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(pt) Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 11 Jan 2005 17:43:22 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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É sempre com grande felicidade e satisfação que recebemos a notícia da
fundação de novos espaços libertários. E não foi diferente quando ficamos
sabendo da fundação do Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro (CCS-RJ)
alguns dias após o Colóquio Internacional Libertário. O momento não
poderia ser mais oportuno, visto que o sucesso do Colóquio em São Paulo e
no Rio de Janeiro havia deixado todos animados. As notícias que chegaram a
São Paulo, sobre a fundação desse novo espaço comunitário, vieram por meio
dos companheiros da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ).
Em setembro de 1991 o CCS-RJ havia sido registrado em cartório pelos
companheiros do Círculo de Estudos Libertários (CEL) – hoje Círculo de
Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP) – e tinha por objetivo o
desenvolvimento de projetos. No entanto, apenas agora, em 2004, o registro
do CCS-RJ foi atualizado e sua fundação efetivamente realizada no dia 18
de setembro. “O objetivo do CCS-RJ é servir como um espaço comunitário,
onde sejam desenvolvidos projetos culturais, de ensino, de geração de
renda e de apoio e incentivo aos movimentos populares” explica um dos
membros do grupo.
Em uma visita recente ao local, pudemos constatar que esses objetivos
estão realmente sendo atingidos. O CCS-RJ fica no bairro de Vila Isabel,
na zona Norte do RJ, entre o Boulevard 28 de Setembro e o Morro dos
Macacos. É uma casa ampla e antiga, que abriga diversos projetos
desenvolvidos pelos amigos da FARJ e outros companheiros e companheiras.
Esse espaço teve, durante muitos anos, a administração de outras pessoas
que faziam sua gestão de maneira centralizada. Foi a partir dessa nova
gestão dos anarquistas que o CCS-RJ passou a dar um tom mais libertário ao
espaço e aos projetos anteriormente desenvolvidos.
Um dos projetos mais interessantes do CCS-RJ é, certamente, a produção
autogerida de bolinhos doces. Esse projeto é uma das atividades que, com a
troca da administração do local, passou a funcionar de uma maneira
centralizada no antigo administrador para uma produção gerida pelos
próprios jovens da comunidade local. Produzidos por esses jovens moradores
do Morro dos Macacos e arredores, os bolinhos – que são fabricados nos
sabores laranja, milho, coco, chocolate e baunilha – são feitos todos os
dias no início da manhã. Esses jovens, também responsáveis pela compra da
matéria-prima, batem a massa, colocam-na nas pequenas formas e assam-nos
diariamente. Após isso, os bolinhos são vendidos para a comunidade a R$
0,40 ou aos distribuidores cadastrados a R$ 0,35 (qualquer um pode
cadastrar-se como um distribuidor). Isso possibilita aos desempregados da
comunidade uma forma de trabalho e de fonte de renda. Hoje, são produzidos
em torno de 300 bolinhos por dia. O dinheiro recebido pelas vendas é
igualmente dividido entre os jovens responsáveis pela produção; o que
acontece quinzenalmente. Interessante ouvir o relato de uma das garotas
produtora de bolinhos que disse que “o mais interessante dessa forma de
produção [a autogestão] é que não temos patrão. Podemos folgar quando
quisermos, não tem ninguém mandando em nós”.
Nesse sentido, percebe-se uma criação de consciência nessas pessoas da
comunidade, que acaba mostrando a elas que o trabalho pode ser livremente
empreendido e que os patrões não são necessários, visto que a
auto-organização funciona; e muito bem por sinal. Incrível ver como que,
através de uma prática libertária, há uma mudança de comportamento das
pessoas e a construção de um discurso libertário por pessoas que,
certamente, não são leitores assíduos de Bakunin.
Existem outros importantes projetos sendo desenvolvidos no CCS-RJ. A
Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL), fundada em 18 de novembro de 2001
(data comemorativa da Insurreição Anarquista do Rio de Janeiro, em 1918),
é um outro projeto desenvolvido no local, projeto este que já estava lá
desde a antiga gestão. É um prato cheio para os interessados em
anarquismo, história social, movimento operário, lutas populares, entre
outros temas afins. A biblioteca já é uma referência entre os anarquistas
cariocas e o número de sócios aumenta a cada dia. Qualquer um pode
associar-se à BSFL com uma contribuição mensal de R$ 4,00. Destaque para a
grande quantidade de periódicos libertários de vários países do mundo,
todos muito bem organizados. A BSFL abre aos sábados das 9h às 18h e está
em avaliação a abertura também nos dias de semana.
Há também um trabalho de reciclagem sendo desenvolvido no CCS-RJ que tem
como principal objetivo “dar educação ambiental à comunidade”, nas
palavras de Berimbau, idealizador do projeto. As pessoas aprendem com ele
a construir cadeiras, mesas, brinquedos, utensílios domésticos, dentre
outras coisas mais, e depois podem vendê-las, utilizando a atividade como
fonte de renda. O benefício é duplo: além de educar a população com
relação aos riscos da poluição e do desperdício de materiais, esse
trabalho proporciona às pessoas da comunidade carente uma forma de ganhar
a vida. Muito interessante também é a técnica de utilização de caixas de
leite longa-vida em telhados. Com isso, além das pessoas aprenderem
construir um teto, aproveitam as vantagens de um material que isola o
local coberto, minimizando os efeitos do calor. O CCS-RJ realiza,
periodicamente, cursos abertos à população local.
Nesse mesmo espaço funcionam cursos de letramento que têm por objetivo
prover um reforço escolar às crianças das comunidades vizinhas. Há uma
entidade chamada Grupo Luz do Sol que é responsável pelo curso. O CCS-RJ
tem ainda aulas de Mosaico, ministradas duas vezes por semana, e a partir
de janeiro terá aulas de Massoterapia. Há ainda um projeto de apoio à
implantação de hortas comunitárias e um herbário popular, onde as pessoas
poderão conhecer e ter acesso a plantas medicinais. Há também a idéia da
fundação de um núcleo de apoio jurídico à população da região
(principalmente do Morro dos Macacos) e que levará o nome do grande
escritor anarquista Lima Barreto.
Como vimos, com tão pouco tempo de existência, o CCS-RJ já colhe vários
frutos positivos. Para a manutenção desse espaço, alguns companheiros
pagam entre R$ 10,00 e R$ 100,00 por mês. É sempre difícil a sobrevivência
de um espaço libertário que não recebe fundos do governo ou de
instituições privadas e por isso, o apoio dos simpatizantes e daqueles que
dão valor a esse tipo de iniciativa é fundamental. Se você puder
colaborar, deve comparecer no local ou então escrever para a FARJ nos
endereços: farj@riseup.net ou Caixa Postal 14.576; CEP 22412-970; Rio de
Janeiro/RJ.
Esperamos que essa grande iniciativa continue a dar orgulho a nós,
libertários e libertárias!

O CCS-RJ fica na Rua Torres Homem 790, Vila Isabel, Rio de Janeiro/RJ -
Brasil. Abre de segunda a sábado das 9h às 18h. Tel: 55 (21) 2577-2692.


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