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(pt) Comunicado urgente de solidariedade com o Povo de Cuba (ca,en)

From movimientolibertariocubano@yahoo.com.mx
Date Mon, 26 Jul 2004 21:18:21 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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Frente ao chamado à comemoração do qüinquagésimo aniversário do assalto ao
quartel de Moncada, na próxima segunda-feira 26 de julho, temos a
responsabilidade histórica de difundir o presente manifesto.
O Movimento Libertário Cubano tenta articular e incrementar o ativismo
revolucionário antiautoritário em Cuba, de maneira particular, e no
continente americano em geral, com o objetivo de construir um movimento
anarquista mais efetivo, que participe ativamente nas lutas do movimento
real dos oprimidos pelo controle de suas vidas e na resistência
contracultural internacional.Não somos uma organização anarquista mais, e muito menos um círculo
fechado de "eleitos" que pretenda monopolizar ou adjudicar a representação
do anarquismo cubano Pelo contrário, somos uma rede de coletivos e
indivíduos que tenta uma coordenação mais efetiva entre as distintas
correntes que hoje formam o anarquismo cubano, desde o
anarco-sindicalismo, o anarquismo revolucionário, o anarco-comunismo, o
cooperativismo, o comunalismo, o primitivismo, o eco-anarquismo, até o
insurrecionalismo libertário.
Os/as anarquistas cubanos participaram ativamente na luta pela emancipação
do proletariado desde os tempos da opressão colonial. A luta desenvolvida
a meados e fins do século XIX, encabeçada pelo "grupo dos 3 Enqiques"
(Enrique Roig San Martín, Enrique Messonier e Enrique Creci) é o melhor
exemplo disso. Este núcleo anarquista revolucionário deixava clara sua
posição de classe, contra a política e o Estado, já no ano de 1888, nas
páginas do periódico anarquista "El Productor" numa série de textos
titulados "Realidad y Utopía" (I a VI), que explicam a concepção global de
nossos companheiros de então, a luta contra a corrente, num momento em que
as soluções democráticas, liberais, anexionistas, autonomistas,
independentistas-nacionalistas (a "libertação nacional de Cuba") eram
dominantes. Contudo, a falsificação que se segue fazendo da História do
Movimento Operário tentou deixar no esquecimento a importância do ideal
ácrata no desenvolvimento das lutas de contestação dos/as oprimidos/as.
Os anarquistas cubanos também lutaram arduamente contra as ditaduras de
Machado e de Batista. Contra este último, os anarquistas cubanos lutaram
em todas as frentes. Uns, nas guerrilhas orientais ou nas do Escambrae, no
centro da Ilha; outros se uniram à conspiração e à luta urbana. Também
estabeleceram pontes entre os setores organizados revolucionariamente da
luta contra Batista e a militância antifranquista anarquista através dos
companheiros Antonio Degas (membro da CNT, estabelecido em Cuba) e, Luis
M. Linsuain, filho de outro destacado revolucionário anarquista morto em
Alicante ao final da revolução espanhola. Os propósitos dos anarquistas
eram os desejos majoritários do povo: liquidar a ditadura militar e a
corrupção política, assim como criar um campo mais aberto no desfrute das
liberdades, que tornasse possível a continuidade ideológica que desse
passo a uma Revolução Social, apesar das ameaças intervencionistas.
Hoje, como há 40 anos, o povo de Cuba vive na pele a ameaça
intervencionista yanque e sofre o terror e o despotismo do
castro-fascismo, com a única diferença que o sistema repressor castrista
agora é mais sofisticado e é ainda mais opressivo. As prisões continuam
cheias de opositores pacíficos e de jovens contestadores que se rebelam
contra a imposição constante do totalitarismo e da falta de liberdade. O
paredão de fuzilamento volta a ser a alternativa dos lutadores sociais ou
dos desesperados que tentam fugir do absolutismo.E ainda, de forma inexplicável, a "Revolução Cubana", que é como as
"esquerdas" gostam de chamar a ditadura castrista, continua tendo esse
hipócrita "apogeu crítico". Vemos como amplos setores da "esquerda" se
opõem à pena de morte, ao serviço militar, à censura nos meios de
comunicação, à "fabricação" de casos judiciais contra ativistas sob o
eufemismo de "terrorismo"; como se opõem às "leis mordaças", que proíbem
as rádios livres, como se opõem à energia nuclear, como enfrentam a
espionagem dos aparatos repressivos de seus Estados; e, apesar disso,
justificam todas essas infâmias, e até as apóiam e aplaudem, em nome de um
anti-imperialismo primário.
O "apoio crítico" foi e é uma consigna para o consumo exterior e nunca
interior, e se baseia principalmente numa forma de pensar estritamente
totalitária ou maniqueísta: "com a revolução e contra o imperialismo":
aqueles que não nos apóiem estão a favor do imperialismo yanque e, por
tanto, são considerados reacionários. Este tipo de pensamento é o mesmo do
que impunham Hitler, Mussolini e Franco.
É claro, a propaganda castrista em nível mundial tem repetido esta
