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(pt) Faísca Publicações Libertárias: BOLETIM FAÍSCA # 17

Date Fri, 30 Dec 2005 17:37:10 +0100 (CET)


Bem, estamos terminando mais um ano e gostaríamos de dar os nossos
sinceros agradecimentos a todos que tornaram possível a nossa
existência e nosso desenvolvimento em 2005. Fazendo uma rápida análise
deste ano que agora termina, poderíamos quiçá destacar um acontecimento
que foi a desmoralização de Lula, do Partido dos Trabalhadores, assim
como da política parlamentar em sua totalidade. Incrivelmente, a
sociedade mostrou-se atônita ao saber de um pouco da realidade que
circunda os meandros parlamentares de nosso país. Dentro deste
contexto, deu-se a formalização do PSOL, que se utiliza de termos tão
caros a nós como socialismo e liberdade, tentando dar uma solução ao
problema da política institucional, mas acabando apenas por enxugar o
gelo que não pára de derreter. Lembremo-nos do início do PT, quando o
?partido movimento? reivindicava a ética, a democracia direta e o
movimento dentro do parlamento. Grande ilusão. O problema não está na
escolha do partido que vai governar mas sim em questionarmo-nos se, de
fato, a política parlamentar é o caminho para as mudanças que
desejamos. Não tardará para que o PSOL encontre-se na mesma posição em
que o PT, depois da derrota em 1989, quando se colocará a questão:
continuar mantendo o discurso e perder sempre, ou apelar para os meios
?comuns? e ?colocar as mãos na merda?, como disse Proudhon, para então
aumentar o número de cadeiras no parlamento e ocupar posições
significativas? Vale destacar algo preocupante: com a suposta crise da
suposta esquerda, a direita volta a levantar-se e temos o desprazer de
ouvir nas ruas senhores e senhoras se recordando dos ?bons tempos da
ditadura militar?, vemos o aumento da repressão aos movimentos sociais
culminando com o absurdo de se querer tornar o ?crime? de invasão de
terras hediondo. Ainda aos fins deste ano, vemos Palocci defendendo uma
política econômica que anda na contra-mão do bem-estar social. Ao menos a
nós, restou observar tudo isso com cautela e repensar como faremos para
divulgar os nossos ideais e persuadir o maior número de pessoas, tentando
fazer ver que a política parlamentar não funciona mesmo. Eis aqui o maior
desafio para 2006. E 2006 promete: com as eleições
previstas para o final do ano, já foram lançadas campanhas pelo voto nulo
e, pelo que se percebe, terão grande aceitação. Os grupos e
organizações libertárias que trabalham pelo socialismo libertário
(entendendo socialismo como um sistema oposto ao lucro e à propriedade
privada e liberdade como livre desenvolvimento de todas as nossas
faculdades, um sistema antiautoritário e fora dos âmbitos do Estado, em
que a liberdade do outro signifique necessariamente a nossa liberdade)
terão uma tarefa hercúlea, mas o terreno mostra-se bem fértil às nossas
idéias. Além disso, o ano que vem será palco, também, para este modelo de
?governo de esquerda? que se instituiu na América Latina,
fortalecendo-se agora com a eleição de Morales na Bolívia. Devemos estar
atentos para não cairmos nesta retórica ?socialista?, já há muito
conhecida por nós brasileiros, que tem mais cheiro de um
?neoliberalismo desenvolvimentista? ou social-democracia mequetrefe, e
que de socialismo não tem nada ou quase nada.

