. Funda O Luso,
com a intenção de promover a aproximação luso-brasileira, jornal que dura
poucos meses. Novo período de penúria, em que chega a passar fome.

1921 ? Publica o Mas?, ensaios e ficção. Colabora no jornal Imprensa
Livre, do publicista libertário Campos Lima. Intervém no «Comício dos
Novos», no Chiado Terrasse.

1922 ? Funda A Hora, ?revista panfleto de arte, actualidades e questões
sociais?. Colabora, entre muitos outros periódicos, na revista A. B. C.,
dirigida por RochaMartins. É premiada num concurso promovido pelo Teatro
Nacional a peça O Mais Forte (inédita). Publica a novela Carne Faminta
(Outubro).

1923 ? Publica O Êxito Fácil e Sangue Negro.

1924 ? Publica A Boca da Esfinge, de parceria com Eduardo Frias, e A
Metamorfose. Edição espanhola de O Êxito Fácil (trad. por J. Andrés
Vázquez.).

1925 ? É admitido como sócio do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de
Lisboa (30 de Abril). Publica A Morte Redimida e Sendas de Lirismo e de
Amor (contos) e, sob o pseudónimo «Silvestre Valente», A Ditadura
Feminista, texto satírico. Assegura grande parte da colaboração no
«Suplemento Literário» do diário A Batalha e da revista Renovação, ambos
da Confederação Geral do Trabalho (CGT), anarco-sindicalista.

1926 ? É eleito presidente do Sindicato. Desinteligências com os seus
camaradas sobre a forma de protesto contra a instauração da censura, que
pretendia mais enérgica. Publica A Peregrina do Mundo Novo, A Epopeia do
Trabalho (com ilustrações de Roberto Nobre) e O Drama da Sombra.

1927 ? A jornalista e escritora Diana de Lis (Maria Eugénia Haas da Costa
Ramos, n. 1892) torna-se sua companheira. Publica os volumes de contos A
Casa dos Móveis Dourados e O Voo nas Trevas. Integra os quadros de O
Século, coordenando a área internacional. Inicia Emigrantes.

1928 ? Publica o romance Emigrantes (24ª ed., 1988), que marca um ponto de
viragem na sua obra e no romance português. Funda e dirige a revista
Civilização, com Campos Monteiro.

1929 ? Primeira visita a Paris e viagem a Andorra com Diana de Lis. Começa
a escrever A Selva. Co-dirige, com António Ferro, a «Página Portuguesa» da
Gaceta Literaria, de Gimenez Caballero.

1930 ? Publica A Selva (38ª ed., 1991). Morte de Diana de Lis (30 de
Maio). Viagem pela Europa (Espanha, Inglaterra, Irlanda). Abandona a
Civilização. Emigrantes editado em Espanha (trad. por Luis Diaz Amado
Herrero e Antonio Rodríguez de Léon).

1931 ? Organiza e prefacia o livro póstumo de Diana de Lis Pedras Falsas.
Faz a reportagem para O Século das Constituintes da II República
espanhola, da Revolta da Andaluzia e do plebiscito sobre a autonomia da
Catalunha (Julho/Agosto). Gravemente doente com uma septicemia tenta o
suicídio (3 de Novembro). É assistido por Reinaldo dos Santos. Publica-se
um in memoriam gorado: Ferreira de Castro e a Sua Obra, volume colectivo
organizado por Jaime Brasil incluindo páginas inéditas de memórias.
Publica-se em Espanha a tradução de A Selva, por Amado Herrero e Rodríguez
de Léon.

1932 ? Convalesce na Madeira. Publica novo livro póstumo de Diana de Lis,
Memórias duma Mulher da Época.

1933 ? Publica Eternidade (14ª ed., 1989). Longas estadas no Barroso, onde
colhe elementos para Terra Fria, cuja publicação se inicia em folhetim n?O
Século. Tradução de A Selva na Alemanha por Richard A. Bermann, amigo de
Stefan Zweig, que concita a atenção internacional para o romance e o seu
autor. Prefacia a tradução portuguesa do livro da feminista e diplomata
russa Alexandra Kolontai, A Mulher Moderna e a Moral Sexual.