consigna com todo o vigor de seus dólares e seus convites grátis a passear
em Cuba, e nunca faltaram tipógrafos e escritores capazes de escurecer a
realidade cubana com sermões e parábolas. Todo isso nos conduz ao caminho
de uma visão objetiva da Cuba de hoje. Uma ilha arruinada moral, física e
economicamente, onde seus habitantes desafiam qualquer perigo para poder
escapar, e onde ironicamente os funerais são grátis. Uma grande tirania
oprime nosso povo e, quando alguém denuncia o crime, o acusam de estar
sendo subornado ou a serviço do imperialismo. Contudo, a realidade é
evidente e pode ser comprovada por qualquer viajante curioso que não vá
iludir-se pelos cantos da sereia castrista.
No seio do "movimento anarquista internacional", a postura frente ao
regime de Castro já não é (ao menos majoritariamente) a mesma - com a
qual, no passado, alguns setores ácratas silenciaram os crimes de Castro
contra nossos companheiros -, pelo contrário: hoje se escuta em alto e bom
tom a repulsa de nossos companheiros anarquistas, em qualquer confim do
mundo, contra a ditadura castrista. E vemos como os defensores do
extremismo da ditadura castrista cada vez são menos no movimento real dos
explorados, menos nos núcleos de resistência ao Capital, menos nas
barricadas da confrontação direta, menos entre os homens e mulheres que
lutam de maneira horizontal e autônoma pela autogestão das fábricas, das
comunidades originárias, das universidades, dos bairros, de nossas vidas.
Pelo contrário, os defensores do regime de Castro são encontrados nas
filas do reformismo, nas filas da social-democracia, entre os partidários
do voto de "esquerda", na militância do PT de Lula, entre os simpatizantes
de Krishner, na burocracia bolivariana de Hugo Chávez, entre os ideólogos
da democracia-cristã, entre um sem fim de organizações burocráticas de
"esquerda" que vão desde sindicatos parasitas até federações de estudantes
fósseis e frentes populares de siglas. Além disso, nos grupos capitalistas
europeus e latino-americanos que hoje investem na Ilha e nos preparam um
capitalismo com rosto "humano", enquanto freiam as lutas autogestionárias
do norte ao sul do continente e do planeta. Hoje o regime de Cuba, com
seus avanços caquéticos, não é exemplo nem caminho a seguir nem para seus
próprios defensores.A Cuba de hoje é uma propriedade imensa em mãos de um maioral cruel e
sanguinário que não vacila em escalar a repressão para poder seguir
mandando Cuba carece de qualquer tipo de liberdade individual ou coletiva.
Depois da caída do "velho regime" soviético, a crise econômica é de
proporções catastróficas, e da frugalidade alimentícia se passa
diariamente à necessidade mais paupérrima. A classe operária perdeu todos
os seus direitos e todos os sindicatos são organismos estatais, o protesto
é um delito e a greve é um crime. Tudo isto poderá parecer exagerado, em
realidade o é, mas é a realidade que se vive na Ilha. Convidamos a
qualquer companheiro que queira comprovar estes fatos a visitar Cuba,
distante dos tours "revolucionários".
O último reduto do castrismo é uma maquinaria propagandística eficiente e
imaginativa. Em 1992, a vimos funcionando na viagem de Castro à Península
Ibérica, para celebrar com o resto dos corruptos governantes o V
Centenário do Genocídio, justificando, com sua presença, 500 anos de
ignomínias neste continente por parte da "mãe pátria" e outras não menos
cruéis madrastas. Nessa oportunidade, pudemos comprovar até que ponto
funciona a hipocrisia das "esquerdas" quando, ao ter que repudiar todos os
governos que se prestaram a essa "celebração", passaram por cima ou
silenciaram a contribuição castrista ao evento. Recentemente, voltou a
fazer-se presente esta usual hipocrisia das "esquerdas" com a visita de
Castro à Argentina, para a posse de Kirshner, em aberta promoção do
MERCOSUL, como o rosto humano do capitalismo de mercado.
Hoje, a exatos cinqüenta anos do gesto libertário do assalto ao quartel
Moncada, os revolucionários antiautoritários cubanos voltamos a ver com
repulso a hipocrisia da social-democracia "revolucionária", camuflada por
trás de meia centena de siglas e microgrupos demagógicos –alguns com o
cinismo de autodenominar-se libertários – firmando um chamado de
solidariedade com a ditadura castro-fascista que há 45 anos oprime e
explora nossos/as irmãos/as de classe.
Hoje vemos, aliada à falta de memória histórica de nossos povos, a
insolência confusionista de quem, seguindo ordens do tirano de Havana,
evocam a mentira, quando afirmam que o regime castrofascista "sempre
apoiou os movimentos de libertação nacional em todas as partes do mundo e
lutou contra as políticas imperialistas". Os/as revolucionários/as
mexicanos/as sofreram em carne própria, como poucos/as revolucionários/as
neste continente, o oportunismo, o utilitarismo e a desvergonha de Castro,
que, justificando-se sob a desumana "razão de Estado", jamais apoiou os
