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(pt) [Brasil; Espírito Santo] "Temos que ousar mais"

From owner-anarqlat@webmail.rect.ucv.ve
Date Wed, 28 Jul 2004 20:45:15 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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[de moésio reboucas]
O capixaba René fala a seguir um pouco das diversas iniciativas
libertárias no estado do Espírito Santo.

Agência de Notícias Anarquistas > O seu Estado tem algum histórico de
luta libertária? René < No começo do ano estávamos preparando um "Breve
Histórico sobre Movimento Anarquista no Espírito Santo". Encontramos
muito pouca coisa. No início do século, segundo um senhor, Clementino,
de 95 anos, existiram imigrantes anarquistas. Porém, não encontramos
ainda nem jornais nem panfletos específicos destes grupos. A historia
sobre anarcos começa mesmo na década de 80 com bandas punks, zines,
estudantes universitários que criaram um grande movimento contestatório
do "status quo" dentro da universidade. Depois disso, só se foi
crescendo o movimento. Portanto, acho que nossa história mais concreta
começou nos anos 80.

ANA > E hoje, como anda a movimentação libertária por aí? Confesso que
às vezes penso que o Estado do Espírito Santo nem existe, tamanho
silêncio, falta de informação... René < Essa idéia de que o Espírito
Santo nem existe vem do fato de sermos o menor estado na região mais
rica do país. Isso nos deixa menores ainda. Agora imaginam a história
dos compas de Roraima e Amapá? Nós também quase não ouvimos falar desses
estados. Mas existem anarcos se movimentando por lá. Pouca, mas existe.
Aqui é a mesma coisa, talvez até mais. Talvez você não ouça falar, mas,
embora seja pouca, muitos outros compas ouvem. A principal movimentação
anarquista por aqui é de anarco-punks. Depois vem grupos menores que se
intitulam anarquista, porém tem pouca influência. Dentro deste contexto,
temos nos movimentado principalmente na difusão de idéias anárquicas,
através de pequenos encontros/reuniões, através de zines e
principalmente pelas manifestações em datas especificas, como o Primeiro
de Maio, o 7 de Setembro. Nestas manifestações distribuímos centenas de
panfletos e juntamos dezenas, e até centenas, de anarquistas ou não,
como no caso do Primeiro de Maio: mais de 300 pessoas reunidas num ato
totalmente independente das centrais sindicais pelegas.

ANA > Você não acha que um dos problemas dos anarquistas brasileiros é
não ir além destas datas pontuais? Aliás, você não acha que hoje no
Brasil, acredito que em outros lugares também, há mais anarquistas no
campo virtual, internet, que no mundo real, tentando apresentar e lutar
pelo anarquismo no seu dia-a-dia? René < A verdade dói, mas tem que ser
dita. Muitas pessoas admiram os anarquistas, suas lutas e ideais.
Entretanto, nos criticam dizendo que não temos uma fórmula para o mundo
real. Muitas coisas temos que engolir calados, pois são verdades.
Normalmente digo que não temos, nem pretendemos ter fórmulas mágicas,
prontas para esta sociedade que aí está. Acredito que atualmente nosso
papel tem que ser o de formiguinhas , levando nossos ideais aonde
podemos, dentro de nossas possibilidades. Por isso acredito que ao invés
de esperarmos uma solução para mudar a sociedade, devemos criar pequenas
organizações, pela base, que se possa tornar grande e provarmos que é
possível uma sociedade organizada horizontalmente, uma autogestão das
coisas e das pessoas. Mas realmente não temos uma fórmula para a
sociedade hoje é um pouco frustrante, pois aí os espertalhões de plantão
dirão: "então alguém tem que assumir este Estado que aí está, seja nas
eleições, seja em golpes". Acho legal termos datas pontuais para uma
ação, tanto a nível nacional como internacional, mas também acho mais
fundamental ainda, não nos prendermos apenas nessas datas. No Brasil e
no mundo está faltando isso: praticarmos nossos ideais entre nós, nossos
amigos, nossa família, nosso trabalho, criar novas formas alternativas
de organização. Temos que ousar mais.