Para 2006, estamos programando uma série de coisas e gostaríamos de
dividir algumas delas com outros companheiros e companheiras: alguns
lançamentos já acertados como O ANARQUISMO SOCIAL de Frank Mintz, A
REVOLUÇÃO RUSSA de Maurício Tragtenberg, AÇÃO DIRETA E PARTIDOS
POLÍTICOS de Janet Biehl, Rob Sparrow, Felipe Corrêa e Maurício
Tragtenberg, A GUERRA DA TARIFA 2005 de Leo Vinicius, a terceira edição
do AUTOGESTÃO HOJE, o ANARQUISMO SOCIAL OU ANARQUISMO DE ESTILO DE VIDA
de Murray Bookchin, algumas co-edições em processo de negociação de
autores como Santillán, Malatesta, Emma Goldman, Frank Fernández, vamos
ver se sai o ANARQUISMO RUSSO E UCRANIANO de Paul Avrich, Alexandre
Berkman e Raphael Amaral, entre tantas outras coisas que nos passam pela
cabeça 24 horas por dia. Teremos também, já no início do ano, uma grande
atualização em nosso site, colocando todos os livros da
distribuidora para compra on-line e, se conseguirmos, possibilitando
pagamento com cartão de crédito e boleto bancário. Continuaremos
apoiando, continuamente, os grupos e organizações libertárias que lutam
por um movimento anarquista organizado, em que a ética é a principal
bandeira, e que não se resumem ao anarquismo comportamental mas
interferem, politicamente e com relevância, no dia-a-dia de todos nós por
meio da ação direta. Enfim, que entendamos essa passagem de ano como mais
ar para nossos pulmões que urgem gritar, algum dia, em alto e bom som:
somos livres!


Abaixo, reforçamos alguns assuntos já divulgados em outros boletins deste
ano e recomendamos a leitura do artigo NATAL: ESTUPRO, DROGAS E
CAPITALISMO, do companheiro Raphael Amaral:

1. Agenda Libertária 2006
2. Revista Protesta! 2
3. Últimos lançamentos Faísca
4. Artigo NATAL: ESTUPRO, DROGAS E CAPITALISMO de Raphael Amaral


#1. AGENDA LIBERTÁRIA 2006#

Publicada pelo Instituto de Estudos Libertários (IEL), a Agenda
Libertária 2006 recorda, com textos, 120 anos do Primeiro de Maio, 100
anos da Carta de Amiens, 70 anos da Revolução Espanhola, 100 anos do 1º
Congresso Operário Brasileiro, 130 da morte de Mikhail Bakunin, 100 anos
de criação da revista Mother Earth, 250 anos do nascimento de Willian
Godwin, 200 anos do nascimento de Max Stirner, 50 anos do esmagamento da
Revolução Húngara pelos soviéticos e 210 anos do
Manifesto dos Iguais. Adquira já a agenda com textos libertários inéditos!

Preços:
1 unidade ? R$ 20,00 + R$ 3,00 de correio para qualquer lugar do país.
Pacote com 10 unidades (para quem quiser revender) ? R$ 130,00 (R$ 13,00
cada uma) + R$ 10,00 de correio.
Para outras quantidades, entre em contato.


#2. REVISTA PROTESTA! 2#

A terceira edição do Protesta! acaba de sair do forno. Em formato 23X30 e
com 28 páginas, a publicação ? que agora é uma co-edição do Coletivo
Anarquista Terra Livre, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
e do Coletivo Libertário Ativista Voluntariado de Estudos
(CLAVE) ? está disponível para venda. Nesta revista, você vai encontrar
artigos discutindo teoria e prática do socialismo libertário. Veja seu
conteúdo logo abaixo.

Os próprios grupos estão vendendo exemplares avulsos e seus contatos
estão abaixo. Caso você queira exemplares avulsos, contate-os diretamente.

Pela Faísca, você pode adquirir os seguintes pacotes:
5 exemplares: R$ 17,50 (R$ 3,50 cada) + R$ 3,00 (correio) = R$ 20,50 10
exemplares: R$ 35,00 (R$ 3,50 cada) + R$ 5,00 (correio) = R$ 40,00 30
exemplares: R$ 90,00 (R$ 3,00 cada) + R$ 8,00 (correio) = R$ 98,00 50
exemplares: R$ 125,00 (R$ 2,50 cada) + R$ 15,00 (correio) = R$ 140,00

