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(pt) A BATALHA #202: IRAQUE; NOVO MOVIMENTO SINDICAL

From jornalabatalha@hotmail.com
Date Sat, 17 Jan 2004 12:59:49 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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por Alan Maass
"O que realmente me emocionou foi ver que em condições
extremamente difíceis, quase inimagináveis, os trabalhadores não
esperaram um minuto para principiar a organizar-se". Assim se
exprimiu o jornalista David Bacon, que viajou para o Iraque
integrado numa delegaçãodo USLAW (United States Labor Against
War – Trabalhadores Norte-americanos Contra a Guerra) e de
militantes sindicais franceses.
Aquilo que Bacon viu no Iraque – bem como Clarence Thomas,
antigo secretário-tesoureiro da 10.ª secção da International
Longshore and Warehouse Union – não foi divulgado pelas grandes
empresas noticiosas, que apenas se preocupam, segundo o mesmo
Bacon, com "soldados e bombistas".
"Devemos recordar que há no Iraque milhões de trabalhadores",
disse Bacon após um forum na Conferência Nacional da USLAW
(Chicago) onde ele e Clarence relataram a sua viagem. "Primeiro
que tudo tentam sobreviver a esta situação, o que significa
ir trabalhar, alimentar as famílias e encontrar alojamento
em circunstâncias particularmente difíceis."
Decorridos mais de seis meses sobre o colapso do governo de
Saddam Hussein e a promessa norte-americana de "reconstrução
económica" calcula-se que o desemprego ronde os 70%. Pelo que a
sobrevivência quotidiana é, para a maioria da população, o
grande desafio.
"O aumento salarial de 30% ($18), os empréstimos e as terras
prometidas há três meses pelo comissário norte-americano Paul
Bremer estão ainda por concretizar”, escreveu Ewa Jaseiewicz, do
International Occupation Watch Center (Centro de Observadores
Internacionais da Ocupação) em Bagdade, que viajou pelo Iraque
com a delegação do USLAW. Para os que têm trabalho o salário
mensal médio é de $60 – o salário "de emergência" decretado
pelos ocupantes americanos do Governo Provisório da Coalisão
(Coalition Provisional Authority - CPA).
Este salário é exactamente o mesmo que recebiam no tempo de
Saddam – mas então recebiam subsídios de alimentação e
alojamento que desapareceram sob a dominação americana. "De modo
que houve uma queda do salário real dos trabalhadores iraquianos",
disse Bacon, "e isto sem sequer ter em conta o valor de
troca e, consequentemente, o preço de tudo o que é importado."
Mas por muito desesperadas que sejam as condições actuais, os
iraquianos que falaram com Bacon e Thomas temem que o pior esteja
ainda para vir – se os maníacos da economia de mercado de Washington
conseguirem impor no Iraque o seu plano de privatizações. A CPA
já legalizou a apropriação estrangeira a 100% das empresas
iraquianas – fixando uma taxa de 15% para o "Novo Iraque".
No entanto, em relação aos sindicatos, as autoridades de
ocupação encontraram, segundo Bacon, uma lei "votada" durante o
regime de Saddam Hussein de que gostaram – a lei de 1987, que
diz: "quem trabalha para uma empresa estatal é considerado
funcionário público." O que significa que os trabalhadores da
indústria petrolífera iraquiana, por exemplo, estão legalmente
proibidos de formar um sindicato – lei da era de Saddam que as
autoridades norte-americanas se recusam a reformular.
"E para a apoiar”, disse Bacon, "em Junho, Bremer promulgou
outro regulamento das "actividades proibidas". Na alínea B entre
as actividades proibidas está o encorajar quem quer que seja a
organizar qualquer tipo de greve ou de perturbação em qualquer
fábrica ou empresa economicamente importante, sob pena de prisão
pelas autoridades de ocupação e do seu tratamento como
prisioneiro de guerra." Como disse Clarence Thomas, "a
administração Bush criou uma imagem fictícia deste jaez: se
abandonarmos o Iraque haverá fundamentalismo islâmico, lutas
étnicas e o caos. Mas aquilo que realmente receiam é a
democracia. Não querem que os trabalhadores iraquianos se
organizem e tenham poder – tenham direitos sindicais."
Contudo, a este respeito, os homens de Washington não lograram
os seus objectivos. Poucos dias depois da invasão
norte-americana e da queda do anterior governo, os trabalhadores
iraquianos das fábricas, das docas e da indústria petrolífera
começaram a organizar-se. "Querem organizar-se", diz Bacon, "não
só para obter melhorias salariais, mas também para lutar pelo
controlo dos seus empregos e das instituições para as quais
trabalham."
Clarence Thomas diz que o novo movimento sindical iraquiano foi
organizado por dois grupos principais: o Movimento Sindical
Operário Democrático e o Partido Operário Comunista. O primeiro
é uma federação sindical independente que passou à
clandestinidade nos anos 80, quando se tornou alvo da
perseguição dos baasistas de Saddam. Os seus antigos militantes
aproveitaram o desmantelamento da policia política do regime
para reaparecerem como força, constituindo o núcleo da nova
Federação Iraquiana de Sindicatos, fundada em Maio. Ao mesmo
tempo, militantes mais jovens – incluindo membros do Partido
Operário Comunista – iniciaram actividades que conduziram á
formação da União dos Desempregados do Iraque, a sua organização
mais importante. Ambos movimentos se opõem à ocupação
norte-americana, segundo Thomas.
Também segundo ele, a principal diferença reside em que os
sindicatos ligados à União dos Desempregado não hesitam em
apoiar acções reivindicativas a despeito da legislação em vigor,
que proíbe as greves e a organização de sindicatos." Os
sindicalistas mais velhos, diz Thomas, "não julgam prudente
empreender acções nos locais de trabalho ou organizar
manifestações públicas, porque pensam que elas podem ser
exploradas" por elementos do antigo regime que resistem à
ocupação.
Embora quase totalmente ignorada pelos meios de comunicação
internacionais, a vontade de lutar por melhores condições
laborais e aumento de ordenados estendeu-se praticamente a todo
o país. Num relatório recente, Ewa Jasiewicz descreveu a luta
dos trabalhadores duma fábrica de tijolos que faz parte dum
grande complexo industrial situado 30 milhas a leste de Bagdade.

