A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement
First few lines of all posts of last 24 hours || of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004

Syndication Of A-Infos - including RDF | How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
{Info on A-Infos}

(pt) Posição da FAU à respeito das eleições no Uruguai (ca)

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Mon, 1 Nov 2004 12:00:43 +0100 (CET)


______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________

Para os anarquistas não deixam de ser importantes as eleições nacionais;
não pelo fato da emissão do voto, senão pelo papel que jogam as eleições
na estrutura de dominação do sistema. Toda a vida política do país se
volta e se encerra com as eleições, como se fosse o único acontecimento
político do ano, para não dizer do período qüinqüenal.
O sistema democrático republicano ao largo do século XX tem evoluído de
tal modo, que permite o sufrágio universal, assim sendo , a toda a
população maior de 18 anos. Recordemos que nos princípios do mesmo século
as mulheres não tinham direito ao voto, e tão pouco geralmente os pobres.
A extensão do direito ao voto foi uma das tantas lutas dadas pelos povos
em matéria de obtenção de diretos políticos. Mas, para as classes
dominantes não significou um problema estender o direito de cidadania a
toda a população, porque compreendeu que o sistema eleitoral podia servir
para dirigir toda a luta política da sociedade por estes caminhos.
O Estado se assegura mediante as eleições de vários discursos de
legitimação da dominação de classe que exerce: por um lado, da imagem da
democracia, no sentido de consulta a toda a cidadania e portanto se
converte em uma "festa", tal qual assinalaram os políticos mais
tradicionais. Por outro lado, permite a mudança de governo, o qual é
certo, mais não põe em jogo o problema do poder. O poder e o governo são
coisas totalmente diferentes. Os governos podem mudar ou não, pode estar
hoje um partido no governo, amanhã outro. Podem mudar desta maneira certas
arestas da política levada adiante por cada um, mas não muda o essencial,
que é a composição da estrutura de classes na sociedade. Ou seja, as
eleições não põem em jogo o poder das classes dominantes. Se as eleições
colocassem cada cinco anos em debate o poder dos que nos dominam, as
eleições evidentemente, não se fariam, não seriam um mecanismo de
reprodução do sistema.
As eleições articulam os desejos de mudança de gente com os interesses das
classes dominantes. Se julga que se elege um presidente, quando já este
esta eleito pelos centros de poder mundial, ou pelo menos, goza de seu
beneplácito. As eleições legitimam os direitos consagrados pela burguesia
desde o século XVIII: garantia a igualdade de direitos políticos e ante a
lei de que tanto se enobrecem os opressores. Hoje é impossível exercer a
dominação baseando-se no respeito e temor ao rei como representante de
Deus na Terra. Hoje se necessitam outros mecanismos ideológicos mais
complexos e ainda mais efetivos que os das monarquias absolutas. Pelo
menos, os camponeses se rebelavam contra os nobres, que eram seus
opressores diretos. Os mecanismos atuais de dominação fazem interiorizar
em cada uma das pessoas o negativo da rebelião, equiparando-o a uma ação
delinqüente. Já nada sobra da "resistência à opressão" garantida no artigo
2° da Declaração dos Direitos do Homem de 1789, em plena Revolução
Francesa. Agora que a burguesia se encarava como classe dominante e
opressora, devia proibir o direito a resistir-se a sua opressão.
E as eleições são uma peça desse complexo mecanismo de dominação. Peça que
em nossa país joga um papel fundamental, dada a tradição "cívica" de nosso
país, graças ao fenômeno de adequação e modernização do sistema que foi o
Batllismo em inícios do século XX.


Eleições hoje: ¿o quê implicam?.



