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(pt) INFORME ANARQUISTA Nº01 GOIÂNIA - JUNHO DE 2005

Date Wed, 6 Jul 2005 17:26:00 +0200 (CEST)


Página 01
FAO FÓRUM DO ANARQUISMO ORGANIZADO ? BRASIL Um processo em construção O
Fórum do Anarquismo Organizado é um espaço de debate e articulação entre
organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a
intenção de trabalhar de forma organizada atuando socialmente.
A primeira edição aconteceu na cidade de Belém do Pará em 2002, passando
pela plenária de Porto Alegre em janeiro de 2003, o encontro nacional
realizado em São Paulo em novembro de 2003 e o último encontro em janeiro
de 2005 em Porto Alegre.
O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma
verdadeira organização anarquista no Brasil. Tarefa que sabemos não ser de
curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já. Para tanto, tem-se
como compromissos do FAO:
1) Estimular e realizar o debate sobre o anarquismo organizado no Brasil,
apontando para necessidade de construir uma organização anarquista; 2)
Apoiar a formação de grupos anarquistas organizados;
3) Trabalhar pela aproximação, articulação prática e unificação destes
grupos no âmbito estadual ou regional num primeiro momento;
4) Trabalhar, na medida das possibilidades reais, com os diferentes níveis
da luta revolucionária anarquista: trabalho de propaganda, trabalho
teórico e o mais importante deles, a militância social, nas frentes e
áreas escolhidas (bairro, sem-teto, estudantil, sindical, ecologia social,
luta contra a ALCA, etc.);
5) Lutar pela construção de uma organização anarquista brasileira dotada
de um projeto político comum, com real peso sócio-político e presença
nacional mais ampla possível;
6) Estabelecer relações fraternas e solidárias com organizações
anarquistas internacionais, sobretudo as latino-americanas, cuja realidade
nos é mais próxima.
A questão da organização é muito antiga no meio anarquista, há mais de cem
anos Malatesta já abordava o tema. Por mais que nos pareça uma questão
simples ainda há muita confusão a respeito e tem muita gente que
sinceramente pensa que anarquismo é contra qualquer forma de organização,
que isso seria burocracia, autoritarismo, etc. Isso é compreensível,
afinal de contas os modelos de organização concretos que as pessoas
conheceram (tipo partidos autoritários, centralizados e eleitoreiros) não
animam ninguém a pensar no tema.
Mas é necessário romper com isso, perceber que esta foi apenas ?uma? forma
de organização e não ?a? forma. O anarquismo sempre teve outras formas de
organização, horizontais, participativas e federativas. Discutir
organização hoje em dia não é somente uma questão de retomar a história do
anarquismo, mas, sobretudo uma necessidade real. Diante de um sistema
articulado, bem informado e com capacidade operativa não podemos ficar
atomizados. Além disso, a organização multiplica nossas forças, nos
permite a prevenção e defesa diante da repressão. Pensamos que para
enfrentar este sistema capitalista é preciso estar organizado.
O anarquismo é composto por uma diversidade de correntes, isso é uma
verdade. Mas também é verdade que nem todas se dispõem a trabalhar junto a
nossa classe, nosso povo. Historicamente tivemos momentos de presença
anarquista muito forte na Ucrânia com a Makhnovitschina, na Revolução
Espanhola, Revolução Mexicana, com o sindicalismo revolucionário por toda
a América Latina, isso para não falar de inúmeras outras experiências. Em
todos estes casos, referências ? ao menos teórica - para todos os
anarquistas, existiram anarquistas organizados, com postura classista e
com atuação social decidida. Pode-se afirmar que em todos os casos onde o
anarquismo foi expressivo havia inserção e militância social. Por isso
tudo e pela realidade em que vivemos, pensamos que é fundamental discutir
como os anarquistas podem atuar socialmente, que relações se estabelecem
entre os anarquistas e os movimentos sociais, que tipos de atuação seriam
mais ou menos interessantes, etc. Sobretudo pensamos que os anarquistas
não farão a revolução sozinhos, e que se não tivermos uma militância nas
lutas de nossa classe não teremos chance alguma.
O FAO já está caminhando, mas não está pronto e acabado, e jamais fechado
a quem possa se interessar. A postura do FAO é construtiva, aberta ao
diálogo e contra o sectarismo. Sabemos e somos os maiores interessados em
corrigir erros, aprimorar o projeto e incorporar novas contribuições, mais
gente na discussão. Se você tem dúvidas, discorda em parte do que foi
exposto até aqui, lhe convidamos a dialogar e a nos conhecer melhor.
Contato da Secretaria Nacional Provisória: secretariafao@riseup.net