1934 ? Publica Terra Fria (13ª ed., 1990), ?Prémio Ricardo Malheiros? da
Academia das Ciências (júri: Eugénio de Castro, Queirós Veloso, Barbosa de
Magalhães, Alfredo da Cunha e Joaquim Leitão). Viagem à Córsega a serviço
do seu jornal. Começa a escrever O Intervalo, com base na experiência
vivida na Andaluzia, em 1931. Abandona, no final do ano, o jornalismo em
Portugal, desgastado pela acção da censura. Traduções de A Selva em Itália
(G. de Medici e G. Beccari) e na Checoslováquia (em checo, por Milada
Fliederová).

1935 ? Viaja pelo Mediterrâneo, visitando o Egipto, Palestina, Rodes,
Malta, Cartago e Tunis, Pompeia e Nápoles e Maiorca, périplo de que
resultaria o seu primeiro livro de viagens. Assume as funções de director
de O Diabo por dois escassos meses (8 de Setembro a 10 de Novembro).
Edição de A Selva no Brasil, prefaciada por Afrânio Peixoto, e em
Inglaterra e Estados Unidos (trad. por Charles Duff). Morte de Reinaldo
Ferreira (n. 1897), o «Repórter X», grande camarada do jornalismo.

1936 ? É editada a conferência Canções da Córsega (2ªed., 1994). Termina O
Intervalo e a peça Sim, Uma Dúvida Basta, sobre o caso
Hauptmann-Lindbergh, escrita para o Teatro Nacional a pedido de Robles
Monteiro, censurada por despacho governamental (4 de Março). Conhece no
Estoril a pintora espanhola Elena Muriel. Tradução sueca de A Selva por
Aslög Davidson.

1937 ? Inicia-se a publicação em fascículos de Pequenos Mundos e Velhas
Civilizações. Nova edição de A Selva no Brasil. Tradução italiana de
Emigrantes por A. R. Ferrarin.

1938 ? Casa-se com Elena Muriel, em Paris (9 de Agosto). A serviço do
jornal carioca A Noite visita a Escandinávia e a Checoslováquia,
assistindo à invasão da região dos Sudetas. Publicação de A Selva em
França, (trad. por Blaise Cendrars, primeira de inúmeras edições que o
romance conheceu neste país, onde continua a ser editado pela Grasset), e
na Jugoslávia (em croata, por Dragutín Biscan). Edição ilustrada do
romance amazónico por Alberto de Sousa, António Soares, Carlos Reis,
Dórdio Gomes, Jorge Barradas, Manuel Lapa, Manuel Lima e Martins Barata.
Dá a conhecer a sua intenção de escrever uma biografia do doutrinário
anarquista russo Kropotkine.

1939 ? Faz uma viagem à volta do mundo, na companhia de sua mulher.

1940 ? Publica A Tempestade (10ª ed., 1980). Sai o primeiro estudo
crítico, de largo fôlego, sobre o escritor, da autoria de Alexandre
Cabral: Ferreira de Castro ? O Seu Drama e a Sua Obra.

1941 ? Escreve, até 1944, A Volta ao Mundo, cuja primeira edição atinge a
tiragem de 25 mil exemplares. Publicação de Eternidade no Brasil e nova
edição de A Selva na língua checa.

1944 ? Traduções de A Selva na Roménia (Al. Popescu-Telega), e de Terra
Fria (em checo, por Milada Fliederová).

1945 ? Nasce a sua filha, Elsa Beatriz. Numa entrevista histórica ao
Diário de Lisboa (17 de Novembro) denuncia os efeitos nefastos da censura
sobre os escritores portugueses. Integra a Comissão Consultiva e a
Comissão de Escritores Jornalistas e Artistas do Movimento da Unidade
Democrática (MUD). Em Maio sai a 10ª edição de A Selva, atingindo o meio
milhão de exemplares em todo o mundo, dos quais 42 mil em Portugal. É um
dos fiadores literários do volume III do Guia de Portugal, com Afonso
Lopes Vieira, Aquilino Ribeiro, António Sérgio, Câmara Reis, Raul Lino e
Samuel Maia. Prolongadas estadas na Serra da Estrela, preparando o próximo
romance. Jaime Brasil publica opúsculo Os Novos Escritores e o Movimento
Chamado «Neo-Realismo», reivindicando para Ferreira de Castro a condição
de iniciador ? e não apenas precursor ? do realismo social na literatura.

