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(ca) LA HANSA, colectivo autogestionado, sobre o município de Barcelona e a desocupação de centros sociais

From a-infos-ca@ainfos.ca
Date Mon, 29 Mar 2004 22:21:15 +0200 (CEST)


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AGENCIA DE NOTICIAS A-INFOS
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http://ainfos.ca/index24.html
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[de pt.indymedia.org]
“o reflexo de aniquilação inscreve-se na lógica de morte de uma sociedade
mercantil cuja necessidade lucrativa consome o vivo dos seres e das
coisas, o degrada, o contamina, o mata”. R.Vanegheim.
Pensando em como elaborar este dossier e para entender o que pretendem
representar as ocupações, considerámos indispensável analizar e fazer
algumas reflexões sobre esta sociedade de um contexto mais global ao
local. Não é preciso ser muito espert@ nem um/a grande intelectual para
ver o carácter autoritário e de controle absoluto da população que as
democracias ocidentais estão a impor mediante os seus modelos económicos,
políticos e sociais. No contexto da União Europeia, tratados como o de
Maastricht y Schengen aperfeiçoam os mecanismos do poder para nos terem
presos a formas e modelos de vida que reduzem drásticamente a nossa
potencialidade para decidir autónomamente como queremos viver e
relacionar-nos. Pretendem fazer-nos crer que vivemos na mais justa e livre
sociedade possível, enquanto é cada vez mais difícil sobreviver e
liberdades que parecíam referências básicas se veem gradualmente cortadas
e questionadas. A mensagem que transmitem contínuamente é bem clara: ou
vivemos, obedecemos e participamos do sistema tal como está planificado,
ou ver-nos-hemos submetidos à marginalização, à criminalização e à
perseguição.
Seguimos vivendo num contexto em que o dinheiro e as mercandorias são mais
importantes e livres que as pessoas. Actualmente, o neoliberalismo mais
selvajem está a radicalizar esta realidade, não só acontece o beneficio
económico estar por cima do interesse social e colectivo, como o social
perde todo o protagonismo se não gera por sua vez um beneficio económico,
se não se torna de todo produtivo. Reflexo disso é a aplicação progressiva
nas últimas décadas de políticas e reformas económicas que, por un lado,
beneficiam descaradamente os grupos sociais máis favorecidos em detrimento
do resto da população (flexibilização do mercado laboral, precarização do
trabalho, instauração das ETT's ) e, por outro, reduzem drásticamente o
gasto em matéria social do estado, tanto no que diz respeito aos
subsídios, prestações e pensões como pela tendência à privatização da
maioria dos serviços públicos ( educação, saúde, sanidade, transportes,
correios, telefones, etc...).
O pôr em marcha destas políticas está a levar à precarização da vida de
amplas camadas da população, aumentando inevitávelmente o número daqueles
que se veem lançados na marginalidade e na exclusão social. Perante esta
conjunctura, as opcões que se nos põe são simples: trabalhar para poder
seguir consumindo, delegar a intervenção nas nossas vidas num voto cada 4
anos e consentir acríticamente nas imposições de governantes, como se a
coisa não fosse connosco. Para quém fique excluíd@ deste esquema, ou
desista conscientemente e tente construir alternativas, espera-@ viver
debaixo da estigmatização e do controle contínuo das instituições e sob o
peso da repressão e da criminalização. É neste ponto que o Estado está a
mostrar a sua faceta mais autoritária, para prevenir os possíveis focos de
conflito que a aplicação destas medidas pode gerar. Reduzem as suas
consequências a um problema de inadaptação, de delinquência ou de
terrorismo, justificando deste modo o endurecimento da legislação penal, o
incremento de recursos repressivos, o controle social e até normalizando
actuações dignas de um estado de emergência tais como a Audiencia
Nacional, a Lei Antiterrorista, a ilegalização de opções políticas, o
encerramento de jornais diarios e revistas contrários aos seus interesses.
