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(pt) [Brasil] ENTREVISTA COM O COLETIVO ANARQUISTA ORGANIZADO - MA

Date Thu, 14 Jul 2005 17:50:29 +0200 (CEST)


Entrevista realizada pelo Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás
1) Desde quando existe o CAO e como foi o processo de formação do coletivo?

Até chegar a formação do Coletivo Anarquista Organizado, o mesmo passou
por vários processos de formação até sua organização no ano de 2003 com um
trabalho expositivo, na Universidade Federal do Maranhão, a respeito dos
punks e anarco-punks. O coletivo, mesmo antes da sua ratificação, sempre
trabalhou a perspectiva de anarquismo organizado, utilizando como base a
plataforma de Makhno. Cabe dizer, a partir de avaliação interna, que o
coletivo está em um período de amadurecimento.

2) Em quais lutas @s companheir@s do CAO estão inseridos no momento?

O que vem norteando as ações diretas do Coletivo é o sentido de injustiça
social que permeiam todas as esferas nacionais, regionais e locais. Ou
seja, o CAO acredita que onde houver injustiça social (e o modo de
produção capitalista produz isso) é passível de uma ação direta para a
correção de tais distorções. Daí o Coletivo está inserido, diretamente,
nas seguintes lutas: 1) no movimento indigenista, juntamente com o
Conselho Indigenista Missionário-CIMI (nesta ação o coletivo tenta
aprender o sentido de reciprocidade e solidariedade em que vivem várias
etnias indígenas do Maranhão); 2) ações dentro das universidades (UFMA e
UEMA; lutas constantes como a da meia-passagem estudantil, greve de
professores e recente debate da Reforma Universitária); 3) mais
recentemente a luta contra a implantação do Pólo Siderúrgico, dando apoio
direto ao Comitê Amplo de Estudantes contra a Implantação do Pólo
Siderúrgico (CAECIP), movimento independente sem a anuência de partidos
políticos; 4) movimento de pessoas portadoras de deficiência; e 5) na
discussão da Conferência Cidade para Todos no Município.

3) Como anda a luta contra a implantação do pólo siderúrgico em São Luís?

Antes de começar, cabe aqui dizer que mais uma vez que esse tipo de
empreendimento beneficiará quase que exclusivamente uma oligarquia local
(a famigerada família Sarney) bem como os seus vassalos de prontidão (a
família dos Senadores Lobão e João Alberto, empresários locais, etc).
Juntamente com o CAECIP, o Coletivo Anarquista Organizado (CAO) vem
atuando diretamente nas comunidades a serem remanejadas (ou será,
expulsas?) pela implantação do Pólo Siderúrgico (ao todo são 16
comunidades, com um número inicial de aproximadamente 17 mil famílias, a
titulo de informação segue anexo). Em uma recente ação com as comunidades
(8 de maio e 15 de maio, segue fotos em anexo) o CAO, junto com o CAECIP,
demonstrou a importância das lideranças se organizarem face o
empreendimento multinacional que se apresenta (vale relembrar que o Pólo é
uma parceria do Governo Estadual, mais a CVRD com outras três
multinacionais ? a chinesa Baosteel, a coreana Posco e a inglesa Arcelor ?
respectivamente a 3.ª, 7.ª e 2.ª maiores siderurgias do mundo).
A atuação não se limita apenas em impedir a implantação do empreendimento,
mas em demonstrar a necessidade da reversão da pauta governista, ou seja:
mudança da pauta excludente que é demonstrada pelo projeto de implantação
do pólo para uma pauta que respeite as especificidades das comunidades,
para tanto faz-se necessário investimento na pequena produção extrativa
(mandioca, pesca, arroz, etc), bem característica dessas comunidades.
Essa luta diária exige tanto do CAO, quanto do CAECIP, uma constante
organização da mesma no tocante a atingir o apoio mútuo e a reciprocidade
entre as pessoas de cada comunidade.

4) Vivemos em uma realidade aonde as insatisfações populares e a revolta
estão aumentando a cada dia. O que esperam da luta anarquista para um
futuro bem próximo?

A importância do anarquismo nos movimentos sociais atualmente perpassa
pela necessidade de dá uma nova visão de organização a estes, desde fugir
dos padrões representativos impostos até a forma do agir e atuar
diretamente com a sociedade. Ou seja, atuar em programas-raizes e não em
paliativos conjuturais (Fome-Zero, Bolsa-Família, etc) propostos pelo
atual Governo. Leva-se em conta que a desarticulação dos movimentos, a
partir da perda de liderança assumida pelo Partido do Trabalhadores (PT),
abriu novas possibilidades de reinserção do anarquismo nos movimentos e na
reordenação das insatisfações populares. Neste sentido, acredita-se que o
anarquismo organizado tem como papel fundamental reeducar as massas
fomentando a autogestão, fugindo do vício autoritário empregado pelos
partidos políticos e que tolhem a verdadeiramente liberdade do ser humano:
aquela de pensar coletivamente sem a tutela de instituições
centralizadoras.

5) Além do CAO existem mais grupos anarquistas em São Luís? Se sim qual a
relação de vocês com esses grupos?

Sim, há o trabalho dos companheiros da União Libertária Maranhense (ULMA)
que trabalham em outras perspectivas e que não aceitam o anarquismo
organizado. Há uma relação mútua de respeito e algumas ações pontuais
foram feitas em conjunto: tais como o Encontro com o Coletivo de
Imperatriz, a ULMA e CAO, bem como com os punks e anarco-punks de São
Luís, ocorrido em 2003.

6) Deixem uma mensagem a tod@s comapanheir@s do Brasil.

Que os grupos se organizem em prol da construção de uma sociedade
verdadeiramente libertária.

Coletivo Anarquista Organizado (MA)
coletivoanarquista@hotmail.com
São Luís ? MA Cx. Postal 306 CEP: 65001 970

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Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás
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Cx. Postal 92 CEP:74003-901 Goiânia-GO
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