1946 ? É homenageado pelos conterrâneos (5 de Maio). Participa na sessão
do MUD na Voz do Operário (30 de Novembro), onde se lê uma vibrante
«Mensagem» pela Liberdade e contra o Estado Novo. Publicação de A Selva na
Bélgica (em francês) e na Suíça (em alemão, por R. Caltofen); nova
tradução castelhana de Emigrantes e primeira de Terra Fria, por Eugenia
Serrano.

1947 ? Publica A Lã e a Neve (15ª ed., 1990). Traduções de Terra Fria em
França e na Bélgica, por Louise Delapierre, e de Eternidade na
Checoslováquia, por Milada Fliederová. Em Pont-Aven (Bretanha) escreve
grande parte de A Curva da Estrada.

1948 ? É homenageado em Paris pela Societé des Gens de Lettres (Maio). Les
Lettres Françaises, dirigido por Claude Morgan, publica Le Patron des
Navigateurs (O Senhor dos Navegantes). Edição em França de Emigrantes
(trad. por A. K. Valère). A Selva vertido para o eslovaco por Stefan
Jamsky.

1949 ? A editora Guimarães inicia a publicação das suas ?Obras Completas?,
que serão ilustradas por Manuel Ribeiro de Pavia, Carlos Botelho, Bernardo
Marques, Júlio Pomar, Keil do Amaral, Sarah Affonso, Artur Bual e João
Abel Manta, entre outros. Recusa a proposta ? e a oferta de trezentos
contos ? do editor para incluir as obras da primeira fase, anteriores a
Emigrantes. Apoia activamente a candidatura de Norton de Matos à
presidência da República. Tradução eslovaca de Emigrantes por Stefan
Kiska.

1950 ? Publica A Curva da Estrada (11ª ed., 1985). Escreve A Missão.
Tradução francesa de A Lã e a Neve, por Louise Delapierre.

1951 ? O académico dinamarquês Holger Sten propõe a candidatura do
escritor ao Prémio Nobel (Fevereiro), sendo secundado em Portugal por João
de Barros, Jaime Brasil e Roberto Nobre. Morte da mãe (25 de Dezembro).
Escreve A Experiência. Tradução polaca de Emigrantes, por Aleksandry
Oledzkiej.

1952 ? Nova tradução alemã de A Selva (por Hans Plischke). Traduções de A
Lã e a Neve na Argentina (por Raul Navarro), Checoslováquia (por Jakub
Frey, em checo, com um posfácio de Jorge Amado) e Hungria (por Janós
Csatlós, prefaciada também por Jorge Amado). Edição parcial de Pequenos
Mundos no Brasil, intitulada Terras de Sonho.

1953 ? Uma grave doença hepática põe a sua vida em risco. Mensagem
nacional com milhares de assinaturas assinala o 25º aniversário da
publicação de Emigrantes, entretanto editado na Áustria (trad. por Herbert
e Waltraut Furreg) e na Checoslováquia (trad. por Jakub Frey), bem como A
Selva na Noruega (por Leif Sletsjoe) e A Curva da Estrada em França (por
Renée Gahisto).

1954 ? Publica A Missão (8ª ed., 1980), que inclui «A Experiência» e «O
Senhor dos Navegantes». Edições de A Lã e a Neve no Brasil (numa colecção
dirigida por Jorge Amado, na Editorial Vitória), Alemanha (trad. por
Elfried Kaut), Bélgica (em flamengo, por L. Roelandt), Checoslováquia (em
eslovaco, por Vladimir Oleriny) e Roménia (Dan Botta).

1955 ? 25º aniversário de A Selva assinalado com uma edição ilustrada por
Cândido Portinari que inclui o texto memorialístico «Pequena história de
?A Selva?». Inicia As Maravilhas Artísticas do Mundo, ocupando-o nos oito
anos que se seguem. Tradução alemã de Terra Fria (por Elfried Kaut) e nova
edição de A Lã e a Neve na Hungria.