Outros exemplos da resposta totalitária da democracia de mercado aos
conflictos que ela mesma gera no estado espanhol em concreto são a nova
reforma do Código Penal, o Plano de Policía 2000, a Lei da
Vídeovigilância, a Lei de Estrangeiros, a Lei Penal de Menores, o
incremento generalizado de efectivos dos diferentes ramos policiais e de
segurança privada, ou a construção de mais prisões e centros fechados para
menores.
Porém, o que é mais indigesto nesta situação é a facilidade com que o
poder está a conseguir impor os seus interesses mimetizando-os de forma
brilhante com os do resto da população. É neste ponto que os mal amados
meios de comunicação de massas jogam um papel crucial em clara
cumplicidade com a classe política e a élite económica. Estes monstros da
comunicação respondem na sua mensagem e funcionamento à lógica do poder
pela simple razão de que são propriedade do poder. Em essência actuam
deformando a opinião, construindo imaginários em harmonia com o sistema
estabelecido e perpetuando pautas de comportamento e vida que permitam que
as coisas sigam tal e qual como estão. Assim, é comprensível que se
dediquem a silenciar, simplificar ou criminalizar toda aquela realidade
que questione os efeitos nefastos que este modêlo socio-económico provoca.
Ao mesmo tempo, habituam-nos a um modelo de vida cada vez mais competitivo
e centrado no trabalho e no consumo, que são o eixo em torno do qual giram
todas as nossas preocupações. A aliança natural entre meios de comunicação
e elites político-económicas forçou a institucionalização do terrorismo
local e global como principal problema das nossas vidas ante a opinião
pública; da delinquência como sinónimo de pobreza, marginalidade e
emigração; de antidemocrática e filoterrorista, a acção política fora dos
canais institucionais.
Por outro lado, a implantação deste esquema não sería possível sem a
cumplicidade e o consenso com as doutrinas do poder que está a demonstrar
ter a sociedade em que vivemos. No estado espanhol passou-se, em apenas 30
anos de diferença, dum contexto de generalização de processos
autoorganizativos nos bairros, nas fábricas e nas ruas, baseados nas
potencialidades das lutas de base, a una situação de desestructuração
quase total no que se refere ao sentido colectivo e comunitário das nossas
vidas. A transição e a imposição de uma democracia continuista com o
anterior regime franquista conseguiu desactivar e absorver boa parte das
inquietações políticas e vitais então presentes.
Mesmo assim, a perigosa perda de memória histórica num tempo recorde que
se deu no estado espanhol permitiu que os filhos e filhas dos grandes do
franquismo tenham recuperado o poder político ( o económico sempre o
mantiveram) impondo novamente as doutrinas nacional-catolicistas que este
território teve que suportar durante 40 anos de ditadura. Pouco a pouco,
nestas décadas, a estabilização dum bem estar material, ou a ilusão de
chegar a tê-lo, foi tornando progressivamente mais conservadora a
sociedade nos seus estabelecimentos, no seu estilo de vida e na sua forma
de relacionar-se. Frente a um mundo que muda rápidamente, a manutenção
particular do estatuto social e económico tornou-se uma obsessão frente a
qualquer necessidade comunitária. É como se as necessidades colectivas
tivéssem desaparecido, uma vez conquistados uns certos níveis de bem estar
e comodidades. Parece então que os problemas que possam existir à nossa
volta não nos afectam directamente. Estamos a perder toda a capacidade
para decidir por nós mesm@s como comunidade e para solucionar os
conflictos que se geran em redor.
A partir deste modelo político, foi-nos repetido até à saciedade que
actualmente já há especialistas para tratar e intervir em qualquer dos
aspectos que conformam a sociedade, até ao ponto de nos terem sido
sequestradas prácticamente todas as ferramentas que, como grupos humanos,
temos para intervir naquilo que nos afecta ou é responsabilidade de tod@s.
