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(pt) CRÔNICAS DO DIA 30 DE ABRIL - FAG

From "Federação Anarquista Gaúcha" <fag.poa@terra.com.br>
Date Fri, 7 May 2004 17:44:31 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Por Federação Anarquista Gaúcha
30 de abril começou chuvoso, arredio, emitia sinais de que não estava
muito receptivo aos planos que pusemos em ação neste lugar do calendário.
Nada mais enganoso. A vontade militante de tantos companheiros foi capaz
de mobilizar suas forças sem se acovardar as intempéries do clima. O
desfecho do dia foi de lavar a alma, cada um narrava suas histórias,
contava casos revezando o racional e o emotivo. O sentimento de realização
se derramou sobre todos e foi estampa simbólica da confraternização
libertária que invadiu a noite.
9 horas da manhã, os primeiros começam a chegar em Cachoeirinha, cidade
vizinha de Porto Alegre que integra a nossa região metropolitana. O
calçadão foi escolhido para a concentração das forças que se agrupam em
torno da coordenação de mov. sociais da área. Lá pelas 10 horas já eramos
cerca de 500 manifestantes. O sindicato dos municipários local, o
movimento dos catadores, dos desempregados, os comitês de resistência
popular, sindicalistas do ramo metalúrgico, a união dos estudantes da rede
de escolas públicas, todos respondem “presente”.
As bandeiras e aparatos simbólicos de partidos não foram permitidos.
Indiretamente se recomendava que os militantes políticos tomassem
participação nos mov. de base como iguais, sem colonialismo ideológico. Os
votos da coordenação era para que a expressão pública do ato fosse de
responsabilidade inteira das orgs. sindicais e populares, com
independência de governos, partidos e patrões. A convocatória deu sua
sentença para a conjuntura: “Lula governa com as receitas da direita, se
embrenha na burocracia, troca gentilezas com o imperialismo e faz o que
mandam os agiotas da dívida pública. Rigotto só destila veneno daquele
corazão que representava tolerância e união. Os professores foram
apresentados esses dias a fúria da sua polícia”.
Os trabalhadores municipários chamam paralização dos serviços e conseguem
adesão de 80% da categoria nesse dia. A marcha arranca do calçadão de
Cachoeirinha e logo corta uma mão da avenida Flores da Cunha, a principal
via de Cachoeirinha que liga a cidade a Gravataí. A chuva castiga e o
guarda-chuva é recurso de poucos. A polícia tenta reagir mas nossa linha
de autodefesa consegue se impor na rua.
O primeiro endereço onde disparamos a pauta de reivindicações é o banco do
Brasil, para exigir créditos subsidiados para os projetos comunitários e
produtivos de catadores e desempregados da periferia urbana. Em segundo
tempo os mov. populares retrucam com a agência do Sine, tiram a limpo as
mentiras do seu diretor, sabotador cretino das frentes de trabalho dos
catadores da vila da Paz, recrutador de base eleitoral para sua
candidatura a vereador. A pauta com o Sine também reclamou o cumprimento
dos acordos com o gov. estadual para novas frentes de trabalho.
Por último foi guardado lugar para o prefeito Stédile (irmão bastardo do
João Pedro do MST) e a administração petista da cidade. O conflito com os
municipários se arrasta desde o princípio do ano sem solução satisfatória,
querem redução da jornada laboral enquanto o governo municipal faz a
ladainha da responsabilidade fiscal e abusa de artifícios populistas sem
sucesso. Os discursos marcaram a linha classista e combativa que
homenageva o 1° de maio e seu mártires, a luta popular não perdoa quem
passa para as filas da burocracia e a gestão da política burguesa.
Ensopado de água da chuva e encharcado de dignidade o ato foi encerrado
depois de bloquear todas as vias de acesso a prefeitura por volta da 1
hora da tarde. Os municipários permaneceram em vigília.
Pela noite, às 8 h e 30 minutos abriu-se o ato da FAG pelo 1° de Maio. As
semanas prévias foram de trabalho incansável dos núcleos e o coletivo de
propaganda da Organização. Uma síntese da conjuntura perpassada pela
crítica libertária foi armada, imprimida em nossa oficina gráfica e
distribuída pela militância entre companheiros de mov. popular, distintos
eventos sociais e espaços públicos por onde temos gravitação.
Uma equipe se encarregou de produzir os cartazes que foram colados pela
região metropolitana, em caxias do Sul, Rio Grande e Alegrete para
convocar o ato. O sono foi enfrentado por várias noites para que o dia
amanhecesse com a convocatória na parede, em cartazes ou grafites chamando
a atenção dos transeuntes. “Ato Anarquista pelo 1° de Maio. Braço
estendido aos companheiros da luta, Punho fechado aos inimigos da classe”
disse a mensagem.
Horas antes do Ato recebemos “trotes” de costume da Brigada Militar, o
soldado Ramos estava interessado em saber o que aconteceria, quantas
pessoas estavam previstas, que programação tínhamos para este dia, etc..
O local encheu de militantes, simpatizantes, curiosos e colaboradores, de
procedências diversas, mas todos referenciados pelo campo de esquerda com
interesse por expressões opostas ao burocratismo e a social-democracia.
Para opinar pela FAG, destacamos 3 companheiros/as como oradores, uma para
fazer o exame crítico das frentes sociais que participamos, e os outros
dois para revezar uma análise de conjuntura com vistas as condições e
possibilidades da prática política anarquista.
“Neste Ato queremos reafirmar que não esquecemos e nem perdoamos a ficha
criminal da classe burguesa e essa postura de honra levamos conosco aonde
quer que seja. Traduzimos no confronto ideológico diário contra a história
extraviada e mal contada pela língua do poder”, dissemos. Temas como os
movimentos sociais do campo, a organização dos pobres da cidade, a invasão
do Iraque, o muro de Israel, as novas gestas bolivianas, a agenda
neoliberal no governo Lula e Rigotto foram discutidos. “Uma estratégia
revolucionária nasce da compreensão da etapa de luta que vivemos. Nasce do
rompimento com as formas burguesas de fazer política, seja na versão
eleitoreira, seja na aliança com setores da classe dominante nacional” foi
o raciocínio para explicar nossas perspectivas.
Canções populares banhadas no nativismo mais rebelde foram oferecidas ao
público por companheiros que tem feito grandes evoluções nesta área da
cultura popular e de classe.
A programação foi completada por uma confraternização libertária, movida a
prosa e canto. Não foi muito longe. O 1° de Maio já começava.
Porto Alegre, 03 de maio de 2004


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