1956 ? Mensagem aos Democratas de Aveiro, opúsculo editado pela comissão
das comemorações de 31 de Janeiro, por iniciativa de Mário Sacramento.
Depõe a favor de 52 jovens num julgamento político no Porto. Tradução de A
Experiência na Argentina (por Carmen Alfaya), enquanto que em Espanha a
Aguilar publica as suas Novelas Escogidas em papel bíblia, traduzidas por
José Ares e Eugenia Serrano.

1957 ? Traduções de A Selva na Bélgica (em flamengo, por L. Roelandt) e de
A Missão em França (L. Delapierre e R. Gahisto).

1958 ? Armindo Rodrigues e Orlando Gonçalves dão voz a um grupo de
oposicionistas, convidando-o a candidatar-se à presidência da República,
convite que declina, tal como recusa integrar a comissão de honra da
candidatura de Delgado, numa atitude crítica à divisão da Oposição.
Arlindo Vicente, o outro candidato, era um dos seus grandes amigos.
Tradução de Emigrantes na Hungria (por Ferenc Kordás) e 3ª edição de A Lã
e a Neve. A versão francesa de A Missão é publicada na Suiça. Judith
Navarro, Ferreira de Castro e o Amazonas, biografia romanceada destinada
aos jovens.

1959 ? Visita o Brasil (2-28 de Outubro), 40 anos após o regresso a
Portugal, a convite da União Brasileira de Escritores. É apoteoticamente
recebido, as sessões de homenagem multiplicam-se. É feito cidadão
honorário do Rio de Janeiro, que lhe entrega a chave da cidade. Com
Juscelino Kubitschek, Presidente da República, visita Brasília. Inicia a
publicação de As Maravilhas Artísticas do Mundo ou a Prodigiosa Aventura
do Homem Através da Arte. Tradução russa de A Lã e a Neve, por A. Torres e
A. Ferreira (existe uma versão de Emigrantes feita por David Vigodsky,
desconhecida entre nós). Grava para a discográfica Orfeu «O Senhor dos
Navegantes». Alberto Moreira, Ferreira de Castro Antes da Glória, estudo
biográfico sobre a juventude do escritor.

1960 ? O Porto assiste à maior homenagem prestada a um escritor até então,
com um colóquio, uma exposição bibliográfica e duas concorridas sessões de
autógrafos nas livrarias Divulgação e Latina (4-6 de Fevereiro). Prefacia
a primeira edição portuguesa de Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado.
Publicação de A Curva da Estrada no Brasil. Traduções húngara de
Eternidade (por Sándor Szalay) e italiana de A Lã e a Neve (por António
Fiorillo). Morre João de Barros (n. 1881), padrinho de Elsa Ferreira de
Castro.

1961 ? São editados no Brasil os três volumes das suas Obras Completas, em
papel bíblia. Jaime Brasil, Ferreira de Castro, biografia e antologia.

1962 ? É eleito por unanimidade presidente da Sociedade Portuguesa de
Escritores, da qual é o sócio nº2 e Aquilino o nº1. Toma posse a 5 de
Fevereiro, presidindo até 1964 a uma direcção de que fazem parte João José
Cochofel, Manuel Ferreira, Manuel da Fonseca e Matilde Rosa Araújo.
Edições norte americanas de Emigrantes (trad. por Dorothy Ball), e A
Missão (trad. por Ann Stevens).

1963 ? Conclui As Maravilhas Artísticas do Mundo. Edição de A Missão no
Reino Unido; primeira edição de bolso de A Selva em França.

1965 ? A Academia de Belas Artes de Paris atribui o ?Prémio Catenacci? às
Maravilhas Artísticas. Apoia a atribuição do prémio de novelística da SPE
a Luuanda, de Luandino Vieira.