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Página 02
ENTREVISTA COM O COLETIVO ANARQUISTA ORGANIZADO - MA

Entrevista realizada pelo Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás


1) Desde quando existe o CAO e como foi o processo de formação do coletivo?

Até chegar a formação do Coletivo Anarquista Organizado, o mesmo passou
por vários processos de formação até sua organização no ano de 2003 com um
trabalho expositivo, na Universidade Federal do Maranhão, a respeito dos
punks e anarco-punks. O coletivo, mesmo antes da sua ratificação, sempre
trabalhou a perspectiva de anarquismo organizado, utilizando como base a
plataforma de Makhno. Cabe dizer, a partir de avaliação interna, que o
coletivo está em um período de amadurecimento.

2) Em quais lutas @s companheir@s do CAO estão inseridos no momento?

O que vem norteando as ações diretas do Coletivo é o sentido de injustiça
social que permeiam todas as esferas nacionais, regionais e locais. Ou
seja, o CAO acredita que onde houver injustiça social (e o modo de
produção capitalista produz isso) é passível de uma ação direta para a
correção de tais distorções. Daí o Coletivo está inserido, diretamente,
nas seguintes lutas: 1) no movimento indigenista, juntamente com o
Conselho Indigenista Missionário-CIMI (nesta ação o coletivo tenta
aprender o sentido de reciprocidade e solidariedade em que vivem várias
etnias indígenas do Maranhão); 2) ações dentro das universidades (UFMA e
UEMA; lutas constantes como a da meia-passagem estudantil, greve de
professores e recente debate da Reforma Universitária); 3) mais
recentemente a luta contra a implantação do Pólo Siderúrgico, dando apoio
direto ao Comitê Amplo de Estudantes contra a Implantação do Pólo
Siderúrgico (CAECIP), movimento independente sem a anuência de partidos
políticos; 4) movimento de pessoas portadoras de deficiência; e 5) na
discussão da Conferência Cidade para Todos no Município.

3) Como anda a luta contra a implantação do pólo siderúrgico em São Luís?

Antes de começar, cabe aqui dizer que mais uma vez que esse tipo de
empreendimento beneficiará quase que exclusivamente uma oligarquia local
(a famigerada família Sarney) bem como os seus vassalos de prontidão (a
família dos Senadores Lobão e João Alberto, empresários locais, etc).
Juntamente com o CAECIP, o Coletivo Anarquista Organizado (CAO) vem
atuando diretamente nas comunidades a serem remanejadas (ou será,
expulsas?) pela implantação do Pólo Siderúrgico (ao todo são 16
comunidades, com um número inicial de aproximadamente 17 mil famílias, a
titulo de informação segue anexo). Em uma recente ação com as comunidades
(8 de maio e 15 de maio, segue fotos em anexo) o CAO, junto com o CAECIP,
demonstrou a importância das lideranças se organizarem face o
empreendimento multinacional que se apresenta (vale relembrar que o Pólo é
uma parceria do Governo Estadual, mais a CVRD com outras três
multinacionais ? a chinesa Baosteel, a coreana Posco e a inglesa Arcelor ?
respectivamente a 3.ª, 7.ª e 2.ª maiores siderurgias do mundo).
A atuação não se limita apenas em impedir a implantação do empreendimento,
mas em demonstrar a necessidade da reversão da pauta governista, ou seja:
mudança da pauta excludente que é demonstrada pelo projeto de implantação
do pólo para uma pauta que respeite as especificidades das comunidades,
para tanto faz-se necessário investimento na pequena produção extrativa
(mandioca, pesca, arroz, etc), bem característica dessas comunidades. Essa
luta diária exige tanto do CAO, quanto do CAECIP, uma constante
organização da mesma no tocante a atingir o apoio mútuo e a reciprocidade
entre as pessoas de cada comunidade.