Após suportarem condições terríveis – e um salário de 3000
dinares diários (equivalente a $1,50) por uma jornada de 14
horas – três quartos dos operários abandonaram o trabalho e
dirigiram-se aos escritórios da administração exigindo aumento
de ordenado, contrato formal, assistência médica no local de
trabalho e pensões de reforma.
"O patrão não sabia que se havia formado um sindicato e
disse-lhes: 'Muito bem, façam greve, serão despedidos e outros
virão tomar o vosso lugar", relatou Jasiewicz. "Os trabalhadores
responderam indo a casa buscar armas e para formar,
espontaneamente, um piquete de greve armado."
"Armados com metralhadoras e Kalashnikovs, os operários
guardaram a fábrica e defenderam a sua greve contra
trabalhadores amarelos. O patrão, vencido, concordou em aumentar
500 dinares (25 cêntimos) e iniciar negociações relativamente a
assistência médica e benefícios sociais. A greve foi por todos
considerada um êxito estrondoso."
David Bacon crê que os grupos antiguerra poderiam actuar
utilmente concentrando-se em lutas deste tipo, pelo menos para
que "as pessoas nos EUA possam encarar o Iraque de modo
diferente e vê-lo como um povo normal". Por outro lado, dar a
conhecer a verdade acerca das lutas sociais no Iraque pode
aumentar a crescente contestação à ocupação norte-americana –
quando, por exemplo, os sindicalistas norte-americanos souberem
que os políticos de Washington criminalizaram a formação de
sindicatos no Iraque. A propósito dos relatos de actividade
militante por parte dos iraquianos comuns Bacon diz "que obrigam
a reflectir, porque fazem compreender as dificuldades que
enfrentam e a coragem que mostram perante os riscos que correm."

E prossegue: "Há algo de muito familiar em tudo isto. As
circunstâncias são diferentes. A língua é diferente. O tipo de
problemas que as pessoas enfrentam é algumas vezes familiar mas
também por vezes bastante diferente. Mas a experiência de ir a
uma fábrica e falar com os trabalhadores a propósito dos seus
problemas, e ouvir o que eles têm para dizer, é-me muito
familiar. Permite verificar a universalidade da classe operária
no que respeita aos seus esforços para conseguir organizar-se."

(http://www.socialistworker.org/2003-2/474/474_06_iraquiUnion.shtml)




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