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(pt) [do site Colectivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos] Fábio Luz– Dados Biográficos

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Fri, 19 Mar 2004 20:54:36 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Fábio Lopes dos Santos Luz (1864-1938) nasceu em Valença, no sul da Bahia,
onde passou a infância e a adolescência. Entre 1883 e 1888 estudou
Medicina em Salvador. Neste período, já se encontrava envolvido com a
propaganda abolicionista e republicana. Identificava então na ordem
imperial o fator básico da manutenção e ampliação das injustiças sociais,
da miséria e da opressão política sofridas pelas classes populares,
realidade que já o sensibilizara nos seus primeiros anos em Valença.
Formando-se, veio ganhar a vida no Rio de Janeiro, tendo iniciado sua
atividade profissional na Hospedaria de Imigrantes em Pinheiros. Além de
praticar a medicina, conseguiu um emprego de inspetor escolar. Mais tarde,
com clínica instalada no bairro do Méier, obteve a admiração e o respeito
da comunidade local pelo desvelo com que tratava os doentes, inclusive
aqueles sem recursos, principalmente nas epidemias que na época assolavam
a então Capital Federal.
Fábio Luz alinhou-se no anarquismo compondo a corrente do chamado
anarquisrmo libertário, tendência cujos princípios fundamentais são
encontrados no pensamento de Kropotkin, Elisée Reclus e Malatesta,
princípios estes aos quais certamente adequavam-se suas aptidões pessoais
e a particularidade de sua posição social. Pois sendo um intelectual de
classe média (um “burguês”, como se definia), e considerado nos meios
intelectuais da elite carioca, o médico baiano não se furtava a militar no
anarquismo e a sonhar com a revolução social, bem em conformidade com
aquelas concepções do comunismo libertário que não vêem necessariamente a
revolução social anticapitalista e antiestatal como obra a ser realizada
apenas por indivíduos das classes diretamente oprimidas, mas por todos
aqueles que se sensibilizam e tomam posição contra o Estado e o capital.
Guiado por essa perspectiva, Fábio Luz apoiava e participava das
iniciativas dos trabalhadores anarquistas, proferindo conferências e
palestras, escrevendo na imprensa operária, como em “A Plebe”, “A Vida”,
“Voz da União”, “Spartacus” etc. Um projeto de grande monta a que se
dedicou, na área da educação, foi a instalação da “Universidade Popular”,
voltada basicamente para a formação científica e política do proletariado.
Embora tenha durado poucos meses, foi uma iniciativa que agregou nomes
respeitados da intelectualidade carioca, como Elisio de Carvalho,
Felisbelo Freire, Rocha Pombo, Evaristo de Morais, Pedro Couto, José
Veríssimo e outros. Ao longo de décadas de atividade solidária e dedicada
à anarquia, Fábio Luz conquistou assim o reconhecimento dos companheiros
de militância.
Por outra parte, sempre fiel à idéia anarco-comunista de que a formação de
uma mentalidade anárquica na sociedade é requisito indispensável para a
eclosão e o sucesso de uma autêntica revolução social, transformava a
literatura em outro campo de educação política, discussão social e
propaganda anarquista. Para isso, a par de sua colaboração na imprensa
ácrata, desenvolveu uma fértil atividade literária, ao escrever romances e
novelas de temática social e de orientação anárquica. Foi assim um dos
pioneiros do romance social no Brasil. Entre seus textos literários mais
destacados mencionamos “Ideólogo” e “Os Emancipados”, romances; e “Nunca”
e “Manuscrito de Helena”, novelas.
Após o marco histórico da Revolução Russa de 1917, Fábio Luz exerce um
papel saliente, ao lado de outros militantes, particularmente José
Oiticica, no combate político às pretensões dos bolchevistas, os quais
disputavam aos anarquistas a hegemonia dentro do movimento operário de
então. Formando com José Oiticica e outros o grupo “Os Emancipados”, Fábio
Luz participou da fundação de dois periódicos: “A Luta Social” e
“Revolução Social”. Ambas as publicações apareceram como um espaço de
guerra textual aos bolchevistas. junto com o grupo “Os Emancipados”.
Até 1938, quando faleceu, Fábio Luz manteve-se apegado aos seus ideais
anarquistas, conforme demonstrava sempre, como quando tomou posse de uma
cadeira na Academia Carioca de Letras, indiferente à aprovação ou não dos
demais. Nos meios em que conviveu e circulou, aproveitava todas as
oportunidades para fazer a propaganda do anarquismo.



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