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(pt) [Brasil] Opinião da FAG: crise do governo Lula

Date Mon, 4 Jul 2005 18:50:58 +0200 (CEST)


Opinião da Federação Anarquista Gaúcha a respeito da crise política do
Congresso Nacional e do governo de traidores de classe encabeçad por José
Dirceu e Lula.

Companheiros e companheiras,
segue abaixo o texto do Opinião Anarquista, boletim mensal da Federação
Anarquista Gaúcha (FAG), a respeito da crise da política burguesa e do
governo Lula, executor de traição de classe e ponta de lança da nova
direita brasileira. Esperamos assim cntribuir para a luta ideológica
contra idéia de democracia burguesa e apontar saídas para a luta popular
gaúcha e brasileira.
Saudações libertárias, pelo secretariado da FAG, Porto Alegre, julho de 2005

OPINIÃO ANARQUISTA - JULHO DE 2005
A crise da nova direita (ou o início do fim do governo petista)

A crise das alianças, quem planta semente podre, colhe mensalão e Severino
A mais grave crise política pela qual passa o PT e o governo Lula tem sua
origem na denúncia de corrupção sofrida pelo deputado Roberto Jefferson do
PTB (RJ), num esquema de propina nos Correios. O advogado barra-pesada que
era da tropa de choque de Collor, passa então de réu a acusador,
emparedando o governo e sua base aliada do Congresso (PP, PL o próprio PTB
e a maioria do PMDB). Segundo ele, os operadores centrais do esquema de
mesada (média de R$ 30 mil por mês) passava pelo tesoureiro do PT Delúbio
Soares, o secretário-geral Sílvio Pereira, o presidente do partido José
Genoíno e aquele que era o homem mais poderoso do Brasil até 15 dias
atrás, o 1º ministro José Dirceu. As denúncias caem sobre a maioria dos
parlamentares do PL e do PP, mas quem conhece Brasília sabe que esse raio
era maior, atingindo também o PTB e o PMDB.
Mesmo sendo Roberto Jefferson uma figura política com histórico de
corrupção e roubalheira, a mídia, capitaneada por Veja, Folha de São Paulo
e Rede Bandeirantes, deu ampla repercussão as suas declarações e o próprio
PT fez cair o Ministro da Casa Civil José Dirceu, um dos principais
acusados pelo deputado do PTB. A verdade é que a crise é geral enquanto o
governo Lula demora 22 dias para se pronunciar, o PT implode por dentro e
o que sobrou de reformismo (porque esquerda não tem mais) baixa o pau na
direita do partido e já vão queimar o Delúbio e o Sílvio Pereira. Tirando
o seu da reta, o então Ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, PC
do B chegou a dizer que o problema não era do governo e sim do PT. O
próprio José Dirceu saiu criticando a conformação das alianças para fazer
maioria no Congresso e a política econômica do governo, que segundo ele,
estaria emperrando as políticas de desenvolvimento.
Na verdade, nesse momento, os 25 anos da história deste partido de massas
(os últimos 15 anos foram de peleguismo e os primeiro 10 de linha
reformista) estão no olho do furacão. Vergonhosamente a ala reformista do
PT chama o socorro dos movimentos sociais, a ala ainda militante destes,
com a CMS e o MST à frente, convocam a Carta ao Povo Brasileiro e clamam
ao povo para defender o governo ?em disputa? contra a direita ?golpista?.
Vergonhosamente, assinam esta carta ao lado de direções vendidas e
traíras, como as da CUT e da UNE. Assim, a corrupção do governo e traição
de classe pauta a luta de classes e os movimentos populares no Brasil.
Nos partidos institucionais, o pau pega para tudo o que é lado, seja no
seio da direita (PSDB e PFL), da velha direita (PP e o PMDB mais
fisiológico), da nova direita (PT, PC do B e PSB) e dos aliados da nova
direita (PTB e PL). Uma crise tamanha que pode dar até em impeachment, e
desmascara o que restava de moralidade na democracia burguesa, esta farsa
da mídia chamada eleições.