Desta forma, podemos mostrar-nos indiferentes ou resignados perante las
maiss cruas consequências de viver nuna sociedade baseada nas
desigualdades ou, pior ainda, limitarmo-nos a alarmar-nos pela falta de
controle sobre as mesmas, sem nos questionar-mos sobre o que as provoca (
claros exemplos são as exigências generalizadas de aumento de efectivos
policiais ou de endurecer o controle sobre a imigração).
Este contexto geral, aplicável con matizes a qualquer cidade ocidental na
actualidade, toma un carácter particularmente perverso en Barcelona.
Governada desde há décadas pela deriva que tomaram os partidos de esquerda
nas últimas décadas, neste caso PSC, Esquerra Republicana e
Iniciativa-Verds, o aparato de propaganda do "Ayuntamiento" vendeu com
êxito a imagem duma cidade aberta, tolerante, progressista, multicultural,
cívica e sustentável, a Barcelona capital mundial da paz e da
solidariedade, a do Fórum 2004 das culturas com umas instituições
sensíveis aos seus habitantes e às necessidades d@s mesm@s. Esta mensagem
viu-se muitas vezes legitimada por organizações e entidades que, atadas
pelos nós das subvenções, defendem que a solidariedade só é para aplicar
ao “Terceiro Mundo” ou que as guerras só ocorrem longe daqui e que fecham
olhos e ouvidos perante os abusos e desigualdades que acontecem nos nossos
bairros e ante as instituições que os permitem e fomentam. De forma muito
inteligente, ao mesmo tempo o "Ayuntamiento" e entidades afins tentam
mandar para a frente iniciativas para absorver movimentos sociais
emergentes e, uma vez debaixo do seu controle, desactiva-los no que possam
ter de contestatários a respeito dos seus interesses. Os Conselhos da
Juventude, da Mulher ou da Concelhia de direitos civis, são bons exemplos
destes canais institucionais que se demarcam dentro da farsa da democracia
participativa.
Mas Barcelona, mais além das campanhas institucionais, está a anos luz
desta realidade bucólica. Vivemos na Barcelona cidade-montra, a da
precarização e mercantilização de todos os âmbitos das nossas vidas, onde
tudo há- de ter un preço, onde se não tens dinheiro deixas de existir,
onde a delinquência é eufemismo de pobreza. A Barcelona d@s que temos que
sofrer, diáriamente, o exercício autoritário de poder deste "Ayuntamiento"
tão progressista. Um "Ayuntamiento" que, enquanto fala de
sustentabilidade, segue projectando planos e obras espampanantes,
escamoteando carências agudas que afectam os bairros e a vida das pessoas
que vivem neles; que é capaz de organizar um monstro como o Fórum 2004
para mascarar de cultura, paz e diálogo a maior operação especulativa que
viveu a cidade desde os Jogos Olímpicos de 92 , indo buscar o apoio
descarado de algumas das multinacionais mais devastadoras do planeta (
Repsol, Telefónica, Indra, Endesa...) para demonstrar-nos que o
capitalismo também tem a sua cara humana e sensível.
De todos os modos, o Fórum á apenas uma ponta do iceberg da atitude
hipócrita do "Ayuntamiento". Dia a dia está a transformar a fisionomia, o
ritmo e o tecido social dos bairros da cidade sem escutar em nenhum
momento a opinião e as necessidades da gente que os habita, mediante a
aplicação de PERIs ( Planos Especiais de Reforma Interior, derivados do
Plano Geral Metropolitano de 1976) e expropiações obrigadas, impostas pela
força física se necessário for, como no caso do Forat de la Vergonya (
Hoyo de la Vergüenza, expropiação forçada aos vizinhos do bairro de La
Ribera- Ciutat Vella- para construir pisos de luxo e um "parking" con
fundos medio-hambientais da União Europeia). O "Ayuntamiento" está a
acabar com o tecido de muitos bairros da cidade, provocando a migração
forçada de quem não se possa permitir sobreviver neles. É arrepiante o
caso concreto do Raval e da Ciutat Vella em geral: em 10 anos conseguiram
converter um dos bairros mais populares nuna zona para o turismo e para as
tendências mais modernas da sociedade do espectáculo.
