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(pt) [MÍDIA] O pequeno espaço da Rua da Regeneração, no Porto, junto ao quartel-general da Praça da República, não podia ser mais curioso para acolher a Livraria Utopia.

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Date Wed, 1 Sep 2004 14:12:33 +0200 (CEST)


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Por PEDRO RIOS
O pequeno espaço da Rua da Regeneração, no Porto, junto ao quartel-general
da Praça da República, não podia ser mais curioso para acolher a Livraria
Utopia. A rigidez das normas militares ali ao lado contrasta com a
filosofia libertária de Herculano Lapa, o homem que, desde há sete anos,
dirige a livraria, que conta já 22 anos de história.
Nas prateleiras, há livros e revistas sobre anarquismo, marxismo crítico,
situacionismo, dadaísmo, surrealismo, ecologia, autores "marginais", como
Jack London e Baudelaire, e alguma poesia. Herculano Lapa integra-os todos
numa "certa concepção do pensamento que estará dentro do espaço dos
libertários". Há também alfarrábios e livros usados, mas Lapa não os
considera identificadores da livraria e da sua filosofia.
É com visível entusiasmo que o livreiro fala da sua Utopia. Refere-se a
ela ainda como "um projecto". "O objectivo da livraria é funcionar, não é
ganhar dinheiro. É divulgar um projecto, uma certa perspectiva de querer
transformar. Como dizia o Rimbaud, 'é preciso mudar a vida'. É preciso
transformar o mundo, como dizia o Marx. Para se criar um mundo que vá ao
encontro do Homem e da Natureza, é preciso criar algo de novo", diz.
"Para mim, isto é muito simples: é saber aquilo que eu não quero. É isso
que me dá força e alento", acrescenta o livreiro (que, ao mesmo tempo, se
recusa a ser fotografado). Herculano Lapa dirige a Utopia na Rua da
Regeneração desde há sete anos, altura em que a livraria se separou da
Centelha, editora de Coimbra que, por volta de 1982, fundou o espaço.
"Aqui, no Porto, havia outras livrarias dentro de um certo espírito
alternativo, de divulgação das ideias críticas e libertárias", diz. A
Utopia "apareceu na altura em que as outras já tinham desaparecido".
"Esta cidade dá-me vontade de rir"

É com alguma amargura que Lapa fala sobre o Porto. Sendo um local
privilegiado para a divulgação de um pensamento político "alternativo",
seria provável que a Utopia fosse um espaço de discussão. Mas não é: "Esta
cidade dá-me vontade de rir", diz o livreiro, que atribui à pequena
"capacidade de animação" e à "pouca gente" interessada a falta de
iniciativas no movimento libertário e intelectual portuense. A recente
iniciativa artística "Quartel - Arte Trabalho Revolução" foi, segundo
Lapa, "uma coisa muito esporádica". Para o livreiro, o pensamento crítico
portuense parece estar estagnado.
Apesar do âmbito mais generalista, o livreiro cita a livraria Ler Devagar,
em Lisboa, como exemplo da maior disponibilidade dos lisboetas para a
"discussão e debate". "No Porto, vende-se tudo menos. Todo o tipo de
literatura vende-se menos. Dentro dos meios universitários, a malta é
muito carreirista". É assim que Herculano Lapa caracteriza a cidade em que
decidiu viver e estabelecer negócio. Porém, este pessimismo não o faz
esmorecer: "O que é importante é ter os textos críticos do ponto de vista
político e cultural disponíveis".
O projecto de um autodidacta

Herculano Lapa assume-se como um autodidacta. Cita autores, relaciona
teorias e aplica-as ao quotidiano com uma facilidade que não se
adivinharia num homem que tem apenas a antiga 4ª classe. "A minha
aproximação à vontade de querer viver num mundo sem opressão e com
liberdade aconteceu no período do 25 de Abril [de 1974]. Comecei a ouvir
falar em liberdade e igualdade e levei isso muito a sério", lembra o
livreiro.
Lapa tinha então 17 anos. Era aprendiz na construção civil em Vila do
Conde. As discussões políticas no trabalho, as ocupações de casas e campos
e as greves e todo o fervor revolucionário fomentaram-lhe o gosto pela
política. "Éramos umas 20 ou 30 pessoas. Juntávamo-nos para falar de
política e cantar. Havia um espírito de comunidade, de malta que queria
mudar alguma coisa. Querer mudar o mundo funcionava como uma aventura. Era
uma tentativa de sermos actores da nossa própria vida. É isso que não se
passa agora. Os papéis das pessoas são secundários", conta Lapa.
"De um momento para o outro, havia a possibilidade de mudar... Havia nesse
período um clima favorável à discussão de rua", recorda. Daí até à leitura
dos textos políticos, dadaístas e de "crítica do espectáculo" foi um
passo: "Sou um autodidacta. Tive prazer nessas leituras, porque isso iria
contribuir para o desenvolvimento da minha individualidade. Ganhei o gosto
pela leitura".





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