ANA > Vocês estão envolvidos com a luta contra a multinacional Aracruz
Cellulose Ltd., que vem destruindo a floresta nativa e a cultura dos
índios tupiniquins e guaranis, na cidade de Aracruz? René < Sim, não
diretamente. Existe uma ONG, a FASE, que é a principal organização de
luta contra o expansionismo destruidor da Aracruz Celulose S/A. Ela
produziu um vídeo muito bom estimulando este debate. A Aracruz é a maior
fabrica de celulose do mundo. Usa do seu poder econômico para se manter
como uma empresa boazinha. Compra os remanescentes dos quilombolas, muda
suas culturas, produz celulose através do método mais barato, logo mais
devastador, e ainda faz propaganda incessante em cima disso dizendo que
é uma empresa com responsabilidade social. Aliás, hoje no mundo inteiro
as empresas gigantes e devastadoras gastam mais com propagandas do que
com investimentos sociais. Investimento social é apenas uma cortina de
fumaça. Neste sentido ajudamos a fazer uma contra propaganda contra esta
empresa. Perto desse poder econômico, quase não somos visíveis, mas se
tivermos estratégias bem definidas, de modo que possamos fazer um
barulho em algum evento, eles se assustam. Aliás, essa não é a única
gigante da devastação. A Vale do Rio Doce e a CST (uma das maiores
siderúrgicas da América Latina), são outras empresas bastante criticadas
pelo mesmos motivos.

ANA > Eu soube que vocês estão discutindo a possibilidade de organizar
uma Federação Anarquista. Como está essa conversa? René < Sim, estamos.
Mas esta deve ser uma longa trajetória. Principalmente se quisermos ser
representativos e não lideranças. Para isso, estamos viabilizando outros
projetos antes. Primeiro, neste momento, estamos a lançar um boletim
informativo sobre esta idéia e que seja um ponto de convergência de
idéias para sabermos se realmente é viável uma Federação ou se
simplesmente ficamos nos grupos locais. Segundo estamos viabilizando,
antes da Federação, um ou vários espaços libertários. Para tanto,
estamos criando um Grupo de Ocupação que ironicamente se chamará ALCA
(Área Livre de Cultura e Arte). O objetivo desde grupo é ocupar espaços
ociosos e produzir de tudo. Já temos três locais a vista. Este grupo
está bem adiantado. Em breve poderemos falar mais sobre ele.

ANA > É bom saber que vocês estão tendo prudência nesse assunto
"federação", já que no Brasil nos últimos anos foram criadas algumas
federações com pouca ou quase nenhuma incidência social, com poucos
grupos e membros aderentes. Arrisco a dizer que não passava de um nome
"pomposo". (risos) René < É baseado neste emaranhado de siglas que
decidimos não nos precipitar. Temos que ser representativos ao criarmos
um tipo de organização dessa. Senão ela perde seu significado.

ANA > Há tempos você vem divulgando o esperanto no meio anarquista.
Nesse trajeto, qual a sua avaliação? Você nota alguma mudança?
René < Não tem um meio em particular que eu mais divulgo o esperanto.
São em todos lugares: escolas, trabalho, grupos em geral. No meio
anarquista é conseqüência, pois estou neste meio. Acho muito pertinente
que se use o esperanto como uma forma de internacionalização da
comunicação e forma de resistência a hegemonia lingüística, que destroem
culturas. No caso o inglês, e daqui a pouco o chinês. Nessa trajetória,
vejo que muito poucos anarcos têm compreendido esta mensagem. Preferem
gastar milhares de reais e horas de estudo para aprender um pouco (veja
bem, UM POUCO) da língua de Shake speare ao invés de gastar muito menos
para aprender MUITO MAIS na língua de Zamenhof. Isso é bem a cara
daqueles que preferem a cômoda situação de se dizerem anarquistas ao
invés de por em prática seus ideais. Este comodismo está muito bem
colocado no dois primeiros artigos da revista Utopia #17 e em "As
Comunidades Experimentais como Alternativa ao Capitalismo" Utopia #16.
Há algum tempo poderíamos até justificar que tínhamos que lutar contra
ditaduras, etc e tal. Mas hoje, não vejo motivo de cada um, mesmo sem o
capital, se lançar em projetos pela base. Estes indivíduos ainda
preferem o discurso ao invés da pratica.

