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(pt) Haiti: "a solidariedade não acaba na nossa fronteira"

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 12 Apr 2005 17:43:56 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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[por agência de notícias anarquistas, ANA]
O povo haitiano é o mais pobre das Américas, afundado numa crise
interminável, com gangues e paramilitares atuando no interior e na
periferia das principais cidades, a prática do estupro é comum, as cadeias
estão superlotadas de prisioneiros políticos contrários ao governo
provisório instalado por Estados Unidos, França e Canadá, as violações dos
direitos humanos por parte da Polícia Nacional é sistemática. Lá os mais
pobres alimentam-se com biscoitos feitos de lama (uma mistura de barro,
água, uma pitada de margarina e outra de sal). E as forças de “paz” da
ONU, sob comando do governo Lula, que está de olho numa das vagas
permanentes a serem criadas no Conselho de Segurança dessa instituição,
cada vez mais se mistura a barbárie e ao caos haitiano. Na entrevista a
seguir, Lúcia Skromov, que trabalha e colabora com várias etnias
indígenas, e tem no corpo as marcas da luta contra a ditadura militar
brasileiro, fala sobre a criação do Comitê Pró-Haiti, e sublinha a
necessidade de promover a solidariedade ativa com a população desse país.
Agência de Notícias Anarquistas > O que é o Comitê Pró-Haiti?
Lúcia Skromov < O Comitê Pró-Haiti foi pensado muito antes de sua fundação
em 25 de fevereiro de 2005. Tudo começou com a indignação que causou a ida
das tropas brasileiras para o Haiti e as notícias de que a ONU estaria
enviando tropas de mais 19 países para conter a violência dentro do país.
Concluímos que deveríamos fazer algo para impedir que o Haiti sofresse
novamente intervenção. Nisto, passaram os furacões e arrasaram o país,
deixando o rastro de morte (mais de 3 mil mortes) e desgraças
pós-enchentes (doenças como leptospirose, cólera, tifo etc.), reforçando o
estado de calamidade em que já vivia a população haitiana. Num primeiro
momento, abrimos, perto de dezembro de 2004, uma campanha com o nome "Dê
uma Chance ao Haiti" para arrecadar roupas, calçados e remédios - naquele
momento bastante necessários. Tivemos a triste surpresa de ver que o nosso
material não poderia ser entregue, mesmo sabendo que uma vez por semana,
pelo menos, um avião da FAB vai para o Haiti. Insistimos e soubemos que
somente poderiam levar as doações em junho de 2005. Buscamos falar com o
ministério da defesa e não houve resposta.
Pensamos, que o ideal seria fundarmos um comitê de solidariedade com a
resistência do povo haitiano. Este comitê nasceu, pois, com a preocupação
de formar uma comissão civil internacional para escutar os haitianos, já
que todos vão até lá para impor e falar e não para ouvir e levantar duas
bandeiras já colocadas dentro do país: a liberação do dinheiro arrecadado
da comunidade internacional para a reconstrução do Haiti pela ONU (1
bilhão e 300 milhões em dólares) e a devolução do dinheiro que o país
pagou pela independência (hoje, 22 bilhões em dólares).
Ao nosso chamamento acorreram muitas entidades e organizações de diversas
naturezas: MST – regional, Movimento pela Moradia, Movimento
Anti-manicomial, Coletivo Alternativa Verde, Coletivo Libertário,
Movimento Hip Hop do Brasil, Umas & Outras, Comitê de Apoio às Lutas da
América Latina, Comitê de Solidariedade dos Povos em Luta, ONGs,
sindicatos, sociedade civil etc. E, a cada dia, entram mais e mais pessoas
e entidades como centro acadêmicos.
ANA > Quem é essa resistência haitiana? Tens contato direto com pessoas de
lá?Lúcia < Não sabemos ainda o suficiente para expor a nossa opinião. Algumas
pessoas do nosso comitê estiveram no Fórum Social Mundial e conheceram
haitianos, mas não mantiveram contato. Temos contato com setores da
Universidade Estadual do Haiti, mas ainda não sabemos quais são todas as
organizações em resistência. Claro que o partido de Aristide - o Lavalas -
é o mais visível em termos de oposição, pelo que a mídia informa. No
entanto, não podemos dar crédito às informações de uma mídia comprometida
e que sonega informações. Por tal razão, queremos formar a comissão civil
para obtermos informações reais sobre o país, indo até lá, investigando o
que se passa, verificar a atuação dos exércitos dentro do país e analisar
a real condição dos haitianos, sem passar pelo viés do governo federal e
do exército brasileiros.
ANA > O Estado francês que teria que devolver o dinheiro?
