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(pt) "Le Monde Libertaire": 50 anos, parabéns!

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Date Tue, 21 Sep 2004 21:10:56 +0200 (CEST)


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[de agência de notícias anarquistas-ana]
Não é toda dia que uma publicação anarquista completa 50 anos de história.
Não é brincadeira editar um jornal anarquista todas as semanas. No
entanto, “Le Monde Libertaire”, semanário da Federação Anarquista francesa
está completando o seu cinqüentenário de vida. 50 anos de
“anarcomunicação”, ou seja, cinco décadas de combate pela liberdade, com
palavras, artigos, entrevistas, reportagens, fotografias, desenhos e
humor. 50 anos enchendo nossos olhos e coração de imaginação e rebeldia
libertária.

E para comemorar esta data, a Federação Anarquista francesa estará
editando no próximo dia 27 de setembro um número especial do jornal, com
100 páginas. Ademais, na passagem desta significativa data, estará saindo
do forno em outubro um livro pela “Edições Cherge Midi”, com circulação na
França e Bélgica francofona, de 400 páginas, com artigos extraídos do “Le
Monde Libertaire”. A seguir um bate-papo rápido com Stéphane Troplain,
administrador do “Le Monde Libertaire”, e Daniel Vidal, do grupo
“Gard-Vaucluse”, de Nimes, aderido a Federação Anarquista francesa.

Agência de Notícias Anarquistas > Quando exatamente o "Le Monde
Libertaire" fará aniversário?
Daniel Vidal < A Federação Anarquista nasce em 1944, criando no mesmo ano
um periódico clandestino (a França era ocupada pelo exército alemão): “Le
Libertaire”. Em 1953, “Le Libertaire” desaparece e surge “Le Monde
Libertaire”. Nosso periódico é semanal desde outubro de 1977.

ANA > O jornal é feito por quantas pessoas?

Daniel < Atualmente 4 pessoas fazem o jornal, cada fim de semana. Todas as
pessoas que queiram podem enviar textos ao periódico. O comitê de redação
dispõe de uma rede de pessoas, simpatizantes do jornal, que escreve sobre
temas particulares. Ademais, temos um administrador do jornal que se
preocupa da gestão: situação financeira, relações com a distribuição,
promoção etc.

ANA > O jornal tem quantas páginas?

Daniel < O jornal tem 24 páginas e é colorido, e feito em papel reciclado.


ANA > Qual a tiragem?

Daniel < Atualmente, o “Le Monde Libertaire” saca a cada semana 9000
exemplares.

ANA > O jornal é vendido em livrarias e bancas?

Daniel < Sim, em todo o país. Não em todas as bancas, claro, mas nas
principais. O jornal também circula na Bélgica, nos círculos militantes.

ANA > Alguém no jornal recebe salário?

Stéphane Troplain < Não. Neste momento, todos que trabalham para “Le Monde
Libertaire” (redação, edição, administração) são voluntários. Mas nem
sempre foi assim. Anos atrás teve assalariados.

ANA > O jornal já foi objeto de repressão?

Stéphane < Sim, já ocorreu. Durante a guerra da Argélia (1954-1962), o
jornal foi retirado de circulação pelo Ministério do Interior, devido a
que alguns artigos foram considerados demasiadamente molestos. É certo que
nessa época a Federeção Anarquista publicava artigos muito duros com
respeito ao governo e às forças armadas. O Estado francês, que executava
sua tarefa de morte na África do Norte, não chegou ao extremo de reprimir.
O local do “Le Monde Libertaire” foi objeto de dois atentados com
explosões criminais (a primeira, assinado pelos fascistas da O.A.S., no
começo dos anos 60, a segunda por uma organização católica de extremo
direita, em meados dos anos 70).
À parte destes dois acontecimentos, regularmente temos problemas com a
justiça, freqüentemente por julgamentos de difamação ou injurias (quem se
queixam são sempre polícias, patrões ou notáveis... é assombroso, não?).

ANA > Le Pen também já tentou fechar o jornal, não?

Stéphane < O problema foi provocado por um desenho humorístico de Lasserpe
publicado em “Le Monde Libertaire”, em 1997, e porque Jean-Marie Le Pen
interpretou-o como uma provocação ao homicídio (!). A acusação apresentada
por Le Pen e seu partido, a Frente Nacional, foi rejeitada e
posteriormente não tivemos nenhum outro inconveniente com ele.

ANA > Há alguma seção no jornal que é mais lida?

Stéphane < Na realidade, não sabemos. Não executamos pesquisas entre
nossos leitores e leitoras. Mas temos escutado que uma de nossas seções (O
avestruz), de textos “breves” e de tom humorístico, goza de simpatias...

ANA > Depois de 50 anos de existência, há algum novo projeto para o jornal?

Stéphane < O projeto de “Le Monde Libertaire” não é novo, mas é vasto:
manter e desenvolver este espaço de palavras, afirmar nosso projeto
libertário em forma escrita, baseado em argumentos, sensibilizar nossos
leitores e leitoras com respeito aos nossos ideais e nossas broncas
(raiva), difundir mais amplamente as idéias anarquistas ao nosso redor...
Resulta inútil precisar o que nos falta, pois há muita tarefa adiante.

ANA > Qual a maior dificuldade para manter um semanário?

Stéphane < Precisamente manter esse ritmo, que obriga-nos sustentar uma
certa produção, uma certa abundância. Muitas vezes resulta difícil
encontrar artigos interessantes todas as semanas e suponho que muito
poucas pessoas escrevem regularmente (embora existam!). Digamos que para
um semanário anarquista, a dificuldade consiste em formar uma rede de
contatos seguros e suficientes como para receber artigos de qualidade em
quantidade.

ANA > Deixe uma mensagem para uma publicação anarquista “jovem”?

Stéphane < O projeto anarquista é global, mas as lutas freqüentemente (por
não dizer sempre) são locais. Para um jornal anarquista é importante
ocupar-se dos problemas e dos projetos que afetam seu meio “imediato”,
sabendo dar lhe uma perspectiva global e revolucionária. Também é
importante difundir as idéias preconizadas por nossos pensadores mais
apreciados: Bakunin, Kropotkin, Malatesta, Stirner etc., mas com
ressonâncias atuais. Um jornal anarquista não é uma enciclopédia, nem uma
coleção de slogans. Um jornal anarquista é um meio de difusão importante,
diria essencial, tomando em conta nossas capacidades, para difundir nossas
idéias. Também é necessário ter sempre presente que nossa tarefa tem por
objetivo provocar uma revolução liber tária, não nos reunimos num “clube”
para repetir o que já sabemos. Só esta preocupação permanente pode fazer
um jornal uma arma revolucionária. Mas com coragem, ambição e
perseverança, se pode chegar muito longe!
www.federation-anarchistes.org

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