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(pt) «A BATALHA» Nº 208: O COLÓQUIO INTERNACIONAL LIBERTÁRIO Rio de Janeiro - 13 a 15 de Setembro de 2004

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Date Mon, 10 Jan 2005 18:30:42 +0100 (CET)


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Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Muitas vezes, ao aceitar um desafio, não temos a certeza do que iremos
encontrar pela frente. Do nosso companheiro Plínio Coelho, com sua crónica
empolgação e inquebrantável optimismo, veio o convite, no início desse
ano, para que a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) participasse
do ousado projecto de organizar um evento libertário internacional sobre o
Sindicalismo Revolucionário. Discutida a ideia entre nós, ponderámos os
riscos, analisámos os benefícios e aceitámos o convite unanimemente.
Alguns de nossos militantes já tinham a experiência anterior na
organização de eventos, mas este seria um passo em terreno pouco
conhecido. No ano anterior, já tínhamos ajudado a organizar, diga-se lá
com muito sucesso, o I Seminário de História do Anarquismo (na
Universidade Federal Fluminense – UFF, em Niterói). Mas o novo evento era,
pela primeira vez, internacional, sendo prevista a vinda de 4 companheiros
da Europa, o que envolveria passagens aéreas e hospedagens, ou seja,
valores cuja ordem de grandeza estava bem acima da que estamos
acostumados.A FARJ, então com alguns meses de existência, ainda se veria envolvida, em
meados do ano, com a ameaça de ter que fechar a Biblioteca Social Fábio
Luz, nosso principal espaço público, ameaça esta que, para ser superada,
exigiu de nós muito esforço pessoal e colectivo. Nessa mesma época,
tivemos a grata notícia da vitória da luta pela reintegração dos
trabalhadores petroleiros demitidos por motivos políticos, movimento em
que a Federação teve grande participação. Ao longo desses meses, havíamos
mantido contactos com alguns sindicatos importantes, cujo apoio foi
imprescindível para viabilizar o Colóquio. Um destes, o SINDISPREV (dos
trabalhadores na área de saúde e previdência), além de fazer 32
inscrições, imprimiu gratuitamente 1.000 cartazes coloridos de divulgação
do evento. Outros, como o SINDIPETRO (petroleiros), SINTUFF (sevidores da
UFF), SINTRASEF (servidores públicos federais) e o sindicato dos
trabalhadores em Previdência Privada, contribuiriam com mais 35
inscrições. Através do apoio dessas entidades, tínhamos contabilizado
quase a metade das 150 inscrições previstas para o Rio de Janeiro, além da
possibilidade de divulgação da história, das práticas e idéias do
Sindicalismo Revolucionário nesses sindicatos, tanto através do evento em
si, como do maravilhoso livro “História do Movimento Operário
Revolucionário” (Ed. Imaginário – IMES – Ed. Expressão e Arte, 2004), que
foi entregue a cada um dos inscritos.As primeiras inscrições ocorreram no final do mês de Maio, sendo que até à
véspera do evento, já tínhamos obtido 104 inscrições para o Rio de
Janeiro. Foram cerca de 4 meses de intensa divulgação através de folders e
cartazes colocados em universidades, sindicatos, restaurantes, associações
e livrarias (algumas vezes arrancados pelos espíritos-de-porco de
plantão); envio de mala directa pelo Correio e pela internet; trabalho de
boca-a-boca; divulgação pelo Libera, etc.Em São Paulo, o Coletivo Terra Livre e a Editora Imaginário fizeram a sua
parte, e o evento ocorreu da melhor forma possível entre os dias 9 e 11 de
setembro. No próprio dia 11, sábado, recebemos no aeroporto Eduardo
Colombo, sua companheira, Heloisa Castellanos, e Daniel Colson que, após
se hospedarem, foram levados para a já tradicional visita ao Mirante Dona
Marta, onde puderam ver a cidade de cima, em um dia ensolarado e limpo. No
dia seguinte, chegaram Larry Portis, Christiane Passevant e Frank Mintz,
além dos compas do Coletivo Terra Livre.No amplo auditório 91 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ),
na Zona Norte da cidade, teve início na tarde do dia 13 de setembro a fase
carioca do Colóquio Internacional Libertário. Do lado de fora do
auditório, bancas de publicações libertárias das editoras Achiamé e
Imaginário, e o Comitê Organizador apurado com a distribuição de crachás,
livros, CDs e certificados para os inscritos. Cabe ressaltar que ainda
foram feitas 22 inscrições durante o Colóquio, totalizando 126, e que as
sessões foram abertas a todos/as aqueles/as que quiseram participar (mesmo
sem a inscrição), o que possibilitou a presença de muitos estudantes,
tanto da UERJ, como de outras universidades.No dia 13 de setembro, sob o tema “O Operariado Revolucionário no
Continente Americano”, o companheiro Larry Portis abordou brilhantemente a
história do movimento operário nos EUA e os Internacional Workers of the
Word (IWW), destacando o papel da CIA, durante a Guerra Fria, no controle
de entidades e líderes sindicais, além do financiamento de sindicatos