grupos revolucionários insurrecionais, pelo contrário, gozou sempre de
muito boas e fraternas relações com a ditadura de partido de Estado que
oprimia e explorava o povo do México. Só para mencionar alguns fatos,
recordemos a presença de Cuba, durante as Olimpíadas de 1968, fazendo caso
omisso ao chamado da esquerda mexicana ao boicote de ditas celebrações, e
em claro concubinato com a ditadura que massacrou centenas de estudantes
na praça de Tlatelolco. Poderíamos enumerar uma longa lista de insultos,
como a constante negativa de Castro em armar e treinar grupos específicos
mexicanos, ou o constante rechaço do governo de Castro a proporcionar
tribuna frente à Organização das Nações Unidas, em La Haya, às mães e
familiares de assassinados e desaparecidos durante os anos de guerra suja.
Também poderíamos enumerar uma longa lista de movimentos de contestação e
revolucionários, que sofreram o oportunismo, o utilitarismo e a
desvergonha da ditadura castro-fascista em nosso continente Não seriam
suficientes as linhas deste manifesto para citar todos. Contudo, bastaria
mencionar o movimento independentista porto-riquenho; amplos setores da
esquerda antifascista chilena e uruguaia; o movimento revolucionário
brasileiro; o sindicalismo revolucionário boliviano; e um extenso
etcétera. Para que mencionar atos mais deploráveis e vergonhosos, como a
traição ao movimento de libertação de Eritréia, onde a ditadura
castro-fascista enviou tropas cubanas de ocupação para dissolver os
anseios independentistas do povo eritrense, a serviço do imperialismo
soviético, durante os anos lamentáveis da chamada "Guerra Fria".Rebater toda a demagogia e o cinismo que contém esse chamado à
solidariedade com a ditadura castro-fascista nos levaria uma centena de
páginas, mas não podemos permitir que sigam usando impunemente os métodos
nazistas de repetir até a saciedade uma mentira para que se converta em
verdade. Dizer que a ditadura castro-fascista presente construir "uma
sociedade mais justa, priorizando os interesses do povo e seus direitos
humanos mais fundamentais – educação, saúde, moradia, alimentação, emprego
– ao contrário dos demais países acossados pela besta neoliberal" não só é
uma fálacia, como uma canalhice.Falar de direitos humanos em Cuba, silenciando as centenas de presos/as
políticos/as que sofrem nas masmorras da ditadura, fato unicamente
comparável neste hemisfério com a população carcerária dos Estados Unidos,
onde igualmente sofrem condenações desumanas uma infinidade de presos/as
políticos/as, aos quais tampouco é reconhecido o status de preso/a
político/a e prisioneiros/as de guerra? Falar de direitos humanos em Cuba,
quando é o único país, junto com os Estados Unidos, onde se impõe a pena
de morte neste continente? Falar de educação em Cuba, onde o acesso a
níveis universitários está condicionado ao grau de adesão e cumplicidade
com o sistema e a horas de trabalho agrícola "voluntário", onde sem sequer
é permitido aos estudantes decidir que cursos querem realizar? Falar de
saúde em Cuba, onde existem hospitais insalubres e não se oferece ao
paciente nem uma aspirina, enquanto os que tem dinheiro, os que podem
comprar medicamentos ou os estrangeiros e milionários podem receber os
melhores e mais avançados serviços médicos nos planos de "turismo e
saúde"? Falar de moradia em Cuba, havendo milhares de famílias que vivem
aglomeradas e onde se desaloja e prende impunemente as pessoas
desesperadas que ocupam edifícios e instalações estatais abandonadas?
Falar de alimentação em Cuba, quando os alimentos racionados pelos quais
se paga em moeda cubana cada vez são menos, e só têm acesso à alimentação
digna os que compram em dólares nos supermercados e lojas OXXO, a preços
exorbitantes? Falar de emprego em Cuba, quando 27% da população está
desempregada e/ou vive como ambulantes ilegais, da prostituição ou do
auto-emprego, como bicitaxis e transportastes independentes,
constantemente acossados pelos altos impostos e as mordidas da corrupção
policial?
Tudo isso só DENOTA UMA GRANDE IGNORÂNCIA DA REALIDADE CUBANA, OU UMA
CUMPLICIDADE DESMEDIDA COM A CORJA DE BURGUESES QUE HÁ 45 ANOS OPRIME
CUBA.
Hoje, a única maneira de homenagear os/as caídos/as daquele 26 de julho, a
única maneira de reafirmar nossa posição de classe, a única forma de ser
consequentemente libertário/as e revolucionário/a, o único modo de mostrar
nosso apoio ao Povo de Cuba, nesta nova hora de ameaças imperiais, é e
será sempre a solidariedade direta com o povo, não com o inimigo comum: o
Capital. Chame-se este neoliberal ou Estado, como que flagela ao
proletariado cubano.
SOLIDARIEDADE COM O POVO DE CUBA

NÃO COM CASTRO

PELO COMUNISMO LIBERTÁRIO!

SAÚDE E ANARQUIA!

Movimento Libertário Cubano.

movimientolibertariocubano@yahoo.com.mx



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Tradução ao português:

Org.@.P (Organização Anarco Punk)

karina@anarcopunk.org





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