ANA > Hoje "muita" gente do meio libertário considera o Esperanto um
defunto, ou uma coisa exótica. Eu ouvi um compa, que participou do
último Congresso da Internacional de Federações Anarquistas na França,
dizer que lá tinha gente de tudo que é canto do mundo, gente que
conseguia se comunicar em 4 ou 5 línguas, mas nada de Esperanto. Aliás,
eu desconheço algum congresso anarquista onde a língua "oficial" do
encontro tenha sido o Esperanto. Você sabe de algum? Outra coisa, o que
você acha desse "jeitinho libertário" das pessoas aqui no Brasil se
comunicarem no "portunhol"? René < Acho que você já recebeu mensagens
minhas mostrando o quanto pode ser útil e o quanto o Esperanto tem
crescido, principalmente pelo advento da int ernet. Faça uma busca no
google.com e verá o quanto ele existe. Como eu disse acima, temos medo
de ousar. O Esperanto não é uma das minhas bandeiras de luta numero um.
No entanto, quando vou a uma escola, vejo a enorme quantidade de
dinheiro gasto para ensinar "ingrês" ou espanhol, e um resultado
insignificante, fico pensando: estamos vivendo uma neurose lingüística.
Nós, anarquistas, somos vítimas e contribuímos para aumentar essa
neurose e nem percebemos. O poder da palavra, e conseqüentemente de uma
língua é enorme, e o desprezamos. Criamos uma elite anarquista que teve
o privilégio de aprender 4 ou 5 idiomas, e por isso nem conseguem mais
fazer uma crítica a este sistema elitista excludente que é o problema
das línguas. Quanto à língua "oficial" ser o Esperanto posso dizer o
seguinte. Dentro do mundo esperantista existe a SAT (Associação
Anacionalista Mundial), que é um tipo de organização das organizações de
esquerda dentro do Esperanto. Nela existe ainda as suas "Fakoj" (seçõ
es), entre elas a anarquista. No congresso da "Fako" anarquista, a
língua oficial é o Esperanto. Já ouve inclusive aqui no Brasil. Aí algum
oportunista me diria: mas isso é uma forma excludente, pois tem poucos
anarco-esperantistas. Eu também acho. Mas acho tanto excludente e
elitista quanto o congresso anarquista na França. Sou um crítico desse
tipo de coisas. Já fui em pelo menos dois congressos "internacionais" em
que o jeitinho era o portunhol. Eficientes para nós, latino-americanos.
Agora quando entra gente da Ásia, Leste-europeu, etc, pronto, "A Torre
de Babel" está formada. Você já foi em algum congresso internacional em
que haviam pessoas de todos os continentes em um bom número? Se foi
notará um predomínio das falas daquelas pessoas cujas suas línguas
maternas é o inglês. Começa aí a exclusão. Mas eu também já fui em 2
"Internacionais" que era mais fácil se chamar de, com muita boa vontade,
americano com participação de 3 indivíduos de Portugal e Espanha.
Existem crítica s ao Esperanto e eu as reconheço. Contudo, ainda é a
melhor solução para o problema das línguas. Aqueles que quiserem dar uma
bisbilhotada e meter a mão-na-massa, podem começar por: www.lernu.net
<http://64.4.34.250/cgi-bin/linkrd?_lang=BR&lah=62d24669c80344c911994b23d91e5864&lat=1090951279&hm___action=http%3a%2f%2fwww%2elernu%2enet> (mais de 6500 usuários de todo o mundo. Há possibilidade de se
conversar ao vivo) ou www.anarkopagina.org/esperanto
<http://64.4.34.250/cgi-bin/linkrd?_lang=BR&lah=44776bf2383b185db211bd75a9043895&lat=1090951279&hm___action=http%3a%2f%2fwww%2eanarkopagina%2eorg%2fesperanto>