4) Vivemos em uma realidade aonde as insatisfações populares e a revolta
estão aumentando a cada dia. O que esperam da luta anarquista para um
futuro bem próximo?

A importância do anarquismo nos movimentos sociais atualmente perpassa
pela necessidade de dá uma nova visão de organização a estes, desde fugir
dos padrões representativos impostos até a forma do agir e atuar
diretamente com a sociedade. Ou seja, atuar em programas-raizes e não em
paliativos conjuturais (Fome-Zero, Bolsa-Família, etc) propostos pelo
atual Governo. Leva-se em conta que a desarticulação dos movimentos, a
partir da perda de liderança assumida pelo Partido do Trabalhadores (PT),
abriu novas possibilidades de reinserção do anarquismo nos movimentos e na
reordenação das insatisfações populares. Neste sentido, acredita-se que o
anarquismo organizado tem como papel fundamental reeducar as massas
fomentando a autogestão, fugindo do vício autoritário empregado pelos
partidos políticos e que tolhem a verdadeiramente liberdade do ser humano:
aquela de pensar coletivamente sem a tutela de instituições
centralizadoras.
5) Além do CAO existem mais grupos anarquistas em São Luís? Se sim qual a
relação de vocês com esses grupos?

Sim, há o trabalho dos companheiros da União Libertária Maranhense (ULMA)
que trabalham em outras perspectivas e que não aceitam o anarquismo
organizado. Há uma relação mútua de respeito e algumas ações pontuais
foram feitas em conjunto: tais como o Encontro com o Coletivo de
Imperatriz, a ULMA e CAO, bem como com os punks e anarco-punks de São
Luís, ocorrido em 2003.

6) Deixem uma mensagem a tod@s comapanheir@s do Brasil.

Que os grupos se organizem em prol da construção de uma sociedade
verdadeiramente libertária.
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Página 03
SONHO REAL: O FORTE E GUERREIRO POVO LUTADOR DE GOIÂNIA


"Nós somos fortes, somos guerreiros, somos povo lutador" dizia a canção do
músico Marcos, companheiro sem teto da ocupação SONHO REAL (região oeste
de Goiânia), que foi espancado brutalmente pela polícia militar no último
dia 16 durante a desocupação da área. A canção, intitulada de "Nossa
História" durante uma noite na ocupação, encheu os olhos de lágrimas de
todos os companheiros que estavam reunidos há dez meses na luta pela
moradia, pois expressava a sensação de força e luta que o povo adquire
quando se une por um objetivo em comum.

A ocupação do Sonho Real surgiu em maio de 2004. A área ocupada estava
completamente abandonada e servia simplesmente para desova de corpos,
assaltos e estupros. Ela amedrontava os moradores da região enquanto a
especulação imobiliária aumentava os preços do aluguel e gerava lucros
para os proprietários da terra: família milionária, que dava sustentação
ao prefeito de Goiânia, e devia mais de 2 milhões de IPTU daquela área.

A ocupação que se iniciou de forma espontânea assumiu grandes proporções:
chegou a abrigar quase 4.000 famílias que ali viveram tranqüilamente até o
início deste ano, quando a liminar de reintegração de posse decidiu pela
desocupação. Do chão vermelho da terra e do barro cotidiano das chuvas
noturnas, a solidariedade dos sem-teto cresceu.

Ameaçados pelo despejo, montaram barricadas, proibiram a entrada da
polícia, levantaram o Conselho Popular, organizaram a vigília, prepararam
coquetéis molotov, foguetes, paus e pedras. Sem a confiança nos políticos,
que durante todo o ano eleitoral, prometeram mantê-los ali (dentre os
políticos, estão o atual prefeito e o governador), o que estava na mente,
nos corações e na boca de cada sem-teto era uma só frase: a resistência
popular é o que nos vai fazer vencer. Em torno de uma questão concreta, a
necessidade real de um pé de terra para viver, a associação dos sem-tetos
surgiu, deixando em segundo plano as divergências de idéias políticas e
religiosas. Só uma bandeira foi levantada, a bandeira da moradia, do
direito de se viver, a bandeira da causa econômica comum a todos os
trabalhadores explorados. É a resistência que nos faz vencer. E a luta
solidária em torno de uma causa concreta fez surgir entre os sem-tetos a
compreensão, não devido a idéias, mas devido a comprovação pelo fato
cotidiano que a luta fez saltar aos olhos, de que os nossos companheiros
eram cada família pobre que lutava dignamente para sobreviver e que os
nossos inimigos eram os donos da terra, parte de uma classe dominante da
cidade, que tinha os interesses contrários aos interesses dos oprimidos, a
lei burguesa, que defende os interesses da classe dominante, a polícia,
força militar do Estado e, portanto, também um instrumento dos
proprietários contra os desapropriados do mundo, e a imprensa burguesa que
vinculada aos interesses dos capitalistas mentia descaradamente sobre a
realidade.

