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(pt) «A BATALHA» N. 206: PORTUGAL DOS PEQUENINOS

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Date Sun, 26 Sep 2004 10:33:45 +0200 (CEST)


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por Fernando J. Almeida
'A Revolução é uma Evolução interrompida'
Arnold Toynbee
De vez em quando, a pasmaceira nacional é abalada por umas guerrinhas de
alecrim e manjerona, que distraem o povoléu dos seus verdadeiros
interesses, e fazem o júbilo dos políticos, intelectuais e demais corifeus
do Sistema dominante. Depois da bandeira esfarrapada da Regionalização, do
Hino impingido às criancinhas das Escolas, surge agora a polémica acerca
da caracterização do 25 de Abril, e que se resume no dilema: Revolução ou
Evolução?
1
Para festejar o 30° Aniversário do 25 de Abril, houve por bem o governo
erigir uns painéis, profusamente decorados com cravos de todas as cores (à
excepção do vermelho...), ilustrando a palavra de ordem "25 de Abril é
Evolução". E aqui estalou a bronca: a Esquerda vociferou que não, que tal
data foi uma Revolução, pelo que uns indignados Rs' vermelhos foram
acrescentados à Evolução governamental.Os Partidos do governo sustentam que tudo não passa de uma mera evolução
da continuidade enunciada pelo Professor Marcelo... não, não é esse. É o
outro, aquele das conversas em família, no tempo da televisão a
preto-e-branco. A Oposição de Esquerda, obviamente, contrapõe: em 25 de
Abril deu-se uma Revolução, e o resto são cantigas!
2
A questão não é pacífica e, nas hostes governamentais, há quem defenda a
tese revolucionária. É o caso da segunda figura da hierarquia estatal, o
Dr. Amaral, que preside à Assembleia da República, ,que contraria a
opinião das bancadas laranja e azul-amarela. O Professor Marcelo... não,
não é esse! E aquele dos sermões dominicais na TV que já foi Católica...
Como íamos dizendo, o Professor Marcelo, com a sua tendência para ser a
Esquerda da Direita, decidiu agradar a gregos e troianos, e alvitrou que o
25 de Abril foi, no princípio, uma Revolução, transformando-se em seguida,
numa Evolução.
3
O Professor Rosas diz que o 25 de Abril é, definitivamente, uma Revolução,
e não um mero parêntesis na Evolução prometida por Marcelo Caetano. O
nobelizado Saramago afirma que houvesse ou não o 25 de Abril, o País
estaria exactamente como está, na actualidade.Para Saramago, à revelia da opinião dos seus correligionários e
contrariando a opinião do Professor Rosas, o 25 de Abril é mesmo o tal
parêntesis, a tal interrupção enunciada por Toynbee, justamente insuspeito
de pretender desfraldar as bandeiras vermelhas da Revolução.
4
No tempo do PREC, quando este vosso amigo deambulava pelo gauchisme à
Portuguesa, aprendia-se que só poderia existir uma Revolução quando se
mudasse, radicalmente, o modo de produção económico. Nessa altura, os
Comunistas ortodoxos diziam que a Revolução seria Democrática e Nacional,
os Maoistas queriam-na Democrática e Popular, os Trotskistas e Guevaristas
achavam que a revolução era Socialista. Os primeiros, para cumprir o seu
desiderato, apelavam para a união de todos os Portugueses honrados; os
segundos invocavam a Aliança Operária e Camponesa, os terceiros queriam
ver o proletariado armado e erigido em classe dominante. Todos com o MFA,
como pau para toda a obra.Como nenhuma daquelas Revoluções se cumpriu, ficámos sem saber onde
estaria a razão: na Evolução de Caetano e Saramago, na Revolução de
Fernando Rosas e Mota Amaral ou no parêntesis de Toynbee e Rebelo de Sousa
(e Saramago, à sua maneira).
5
Marx já houvera dito que existiam duas espécies de revoluções: as
políticas e as sociais. Os seus lusos discípulos optaram pela Revolução
Política, pensando que a Revolução Social viria por acréscimo. A única
coisa que conseguiram construir foi um atabalhoado parêntesis chamado
PREC. O 25 de Abril abriu o parêntesis, o 25 de Novembro fechou-o, a
Evolução seguiu o seu caminho, um pouco mais precipitadamente, por ter
como horizonte a bandeira das estrelas de ouro em fundo azul da Europa dos
patrões.
6
Mas, afinal, em que ficamos: o 25 de Abril foi uma Revolução ou uma
Evolução? Ou não foi nem uma coisa nem outra?O 25 de Abril foi feito por oficiais das Forças Armadas, por razões já
bastamente divulgadas. Sendo os militares funcionários públicos, a sua
acção não passou de um golpe de Estado, já que uma Revolução só pode
partir da base e ser dirigida por elementos não pertencentes ao Poder
constituído. As Revoluções são feitas pela arraia-miúda, sans-culottes,
braceros; os golpes de Estado são produzidos por militares, motivados
pelas mais díspares doutrinas políticas, económicas ou filosóficas.Quando o Povo era "quem mais ordena" lá apareceram os militares, os
políticos, os sindicalistas paratravarem o "anarco-populismo" e evitarem que o Poder caísse na Rua, por
ter de ser exercido pelos funcionários Spínola, Melo Antunes, Vasco
Gonçalves ou Otelo e respectivos apêndices civis.
7
Neste pequeno ensaio sobre a lucidez, não vamos apelar ao voto em branco,
á Ia Saramago, o que talvez transformasse a Evolução numa Involução, que
talvez desencadeasse outro golpe de Estado, que não conduziria sequer á
Revolução Política, quanto mais á Revolução Social.Não apelamos, como Saramago, ao voto branco, cor que, segundo as leis da
Física, é o conjunto de todas as cores (vermelho, rosa, laranja, verde,
azul, amarelo...), mas sim ao voto preto, a ausência daquelas cores e de
todas as outras.Vamos votar em preto, o que, no fundo, é votar na Cor da nossa Bandeira...

Escrito em 20 de Abril do Ano XXX da (R)evolução.






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