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(pt) Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos: A Ética Anarquista

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Sun, 22 Feb 2004 21:08:12 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Pode-se entender ética como aquilo referente aos valores morais nas
práticas humanas, aquilo que seria certo ou errado como forma de conduta.
Considerando que vivemos em uma sociedade capitalista, ou melhor, em uma
sociedade fundamentada na lei do egoísmo, do lucro pela desvantagem do
próximo, na exploração do homem e degradação do planeta, e,
principalmente, na total alienação do indivíduo do controle de seu
trabalho, sua vida social, sua educação, sendo utilizado como instrumento,
como força social de acordo com o interesse das classes ou grupos
dirigentes. Enfim, considerando tudo isso, é fácil identificar que tipos
de ética e moral estão presentes em nossa formação: uma moral construída
pela burguesia e uma ética coerente com essa moral, tudo isso viciando
nossas práticas sociais com a ideologia do patrão, do político, do
capitalista, da elite, do militar, de toda a escória que nos educa a
servir e obedecer sem questionar, a tratar o próximo como um concorrente
ou inimigo. Assim somos educados pelo estado, pelas classes dominantes ou
qualquer outro grupo organizado que exerça e impõe sua influência
perniciosa sobre a maioria da sociedade, através de sua moral podre e pela
repressão de seus empregados, utilizando-se da força e da lei.
O que o Anarquismo propõe? Existe esta situação em que vivemos, um sistema
que nos leva a morte, destruindo as relações sociais em proveito do
interesse de uma minoria. Nós, Anarquistas temos uma crítica a este
sistema e propomos uma mudança radical, revolucionária, uma ruptura com
tal prática de relação social e econômica. Queremos o controle, pela
sociedade, de seu trabalho, saúde, educação e tudo mais que lhe diga
respeito, e nosso objetivo é estar atuando no meio social, transformando o
cotidiano, construindo alternativas, enfim, propagando nosso ideal pela
ação, pela prática. O Anarquismo é esse instrumento de transformação, e só
é possível construir o Anarquismo praticando-o, vivendo-o.
E onde entra a ética Anarquista nisso? Procurando por em prática o
Anarquismo, esse instrumento de luta social, o mesmo tem como base os
princípios Anarquistas, aquilo em que acreditamos e pelo qual lutamos,
tais como o apoio mútuo, autogestão, internacionalismo, liberdade,
princípios que são a essência do movimento e o que caracteriza o
pensamento Anarquista. E a ética Anarquista, nossa conduta, deve estar
sempre coerente com estes princípios. Se a moral hipócrita burguesa educa
para formar escravos egoístas, reprodutores de sua ideologia, nós
Anarquistas propomos uma outra educação, aquela que busque criar
indivíduos preocupados com o bem estar da sociedade e do meio em que
vivem, vendo o próximo com respeito e igualdade. Entendendo-se educação
aqui como tudo aquilo que assimilamos e reproduzimos enquanto vivendo em
sociedade, essa educação que propomos, essa ética, só virá através da
prática, seja em qualquer atuação social, seja em um grupo de estudos, em
uma ocupação de terreno, em uma comunidade ou no sindicato, para nós a
prática deve estar coerente com nossos princípios.
Acreditamos que a prática determina quem se é e o fim ao qual se vai
chegar. O capitalista e o autoritário podem utilizar-se do discurso para
enganar, mas suas práticas fazem com que suas máscaras caiam, e levam a
fins que conhecemos bem, fins que estão de acordo com suas ações.
Acreditamos que ser anarquista não é algo que se possa abdicar em favor de
um suposto objetivo ou quando não for do nosso interesse, devemos sê-lo
sempre, no trato com as pessoas, nas relações afetivas, na militância,
etc. É claro que isso não quer dizer que devemos estar falando de
Anarquismo sempre e com todos como um fanático religioso, ou sair por aí
espancando os patrões e as autoridades (embora isso dê vontade). Vivemos e
crescemos em uma sociedade injusta, desigual e autoritária, muitos de nós
temos que alienar nossa força de trabalho para um patrão ou proprietário,
e nossas relações muitas vezes são com pessoas que reproduzem a ideologia
do capital. Mas, e aí está nosso diferencial, se nós somos Anarquistas e
propomos e lutamos por uma sociedade justa, igual e não hierarquizada, nós
não podemos ter uma prática, uma ética, na vida política e outra na vida
particular, ou então agirmos como canalhas com os companheiros ou
manipularmos politicamente as pessoas com base em sofismas e calúnias,
tudo em nome de um suposto Anarquismo. Estar na luta é também buscar
limpar-se dos vícios do sistema estatal/burguês autoritário, não adianta
nada falarmos em Anarquismo e ao mesmo tempo caluniar, ser sexista, tentar
coagir, intimidar para exercer influência, etc. Estar na luta é fazer a
revolução agora, com cada passo conquistado, tentando mudar a realidade
hoje e não por partes, em uma racionalização pobre que tenta desassociar
as ações no presente com os resultados no futuro.
Temos que ser um exemplo pelas nossas ações, seja pelo que fazemos e como
fazemos. Vamos deixar os rótulos, a individualização, o pragmatismo cego e
implacável para o capitalismo, que, em sua conduta, não vê impedimento e
passa por cima de tudo e todos para que uma minoria tenha seu poder e seu
lucro garantidos. Sejamos Anarquistas, não da boca pra fora, no discurso
sedutor, mas atuando socialmente e tendo nossa ética condizente com nossos
princípios. Nós Anarquistas lutamos para que a maioria explorada
fortaleça-se em relações sociais justas, iguais e não hierarquizadas, para
que, organizada, ponha fim à ditadura do egoísmo.
Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos, Niterói. Janeiro de 2004




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