Artigos: A RECUSA AO ESTADO-Union Régionale Rhône-Alpes / A DELEGAÇÃO DE
PODER-Monique Boireau Rouillé / GOVERNO DE ?OPOSIÇÃO?: PSDB-Raphael
Amaral / AÇÃO DIRETA-Daniel Colson / DA AUTOGESTÃO E DE SUAS ABORDAGENS
CONTEMPORÂNEAS-Felipe Corrêa e Raphael Amaral / UM POUCO DE ORGANIZAÇÃO
ANARQUISTA-Rafael Viana / CRÔNICA: O NAZI-PAPA E O NAZI-SHARON-Tim /
BREVE HISTÓRIA DA CRUZ NEGRA ANARQUISTA: 100 anos de luta contra as
prisões-Cruz Negra Anarquista / ?PEÇAM O IMPOSSÍVEL? AINDA NÃO
ACABOU-Eduardo Colombo / SOBRE UMA TENTATIVA DE APARELHAMENTO-Pablo
Ortellado / O CENTRO DE CULTURA SOCIAL DO RIO DE JANEIRO-Felipe Corrêa /
DOMINGOS PASSOS: o ?Bakunin brasileiro?.-Renato Ramos e Alexandre Samis /
OCUPAÇÕES URBANAS-Felipe Corrêa / O QUE É AÇÃO DIRETA?-Vários Autores /
CAMPANHA PELO VOTO NULO /

Coletivo Anarquista Terra Livre (http://www.terralivre.org)
Federação Anarquista do Rio de Janeiro (http://farj.entodaspartes.org/)
Coletivo Libertário Ativista Voluntariado de Estudos
(http://www.clave.cjb.net)


#3. ÚLTIMOS LANÇAMENTOS FAÍSCA#

* A IDEOLOGIA DO ANARQUISMO de Rudolf Rocker * 14X21 20pg ? R$ 4,00 * O
ANARQUISMO HOJE: Um Projeto para a Revolução Social da Union
Régionale Rhône-Alpes * 14X21 88pg ? R$ 20,00
* A RELEVÂNCIA DO ANARQUISMO PARA A SOCIEDADE MODERNA de Sam Dolgoff *
14X21 64pg ? R$ 10,00


#4. ARTIGO. NATAL: ESTUPRO, DROGAS E CAPITALISMO DE RAPHAEL AMARAL #

Enviamos abaixo, um trecho do artigo que faz uma análise crítica e
histórica do Natal. O artigo completo, você pode ler em:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/341544.shtml

Natal, ok? Uma das datas mais importantes para aqueles que acreditam no
calendário cristão. Porém, o que vem a ser o Natal? Que ele celebra a
manifestação de Deus em ser humano em Belém (cidade palestina próximo a
Jerusalém) todos sabem, mas qual a origem disso tudo? [...]

Durante a Idade Média (séculos V até XV do calendário gregoriano), a
Igreja Católica adquiriu um poder que, para muitos, era maior até que o
antigo Império Romano do Ocidente. Por meio do controle ideológico e do
monopólio da cultura eclesiástica, a Igreja de Roma, fundamentalmente
urbana e centralizada, impunha seus dogmas sobre a cultura pagã (do latim
pagani, ou seja, camponês) em um processo violento de
aculturação, semelhante ao que os colonizadores fizeram, alguns séculos
mais tarde, com os nativos da América, África e Ásia ao longo de
séculos de brutal colonização.

Entre os camponeses existia, desde séculos antes do nascimento da Igreja
de Roma (criada no século V d.C.), a manutenção de uma forte tradição
cultural pagã greco-romana, pré-cristã, que associava
elementos da cultura bárbaro-germânica, onde rituais e crenças não
aceitos pelo clero eram mantidos. Porém, a Igreja de Roma fez mais que
simplesmente esmagar essas tradições populares. Ela se utilizou da força
dessas tradições culturais presentes no imaginário coletivo para
fortalecer a si mesma. É o caso da definição do nascimento de Cristo,
historicamente imprecisa, e a celebração do Natal que a Igreja Católica
fez coincidirem com uma antiga comemoração pagã da época dos romanos, em
homenagem a Saturno (que era deus do Tempo, assim como Cronos, para os
gregos).

[...]

As comemorações do Natal são frutos, portanto, de um projeto explicito de
dominação católica sobre os territórios do antigo Império Romano e até
além dele. Para isso, era fundamental substituir as culturas
existentes até então pela cultura que garantisse o poder da Igreja de
Roma, a única instituição sólida da Europa ocidental ao longo da Idade
Média. É isso que faz com que o Deus que havia se tornado homem se
tornasse central na concepção de mundo cristã. Isso garante a vitória da
religião por meio de uma cronologia e de um controle de tempo
baseado em Cristo. Ao controlar o tempo, a Igreja de Roma controlava as
pessoas.