A polícia, infiltrada na ocupação através de P2, sabia da força popular
que ali estava concentrada. Temendo o conflito, adiou várias vezes a ação
de despejo, só agindo após a ameaça pelo judiciário de prender o
Secretário de Segurança e o coronel da Polícia Militar por não cumprimento
da liminar. E, assim, instrumentos de uma classe exploradora, a polícia
organizou a repressão. Montou a Operação Triunfo na qual uma das
principais estratégias era a operação Inquietação. Tratava-se de
atormentar os moradores durante a noite, com tiros e bombas em seus
barracos, contra-informações, alertas falsos de invasão, etc. Tudo para
estressar os moradores, fazer com que gastem suas armas e trazer o cansaço
psicológico. Mas, das barracas atingidas, das crianças feridas, das noites
sem sono no Conselho Popular, das vigílias nas barricadas, a solidariedade
crescia. Os moradores se conheceram e desenvolveram o apoio mútuo, o
respeito e a confiança em cada combatente que carregando um pedaço de pau
de dispunha a lutar lado a lado.

Em uma destas noites da Operação Inquietação, a polícia atacou com tiros e
bombas (não só balas de borracha, ou bombas de efeito moral) e os
sem-tetos resistiram bravamente: um policial e dois sem-tetos foram
feridos. A polícia, decidida a se vingar preparou um massacre.
No dia 16 de fevereiro, a polícia invadiu a área e, não sem resistência,
desocupou os sem-tetos. A força bruta chegou para matar muitos daqueles
que já havia marcado nas barricadas durante a Operação Inquietação. Vários
moradores foram assassinados cruelmente, fuzilados após já estarem
dominados. Dentre os mortos, apenas dois corpos apareceram: o dos
companheiros lutadores Wagner da Silva Moreira (21 anos) e de Pedro
Nascimento da Silva (27 anos). Seus sangues, derramados brutalmente, hão
de alimentar milhões de corações. Mais de 20 mortes foram presenciadas e
os corpos desapareceram, 30 sem-tetos estão desaparecidos, 800 presos,
dentre eles companheiros anarquistas, e centenas de feridos. A
investigação agora recai sobre os companheiros: telefones grampeados e
vidas reviradas são o que cada lutador está vivendo. Fome e falta de
dignidade atormentam as famílias de sem-teto que continuam na luta mesmo
despejadas, para conquistar o direito a moradia. Como dizia Bakunin, "os
nossos inimigos organizam as suas forças com a força do dinheiro e com a
autoridade do Estado. Nós só podemos organizar as nossas com a convicção e
com a paixão." E se a força do Estado e dos capitalistas desta vez foi
maior que a nossa, então continuamos na luta, porque o Sonho Real
fortaleceu a dignidade de cada um dos explorados, separou na consciência,
através dos fatos, o mundo dos ricos do mundo dos explorados, e criou nos
Joãos e Marias que conhecemos na luta do barro vermelho, a consciência de
classe.

