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(pt) A Bandeira Negra de Nestor Makhno

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Date Thu, 29 Jul 2004 21:42:41 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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[de Riquelme sobre Nestor Makhno e a Makhnovitchina.]
Tal como os agitados dias da Guerra Civil Espanhola, na Catalunha, apesar
de toda a violência e as dificuldades ocasionadas pela Guerra, os ares
libertários mostravam ser mais do que simples utopias, na agitada Ucrânia,
dos anos da Revolução Bolchevique, as comunas rurais, organizadas pelo
movimento anarquista do camponês Nestor Makhno, debaixo do grito "Terra e
Liberdade", davam passo a formas, até esse momento, inéditas de
organização social.Como destaca, Daniel Guérin em sua obra "O Anarquismo": "A organização
autonôma das massas camponesas que constituiu-se por sua livre iniciativa
imediatamente depois do movimento de outubro, abarcava uma região povoada
por sete milhões de habitantes, que habitavam uma área de 280 por 250
quilometros. A extremidade sul desta zona, chegava ao mar de Azov,
incluindo o porto de Brediansk. Seu centro era Gualiai-Polié, povo que
tinha entre vinte e trinta mil habitantes. Esta região era
tradicionalmente rebelde. Em 1905, foi palco de violentos distúrbios." Com
a "tomada" definitiva de Gualiai-Polié, em meados de setembro de 1918, por
parte dos guerrilheiros makhnovistas, começaram a aplicar-se os princípios
do comunismo libertários e os camponeses se organizaram em comunas livres
- cujas unidades de produção estavam federadas em distritos que, por sua
vez, se federavam em regiões - e onde cada um trabalhava segundo suas
capacidades e suas forças; no demais, quem eram eleitos para cumprir
tarefas administrativas, uma vez terminadas suas gestões, voltavam a seus
trabalhos habituais.Desse modo, em todo este vasto território, a sociedade rural se organizou
segundo os princípios da autogestão libertária. Este movimento foi
conhecido por uma derivação do nome de seu principal gestor: a
makhnovitchina, sem que por isso caia em práticas do tipo autoritárias.Tanto foi assim, que cada vez que os guerrilheros makhnovistas entravam em
alguma aldeia ou região, colocavam cartazes com os seguinte dizeres: "A
liberdade dos camponeses e dos operários lhes pertencem e não podem nem
devem sofrer restrição alguma. Corresponde aos próprios camponeses e
operários atuar, organizar-se, entender-se em todos os domínios da vida,
seguindo suas idéias e desejos(..). Os makhnovistas somente podem
ajuda-lós dando conselhos ou opiniões(...). Porém, não podem nem querem,
em nenhum caso, governa-lós." (em Nestor Makhno, o cossaco da anarquia,
Alexander Skirda).Lamentavelmente, e por razões parecidas ao fim do movimento anarquista
conduzido por Buenaventura Durruti na Catalunha nos anos 30 em plena
Guerra Civil, o movimento makhnovista teve que travar constantemente uma
guerra de guerrilhas implacável, atacado tanto pelo Exército Vermelho dos
bolcheviques, como pelo Exército Branco dos tzaristas de Denikin e
Wrangel, o que lhe impediu levar a um bom fim seus projetos de organização
social.Nascido em 27 de outubro de 1889, Nestor Makhno foi o quinto filho de uma
família de camponeses pobres originários de Gualiai-Polié, e realizou
todos os trabalhos próprios de sua condição, interrompendo sua educação
escolar - parada somente no inverno - aos doze anos. Com a revolução de
1905, aderiu as idéias libertárias e participou em diferentes ações contra
a reforma de Stolipin, tais como incêndios de propriedades senhoriais e de
camponeses ricos, e na morte de um comissário de polícia foi preso, em
1908, e condenado a pena capital, condenação que lhe foi trocada por
trabalhos forçados pela perpetualidade, em ocasião de sua idade.Na prisão, como tem sido o caso de muitos revolucionários ao longo da
história, Makhno não somente completou sua formação libertária, graças a
um velho anarquista, Piotr Archinov (autor, posteriormente, de um livro
imprescindivel: "O movimento makhnovista"), mas também aprendeu a
gramática russa, história e economia política. Pronto se destacou pela sua
irredutível e forte rebeldia, que se expressava através de incendiários e
quase cotidianos panfletos, o que no demais o conduziu a passar a maior
parte de sua estadia na prisão central de Moscou encarcerado ou sem
comunicação.Apenas libertado em conseqüência da revolução de fevereiro de 1917, Makhno
regressou a Ucrânia, sua terra natal, para organizar a União dos
Camponeses de Gualiai-Polié segundo os preceitos do comunismo libertário.