1966 ? Assinalam-se os 50 anos da sua vida literária. Na Sociedade
Nacional de Belas Artes realiza-se uma grande exposição bibliográfica e
iconográfica. Edições especiais, com posfácios do autor, de Emigrantes,
ilustrada por Júlio Pomar, e Terra Fria, com desenhos de Bernardo Marques,
além dum volume colectivo, o Livro do Cinquentenário da Vida Literária de
Ferreira de Castro. Numa praça de Oliveira de Azeméis é inaugurado um
monumento à sua obra (30 de Dezembro).Morre Jaime Brasil (n. 1896).

1967 ? Escreve O Instinto Supremo. Nova edição brasileira de A Selva,
ilustrada por Poty. Doa a casa onde nasceu ao povo de Oliveira de Azeméis
(30 Dez.).

1968 ? A União Brasileira de Escritores apresenta a candidatura conjunta
de Ferreira de Castro e Jorge Amado ao Prémio Nobel da Literatura. Publica
O Instinto Supremo (6ª ed., 1988) simultaneamente em Portugal e no Brasil.
Tradução húngara de A Missão por Sándor Szalay.

1969 ? Escreve os textos evocativos Historial da Velha Mina e A Aldeia
Nativa. ?Homenagem a João de Barros? (opúsculo). Mensagem de adesão ao II
Congresso Republicano de Aveiro. Morte de Roberto Nobre.

1970 ? Recebe o grande prémio ?Águia de Ouro Internacional? no Festival do
Livro de Nice (28 de Maio), atribuído por unanimidade por um júri
presidido por Isaac Bashevis Singer, de que fazem parte, entre outros,
André Chamson, Gore Vidal, Hervé Bazin, Jacques Chastenet, Joaquim Paço
d?Arcos e Miguel-Angel Asturias. Eram também candidatos Konstantin Simonov
e Lawrence Durrrel. Faz o primeiro pedido às autoridades do seu país (25
de Fevereiro): «ficar sepultado à beira duma dessas poéticas veredas que
dão acesso ao Castelo dos Mouros», na Serra de Sintra

1971 ? Nova visita ao Brasil com inúmeras homenagens. O seu nome é dado a
um troço da Transamazónica. Em Paris, a Academia do Mundo Latino atribui o
?Prémio da Latinidade? a Ferreira de Castro, Jorge Amado e Eugenio
Montale.

1972 ? Revê e prepara para edição O Intervalo, antecedido do texto
memorialístico «Origem de ?O Intervalo?». Chamou-se João de Deus Ramos,
Exactamente o Nome Paterno (opúsculo). Jorge Amado prefacia nova edição
brasileira de A Selva. Tradução polaca de A Missão por Florian Smieja.

1973 ? A UNESCO anuncia que A Selva está entre os dez romances mais lidos
em todo o mundo. Doa ao povo de Sintra, vila onde passou largas
temporadas, a maior parte do seu espólio (Abril). Comemora-se o seu 75º
aniversário com uma nova edição ilustrada do grande romance, desta vez
ilustrado por Júlio Pomar. Entrevista a Álvaro Salema gravada pela
Sassetti. Tradução japonesa de A Selva por Kikuo Furano. Álvaro Salema,
Ferreira de Castro ? A Sua Vida, a Sua Personalidade, a Sua Obra (estudo e
antologia).

1974 ? Acolhe o 25 de Abril com grande emoção, participando euforicamente
no primeiro 1º de Maio. Em 5 de Junho sofre um acidente vascular-cerebral
em Macieira de Cambra. Morre no Hospital de Santo António, no Porto (29 de
Junho). Publica-se Os Fragmentos ? Um Romance e Algumas Evocações. Nova
edição de A Lã e a Neve na Hungria.

1975 ? Os restos mortais de Ferreira de Castro são inumados numa encosta
da Serra de Sintra, a caminho do Castelo dos Mouros (31 de Maio),
cumprindo-se a vontade do escritor. A Lello edita as Obras Completas de
Ferreira de Castro em papel bíblia (quatro volumes). Morre Assis Esperança
(n. 1892), um dos seus companheiros de sempre.

1994 ? Publica-se a peça Sim, Uma Dúvida Basta, inédita durante sessenta
anos, e a Correspondência com Roberto Nobre, assinalando-se o 20º
aniversário da sua morte
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