colaboracionistas. Eduardo Colombo contou a história da Federación Obrera
Regional Argentina (FORA) e sua importância para a evolução das
reivindicações sindicais na Argentina do primeiro quartel do século XIX. O
professor Carlos Addor discorreu sobre a insurreição anarquista de 18 de
novembro de 1918, abordando a conjuntura de greves no país e os efeitos da
industrialização no processo produtivo nacional. Os companheiros Alexandre
Samis e Milton Lopes, da FARJ, abordaram detalhes da história do movimento
operário no Brasil e no Rio de Janeiro, dando ênfase às primeiras
associações e às disputas entre trabalhistas, anarquistas e comunistas.No segundo dia, sob o tema “O Operariado Revolucionário no Continente
Europeu”, o companheiro Daniel Colson apresentou um painel sobre as fontes
socialistas do pensamento de Proudhon que influenciaram o movimento
sindical francês no século XIX e, a noite, fez uma palestra sobre a cisão
interna no sindicalismo europeu e o surgimento do Partido Comunista na
França, além da crise que se abateu sobre o sindicalismo revolucionário
após a Primeira Guerra Mundial. Frank Mintz, militante da CNT-Vignoles, da
França, fez uma longa exposição sobre as origens do anarquismo na Espanha
e Rússia, apresentando semelhanças e diferenças dos respectivos processos,
e em sua palestra noturna, traçou um panorama geral sobre a atuação
sindical no contexto atual da Europa, que se encontra envolvida nas
questões econômicas da Globalização e políticas da União Européia. Eduardo
Colombo fez uma cartografia, que incluiu parte do século XIX e o XX, dos
vários eventos nos quais o movimento operário revolucionário contribuiu
para avanços no campo dos direitos sociais.No último dia do evento, na parte da tarde, teve lugar uma dinâmica mesa
com a participação de Robledo Mendes e Renato Ramos, ambos militantes da
FARJ, além dos professores Dimas de Souza e Carlo Romani. O companheiro
Robledo Mendes expôs as iniciativas dos sindicatos revolucionários no
campo da educação, enfatizando as escolas sindicais e o ensino
racionalista no Brasil. Renato Ramos abordou a repressão estatal aos
sindicatos revolucionários cariocas nos anos 20 do século passado, e a
nefasta atuação dos bolchevistas, aliados aos cooperativistas (amarelos),
visando destruir a influência anarquista no meio sindical. O professor
Dimas de Souza passou em revista o teatro operário levado a cabo pelo
sindicatos revolucionários brasileiros, analisando a temática destas peças
e o contexto no qual elas foram encenadas. Carlo Romani apresentou
abrangente painel sobre a Colônia Penal de Clevelândia do Norte (no Estado
do Amapá), para onde foram deportados a partir de 1924 sindicalistas
anarquistas, soldados insurretos, imigrantes e criminosos comuns. Após a
palestra, foi apresentado um vídeo sobre a Colônia Penal, gravado no local
onde se deram os fatos, mostrando inclusive o cemitério onde foram
enterradas as centenas de vítimas da “Sibéria Tropical”.O evento foi encerrado com a mesa “Perspectivas e Estratégias Atuais do
Sindicalismo Revolucionário”, com a participação de Daniel Colson, Frank
Mintz, Larry Portis, Eduardo Colombo e Alexandre Samis. Estes discorreram
sobre suas propostas para a manutenção de um fórum permanente de discussão
sobre os caminhos a serem percorridos pelo sindicalismo revolucionário nos
continentes americano e europeu. Abordaram as novas relações de trabalho,
estabelecidas a partir do fenômeno conhecido genericamente como
“globalização”, e seus desdobramentos no campo das leis trabalhistas, na
flexibilização das relações laborais, a terceirização de serviços e as
privatizações em países de economia dependente. Tais elementos fora
analisados também, a luz do governo Luiz Inácio Lula da Silva e das
reformas levadas a efeito pelo Partido dos Trabalhadores, no Brasil.A presença nas palestras foi amplamente satisfatória e a participação do
público durante todo evento demonstrou claramente o interesse pelo assunto
em questão. Calculamos que passaram pelo Colóquio mais de 200 pessoas. A
presença de palestrantes com capacidade reconhecida no exterior, e
projeção nos meios acadêmico e sindical, deu ao Colóquio uma dimensão que
extrapolou a simples exposição de fatos sem consistência argumentativa
prática. Sindicalistas, estudantes e acadêmicos estavam entre os membros
atentos da platéia durante os três dias do Colóquio Internacional de
História do Movimento Operário Revolucionário. O encontro logrou reunir,
em flagrante interesse, segmentos da sociedade que, em poucas
oportunidades, dividem o espaço nas universidades brasileiras.A Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) sente-se orgulhosa por ter
organizado e participado desse projeto e agradece a todos/as aqueles/as
que ajudaram a concretizá-lo.Ética, compromisso e liberdade!
Viva a anarquia!
Secretariado de Relações – FARJ
Rio de Janeiro, novembro de 2004




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