No fundo da questão está a planificação duma cidade onde prima a
iniciativa e o beneficio económico de grandes empresas; onde
constructores, imobiliárias e outras mafias especulativas possam lucrar
sem escrúpulos, ainda que seja ao preço de converter a habitação numa
mercadoria de luxo e fazê-la inexequível.
A proliferação de grandes superficies comerciais e de ócio e locais onde
consumir produtos de élite faz de Barcelona o sítio perfeito para o
turismo, ainda que esteja sustentado por contractos laborais de ordenados
miseráveis que nos fariam rir se não fosse pela dureza que é ter que
subsistir quando tudo sobe de preço, salvo a nossa força de trabalho.
Por outro lado, o carácter progressista dos 3 sócios do governo municipal
ofusca-se perante qualquer iniciativa que escape ao controle institucional
e mostra o seu lado mais prepotente, despótico e autoritário. O "
Ayuntamiento" não vacilou em desalojar ocupações de edificios da sua
propiedade, vazios durante anos, dispersar campanhas reivindicativas de
imigrantes ou iniciativas contra a guerra fora do âmbito de grandes
plataformas e partidos políticos; não duvidou sobre levar a tribunal e
pedir o encarceramento das pessoas detidas a 12 de Outubro de 1999 durante
uma manifestação de repúdio pela convocatória fascista que a Delegação do
Governo autoriza e o "consistorio" permite.
Pois bem, perante esta outra cara da Barcelona democrática foram-se
articulando diferentes movimentos sociais não institucionalizados que
foram ganhando a rua pouco a pouco com uma actividade pública e de
denúncia que rompeu o silêncio em torno das realidades que nos afectam a
tod@s; que tentam criar alternativas a uma sociedade baseada no
individualismo, na competitividade e na lei do mais poderoso. Trata-se de
grupos e colectivos feministas, anticapitalistas, de solidaredade con @s
pres@s, antifascistas, de contrainformação, de libertação sexual... Grupos
auto-organizados e assembleários com um discurso de crítica radical à
democracia de mercado.
Dentro do crescimento deste espaço antagonista, a ocupação representa uma
ferramenta de acção directa que arranca das garras da especulação
necessidades básicas como a casa e pontos de encontro, reunião,
intercâmbio, criação... sem a presença vigilante e censora das
instituições. Além disso, recupera experiências colectivas onde, @s que
nelas participamos, somos protagonistas e responsáveis pelas nossas
próprias decisões; experiências com que criar outras formas de
relacionarmo-nos, que não reproduzam os esquemas autoritários, machistas e
discriminatórios nos quais fomos educad@s.
Neste momento, boa parte dos centros sociais okupados de Barcelona e
povoações próximas estão sob ameaça directa de despejo. Ou então viram
reactivados os processos judiciais para desaloja-los. As Naus, o 'Ateneu
de Korneyà e o Ateneu de Viladecans estão em perigo iminente de despejo; a
Casa de la Muntanya está pendente do que diga a juíza ; Can Masdeu ,o Pati
Blau ou a 'Hamsa tiveram julgamentos no mês de Novembro. São boa parte dos
espaços colectivos a partir dos quais construimos os nossos discursos e
prácticas; a partir dos quais autogestionamos os nossos projectos e lutas;
a partir de onde difundimos o nosso trabalho quotidiano.
A okupação não é um fim em si mesmo, mas devemos ser conscientes de que a
desaparição dos centros sociais pode oferecer um forte obstáculo ao nosso
crescimento colectivo. Perdemos espaços de referência onde nos
encontrar-mos, para debater, trocar e autogerir as nossas inquietações.
Que lhes seja mais ou menos difícil é uma coisa que só depende de nós e da
nossa capacidade de nos articulamos.
retirado de :
http://www.quesevayantodos.net/lahamsa1.htm
(dossier sobre okupas e la hansa)




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