A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Català_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement
First few lines of all posts of last 24 hours || of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004

Syndication Of A-Infos - including RDF | How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
{Info on A-Infos}

(pt) O que devemos fazer? [de Malatesta, traduzido para o português]

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 10 Feb 2004 19:27:48 +0100 (CET)


______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________

Tal é o problema que se nos apresenta, a nós e a todos aqueles que querem
realizar e defender suas idéias, a todo o momento em sua vida militante.
Queremos abolir a propriedade individual e a autoridade, isto é,
expropriar os proprietários da terra e do capital, derrubar o governo, e
colocar à disposição de todos a riqueza social, a fim de que todos possam
viver a seu modo, sem outros limites senão aqueles impostos pelas
necessidades, livre e voluntariamente reconhecidas e aceitas. Em resumo,
realizar o programa socialista-anarquista. E estamos convencidos (a
experiência cotidiana nos confirma) que se os proprietários e o governo
dominam graças à força física, devemos, necessariamente, para vencê-los,
recorrer à força física, à revolução violenta. Somos, portanto, inimigos
de todas as classes privilegiadas e de todos os governos, e adversários de
todos aqueles que tendem, mesmo de boa fé, a enfraquecer as energias
revolucionárias do povo e a substituir um governo por outro.
Mas o que devemos fazer para estar em condições de fazer nossa revolução,
a revolução contra todo privilégio e toda autoridade, e triunfar?
A melhor tática seria fazer, sempre e em todos os lugares, propaganda de
nossas idéias e desenvolver no proletariado, por todos os meios possíveis,
o espírito de associação e de resistência, e suscitar cada vez maiores
reivindicações; combater continuamente todos os partidos burgueses e todos
os partidos autoritários, permanecendo indiferentes a suas querelas;
organizar-nos com aqueles que estão convencidos ou se convencem de nossas
idéias, adquirir os meios materiais necessários ao combate e, quando
formos uma força suficiente para vencer, lançarmo-nos sós, por nossa
conta, para efetuar por completo nosso programa, mais exatamente,
conquistar para cada um a liberdade total de experimentar, praticar e
modificar pouco a pouco o modo de vida social que se acreditava ser o
melhor.
Todavia, infelizmente, esta tática não pode ser aplicada de modo rigoroso
e é incapaz de alcançar seu objetivo. A propaganda possui uma eficácia
limitada, e em um setor absolutamente condicionado de forma moral e
material para aceitar e compreender certo tipo de idéias. As palavras e os
escritos são pouco poderosos enquanto uma transformação do meio não
conduzir o povo à possibilidade de apreciar estas novas idéias. A eficácia
das organizações operárias é igualmente limitada pelas mesmas razões que
se opõem à extensão indefinida de nossa propaganda, e não somente por
causa da situação econômica e moral que enfraquece ou neutraliza por
completo os efeitos da tomada de consciência de certos trabalhadores.
Uma organização vasta e forte, na propaganda e na luta, encontra mil
dificuldades: nós mesmos, a falta de meios, e principalmente a repressão
governamental. Mesmo supondo que seja possível chegar, pela propaganda e
pela organização, a fazer nossa revolução socialista-anarquista, há todos
os dias situações políticas onde devemos intervir sob pena de perder
vantagens para nossa propaganda e toda a influência sobre o povo, arriscar
destruir o trabalho realizado e tornar mais difícil o futuro.
O problema é, portanto, encontrar o meio de determinar, na medida do
possível, as mudanças de situação necessárias ao progresso de nossa
propaganda e aproveitarmos as rivalidades entre os diferentes partidos
políticos, cada vez que a oportunidade se apresentar, sem renunciar a
nenhum postulado de nosso programa, para facilitar e aproximar o triunfo.
Na Itália, por exemplo, a situação é tal que é impossível, a maior ou
menor prazo (1899), que haja uma insurreição contra a monarquia. É certo
