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(pt) A BATALHA Nº204: «O caso da multinacional Bombardier»

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Date Sun, 30 May 2004 19:25:23 +0200 (CEST)


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A situação que está a ser vivida pelos trabalhadores portugueses da
Bombardier (ex-Sorefame) tem sido relatada dum ponto de vista
essencialmente nacional, sem grandes explicações sobre a situação e
comportamentos daquela empresa a nível internacional. Julgamos assim útil
traduzir da revista “Organize”, n° 61, o artigo que se segue, não só pelas
semelhanças com o que está a ocorrer na Irlanda do Norte, como pelas
informações que fornece sobre a situação financeira e as reais motivações
daquela multinacional.
«A indústria de transportes aéreos norte-americana está a voltar a ter
lucros, de acordo com os últimos dados dos sete maiores transportadores.
Estes dados são boas notícias para os fabricantes de aviões, incluindo a
Aeroespacial Bombardier na Irlanda do Norte, onde 1050 empregados
enfrentam o despedimento».Três dias mais tarde, o mesmo correspondente, escreveu, no mesmo jornal:
« A Bombardier vai vender o seu negócio dos jactos por 212 milhões de
libras a uma subsidiária da General Electric, gigante industrial dos EUA.
Este acto faz parte dum 'plano de acção' da companhia aeroespacial para
voltar a ter lucros depois de registar uma perda de 280 milhões de libras
no último ano.»Deste modo a indústria de transportes aéreos nos EUA 'regressa aos lucros'
e isto é referido como sendo 'boas notícias' para os trabalhadores da
Bombardier no Norte. Mas, com vista a 'regressar aos lucros', a Bombardier
está preparada para atirar 1050 trabalhadores para o ferro velho. Sim,
excelentes notícias! Estas perdas podem somar-se aos 2000 empregos (ou 6%
da força de trabalho na divisão aeroespacial) perdidos em Setembro de 2002
e a mais 1200 perdidos em Março deste ano.Ora nada disto, evidentemente, por culpa da Bombardier. Esta está, como
todas as outras, meramente a sofrer o mesmo declínio da indústria
aeronáutica mundial causado, segundo os doutos dos media, pelo 11 de
Setembro, o surto de SARS e a guerra no Iraque. Bem, vamos analisar cada
uma destas por sua vez.Primeiro que tudo, o 11 de Setembro. Isto foi o 11 de Setembro de 2001,
caros leitores. Agora, se se derem ao trabalho de olhar para o site da
Bombardier na Internet, descobrirão isto: As suas (Aeroespacial
Bombardier) receitas para o ano fiscal que terminou em 31 de Janeiro de
2002 atingiram 21,6 biliões de dólares canadianos. Deste modo, apenas 4
meses após o 11 de Setembro, as margens de lucro da Bombardier estão, como
habitualmente, a furar o tecto.E quanto a SARS? Bem, se a memória nos não falha, o surto SARS afectou
pessoas, portanto consumidores, em dois grandes centros urbanos, Toronto e
Hong Kong. Se os negócios da Bombardier estivessem focados nos voos
comerciais entre a América do Norte e o Sudeste Asiático, compreenderia
que os lucros tivessem sido afectados. Mas a Bombardier, segundo o seu
site na net, é: uma companhia de fábricas e serviços diversificados, e um
fabricante proeminente de aviões a jacto comerciais, aviões para linhas
regionais, equipamento de caminhos de ferro e produtos de recreio
motorizado. A Bombardier Inc. também presta serviços financeiros e tem
participações em áreas afins das suas competências nucleares. Com sede em
Montréal, a Companhia tem cerca de 80.000empregados em 24 países das Américas, Europa e Ásia-Pacífico.
Em breves palavras a Bombardier Inc. está preparada para qualquer
eventualidade nas oscilações do capitalismo global. Uma pequena flutuação
temporária nos lucros em dois países não lhe provoca perdas económicas
significativas.E ainda a guerra no Iraque e a guerra contra o terrorismo. A verdade é que
a Bombardier está a lucrar com contratos para fornecimento de material de
guerra ás forças militares norte-americanas. Recentemente, a Indústria
Aeroespacial da América (que inclui a Bombardier) integrou o Conselho
Canadiano de Chefes Executivos que apoia a participação canadiana nos
programas de mísseis continentais anti-balísticos.A Bombardier fechou também um negócio com o TACOM do exército
norte-americano para construir pontes transportáveis para a próxima vez
que o exército dos EUA necessite de atravessar o Rubicão (1).Acrescente-se a isto o facto de o Bombardier 415 ser o leader mundial na
extinção de incêndios florestais e de montanha (pense-se nos poços de
petróleo em chamas) e compreender-se-á quanto a companhia perdeu nestes
tempos árduos.Mas voltemos aos trabalhadores que enfrentam o despedimento. Em Junho a
Bombardier no norte apelou para "novas práticas laborais" (mais confusões
do nosso amigo do Telegraph) e "restrições salariais" (leia-se: redução ou
não pagamento de salários) para os trabalhadores das suas três fábricas.
Isto, a despeito de, segundo Nell: a procura ter aumentado constantemente
nos últimos três meses e em Julho terem dado lucros a maior parte das
linhas aéreas norte-americanas, segundo os analistas.Assim, no meio destes três meses de lucros a Bombardier decidiu arruinar
as vidas de mais de mil trabalhadores. Isto um mês após ter assegurado um
contrato de mais de 2,2 biliões de dólares com a US Airways para um
conjunto de jactos regionais de 50 e 75 lugares. Assim, uma vez mais,
quatro meses após o 11 de Setembro, a Bombardier declara grande aumento de
lucros e, no entanto, culpa aquele evento pela necessidade de despedir
hoje um milhar de trabalhadores. Quão estúpidos julgam eles que nós somos?Cinco mil e quinhentos trabalhadores da Bombardier recusaram a proposta
dum acordo para quatro anos que resultaria no congelamento de salários no
primeiro ano em troca de garantia de emprego e subsequentes negociações
entre o sindicato Amicus, de operários, cientistas e bancários, foram
rompidas porque a direcção sindical recusou a decisão da Bombardier de
excluir os aprendizes e o pagamento de subsídios de férias.Os anarquistas da Irlanda do Norte acham que os trabalhadores das três
fábricas da Bombardier devem ser apoiados na sua luta contra a entidade
patronal. Julgamos que não há necessidade de QUAISQUER despedimentos uma
vez que a Bombardier NÃO está a sofrer redução de lucros no norte, mas
apenas pretende obter MAIS lucros relocalizando-se noutro sítio. Esperamos
estar a participar numa campanha para despertar as consciências para a
situação destes trabalhadores. Contactem-nos para mais informações.(1) De Meet Canada the Global Arms Dealer, por Stephen James Kerr.





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