O que está em jogo?
Para o PT, aliados da nova direita (PSB, PC do B) o que está em jogo é a
governabilidade (com uma possível ameaça de golpe branco), a reeleição e o
patrimônio ?ético? do de 25 anos do PT. Se sobrar algo depois dessa
pauleira, boa parte da militância vai se perguntar qual o verdadeiro
projeto de partido?! Já a aliança política do governo anterior, PSDB e PFL
estão tentando desestabilizar o governo e sangrar a imagem do Lula até a
corrida eleitoral de 2006. Se vier um possível impeachment (golpe branco),
é lucro. Talvez o agente central desta crise seja a Mídia Burguesa. São as
corporações de mídia que proporcionam o palco aonde os agentes políticos
(partidos) se enfrentam, mas se constitui num agente próprio, isto porque
é a Veja e a Istoé e a Folha de São Paulo que hoje pautam a crise. Não dá
para esquecer que há um empréstimo de mais de 1R$ Bilhão de Reais ainda
pendente para a Globo. Se a Rede Globo se posicionar contra o governo, aí
sim o Lula pode cair. Os aliados da nova direita, PTB, PP e PL, são
partidos que cresceram ao apoiar o governo Lula no Congresso. O PP passou
de 43 para 54 deputados, o PL de 34 para 54 e o PTB de 41 para 47. Para a
base aliada está em jogo a manutenção da possibilidade da barganha. Seja
de emendas orçamentárias via Presidência ou grana suja e líquida, através
de esquemas de tipo mensalão. O PMDB nacional, é um partido que sempre é
governo, sempre está com ministérios e é a cara dessa república
fisiológica e corrupta. É o fiel da balança na resolução dessa disputa, e
a bóia salva vidas de Lula é Renan Calheiros e José Sarney no nível
político. A nível nacional, o PDT e o PPS são franco-atiradores, uma
espécie de primos pobres do PMDB fisiológico. Já na área econômica, quem
vai dar as cartas é Antônio Delfin Netto, ele mesmo, o ex-ministro da
ditadura militar, o homem responsável pela dívida brasileira e pela crise
dos anos ?80.
É interessante observarmos que esta crise política desmascara e rebaixa
credibilidade ao nível federal, mas reforça a posição dos Partidos
Tradicionais gaúchos. Para as legendas institucionais, e todas, está em
jogo afirmar as diferenças regionais e o subsistema político do Rio
Grande. O que sobrou da ?esquerda do PT?, especificamente organizada em
torno do Consulta Popular está numa dúvida cruel. Ou eles se aliam
novamente com a DS, a Ação Popular Socialista e a Articulação de Esquerda
e partem para a disputa interna no PT, ou então partem para o rompimento e
constroem um outro instrumento político. Agora, mudar a política
econômica, que seria o interesse estratégico deles, isto não vai
acontecer, ao menos não numa conjuntura de crise política. Para a atual
esquerda reformista eleitoral, PSTU e PSOL, estas legendas vão tentar
crescer ao máximo a partir do espaço vazio deixado pela quase extinta
esquerda do PT. Legendas ainda ?puras? de imoralidades, vem para reforçar
a crença republicana e burguesa que é possível fazer política de forma
ética dentro do sistema capitalista. De forma proposital ou equivocada, as
duas legendas trotsquistas reforçam o atrelamento dos movimentos sociais
aos partidos e às eleições burguesas.

