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(pt) A BATALHA N. 211: A GUERRA QUE O ESTADO E O CAPITAL NOS MOVEM...

Date Fri, 22 Jul 2005 13:00:06 +0200 (CEST)


Esta guerra cruel, impiedosa, que mata sorrateiramente, que não tem
frente mas é feita de inúmeras batalhas, que tanto surge nos países
?desenvolvidos? como nos do ?3º Mundo?, esta é a guerra de
classes. É esta guerra sem quartel que os ricos e poderosos movem
contra os pobres e os despojados.
Em Portugal, desde há cerca de 20 anos sucedem-se os ataques contra
as garantias e direitos laborais conquistados logo a seguir ao 25 de
Abril de 74, numa altura em que a burguesia, juntamente com as
hierarquias militares ou dos partidos, sabia que não podia derrotar a
?rua? se esta se mobilizasse de forma unida para sacudir
completamente o jugo que apenas fora abanado.
Actualmente, o governo leva a cabo mais uma ofensiva nessa guerra de
classes, munindo-se da força de uma ditadura da maioria, que não de
verdadeira legitimidade democrática, pois fez exactamente o oposto do
que prometera, servindo-se de um ardil de ?surpresa? perante o estado
das contas públicas, que apenas convence quem deseja sê-lo.
Deixemos bem claro o seguinte: o que preocupa o poder em Portugal
(a burguesia e o seu governo) não é o famoso défice, é a capacidade
de resistência da classe trabalhadora e a sua combatividade, pois é
um país que já passou por períodos de maior desafogo, já se viveram
também momentos de acesa luta popular e operária, estando isso
inscrito na memória de grande parte das pessoas.
Isto, apesar do reformismo mais que comprovado de todo o movimento
sindical, tendo como expoentes tanto a CGTP como a UGT, as quais se
têm sentado à mesa de ?negociações? para retirar direitos
consagrados, fazer um ?nim? ou uma ?resistência simbólica? ao código
?anti-laboral?, etc.
Como precisam de uma submissão total, é impensável que deixem de pé
uma função pública onde subsista trabalho com direitos, com dignidade
de carreiras, sem contratos individuais, sem precariedade. Tudo isto
tem de acabar na função pública e na administração pública para nunca
mais ser negociável no privado e assim satisfazer a oligarquia
reinante.
Os dirigentes sindicais sabem perfeitamente que estes são os planos
estratégicos da classe dominante. Porém, como seriam incapazes de se
lhe opor (estão demasiado comprometidos com ela) vão dando a ilusão
de combatividade, por forma a satisfazer as suas bases. Estas,
preferem ter fé, a olharem um pouco criticamente as movimentações que,
sempre do alto, são decretadas pelas ilustríssimas cabeças dos
dirigentes sindicais.
Fosse o movimento sindical mais horizontal e haveria neste período de Maio
- Junho plenários nos locais de trabalho (a lei prevê essa possibilidade,
mas os sindicatos nunca a aproveitam) onde seriam discutidas as diversas
formas de luta, onde se elegeriam comissões
de base e seus delegados para levar a cabo a coordenação com outras
comissões... Assim e só assim, poderia o movimento dos trabalhadores
e os seus sindicatos agir de forma eficaz contra o ataque sem
precedentes que o P?S? desencadeou contra todos os trabalhadores, não
apenas os da administração pública.
Resta acrescentar que, se o governo levar à prática a promessa/ameaça
de só permitir a entrada de um trabalhador na administração pública,
por cada dois que se reformem, tal política será correlativa do
abandono completo ou degradação de inúmeras estruturas, nomeadamente
na saúde pública e nas escolas, criando assim artificialmente as
condições para os privados poderem explorar os que, embora com
sacrifício, ainda conseguem pagar o internamento na clínica, o colégio
dos filhos, etc. Chamam a isso ?libertar o mercado?...
Mas criam também mais geral e funda miséria, onde ela já é tão grande!
Não desprezemos porém o adversário. Se ele avança com estas medidas
gravosas é porque sabe até que ponto os sindicatos estão enfraquecidos.
Exemplo disso, foi a recente greve de docentes que se realizou na
altura dos exames nacionais do final do ensino básico (9º ano) e do
secundário (12º ano). Perante a previsão de uma greve tão dura, apenas
uma ampla consulta asseguraria a coesão para enfrentar colectivamente
os actos de repressão que muito provavelmente surgiriam. Porém, as
estruturas sindicais burocráticas decretaram a greve mas não
promoveram de forma generalizada assembleias que ratificassem as
propostas de greve, nem fizeram o mínimo esforço de mobilização; nem
sequer distribuiram eficazmente aos cartazes e folhetos pelas escolas!
Isto diz muito sobre o estado comatoso do sindicalismo no nosso país.
Já há tempos que tal se verifica. O facto dos burocratas se agarrarem
ao poder, é análogo ao comandante que prefere deixar-se afundar com o
próprio navio. Porém, neste caso, sem qualquer honra ou glória.
A análise confirma-se: eles fazem com que gerações mais novas não
vejam qualquer interesse em se envolverem em actividades sindicais,
que consideram como meras extensões das actividades partidárias.
Porém, existe outro sindicalismo, outra forma de defendermos os
nossos direitos e de nos relacionarmos. Ele está vivo em correntes
anti-autoritárias, não vinculadas a partidos políticos, o sindicalismo
de base, de inspiração libertária, apenas comprometido com as decisões
tomadas em assembleia. Onde não há ?chefes? ou ?líderes?, mas apenas
mandatados entre iguais, tendo cada membro da direcção o seu mandato
revogável a todo o momento, por decisão da assembleia e não se
aceitando burocracias ou ?profissionais? do sindicalismo.


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