ANA > Como físico você consegue relacionar Teoria do Caos, Astrologia,
Cabala... com as idéias anarquistas? René < Você fala sério ou está com
sacanagem? Vou considerar as duas coisas. Todas estas coisas juntas eu
jamais conseguiria relacionar com o anarquismo. São coisas antagônicas.
Carl Segan já dizia, e muitos outros também, que é mais fácil para a
mídia sensacionalizar uma notícia simples do que dizer a notícia
original, como ela é. Por exemplo, é mais sedutor pensar em Vênus como
uma fonte de ajuda na hora de um casamento do que mostrá-lo como um
mundo desértico, inóspito, quente, como um inferno. Portanto, astrologia
e cabala pra mim não tem nada a ver com anarquismo. Se você sabe de
alguém que fez isso, avise-me , por favor, que tenho curiosidade. A
Teoria do Caos parece um nome sedutor para os anarquistas. Esta teoria
tenta encontrar uma ordem ou alguma precisão aonde aparentemente só
existiria desordem. Talvez isso possa ter relação com o anarquismo. Num
mundo em que as pessoas estão em constante conflito de idéias, nos
estamos juntando os pedacinhos de um quebra cabeça para conseguirmos
encontrar algo que seja uma "ordem natural".

ANA > Não, não é sacanagem não, a pergunta é séria. Hoje tem correntes
do anarquismo, como o primitivismo, que também tem suas várias facetas,
que acredita que a vida tem algo mais do que o simples cotidiano, que há
muitos mistérios entre o céu e a terra. Tarô, magia, ocultismo, budismo
ateu, gnose, astrologia... Enfim, tem gente que consegue estabelecer
pontes entre as idéias anarquistas e essas coisas. A mais ou menos dois
anos atrás ocorreu um encontro anarquista internacional na Inglaterra,
que na programação constava à participação de uma astróloga chamada
"madame anarchy". (risos) René < Sinceramente nunca vi nada disso que
tivesse coerência. Já li algo sobre anarquismo e astrologia e achei u m
lixo. Um elogio a nossa imbecilidade. Talvez possa ter coisa melhor que
eu não li, mas não acredito muito. Uma coisa é você respeitar o direito
de pensamento, outra é querer achar "pontes", que penso ser chifre na
cabeça de cavalo. Tem gente que de tanto estudar imbecilidades acabam
querendo ter o direito de elevar aquele estudo a uma nova ciência. Aí
entra já o debate sobre o que é ciência. Mas acho desnecessário entrar
nesse mérito aqui.

ANA > O que você acha dessa frase: "hoje, a ciência está mais próxima de
Deus do que as religiões"? René < Existem muitos cientistas ou
estudiosos que tiveram toda uma educação religiosa e entraram para o
mundo das "Ciências Exatas". São estes os principais responsáveis por
frases desse tipo. Eles usam a ciência para encontrar Deus. Eu já
conheci vários deles na minha passagem pelo INPE (Instituto Nacional de
Ciências Espaciais). Acho uma besteira ter que colocar de onde você veio
ou passou para receber méritos, como se isso já você tudo, mas isso,
aqui, serve para respaldar um caso. Certa vez saiu uma matéria sobre uma
coisa parecida na Folha de São Paulo que foi reproduzida em vários
jornais. Um amigo meu leu a matéria qu e falava de Religião e Ciência e
veio me comentar. Para quem é ateu e tem um pouco de leitura não tinha
grandes coisas. O cara não usou muitos argumentos, eu também não me
lembro bem da matéria, faz mais de 2 anos. Tinha apenas algumas pequenas
"pontes" entre Ciência e Deus. Nada extraordinário para quem já conhece
o cara e o que ele pregava. Esse meu amigo disse que devia ter sentido
sim, pois o cara era nada menos do que um Físico, Engenheiro, Dr. em
Ciência Atmosférica, Chefe do CEA-INPE, Lançador de balões, etc, etc. Os
seus títulos valiam mais do que seus argumentos. Se eu não conhecesse o
cara eu até pensaria como esse meu amigo. Mas já sabia que o cara era um
ex-seminarista, já havia discutido com ele e seus argumentos eram muitos
frágeis. Mais religiosos do que científicos. O peso maior da ciência
vinha dos seus títulos. Aí eu pergunto, será mesmo que é a ciência que
esta próxima de Deus ou os charlatões deste mundo em que prevalece o
sensacionalismo e usa isto para nos ludib riar, nos alienar?

ANA > Valeu compa, final! Quer deixar algum recadinho?
René < Acho que já disse muito. Valeu Moésio. Espero nos encontrarmos
falando Esperanto. Brakumon! (risos)


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