Lúcia < O Estado Francês, melhor, o Estado criminoso deve ao Haiti a
quantia de 22 bilhões em dólares, quantia corrigida, pois, à época, a
França cobrou do Haiti 150 milhões de francos-ouro, regateado para 90
milhões na mesma moeda. Essa quantia foi cobrada do país nos idos de 1814,
10 anos após a dupla revolução que o Haiti realizou: a independência e a
abolição da escravatura. Por ter significado uma ameaça às potências
dominadoras escravagistas, o Haiti foi cercado por uma frota francesa -
que tinha o apoio da Grã Bretanha e EUA, à época - e impossibilitado de
resistir, cedeu para poder manter sua soberania e não ser invadido. Pagou
a "dívida" até 1883, a duras penas, desmatando seus bosques e acabando com
seus recursos naturais.
ANA > Ainda pretendem mandar para o Haiti todo material arrecado?
Lúcia < É esta a nossa intenção. Estamos tentando entrar em contato com o
Ministério das Relações Exteriores. É um dos caminhos. Não desistiremos.
ANA > Esse é um comitê multi-unitário?
Lúcia < Realmente o é. São muitas as cores dentro do nosso comitê, mas
todos convergem a um único sentido: colaborar com o povo haitiano, mas
sempre escutando-o para trabalharmos em uníssono. Chegamos à conclusão de
que é possível trabalhar em conjunto em prol de um povo que hoje necessita
de nossa colaboração, da mesma maneira como já outros países tiveram a
necessidade da ajuda do Haiti em outros tempos e receberam-na, como por
exemplo, os países que fizeram parte da Gran Colombia. Símon Bolívar
recebeu ajuda em dinheiro e em armas do Haiti nos idos do século X!X,
quando seu exército lutava pela independência da América. À época, a única
exigência do governo livre do Haiti era a de que Bolívar e seus generais
realizassem a abolição da escravatura por onde passassem.
ANA > E qual o principal objetivo dele?
Lúcia < Sabemos que um comitê de solidariedade não é uma organização
política, mas isto não o impede de ter um posicionamento político
definido: é contra a presença das tropas no país, em função do princípio
de soberania dos povos. Queremos poder envolver a sociedade civil e
organizações de cunho social e também político para que possam reunir
condições suficientes para forçar a retirada das tropas, mas sempre
visando apoiar as forças internas transformadoras do Haiti para que logrem
reconstruir um país que hoje tem quase 90% de analfabetos, se
considerarmos que mais da metade da população é analfabeta total e uma boa
parte é analfabeta funcional, mais de 60% vive abaixo da linha da pobreza,
em outras palavras, na miséria, sem instalações sanitárias e com
perspectiva de vida baixíssima: 53 anos. E há muito mais: não há rede de
esgoto senão em algumas parte da capital e ainda assim a céu aberto. É nas
águas contaminadas do esgoto que as pessoas tomam banho. 90% da população
não conta com água potável. Você pode se perguntar: que fizeram do Haiti?
Simplesmente um local onde pousaram anos a fio os aviões do exército dos
EUA e da França e do Canadá para transformar o país em base aérea de
acordo com suas conveniências. Temos a obrigação de ajudar este povo a
recuperar a sua dignidade.
ANA > Que atividades vocês têm feito até agora?
Lúcia < Estamos abrindo caminho para atingir a sociedade civil brasileira
através de eventos onde explicamos o que somos e pra que viemos,
esclarecendo tudo a respeito do Haiti. Estão se abrindo as portas de
universidades, escolas públicas, rádios comunitárias, televisão on line,
alguns jornais alternativos, associações de bairros, e, enfim, onde há
simpatizantes potenciais. Levamos exposições de fotos, documentários e
palestrantes. Estamos na fase de consolidação do comitê, portanto, abrindo
todas as veias para penetrar o sangue da solidariedade.
ANA > Onde vocês se reúnem, como entrar em contato?
Lúcia < Estamos nos reunindo na sede da Acepusp, na Rua da Consolação,
1909, próxima da Avenida Paulista, em São Paulo. O contato deve ser feito
pela página www.guevarahome.org e também através do e-mail:
prohaiti@yahoo.com.br e pelo telefone 3872 3830.
Há duas cartas para serem assinadas no site (buscar o link Comitê
Pró-Haiti, onde as cartas se encontram). Se a pessoa quiser participar da
lista de discussão é : proghaiti@yahoogrupos.com.br
ANA > Deixe uma mensagem final...
Lúcia < Dêem uma chance ao Haiti. Ajudem este país a reconstruir seu
tecido social e político; ajudem este país se reconstruir e recuperar a
dignidade de seu povo. Assinem as cartas, repassem-nas para que possamos
atingir as nossas metas: um mundo realmente digno para todos, um mundo
solidário, porque a solidariedade não acaba na nossa fronteira. Obrigada
pela oportunidade à palavra.
agência de notícias anarquistas-ana




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