Pode haver uma mudança de partido no governo, e quase seguramente este ano
triunfe a FA (Frente Ampla) nas eleições. Isto nos propõe outros
problemas, que estão relacionados com o dito mais acima.
Dizíamos que não vai haver mudanças no poder -se assim fosse se estaria
abrindo um processo revolucionário- senão mudanças nas políticas de
governo. Mas para saber que mudanças pode processar a FA temos que
analisar que margens têm para desenvolver estas mudanças.
Essas margens estão delimitadas pela vinculação do Uruguai aos EEUU e aos
organismos internacionais de crédito (FMI, BM, BID) que mantêm na
dependência econômica e política a nosso país. A dívida externa que o
Uruguai têm hoje com esses organismos alcança a 113% de seu PBI, e como já
todos sabemos, não está na cabeça de nenhum líder frenteamplista não pagar
a dívida, senão renegociar-la, o mesmo que estão fazendo Lula e Kirchner.
Sem dúvida, esta renegociação não significa não aplicar as políticas
desenhadas por esses bancos, senão só ver como paga cada país. Portanto,
já vemos um continuísmo em matéria de aplicação de políticas desenhadas
desde o estrangeiro.
O caso que mais têm preocupado dentro da esquerda é o da Reforma
Educativa. Apoiada por vários frenteamplistas, recuzada por outros, têm
gerado fortes debates no ultimo congresso da FA e tem sido o tema mais
controvertido do próprio congresso. Vários partidos dentro da FA deixaram
entrever claramente que continuarão aplicando a dita política educativa
questionada pelos sindicatos, estudantes e por seus próprios militantes.
Portanto, o que digam o BID e o BM para a educação seguirá sendo moeda
corrente desde o novo governo.
Algo similar ocorre com o tema Direitos Humanos. Se têm votado cumprir com
a Lei de Caducidade e portanto, não castigar aos assassinos de nosso povo;
todo isso com ares de "não fazer ondas".
A política econômica que propõe a FA -o país produtivo- não têm margens
reais para desenvoolver-se hoje. É uma transposição quase mecânica do
projeto desenvolvimentista dos anos '50 e '60. Este projeto hoje vêm sendo
adequado a realidade do Mercosul, aonde se propõe o desenvolvimento
produtivo regional, o qual pode dar-se em alguns setores econômicos, mas
põe o nosso país em uma situação de maior dependência com respeito a
Brasil e Argentina. Há um discurso de opor o Mercosul a ALCA, quando é
mais que evidente que são estratégias complementares. Nem Lula nem
Kirchner dizem não rotundamente ao ALCA, só buscam como negociar melhor
sua posição, e talvez a do Mercosul. Isto significa igualmente, aumentar a
dependência.
Todo este desenvolvimento por parte da esquerda de uma política
adaptacionista aos novos marcos impostos pelo sistema somente servem ao
próprio sistema capitalista. O sistema tem a possibilidade de mudar agora
alguns discursos já gastos, o mesmo que alguns políticos, para renovar-se,
mas não se questiona em nenhum ponto as bases do próprio sistema. Se
negocia com os organismos de crédito da dívida externa, com EEUU o ALCA,
com as multinacionais para que venham investir levando-se todas nossas
riquezas e recursos naturais, contaminando e envenenando a nossa população
-tal qual quer fazer ENCE, a planta de celulosa espanhola-, etc.
¿O que é o que muda para o povo? Substancialmente nada. Nem sequer haverá
solução ao problema do desemprego. Parece ser que se seguirão
implementando políticas do tipo das Jornadas Solidárias, e nada mas. Não
se vislumbra tampouco um aumento substantivo do gasto social, ainda parece
ser um dos cavalinhos de batalha de quase todos os setores da FA.
Mas não desconhecemos que a população têm uma profunda expectativa em um
governo da FA. Em alguns setores, há certo descrença de mudanças
medianamente profundas, em outros pelo contrário, se esperam soluções
mágicas. Não vai existir tal magia para solucionar os problemas da gente.


¿Qual é nossa proposta?.



Os anarquistas da FAU acreditamos sim na necessidade de uma mudança real,
de uma mudança desde as organizações populares com uma estratégia de
transformação social. A única forma de acabar com o desemprego, com a
miséria, com a fome, com a desesperança, é fortalecer as organizações
sociais, seja nos bairros, nos sindicatos, nos centros estudantis, etc.,
porque desde ali se constrói a verdadeira alternativa: a alternativa dos
de abaixo frente ao sistema. Fortalecendo as organizações sociais
fortalecemos ao povo, e sem um povo forte, não têm mudanças reais. Porque
o único que põe em jogo ao poder dos de cima é o desenvolvimento do poder
popular.
Se nos dizem que somos sonhadores e traslocados, que o correto hoje é
acomodar-se a situação, nós não nos resignamos a que a única possibilidade
seja negociar com os poderosos.
Desde nosso ponto de vista, é incorreto deixar agora a militância social
pela militância eleitoral. Nada garantirá que o governo da FA aumente
salários e aposentadorias consideravelmente, arrase com o desemprego,
solucione o problema da moradia, da saúde, da educação. Portanto, sem
dúvidas, haverá luta por perto. Os diversos setores populares deverão
continuar mobilizando-se e lutando por suas reivindicações. Não há palácio
nem escritório que solucione a crise social que o capitalismo têm gerado
em nossa sociedade.
¿Quê papel particular joga o movimento sindical? Não cabe dúvidas de que o
sindicalismo segue sendo uma das forças sociais preponderantes em nosso
país. Hoje, frente a toda esta expectativa, a PITCNT julga acompanhar este
"processo de mudança". Mas por mais que não o queiram ver certas correntes
dentro da Convenção, esta política de conciliação de classes não vai durar
muito, e o pior que pode passar é que o próprio PITCNT não estenda uma mão
aos demais setores das classes oprimidas em seus esforços de luta e
organização, cuidando da "estabilidade" do possível governo.
A reunião com o encarregado de assuntos políticos e sociais da Embaixada
yanqui Griffith, confirma o anterior. A política de ocupar salões, a
política de dialogar com qualquer um exclusivamente deixa créditos para os
de cima e o império. Essa política não acumula forças no campo popular,
não só porque divide no seio do povo e gera descontentamento, senão porque
isto nada têm que ver com a acumulação de forças no campo popular. Acumula
muito mais dialogar com um desempregado, com um trabalhador que quer
sindicalizar-se, que quer organizar um sindicato, com os estudantes, com
os vizinhos, que almoçar com os representantes das classes inimigas.
Não é este a prática que devem desenvolver os sindicatos e as organizações
sociais. As mesmas devem estar a frente da luta pelos direitos
fundamentais do povo; por isso nossa proposta acentua o protagonismo
popular, no desenvolvimento das forças próprias em cada lugar de trabalho,
em cada centro de estudo, em cada bairro. Porque a mudança se gesta desde
aqui. O demais, é um simples adorno da ditadura dos de cima.
http://www.nodo50.org/fau/home.htm

Trad: Florazul







*******
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
******
INFO: http://ainfos.ca/org http://ainfos.ca/org/faq.html
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
ASSINATURA: envie correio para lists@ainfos.ca com a frase no corpo
da mensagem "subscribe (ou unsubscribe) nome da lista seu@enderço".

Indicação completa de listas em:http://www.ainfos.ca/options.html


A-Infos Information Center