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(pt) O zapatismo completa dez anos

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 6 Jan 2004 11:35:59 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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[retirado de pt.indymedia.org]
por John Holloway
O levantamento indígena e camponês de Chiapas, ocorrido faz uma década,
significou um duplo ponto de inflexão: para a globalização neoliberal e
para os movimentos de esquerda tradicionais.
Se completam 10 anos desde a aparição dramática do Exército Zapatista de
Libertação Nacional, no 1ø de janeiro de 1994. Temos que celebrá-lo.
Antes de que os zapatistas proclamassem sua revolta da dignidade, parecia
que o mundo havia fechado. Os movimentos revolucionários dos 60 e dos 70
pareciam muito distantes. A União Soviética havia desaparecido e já não
oferecia sequer uma piada de esperança. Parecia que não havia alternativa
à homogenezação neoliberal.
Não é só que os zapatistas se rebelaram em um mundo aonde parecia que não
havia espaço para a rebelião. É a forma na qual se rebelaram. A rebelião
zapatista não é uma repetição de rebeliões anteriores, não é a aplicação
de uma fórmula pré-existente.
Desde os primeiros comunicados estava claro que eles falavam uma nova
linguagem, apresentavam uma visão diferente de como mudar o mundo. Se
fazia evidente que as piadas, os contos e a poesia dos comunicados não
eram decorações externas senão que eram centrais para a forma em que os
zapatistas concebiam sua revolta.
Sua revolta não era uma revolução orientada a conquistar o poder do
Estado. "¡Queremos fazer um mundo novo!", dizem, "¡mas não nos interessa
ganhar o poder estatal!"
Os comunicados de Marcos tem cativado por seu engenho e beleza, mas o
zapatismo não são só palavras bonitas. Detrás dos comunicados havia um
exército e uma organização social. Os zapatistas falam dos três eixos de
sua luta: o fogo, a palavra e a organização.
O fogo se refere a sua organização como exército, o EZLN. Se bem que o
exército segue sendo importante para a autodefesa do movimento zapatista,
seus êxitos não têm sido militares: é o poder da palavra que tem jogado o
papel principal.
Tanto o fogo e a palavra descansam na força sólida do terceiro eixo, a
organização. Há um processo constante de trabalho de milhares e milhares
de pessoas para transformar sua parte do mundo, para defender e construir
comunidades baseadas na rebeldia, na dignidade e no princípio de mandar
obedecendo.
Não se trata simplesmente de comunidades tratando de defender suas
tradições da invasão do mundo exterior: é uma luta para construir sobre
estas tradições para transformar suas comunidades.
Um realismo mágico: o realismo das comunidades zapatistas se enfrenta com
o realismo neoliberal, se opõe ao capitalismo com uma linguagem, uma
lógica e uma forma própria de fazer as coisas. Isto é o que tem permitido
aos zapatistas resistir por dez anos aos ataques militares, aos intentos
de os cooptar e corromper, as desqualificações e reinterpretações da
esquerda tradicional. E não só tem resistido, senão que tem criado e
crescido, mantendo sua frescura.
Nisto, os silêncios são cruciais. Suas iniciativas tem sido pontuadas por
períodos de silêncio. Nestes momentos, seus inimigos anunciam (outra vez)
que o zapatismo esta morto, que Marcos esta doente ou que há divisões na
comandância.
Na realidade, os períodos de silêncio são etapas de discussão intensa
dentro das comunidades, acerca da direção do movimento e qual deveria ser
sua próxima iniciativa. Os silêncios não são estreitamentos na luta senão
parte essencial do ritmo da luta.
Mas ¿por quê estamos celebrando nós, que vivemos distantes de Chiapas, que
não somos indígenas ou camponeses, que vivemos nas cidades? ¿É porque
reconhecemos o justo de sua luta contra a pobreza e a discriminação? Sim,
claro, mas este não é o ponto.
Celebramos porque sua revolta é nossa revolta, porque sua rebelião vêm de
dentro de nós, porque seu grito contra o neoliberalismo é também nosso
grito.
Sim isto, a luta zapatista se torna incompreensível. O levantamento
zapatista é, obviamente, um levantamento das comunidades indígenas, mas as
formas e movimento da luta são inseparáveis de sua ressonância no mundo.
Não é que sintamos solidariedade com os indígenas de Chiapas. É mais
propriamente que entendemos que sua luta é nossa luta. Quando dizem que
estão lutando pela dignidade, sabemos que nós também estamos lutando pela
dignidade indo contra uma sociedade que nos oprime. Quando dizem que
cobrem a cara para que possam ser vistos, sabemos que sua luta é a luta
dos sem voz e sem rosto de todo o mundo.
É por isto que o levantamento zapatista tem jogado um papel tão importante
nas lutas contra a globalização neoliberal nos últimos anos. Dez anos e,
como eles dizem, apenas estamos começando."
Trad.:Florazul

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