A eleição é o mensalão dos ricos, o voto é a migalha dos pobres.
O governo Lula representa uma fratura no seio da Classe Dominante, já que
não era o preferido das elites, era a bola da vez mas não era o consenso.
O PT imita a forma fisiológica de governar e fez alianças baseadas em
interesses particulares, que se materializam em trocas de favores. Nesse
aspecto, o novo governo fez uma inovação histórica ao substituir as
antigas emendas orçamentárias obtidas pelos parlamentares para construir
seu curral eleitoral, pelo mensalão, isto é, uma mesada fixa paga
diretamente aos deputados. Se sempre houve compra de votos (como nos 5
anos para o Sarney ou na emenda da reeleição de FHC), nunca política e
mercado estiverem tão próximas como agora, onde o Congresso Nacional que
sempre foi um balcão de negócios, hoje peita o governo. Se Lula não paga o
que os deputados pedem eles não votam com o governo, como no caso da
eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Assim, as
quedas de braço vão se repetindo, cada vez mais perigosas para Lula e sua
nova direita. Obviamente, que enquanto não mudar a política econômica,
capitalista nenhum estará em risco. Como esta não vai mudar, talvez só
piorar com as receitas de Delfin Netto, o sistema financeiro e os bancos
vão continuar tranqüilos e ganhando mais dinheiro que nunca.
Embora a política econômica seja a mesma, é bom lembrar que o governo FHC
era um governo de consenso entre a elite e que teve um projeto político de
8 anos com uma oposição mais branda no Congresso. Isso não quer dizer que
FHC não tenha usado mão das trocas de favores com os deputados. A
diferença é que esta concessão era feita através das emendas orçamentárias
ou da concessão de rádios. Além disso, fazia isso de forma mais pontual e
decisiva como no caso da compra de votos para a reeleição. Diante da crise
o governo Lula está apontando três saídas para a crise política: a) a
Polícia Federal vai endurecer no caso da CPI dos Correios; b) uma reforma
política deve ser apresentada em 45 dias, nela devem estar incluída duas
propostas: fidelidade partidária e financiamento público para as
campanhas; c) uma ampla reforma ministerial deve ser feita, trazendo
setores ainda mais corruptos para dentro do governo e isolando Lula do PT.
Repetimos, é a hora da esquerda na base nos movimentos sociais romper com
sua referência histórica, fazer a opção valente e sincera de ser
anti-eleitoral e reforçar a luta popular, na forma de luta direta e
independência de classe.

A forma anarquista de lutar! Só quando a periferia se organiza, as regalia
dos políticos termina!!
É num momento histórico como esse que vemos mais uma vez a tese dos
clássicos anarquistas se confirmar. Como dizia Malatesta: ?os anarquistas
sempre se mantiveram puros, continuando a ser o partido revolucionário por
excelência, o partido do futuro, pois foram capazes de resistir ao canto
de sereia das eleições.?. Desde a 1ª Internacional Socialista já
afirmávamos que todo partido de classe que aceita as regras da democracia
burguesa acaba no mínimo reformista. O PT que já era reformista em 1989,
em 2002 já se tornava um partido social-liberal. Não será preciso dizer
qual será o destino do PSOL e do PSTU se quiserem um dia fazer maioria nas
eleições e governar as migalhas do capitalismo.
Os anarquistas organizados na FAG, reafirmamos com convicção aquilo que há
mais de 10 anos nossa militância pratica dia-a-dia na prática política:
ação direta popular; independência de partidos, governos e patrões;
democracia de base e solidariedade de classe. São esses princípios que nos
orientam, é assim que funcionamos e não abrimos mão dos nossos objetivos
de Autogestão econômica e Poder Popular com Federalismo Político. Para
nossa organização princípios e objetivos andam juntos, não submetemos
nossa prática militante a um falso pragmatismo, que sempre termina em
oportunismo da esquerda marxista. O real significado de participar das
eleições não pode ser outro que o oportunismo de uma suposta variável
tática que abre mão da estratégia revolucionária. Quando mais se participa
da eleição burguesa, mais distante o partido e a organização ficam das
barricadas.
Por isso nos colocamos a tarefa histórica de avançar na luta ideológica ao
mesmo tempo que ralamos e contribuímos na construção de organizações
populares de base. É a partir dos bairros, vilas e galpões; no
renascimento de oposições sindicais e grêmios livres; na unificação das
lutas populares e apontando objetivos comuns que vamos reconstruindo o
protagonista do povo e da classe oprimida. Assim como na Argentina,
Bolívia e Equador, lutamos por um processo histórico onde a luta direta e
o poder popular são o motor dos avanços e das conquistas do nosso povo e
da nossa classe rumo ao Socialismo e a Liberdade.


Na democracia burguesa só produz políticos corruptos e traidores de classe!!!

No galpão, na vila e na rua estão os lutadores do povo!!!

Desenvolvimento Nacional é mentira de patrão!!!

Poder Popular é Autogestão das necessidades básicas é a resposta da ruas!!!

1995-2005, Federação Anarquista Gaúcha, 10 de anos de peleia Pelo
Socialismo e pela Liberdade!!!


Email:: fag.poa@terra.com.br
URL:: http://www.fag.rg3.net



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