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(pt) Posição do LUTA LIBERTARIA sobre o Documento “A Revolução Social no Brasil” da UNIPA (RJ)

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Thu, 22 Jul 2004 10:24:16 +0200 (CEST)


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Não é segredo para ninguém que o LUTA LIBERTÁRIA mantém relações com a
UNIPA (ex-FAI/RJ). No entanto, somos grupos distintos e independentes, o
LUTA LIBERTARIA não forma parte de uma mesma organização com a UNIPA. Por
isso sempre tivemos opiniões diferentes sobre aspectos do anarquismo e da
luta, manifestando isso direta e francamente a UNIPA. No entanto, algumas
pessoas do meio libertário supõem que exista um identidade total entre
nossas idéias e projetos, o que não corresponde a realidade. Recentemente
soubemos da mudança de nome da FAI para UNIPA e tomamos conhecimento do
documento chamado a “Revolução Social no Brasil” via internet. Exatamente
por conhecerem a relação que temos com a UNIPA muitos companheiros que
leram o documento nos perguntaram sobre nossa opinião, sobre nossa
concordância ou não com as posições expressas no texto. Como o documento é
longo e nosso grupo tomou ciência dele há pouco tempo, somente agora
conseguimos realizar uma discussão coletiva para avaliá-lo. Com base no
debate coletivo realizado pelo LUTA LIBERTARIA estamos levando a publico
nossas posições para que não restem duvidas quanto a opinião de nosso
grupo sobre o documento da UNIPA. Este mesmo texto já foi mandado
diretamente a UNIPA por nós.
Abaixo segue a nossa posição:

Nós do LL concordamos e assumimos muito do bakuninismo. Este é um dos
referenciais teóricos mais importantes para nós. Mas, também temos
discordâncias com proposições de Bakunin e não assumimos a totalidade de
suas propostas, seja por discordâncias pontuais, seja por considerarmos
certas passagens ultrapassadas para a realidade atual. Nossas posições
sobre o bakuninismo estão muito claras e expressas na conclusão do livro
BAKUNIN, Socialismo e Liberdade, publicado pelo Editorial Luta Libertaria.
O nosso projeto - em construção -, como afirmamos em nosso documento de
discussão publica, incorpora muito do bakuninismo, mas também incorpora
muitas outras referências libertárias, de autores clássicos, de movimentos
históricos e da atualidade. Consideramos portanto extremamente limitada a
perspectiva da UNIPA de se pautar exclusivamente pelo bakuninismo. No
ponto “O Anarquismo e sua verdadeira historia” está uma de nossas
principais divergências com o documento. Nós do LL não temos a preocupação
em manter a fidelidade a este ou aquele pensador, a esta ou aquela
corrente. Isso não significa que não temos referenciais claros e precisos,
pelo contrário. Nossa preocupacão tem sido integrar coerente e
teoricamente tudo aquilo que foi produzido e praticado num sentido
revolucionário pelo anarquismo. Por outro lado temos feito a crítica e
descartado tudo aquilo que avaliamos como ultrapassado ou inútil num
sentido revolucionário. Esta postura nos faz incorporar ou rejeitar
aspectos de Bakunin, Malatesta, Prooudhon, Makhno, do anarco-sindicalismo,
do anarquismo expropriador, e várias outras contribuições. Cada qual numa
medida, numa intesnsidade. Por outro lado algumas manifestações
libertárias são para nós totalmente ou quase totalmente inúteis do ponto
de vista de quem deseja a revolucão. Mesmo com tudo isso, não deixamos de
reconhecer que existem de fato, historicamente, uma diversidade de
correntes anarquistas dos mais variados tipos, mesmo que não busquem o
caminho da revolução social. Muitas delas não despertam em nos qualquer
interesse e não temos porque reinvindicá-las, talvez elas sirvam de
referência para outros, para outras práticas, mas não para práticas
revolucionárias. Apesar disso, não negamos que sejam anarquistas. Podem
sim serem anaquistas, mesmo que sejam de um anarquismo que não sirva para
nossos propósitos. A postura da UNIPA ao identificar Anarquismo com
Bakunin é para nós equivocada. E falamos isso com a maior tranquilidade
porque poucos grupos realizaram um trabalho de difusão do bakuninismo,
sobretudo da parte “maldita” e omitida do bakuninismo, que até hoje
incomoda muita gente, como o LL. Discordamos da classificacão feita pela
UNIPA de correntes e pensadores anarquistas como revisonistas,
liquidacionistas, eclestistas, etc. Mesmo discordando em maior ou menor
grau dos autores e movimentos citados valorizamos Malatesta, Kropotkin,
Cafiero, Anarco-Sindicalistas espanhóis e a FAI por exemplo. Ironicamente
a propria FAU (Federação Anarquista Uruguaia) citada como exemplo de
continuidade do bakuninismo pela UNIPA, reivindica aspectos do
anarco-sindicalismo, de Kropotkin e tem ao lado de Bakunin, como principal
referencial Malatesta. Entendemos que existem sim diferentes correntes
dentro do anarquismo. Essas correntes se formaram em diferentes épocas e
contextos históricos, mas produziram desdobramentos, geraram
interpretações e produziram ações que fazem parte da história do
anarquismo, concordemos ou não com suas práticas e elaborações. De nossa
parte, reconhecemos que o anarquismo possui historicamente diferentes
linhas de pensamento e como já colocamos, negar isso é falsificar a
história, prática que temos condenado em alguns de nossos adversários.
Reconhecer que essas diferentes linhas existiram concretamente e ainda
existem, não significa concordar com seu conteúdo e o LL sempre externa
suas divergências com outros anarquistas de forma bastante clara. Por
outro lado reconhecer as diferenças é o primeiro passo para estabelecer um
dialogo, chegar a acordos mesmo que sejam pontuais e caminhar para a união
verdadeira. O documento também tem méritos a nosso ver, introduz
discussões sobre programa que são necessárias. No entanto, a forma que
marca todo documento, tratando discussões que para nós teriam um caráter
apenas introdutório, como questões fechadas e muito definidas, impede
qualquer avanço nas discussões. De todos os problemas do documento o mais
grave é o tom sectário que o permeia do inicio ao fim. Imaginar que as
definições teóricas que ali constam são inquestionáveis, que as propostas
estratégicas que ali constam podem ser o programa da revolução brasileira
é algo que ao invés de abrir a discussão com o meio libertário, a impede,
e algo que ao invés de agregar, divide e isola. Quando o LUTA LIBERTÁRIA
modestamente passou de coletivo editorial para grupo anarquista organizado
lançamos um documento “Socialismo e Liberdade, um projeto em construção”,
no qual deixamos bem claro o caráter aberto do documento, o estágio de
construção de um projeto libertário, que exigirá participação e
coordenação de outros grupos e organizações libertárias. Consideremos o
nosso documento como insuficiente, jamais um programa acabado. Da mesma
forma o FAO foi pensado como um espaço que aglutinasse, ao invés de
dividir. Por tudo isso lamentamos as posturas expressas pela UNIPA e
consideramos que isso não contribui para o avanço do anarquismo organizado
no Brasil e esperamos sinceramente que a UNIPA reveja suas posições.

LUTA LIBERTÁRIA grupo anarquista organizado

Julho 2004





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