Incorporados ao Soviet de camponeses e operários da aldeia, Makhno é
eleito o presidente deste, e no final de agosto de 1917, o Soviet procede
ao "desarmamento de toda a burguesia e a abolição de seus direitos sobre
os bens do povo", exemplo seguido rapidamente pelos diversos Soviets
ucranianos.Logo após a revolução de outubro, o lema bolchevique: "A terra para os
camponeses, as fábricas para os operários", produziu grandes ilusões nos
meios anarquistas, porém essas ilusões vieram rapidamente por terra ao
revelar o verdadeiro caráter do partido bolchevique e de sua revolução "de
cima para baixo" - ou através da Ditadura do Proletariado. Essa impostura
é denunciada também por Makhno, que se transforma em "um inimigo que se
têm de eliminar" e é apresentado pelos bolcheviques como um simples e
vulgar bandido, fanático e cruel. O que não lhe impede aliar-se em duas
oportunidades ao movimento makhnovista para lutar contra Deniken e
Wrangel, e uma vez estabelecida a vitória sobre os exércitos brancos,
elimina-lo, perseguindo inclusive além de sua morte no exílio em Paris
(pela tuberculose adquirida nas prisões tzarista), em 27 de julho de 1934,
ao tratar de minimizar sua importância histórica dentro do movimento
social e revolucionário.Como destacaa nessas palavras, Pierre Berland, correspondente de Le Temps
- ancestral de Le Monde - em seu artigo necrológico: "Os periódicos
soviéticos não encontraram um espaço para consagrar ao líder anarquista um
artigo necrológico, nem sequer uma linha ao pé de suas sessenta páginas
para anunciar sua morte... Sem embargo, é uma figura bem especial este
Nestor Makhno e nenhuma conspiração de silêncio poderá fazer esquecer o
papel importante que o popular "Batko" teve durante a revolução russa, em
particular na luta contra Denikine. Seu programa político ? Anarquista,
querendo outorgar aos camponeses a terra, aos operários as fábricas, com
toda propriedade e lhes aconselhou organizar-se em federações de comunas
livres. Viu seus inimigos nos generais brancos que queriam o retorno dos
grandes proprietários rurais(...). Se aliou várias vezes com os
bolcheviques, que considerava por um momento um mal menor(...)."Os atos de pilhagem, de terror ou de antisemitismo eram severamente
castigados por Makhno e seus companheiros(...) e tratou de realizar
algumas de suas "utopias": a supressão de prisões, a organização da vida
comunal, as "comunas livres", os "sovietes operários" do qual não exlcuía
nenhuma categoria social. (Neste efêmero estado de vida) a liberdade de
imprensa foi completa, e se permitiu tanto a publicação de periódicos
socialistas revolucionários de direita e de esquerda como de orgãos
bolcheviques junto a publicações anarquistas(...). Esta fora de dúvida que
a derrota de Denikine se explica pelas insurreições camponesas que armaram
a bandeira negra de Makhno, mais que pelos êxitos do exércio regular de
Trotsky. As seções de partidários do "Batko" inclinaram a balança a favor
dos vermelhos, e se Moscou queres hoje em dia esquece-lo, a história
imparcial tomará conta de lembra-ló."
Email:: paranoi@riseup.net
URL:: http://www.nesaep.cjb.net





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