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(pt) «Luta Social» nº9-10: LUTAS CONTRA A ?MACDONALDIZAÇÃO? DA UNIVERSIDADE E DAS ESCOLAS

Date Thu, 8 Dec 2005 16:40:46 +0100 (CET)


por Adriana Dadà*
Nas últimas semanas** houve em Itália um forte recomeço do movimento
estudantil ou ? para dizer melhor ? dos docentes precários e dos
estudantes universitários e da escola secundária. A faísca partiu da
chamada ?reforma Moratti?, que não é uma reforma, mas o enterro definitivo
da universidade pública através da redução a metade do quadro permanente
dos docentes, da precariedade dos sobreviventes e da introdução definitiva
das regras do mercado no sistema universitário mesmo, que assim se torna
semipúblico. Esta orientação ?liberal? do ensino, ligada às regras do
mercado, foi já introduzida pelo precedente governo de centro-esquerda,
cuja ?reforma Berlinguer? tinha transformado significativamente o ensino
de cada nível e grau numa ?formação? (para o mercado de trabalho??),
introduzindo lógicas de mercado estranhas ao conceito de liberdade de
investigação e pedagógica, restaurando também os mecanismos mais vetustos
do poder académico na Universidade, arruinando definitivamente um sistema
escolar bastante aberto, pluralista e participado, que sobrevivia todavia,
como resultado das reformas introduzidas depois das lutas do ?69 e dos
anos sucessivos. A 25 de Outubro houve o dia ?clou? da batalha contra o
?decreto Moratti?, porque neste dia o Parlamento devia aprovar
definitivamente o decreto: um Parlamento blindado, no interior e fora. No
interior, porque o governo Berlusconi tinha colocado a questão da
confiança em relação ao decreto, considerado pela direita o instrumento
para acabar com todos os ?comunistas? que encheram o corpo docente na
Universidade! Assim e desde sempre se exprimem estas forças políticas que
não aguentam o pluralismo de ideias e o confronto. Ouviram-se coisas ainda
piores no hemiciclo do Parlamento e nos ?mass-media?. Foi bastante
significativo ver a forma como, a 25 de Outubro, deputados de direita
(Aliança Nacional, o partido do Vice-Presidente do Conselho, cuja órigem é
o pior fascismo reciclado) sairam do portão do Parlamento, para provocar
uma multidão de estudantes, docentes, precários, sindicalistas, os quais
cercavam o edifício do parlamento, embora mantidos à distância devida por
consistentes forças de polícia. Muitos jornais (de centro-esquerda,
naturalmente) publicaram a notícia das injúrias dirigidas por estas
figuras fascistas aos nossos companheiros e da ?linda? imagem de uma bem
pouco digna senhora deputada, fascista d.o.c. ? a Santaché ? que, de dedo
médio erguido, fazia um gesto trivial que significa ?nós vos fodemos ?.
Esta é a cultura que reina e reinará nas escolas cada vez mais. É uma boa
razão para ter esperança o facto de que aquela manifestação em Roma teve a
participação de 50.000 pessoas, pelo menos (número aceite por todos, se
bem que partes do movimento tenham avançado com o número de 100.000
pessoas: in medio stat veritas?). Como foi possível chegar a uma
resposta tão resoluta do movimento de contestação na Universidade, também
com a participação dos estudantes das escolas secundárias? Deve-se dizer
que nos dois meses precedentes ? após períodos de movilização, também
antes das férias do Verão ? nos Ateneus e nas escolas recomeçara a
actividade de colectivos, assembleias, desfiles: discussões,
participação. O que é fundamental é que este movimento, bem que centrasse
o seu programa na luta contra o ?decreto Moratti?, soube conjugar esta
crítica radical com toda uma série de transformações que, na Itália como
nos outros países europeus, estão em fase de desenvolvimento. A
privatização dos serviços públicos, a redução dos gastos sociais que a lei
do Orçamento de Estado examinada pelo Parlamento, com reduções que
ultrapassam qualquer limite, a precariedade das relações de trabalho, a
insegurança e o individualismo que alastram. O movimento tem ?além disso-
a consciência clara de que uma escola privatazada, pouco funcional ? senão
para os grandes grupos de poder dos ?barões?, que andam a reforçar-se ? é,
ao invés funcional, para um mercado de trabalho sem regras, onde se deve
entrar em concorrência com os outros, onde não há mais amortecedores
sociais a favor dos sectores desfavorecidos da sociedade. Sabe-se bem que
tudo isto vai originar uma escola de classe, no sentido de que somente
pelo dinheiro das famílias será possível conseguir uma formação que
permita uma boa colocação no mercado do trabalho. As classes dirigentes já
têm estruturas para a formação; para estas gasta-se também dinheiro
público em Itália, sobretudo se as estruturas são católicas. A propósito!
Há pouco foi aprovada uma lei que elimina as dúvidas sobre a identidade
dos aliados ex-fascistas e dos Berlusconis de hoje: como ontem, as Igrejas
e ?no primeiro lugar - a católica.
De facto, os imóveis de todas as Igrejas em Itália estão isentos dos
impostos, embora produzam rendimentos. No início, a lei referia-se apenas
à Igreja católica, depois foi estendida às Igrejas todas: isto, no
momento em que se reduziam todos os gastos sociais. É como rir na cara dos
destinatários de pensões sociais cada vez mais insuficientes e das
dificuldades económicas das autarquias, distribuidoras de serviços
sociais. Na Itália há já cerca de 30% de população que se situa abaixo do
limiar da pobreza e vai aumentar a disparidade ? já muito acrescida
durante o governo de centro-direita ? entre os poucos que possuem grandes
riquezas e os muitos que procuram sobreviver e ? como se diz na Itália ?
não conseguem comer na última semana do mês. É nesta situação que se
alimenta o mercado do trabalho baseado no individualismo, na concorrência,
na adaptabilidade e no atirar para as margens os que não seguem o ritmo
desta estrutura capitalista, absolutamente desumana. E se os estudantes
fossem a vanguarda de um novo movimento que dê a volta à Europa como
resposta a tudo isto, talvez à maneira de Robin Hood?

Notas dos Editores:

*Professora e Investigadora de História Contemporânea
na Universidade de Florença

** nas ?últimas semanas? refere-se às de Outubro de 2005

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