que, por outro lado, o resultado disso não será o socialismo-anarquismo.
Devemos tomar parte da preparação e da realização desta insurreição?
Alguns camaradas pensam que não temos nenhum interesse em fazer parte de
movimento que não tocará na propriedade privada e só servirá para mudar de
governo, quer dizer, uma república, que não será menos burguesa que a
monarquia.
Deixemos, dizem eles, os burgueses e os aspirantes ao poder “furarem-se
mutuamente a pele” e continuemos nossa propaganda contra a propriedade e a
autoridade.
Entretanto, a conseqüência de nossa recusa seria, em primeiro lugar, que,
sem nós, a insurreição teria menos chances de triunfar. Assim, a monarquia
ganharia, o que no momento em que a luta pela vida torna-se feroz,
obstruiria o caminho à propaganda e a todo progresso. Além do mais, o
caminho à propaganda e a todo progresso. Além do mais, estando ausentes do
movimento, não teríamos nenhuma influência sobre os acontecimentos
ulteriores, não poderíamos aproveitar as oportunidades que sempre se
apresentariam num período de transição entre um regime e outro, cairíamos
no descrédito como partido de ação e não poderíamos, durante muitos anos,
fazer algo de importante.
Não se trata de deixar os burgueses lutarem entre si, porque numa
insurreição a força é sempre dada pelo povo, e se não dividirmos com os
combatentes os perigos e os sucessos tentando transformar o movimento
político em revolução social, o povo servirá apenas de instrumento nas
mãos ambiciosas dos aspirantes do poder.
Em compensação participando da insurreição (que não somos bastante fortes
para nos lançarmos sozinhos) e agindo o máximo possível, ganharemos a
simpatia do povo insurreto e poderemos fazer avançar as coisas o máximo
possível.
Sabemos muito bem, e não cessamos de dizê-lo e de demonstrá-lo, que
república e monarquia são idênticas e que todos os governos têm tendência
a aumentar seu poder e a oprimir cada vez mais os governados. Mas também
sabemos que quanto mais fraco é um governo, mais forte é a resistência do
povo, maiores são a liberdade e a possibilidade de progresso. Contribuindo
de modo eficaz para a queda da monarquia, poderíamos nos opor com maior ou
menor eficácia à consolidação de uma república, poderíamos permanecer
armados, recusar obedecer ao governo, e tentar expropriações e
organizações anarquistas da sociedade. Poderíamos impedir que a revolução
estancasse desde o início, e que as energias do povo, despertadas pela
insurreição, adormecessem novamente. Tudo isso são coisas que não
poderíamos fazer, por razões evidentes de psicologia, para poderíamos
fazer, por razões evidentes de psicologia, para com o povo, intervindo
depois da revolução e da vitória contra a monarquia, sem a nossa
participação.
Levados por esses motivos, outros camaradas gostariam que parássemos
provisoriamente a propaganda anarquista, para nos ocuparmos com o combate
contra a monarquia e, após o triunfo da insurreição, recomeçarmos nosso
trabalho específico de anarquistas. Eles não vêem que se nos
confundíssemos com os republicanos faríamos o trabalho da futura
república, desorganizando nossos grupos, semeando a confusão, sem poder
impedir em seguida o reforço da república.
Entre estes dois erros, o caminho a seguir parece-nos o mais claro.
Devemos nos posicionar com os republicanos, os social-democratas e todo
partido antimonarquista para derrubar a monarquia. Mas devemos ser,
enquanto anarquistas, pela anarquia, sem romper nossas forças nem
confundi-las com a dos outros, sem fazer compromissos para além da
cooperação na ação militar.
Somente assim, segundo nossa opinião, podemos obter, quando dos próximos
acontecimentos, todas as vantagens de uma aliança com os outros partidos
antimonarquistas, sem renunciarmos em nada ao nosso programa.
La Questione Sociale, 1899
Errico Malatesta.




*******
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
******
INFO: http://ainfos.ca/org http://ainfos.ca/org/faq.html
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
ASSINATURA: envie correio para lists@ainfos.ca com a frase no corpo
da mensagem "subscribe (ou unsubscribe) nome da lista seu@enderço".

Indicação completa de listas em:http://www.ainfos.ca/options.html


A-Infos Information Center