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(pt) ANARQUISMO É LUTA! Uma avaliação sobre o 2º Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) 2003 – SP

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 10 Feb 2004 19:52:54 +0100 (CET)


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Há mais ou menos um mês aconteceu em São Paulo o 2º FAO. Nós do
Luta Libertária fomos um dos vários convocantes desta segunda
edição e além disso sediamos este último FAO, decidimos então
dedicar o nosso último boletim do ano, o número 30 do Combate
Anarquista, para uma avaliação do encontro.
No início do ano, em Porto Alegre, vários anarquistas de diversas partes
do país aproveitaram a ocasião do Fórum Social Mundial, e asfacilidades de locomoção, para se encontrar, trocar idéias e se
articular melhor. Entre os vários eventos que pudemos realizar em
Porto Alegre estava a plenária entre os grupos, coletivos e
organizações que haviam participado do 1º FAO e outros que haviam
se interessado em tomar contato e participar dali para diante. Ali
avaliamos com muita modéstia e realismo os erros e acertos daprimeiro encontro. A partir das avaliações decidimos fazer do FAO
algo mais aberto, mais construtivo, certos de que somente
construiremos algo de forma verdadeiramente coletiva.
Nosso grupo se propôs a sediar o 2º FAO e a partir daí investimos o que
foi possível de nossa parte em divulgação. Desde a escolha da
data, passando pelos eixos temáticos, pela pauta, dinâmica do
encontro, a montagem das várias comissões que ajudaram a garantir
o encontro, buscamos que este FAO fosse construído o máximo
possível de maneira coletiva. O Luta Libertária buscou ser
fundamentalmente um instigador dos debates, das relações entre os
grupos que foram aderindo e se somando à construção do FAO.
Propostas nós sempre tivemos, mas sempre propostas, nunca decisões
prontas e acabadas. E tudo que foi proposto pode ser discutido e
questionado.
Foi nesse sentido que, aqui em São Paulo,
procuramos realizar reuniões preparatórias que socializassem as
discussões e envolvessem a maior quantidade de grupos e indivíduos
seriamente comprometidos com o anarquismo e com os seus rumos. Dessasreuniões surgiram idéias e propostas encaminhadas coletivamente e
que, em sua maior parte, foram postas em prática.
A intenção era construir um encontro amplo, se possível de caráter nacional,
embora tivéssemos em mente as dificuldades de deslocamento que possuem
grupos e indivíduos de outros estados.Com o passar do tempo a divulgação foi dando resultado, muita
gente perguntava, escrevia, mandava e-mail, etc. Depois começaram
a chegar inscrições e os comentários, para o bem e para o mal,
passaram a aumentar de intensidade. No final das contas tivemos
mais de 100 inscrições e uma participação efetiva que chegou a 80
pessoas. Alguns se inscreveram e não puderam vir, outros
compareceram em apenas parte do encontro, mas no final das contas
o FAO superou em muito nossas expectativas, uma vez que
esperávamos menos gente.
O FAO sempre teve um objetivo muito claro: aglutinar os anarquistas que
buscam se organizar enquanto anarquistas e atuar socialmente. Isso é muito
simples, abarca muita gente no meio libertário, mas não todos. E isso não
estava em discussão, com aqueles que questionam estes eixos podemos
discutir em outros momentos e espaços, não nesse encontro.Este Fórum sempre foi pensado como espaço para reunir aqueles que já têm
estes dois eixos no seu horizonte, para discutirmos a melhor forma de
transformá-los em prática. Por mais que possamos partir de pontos
diferentes, divergir quanto ao ritmo, o fundamental era termos umaconvergência quanto aos meios e não só aos fins, do contrário
estaríamos construindo uma proposta sintetista. Essa
intencionalidade comum garantiu um excelente clima entre os
participantes, o esforço para o entendimento e mesmo as críticas e
divergências que sempre surgem desta fizeram parte do esforço de
se chegar a um acordo e não foram um exercício de polêmica inútil
e desagregadora. Estávamos ali para construir, para se entender.
O encontro também nunca foi e nunca se propôs a ser um fórum
dedicado à mera troca de idéias, nunca se propôs a ser mais um
estéril debate academicista, os objetivos e pré-requisitos eram
muito claros na convocatória. O Fórum também nunca se propôs a ser
o espaço de reunião de todos os anarquistas, até porque não
entendemos que seja possível construir uma organização com todos
os anarquistas, pois uma parte deles nem sequer pretendem se
organizar ou atuar socialmente. Portanto, não tínhamos a obrigação
de aceitar a participação de todo tipo de anarquista. Muito menos
daqueles que são francamente contrários aos propósitos do
encontro. Talvez alguns tenham entendido que no FAO se poderia
polemizar sobre tudo, mesmo que isso não levasse a lugar algum. Se
enganaram. Para todos eles respondemos diretamente, sem nenhum
tipo de resposta agressiva. Além do mais, alguns dos que não foram
aceitos, tiveram sua situação discutida também coletivamente nas reuniõespreparatórias, outros foram convidados dessas reuniões, mas nunca
comparecram.O FAO não é um espaço para todos aqueles que
simplesmente se auto-denominam anarquistas participem, é um espaço
para os anarquistas que querem fazer do anarquismo um meio, construir em
algum momento uma organização, que atue na luta de classes. E isso
não fomos nós que inventamos, nem é algo de novo no anarquismo, é
algo que fez parte do próprio nascimento do anarquismo, desde
Bakunin.
Sabemos que alguns criticaram. Uns por ouvir coisas
faladas por outros sem mesmo conhecer os participantes do FAO, a
estes convidamos a nos conhecer melhor e tirar suas próprias conclusões.
Outros, felizmente em menor número, sempre foram contra o FAO e
talvez sempre sejam, vivem de fofocas e críticas feitas pelas
costas, na maioria das vezes feitas em casa, pela internet usando
nomes fictícios, não tem sequer a coragem de assinar o que
escrevem ou de sustentar críticas pessoalmente, quando convidados
a conversar pessoalmente conosco, a esclarecer as coisas, a tentar
um entendimento, sempre fogem do diálogo.
Nem tudo no FAO funcionou perfeitamente. A divulgação poderia ter sido
melhor e alguns erros de organização podem ser corrigidos para diante. Maso saldo foi extremamente positivo. A repercussão do encontro, o
número de inscritos, o clima do encontro, o conteúdo das
discussões, os acordos a que chegamos representam pequenas
vitórias que devemos, todos os envolvidos no encontro, procurar
ampliar. É por isso o FAO não parou no encontro. Aqui em São Paulo
dezenas de pessoas já se reuniram novamente, traçaram um rumo
daqui para diante, se organizaram e não vão parar por aí.
Combate Anarquista - Boletim Mensal do Coletivo Luta Libertária - Ano III
nº 30 Dezembro de 2003




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