Nos organizarmos ainda mais, lado a lado com o povo guerreiro de tapuias,
de Trombas e Formoso, do Araguaia. Construir a cada dia a luta popular,
fortalecendo a associações dos explorados, para que a cada novo amanhecer
se criem novas campos de luta e para que a nossa força organizada seja
maior que a força do dinheiro do Estado e do patrão.
VIVA A RESISTÊNCIA POPULAR! A TODOS OS COMPANHEIROS QUE TOMBARAM
ASSASSINADOS NA LUTA DO SONHO REAL!
Esse texto foi escrito pelo Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás
um dia após a desocupação da área.
Atualização


Depois de serem invadidas suas casas e serem expulsas com força e
violência do terreno, as famílias foram jogadas pelo governo estadual e
municipal em dois ginásios, distante um do outro, numa clara tentativa de
diminuir a luta e o sonho daqueles homens e mulheres pela moradia, no
entanto eles/as continuaram resistindo e cobrando das ?autoridades? o
comprimento das promessas, exigindo que elas não fossem esquecidas. Os
ginásios eram totalmente inapropriados para alojar mas de 2.500 famílias ,
as condições eram desumanas. A falta de infra-estrutura, higiene básica e
a debilitação de outros serviços básicos foi o que o Estado de Goiás e o
Município de Goiânia ofereceram a essas famílias, ocasionando vários
problemas de saúde para aquelas pessoas. A negligência dos políticos e a
falta de infra-estrutura básica refletiu-se na morte de 3 pessoas, vitímas
de uma demagogia politiqueira que mata. Depois de quase 5 meses as
famílias foram transferidos para uma área provisória que se encontra ao
lado do setor Grajaú, onde se encontram neste momento ainda com
resistência para lutar pelo sonho que ainda é real.

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Página 04
COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS

O Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás surgiu em janeiro de 2005.
Durante o ano de 2004 militantes anarquistas que atuavam na União Popular
(GO) realizaram um debate sobre a necessidade da construção de uma
organização anarquista no estado de Goiás. Em Janeiro de 2005 essa
discussão de tornou realidade e foi realizado o congresso em que nasceu o
Coletivo. Até o momento o Coletivo cresceu, aumentamos nossa atuação
social, nosso trabalho de propaganda e formação política e os trabalhos
internos. O Coletivo continua aberto as pessoas que queiram se juntar a
nós nessa construção, portanto se você se interessou entre em contato
conosco. Abaixo vai o Manifesto que lançamos no começo do ano e que
apresenta o nosso projeto.
MANIFESTO PRÓ-ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS

A organização dos/as militantes anarquistas se faz presente no atual
contexto nacional e internacional. A queda do muro de Berlim e do modelo
soviético colocou em decadência o modelo de organização e a estratégia da
esquerda autoritária. Os partidos leninistas entraram em decadência e os
anseios revolucionários se voltaram para as idéias libertárias. A crítica
anarquista à ditadura do proletariado, ao modelo de organização
autoritário, à via estatal de mudança social, têm um espaço a ocupar na
interpretação da falência dos regimes do leste europeu. Por outro lado, as
lutas mundiais contra a globalização tiveram na ação direta a sua
principal arma e o controle dos partidos autoritários sobre as lutas foi
posta em risco. Desta forma, a propaganda de um tipo de luta direta
expandiu-se por todo o globo. No contexto brasileiro, a esperança criada
na democracia, depois de 20 anos de ditadura, foi frustrada pois a
experiência demonstrou que não é através da eleição de representantes no
Estado que uma transformação social profunda pode ocorrer. Mais uma vez, a
crítica anarquista à via eleitoral e a sua estratégia de ação fora das
instâncias parlamentares tem um espaço aberto para avançar.

Neste contexto, as idéias anarquistas ressurgiram com uma determinada
força. Em Goiás e no Brasil, o anarquismo reapareceu no meio estudantil e
em movimentos sociais. A insatisfação com os partidos políticos
tradicionais, com as estratégias autoritárias por um lado e a
identificação com os princípios de independência e ação direta das lutas
por outro é uma realidade. Daí a importância dos/as anarquistas se
associarem para pensar na sua atuação social. Onde atuar, como atuar, em
que atividade dar maior peso e maior força, sempre buscando escolher os
melhores meios para avançar rumo a uma ruptura com o capitalismo.