[...]

Há inúmeras tradições folclóricas a respeito da origem do ?bom
velhinho?. Uma delas afirma que ele é oriundo da região de
Constantinopla (atual Istambúl, Turquia), capital do antigo Império
Bizantino, e seu mito foi baseado em um bispo da Igreja Cristã Ortodoxa
que viveu na cidade de Myra, na Ásia Menor. Tratava-se de Nicolau
(281-350 d.C.). Herdeiro de uma vasta riqueza, distribuiu alimentos,
roupas e presentes aos pobres. Às vezes dava simplesmente dinheiro. Os
presentes eram sempre acompanhados de uma mensagem para que os
afortunados agradecessem a Jesus pela dádiva. O período do ano em que
mais distribuía suas doações era no inverno, pois sabia que era quando os
pobres morriam mais. O bispo Nicolau também era conhecido pelo extremo
carinho que com que se entregava às crianças. Em sua homenagem foi criado
o costume de se distribuir presentes às crianças pobres ao longo de
dezembro, mês de aniversário do bispo, coincidindo com as comemorações do
Natal que a Igreja Romana impunha a todas as regiões. Essa doação de
presentes foi cristalizada a partir do século VII, com Papa Bonifácio. Em
pregação pela Turíngia (região da Alemanha), ele distribuía pão benzido
aos necessitados em troca de presentes, no dia 25 de dezembro.

[...]

Toda essa longa reflexão sobre as supostas origens do Natal tem por
objetivo chamar a atenção para o que se tornou essa comemoração.
Consumo! Apenas consumo! Nas últimas semanas, as pessoas flagram a si
mesmas extremamente preocupadas com o que irá comprar ou ganhar. Os
próprios religiosos aceitam isso tranqüilamente. Afinal, conforme
demonstrado acima, o cristianismo só conseguiu se manter firme ao longo
de séculos se apropriando de culturas populares e esmagando aqueles que
não seguissem seus dogmas. O ícone do Natal não é o presépio, mas sim o
Shopping Center compulsivamente enfeitado. Nunca vi nenhum religioso
pregando o boicote às compras. O Natal está resumido ao acesso a novas
propriedades.

Os pobres e miseráveis que não têm acesso a novas propriedades devem se
contentar com a luz divina e alguma instituição de caridade que
distribua um sopão por aí. Talvez até daremos alguns presentes para os
miseráveis morar: roupas e brinquedos velhos, nosso lixo! Ao longo do ano
inteiro exigimos mais segurança contra os pobres, exigimos a pena de
morte e a redução da maioridade penal, queremos ver as mulheres que fazem
aborto mortas, desejamos pela morte e destruição dos favelados, sentimos
ódio e medo das crianças nos faróis, porém, como agora é Natal, ficamos
solidários! Onde estava toda a bondade antes do Natal e aonde ela será
enfiada posteriormente?... É mesmo um surto da síndrome de Milú Vilela!

[...]


LANÇAMENTOS FAÍSCA
Para mais detalhes, escreva-nos solicitando um catálogo ou consulte nosso
site!

A GUERRA DA TARIFA Leo Vinicius 64 pgs. * 14X21 * R$ 12,00

NOTAS SOBRE O ANARQUISMO Noam Chomsky 224 pgs. * 14X21 * R$ 35,00

AUTOGESTÃO HOJE: TEORIAS E PRÁTICAS CONTEMPORÂNEAS
Michael Albert, Noam Chomsky, Pablo Ortellado, Murray Bookchin e
Abraham Guillén
124 pgs. * 14X21 * R$ 15,00

RUMO A UM NOVO ANARQUISMO
Andrej Grubacic
36 pgs. * 15X21 * R$ 5,00

A IDEOLOGIA DO ANARQUISMO
Rudolf Rocker 20pgs. * 14X21 * R$ 4,00

O ANARQUISMO HOJE: UM PROJETO PARA A REVOLUÇÃO SOCIAL Union Régionale
Rhône-Alpes 88pgs. * 14X21 * R$ 20,00

A RELEVÂNCIA DO ANARQUISMO PARA A SOCIEDADE MODERNA
Sam Dolgoff
64pgs. * 14X21 * R$ 10,00


Faísca Publicações Libertárias
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