A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement
First few lines of all posts of last 24 hours || of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004

Syndication Of A-Infos - including RDF | How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
{Info on A-Infos}

(pt) Autogestão Hoje: Teorias e Práticas Contemporâneas publicado por Faísca Publicações Libertárias

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Mon, 22 Nov 2004 19:01:58 +0100 (CET)


______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________

Apresentação
“A principal lição da revolução espanhola é, sem nenhuma dúvida,
que a autogestão é uma necessidade que aparece cada vez mais nos
conflitos patrões/trabalhadores.
Como explicar que a autogestão surja em casos tão dessemelhantes
quanto a Espanha de 1936, a França em 1968 e a Polônia em 1970?”
Frank Mintz
No verão de 1974, através da análise “Autogestão: Uma Mudança Radical”, os
pensadores marxistas Alain Guillerm e Yvon Bourdet discutiam como o
conceito de autogestão (no âmbito do local de trabalho) vinha sendo cada
vez mais deturpado, desviado de sua origem e função, e também comentavam
sobre a generalização da distorção desse conceito, sendo que o simples
fato da "participação" era, por si só, considerado, para muitas pessoas,
como autogestão.

O que os preocupava era tentar entender e diferenciar a autogestão de
outras formas de atuação dos trabalhadores dentro do local de produção.
Partindo sempre das diferenças, eles demonstravam como os conceitos de
“participação”, “co-gestão”, “controle operário” e “cooperativa” não
implicam, necessariamente (e, em alguns dos casos, definitivamente), em
autogestão. Aqui, cabe ressaltar, como os autores o fizeram anteriormente,
os problemas em associar esses termos com o conceito de autogestão.Na “participação”, há a possibilidade de abolir qualquer vontade de
transformação por parte do trabalhador, uma vez que este passa a estar
inserido de tal maneira na empresa, que começa a desejar que ela tenha
lucros cada vez maiores (por exemplo, quando os trabalhadores compram
ações de suas próprias empresas, ou no caso de participação nos lucros). O
trabalhador que poderia se voltar contra o sistema capitalista, acaba se
integrando a ele e o defendendo (mesmo que ele não saiba disso, mas de
qualquer forma, acaba o fazendo), impedindo, dessa forma, qualquer
possibilidade de autogestão.

Em outro viés, a “co-gestão” faz com que os empregados não apenas
participem nos lucros, mas também nas decisões da organização técnica e na
política geral do local em que trabalham. Diferentemente da
“participação”, aqui, o empregado não é apenas um instrumento, mas pode
contribuir com iniciativa e criatividade integradas ao processo de
produção. Porém, a definição das metas e os objetivos da empresa não estão
sob controle dos trabalhadores. Nessa forma de gestão, os trabalhadores
são representados por outros, geralmente eleitos por voto direto, que são
apenas consultados sobre questões salariais, benefícios sociais promovidos
pela empresa, demissão de empregados, tecnologias que serão utilizadas,
planos e balanços da empresa. O poder de direção dos empresários, no
entanto, não é posto em questão, impedindo assim a autogestão.