Entendemos que existe uma diversidade imensa de anarquismo. Cada uma das
correntes se divergem em termos de fins e/ou meios. Seria muito bom se
pudéssemos unir todos/as os/as anarquistas dentro de uma só organização.
Porém, esta tarefa é muito difícil e acreditamos que não seria eficaz.
Para começar, existem anarquistas que são contra a existência de qualquer
organização e por eles/as mesmos/as não se disporiam a fazer parte de uma
organização anarquista. Em segundo lugar, como, por exemplo, poderíamos
reunir anarco-terroristas e anarco-pacifistas dentro de um mesmo grupo?
Quando a organização fosse agir, a divergência intensa no interior dela
levaria a uma incapacidade de tomar as mínimas decisões coletivas e mais
uma vez nos dividiríamos em ações isoladas. Assim, é preciso termos uma
comunhão de meios e fins de modo que os acordos assumidos livremente
pelos/as militantes da organização possam fornecer uma afinidade capaz de
dar eficácia à nossa luta e às nossas ações.

Nesse sentido, a organização que propomos não é a organização anarquista,
mas uma organização anarquista, que deve respeitar a diversidade do meio
libertário e saber que cada um deve organizar-se de acordo com o que pense
ser mais correto.
Queremos a construção de uma sociedade sob novas bases, uma sociedade sem
a exploração e a opressão do ser humano pelo ser humano. Queremos,
portanto, eliminar o Estado, a propriedade privada e todos os valores
culturais de dominação. Para isto, tomamos como alternativa o federalismo,
a socialização dos meios de produção e a construção de valores baseados no
respeito mútuo, na solidariedade, na plena igualdade na maior diversidade.
Para destruirmos as estruturas de dominação e exploração e construirmos
esta nova sociedade, será preciso lutar contra aqueles/as que detém o
poder econômico e político. Nenhuma reforma gradual, nem uma evolução
natural leva a esta transformação. É preciso uma revolução social para
destruir as estruturas de exploração e construir a nova sociedade.

Acreditamos que a organização anarquista tem como ação principal estimular
a auto-organização popular. Ela é fundamental porque a emancipação popular
deve ser obra do próprio povo e a construção de uma sociedade
autogestionária deve vir da própria autogestão das lutas sociais. A
organização anarquista deve, portanto, atuar nos movimentos sociais,
sempre buscando movimentos mais combativos, horizontais, independentes,
que tenham como método de luta a ação direta, atuando, portanto, fora das
instâncias parlamentares, fortalecendo assim a consciência de classe e a
solidariedade entre os/as oprimidos/as tanto local, nacional e
internacionalmente.
Outra tarefa da organização anarquista é a propaganda. A propaganda tem
como objetivo fazer a crítica da sociedade atual e apresentar o programa
anarquista (objetivos e meios) como uma alternativa de transformação da
realidade. Ela, portanto, se centra na divulgação do pensamento e da
prática anarquista e também das lutas sociais. O trabalho teórico é
importante. Ele consiste no aprofundamento de uma análise da realidade e
de um debate sobre as alternativas revolucionárias. Ele serve às duas
tarefas anteriores: primeiro aos movimentos sociais, contribuindo no
aprofundamento teórico desses movimentos, e no encontro de novas
perspectivas para a ação popular; segundo à propaganda, pois é a partir do
aprofundamento teórico que vamos construindo uma alternativa que será
apresentada. Este trabalho teórico se torna possível devido à atuação
social, fazendo com que a relação entre teoria e prática seja o elemento
fundamental da construção do nosso programa.

Pensamos que a organização anarquista deve se articular local, nacional e
internacionalmente, visando a união de anarquistas e da luta social. Essa
articulação possibilita a troca de experiências entre as organizações além
de permitir uma discussão conjunta dos rumos necessários no processo de
transformação da realidade.
Esse manifesto é, portanto, a avaliação e um chamado de alguns/mas
militantes anarquistas que apontaram alguns elementos que consideram
importantes para a constituição de um programa de uma organização
anarquista, representa os anseios de militantes que sentem a necessidade
de organizar-se a partir destes pontos e de unir suas forças com aqueles
que desejam fortalecer e construir esta organização. Não consideramos um
documento fechado e acabado. A partir dos pontos aqui levantados, buscamos
unir o maior número de forças para debatê-los, aprofundá-los e levantar
novos pontos importantes para a constituição de uma organização anarquista
no Estado de Goiás.

COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS
E-MAIL: proorganarquista_go@riseup.net
Cx. Postal 92 Cep:74003-901 Goiânia - Goiás


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