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(pt) HISTÓRIA DUM PAI (NÃO) ETERNO (it,en)

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Date Thu, 7 Apr 2005 16:10:40 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Como comunistas anarquistas temos seguido constantemente com atenção –
como um enviado especial acompanhante de João Paulo II – a política e a
estratégia mediática deste papa. Durante os primeiros anos do pontificado
dele, precisamente alguns de nós inspiraram e apoiaram os primeiros
meetings anticlericais, que lançavam um grito de alarme sobre o perigo
causado pela mistura de ímpeto colonizador, uso da televisão e desforra
clerical que golpeou a sociedade italiana da escola à saúde e à cultura,
depois do concordato.Lembre-se que este papa foi eleito após a morte – rápida e decisiva – de
João Paulo I, que- logo desde os primeiros dias do seu pontificado- lançou tímidos sinais
de renovação e estímulos ao Vaticano para a renúncia aos bens terrenos.
Depois, pelo contrário, tudo mudou para melhor para o eterno establishment
vaticano: precisava-se de indicações fortes e sem ambiguidades sobre o
sentido da supremacia da religião católica relativamente às outras e do
dever de ser crentes. O debate no euro-parlamento sobre as raízes cristãs
da Europa demonstrou isto recentemente.João Paulo II devia combater um “monstro” nascido da “guerra fria” (e
úteis foram os financiamentos do IOR/Marcinkus). Abriu-se uma fenda
publicitária pela conquista da Polónia, no leste europeu. E, naturalmente,
o papa procurou tomar para si os méritos todos em relação aos derrubes dos
regimes “comunistas”, apresentando-se como agente no interesse da sua
igreja, independentemente dos prejuízos para o equilibrio político e
social mundial.Mas o sonho da evangelizaçãoda Europa do leste quebrou-se contra a
realidade de culturas que não tinham e não têm nenhuma intenção de se
fazer evangelizar pelo catolicismo, e pelo contrário, aqueles paises, após
anos de ditaduras estatais ferozes, estão agora nas mãos dum capitalismo
desenfreado, gerido pelas máfias locais, fonte de barbarização para as
próprias sociedades do leste.Dentro da dimensão anticomunista cabiam muito bem a bênção no estádio de
Santiago, onde milhares de oposidores políticos foram chacinados pelo
carniceiro Pinochet, louvado como exemplo de governante catolicíssimo, o
silêncio sobre o homicídio de Romero, a mordaça à teologia da libertação,
que ficava próxima aos padecimentos de classe da América Latina.Durante o pontificado deste papa, lembrado sem mérito como “pacifista”,
desencadearam-se no mundo guerras ferozes, e pelo menos uma delas - que
ensanguentou a Europa depois de 50 anos – causada directamente pelo
reconhecimento desastrado da secessão fascista e nacionalista da Croácia,
que deu origem a uma feroz guerra (também) de religião. E fala-se de
diálogo ecuménico!Lembrando aqueles anos - anos de homílias de fogo contra os “ateus”
responsáveis de todos os males – fazem sorrir as admoestações de João
Paulo II a Bush, na tentativa de interpretar o desejo de paz de todos,
chamando Bush à moderação em relação ao Iraque. O própio presidente dos
Estados Unidos, de facto, é o manhoso émulo da política prepotente deste
papa, anti-laico (e Bush é sempre rápido em preferir os sacerdotes aos
juizes) e rápido em fazer calar com cólera qualquer murmúrio de dissensão.Lembre-se o “saneamento” feito nas hierarquias do Vaticano em detrimento
de todos os que tinham algumas coisas a objectar, mandados para as
fronteiras do império – e na melhor hipótese – para “servir Cristo”
nalguma missão onde há muito trabalho e pouca possibilidade de ordenar.Hoje em dia basta considerar a composição do conclave: 93% dos cardeais
eleitores foram nomeados por João Paulo II. Um tirano bom, um pai
autoritário, um rei susceptível? Seguramente um homem que prejudicou o seu
desejo de vencer por causa de perigosas alianças económicas e políticas,
in primis com “Comunione e Liberazione” (CL) e todos os
religiosos/managers que fizeram da subsidiariedade e de devolução uma
fonte incrível de riquezas privadas e de poder. Um papa complacente com a
intervenção do clero em cada âmbito por destruir a laicidade, na convicção
de que cada moralidade e ética deve ser inspirada e dirigida pelos padres.
Uma pessoa que agora, com a sua morte causada pela doença de Parkinson,
choca decididamente com a sua imagem bem conservada e vencedora dum
passado não longinquo, quando trovejava contra outra doença, a SIDA, cujo
aparecimento parecia querer apontar uma sexualidade humana considerada
“desordenada”. Mas que pelo contrário abafava os escândalos, que nestes
anos implicaram a igreja sob acusações de pedofilia e violência.As palavras so cardeal Ratzinger, durante as liturgias pascais – sobre a
necessidade de combater a corrupção também dentro da igreja – pareciam
indicativas do aproximar-se dum pesadelo para os católicos: como se a
corrupção do corpo deste papa – relatada ao vivo por mil microfónes –
revelasse simultaneamente todos os bubões que este mastim-mástique de deus
tinha juntado a toque de bofetadas nestes 26 anos. A presença do cardeal Ruini perto da cabeceira do moribundo parece
pressagiar duma ruína futura. O “Movimento a favor da vida” – com o seu
nome hipócrita – desvela o seu significado mais profundo agora, quando o
esforço para não fazer morrer este papa se tornou patético: um medo
louco, o medo da morte; o mesmo medo que forçou uma mulher norteamericana
– precisamente nestes dias – a dever agonizar sem autanasia por causa da
loucura religiosa dos pais dela.O medo da morte, a procura dum guia, a fusão numa massa: estes elementos
misturam-se no corpo único de milhares de pessoas – chegadas em estado
hipnótico adentro daquele grande magnete em forma de alicate que é a
colonata de Bernini na praça São Pedro – estes elementos e o desejo de
pertencer à fileiras dos vencedores são os mesmos elementos explorados
pelo nosso “azul” presidente do conselho dos ministros, ele também muito
hábil com as maquilhagens televisivas e capaz de silenciar os críticos
dele e cada voz livre a toque de acusações e de microfones desligados.Num mundo onde a miséria e a ignorância são exploradas por pesoas sem
escrúpulos, hábeis manobradores de rebanhos e papa-hóstias na política,
bem podemos compreender a preocupação de Salman Rushdie: « E porventura
... os Democráticos americanos chegarão a entender que hoje, numa América
exactamente quebrada ao meio, terão um proveito maior opondo-se à
Christian Coalition e aos partidários dela, e obstaculando a possibilidade
que a visão do mundo de Mel Gibson modele a política social e a política
americana ».Porventura, entre nós alguns consideram engraçado se o bispo Milingo
tivesse a possibilidade de ser nomeado papa agora, casando-se depois ....
isto mudaria alguma coisa.Pelo contrário, agora só podemos esperar que o jogo do poder escolha o seu
próximo pai-não-eterno: negro fustigador em nome da doutrina da fé, ou
hábil organizador de encontros interconfessionais em grupo para conquistar
as almas?
Federazione dei Comunisti Anarchici – FdCA
(Federação dos Comunistas Anarquistas)

3 de Abril de 2005
http://www.fdca.it








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