Sobre o “controle operário”, mesmo sendo um avanço maior à autogestão do
que a “co-gestão” (pois é uma intervenção conflitiva, em que atenuações
nos métodos de exploração são, literalmente, arrancadas dos empresários,
por exemplo, através de greves); o controle da produção por parte de um
dirigente capitalista, partido ou do Estado que também controlam o salário
dos empregados, não é questionado. E caso seja, isso ocorre apenas em
pontos específicos, pois a função dos dirigentes (estes, desligados da
produção, apenas distribuindo ordens) não é colocada em xeque, mantendo,
portanto, a hierarquia e a verticalidade no local de trabalho.
Já nas “cooperativas”, para os autores, é onde a autogestão realmente
acontece, pois o poder se dissolve entre todos os trabalhadores. Porém, as
cooperativas acabavam por se configurar como “ilhotas de autogestão no
seio de um sistema capitalista”, submetidas a todo tipo lei mercadológica
de concorrência. Além disso, mesmo que se considerasse uma multiplicação
do sistema de cooperativas (até mesmo uma generalização deste), elas não
iriam contra (pelo menos diretamente) o Estado e suas ramificações, sendo
que a horizontalidade e a participação na tomada de decisões se
confinariam aos locais de trabalho, e, fora dele, seriam mantidas as
medidas repressivas, autoritárias e ditatoriais do Estado, impedindo o
pleno alcance da autogestão, no sentido econômico, político e social.
Sendo assim, considerando que há trinta anos, o desvirtuamento acerca do
termo "autogestão" já gerava preocupação em pessoas que notavam esse fato,
nos dias de hoje (em que se fortalece cada vez mais a tendência da
esquerda de se apropriar e reivindicar para si idéias e objetivos que os
anarquistas já proclamavam há mais de um século) para as pessoas que têm
como objetivo uma sociedade autogestionária, essa discussão deve ser
realizada com ênfase.
Há, de certa forma, no senso comum, a idéia de que autogestão é a gestão
da produção pelos próprios produtores, ou simplesmente, o autogoverno. A
proposta desta publicação é polemizar com esse conceito e tentar, através
dos textos selecionados, demonstrar que a autogestão não se confina à
produção ou à política, mas também atinge as relações tanto econômicas
quanto sociais.
Não se trata apenas de buscar uma definição para o que vem a ser
autogestão, mas demonstrar suas práticas contemporâneas, suas diversas
aplicações e mostrar como a clareza desse conceito e de seus aspectos se
faz necessária a todos que não estão dispostos a reformar a sociedade
(mantendo, portanto, suas bases), mas sim alterá-la completamente. A
autogestão, posta em prática pelos revolucionários anarquistas de 1936 e
que sofre acusações de ser um modelo econômico inviável, vem se mostrando
através dos anos a única forma real de terminar com a exploração do
trabalho pelo capital e pelo Estado e de acabar com a alienação no
trabalho.
Isso posto, a escolha dos textos para composição desta obra foi realizada
com o intuito de fornecer abordagens diversas sobre o mesmo tema, tendo em
vista que com esses textos, o leitor vai notar que, longe de ser algo
"ultrapassado" e politicamente inviável, a autogestão (a autogestão
efetiva e generalizada) é tão viável quanto “atual”, além de ser
extremamente necessária.
Abrindo o livro, há um texto de Michael Albert que foi composto por três
capítulos de seu livro Moving Forward – Program for a Participatory
Economy1 publicado em 2000, no qual ele realiza uma análise relativamente
didática e de fácil acesso sobre o que vem a ser autogestão, de que forma
e onde ela é implantada, esclarecendo diversas dúvidas sobre contradições
que possam surgir em um sistema autogerido, e explicando como a autogestão
pode ser aplicada na economia. Ele ressalta a importância da formação de
conselhos, tanto de produtores como de consumidores, para que se efetive
uma prática autogestionária, principalmente no âmbito econômico. É um
texto que pode ser tido como explicativo e de muita importância para quem
está criando suas primeiras dúvidas sobre o assunto e também para os que
já possuem uma longa lista de questões em mente.O texto em seqüência é uma análise de Noam Chomsky escrita originalmente
em 1977 com o título original de Industrial Democracy e publicada
recentemente no livro Radical Priorities2. O texto trata de algumas
experiências européias e norte-americanas com empresas em que os
trabalhadores chegaram a possuir algum tipo de poder na gestão. Ele
demonstra como uma maior participação dos trabalhadores nas tomadas de
decisões das fábricas preocupa o empresariado. Porém, não se esquece de
ressaltar, que, em muitas empresas, esse tipo de atuação dos
trabalhadores, para os empresários, é preferível, uma vez comparada ao que
realmente vem a ser a autogestão e o perigo que ela representa para os
atuais donos das empresas. Chomsky não deixa escapar a crítica que deve
ser feita a este tipo de gestão de produção na qual, por mais que o
trabalhador não fique completamente ausente na tomada de decisões, não
ultrapassa a “democracia industrial”, não efetivando, portanto, um
processo real autogestionário e transformador.
Em seguida, apresentamos um estudo realizado por Pablo Ortellado em 1999,
que está originalmente na publicação Democracia e Autogestão da revista
Temporaes3, no qual, passando por diversos modelos de produção industrial,
o autor realiza uma abordagem histórica, principalmente sobre as
experiências autogestionárias dentro do desenvolvimento das cooperativas.
É bem ressaltado o papel das cooperativas no Brasil, mas a abordagem não
se resume apenas a essa região, passando tanto pela América do Norte como
pela Europa. O eixo central do estudo é, novamente, problematizar sobre
como as cooperativas atuam e se essa atuação realmente conduz a uma
sociedade autogestionária ou simplesmente a uma "democratização" do
capital, ou então a uma autogestão controlada pelo capital.
Posteriormente ao artigo acima, temos o texto de Murray Bookchin, que faz
parte do livro Toward an Ecological Society4, de 1981, no qual o autor
coloca em xeque a visão economicista, que reduz a autogestão a uma forma
de racionalização da produção, fazendo com que seja apenas mais um dentre
os inúmeros métodos de organização do trabalho. Um aspecto importante
desse artigo é a polêmica levantada contra Marx e Engels, na qual Bookchin
demonstra que a fábrica, longe educar, hierarquiza e aprisiona o produtor.
Porém, o foco central do artigo é o debate que há tempos vem sendo
realizado por pessoas preocupadas com uma profunda transformação social
(Walter Benjamim, por exemplo), em que a dita “neutralidade” da técnica
sobre as relações sociais é questionada em todos os seus aspectos. É um
texto fundamental no qual Bookchin não deixa dúvidas: discutir apenas a
autogestão, sem se deter em conceitos como autonomia e autodeterminação, é
criar uma hierarquia baseada tanto na obediência quanto na autoridade.
Finalizando, há a contribuição de Abraham Guillén. O fragmento é a
introdução do livro Socialismo Libertário – Ni Capitalismo de Monopólios,
Ni Comunismo de Estado5, publicado em 1990. Nesse texto, o autor faz uma
análise crítica do sistema econômico soviético, no qual a planificação
econômica centralizada concentrou toda a decisão econômica nas mãos de uma
pequena elite burocrática que estava fora do campo da produção. É
interessante como o autor mostra que o “socialismo” sem a autogestão nada
mais faz do que continuar deixando os trabalhadores alienados e
explorados. O que antes era feito pelo patrão privado, passou a ser feito
pela burocracia totalitária do partido comunista. O texto mostra ainda que
a autogestão é fator chave na busca de uma sociedade realmente
participativa e expõe de forma bastante elucidativa quais são os
princípios e objetivos para que busquemos um socialismo no qual a
liberdade esteja sempre presente.Esperamos que aprecie cada um dos textos escolhidos e que realize um bom
proveito de suas leituras.
Saúde e anarquia!

Os editores

Email:: faisca@riseup.net
URL:: http://www.editorafaisca.net



*******
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
******
INFO: http://ainfos.ca/org http://ainfos.ca/org/faq.html
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
ASSINATURA: envie correio para lists@ainfos.ca com a frase no corpo
da mensagem "subscribe (ou unsubscribe) nome da lista seu@enderço".

Indicação completa de listas em:http://www.ainfos.ca/options.html


A-Infos Information Center