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(pt) Entrevista a Companheiro Israelense de Anarquistas Contra o Muro e Lavanderia Negra (it)

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Date Thu, 23 Dec 2004 12:58:03 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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A seguir, divulgamos a entrevista com o anarquista Yossi Bartiel, feita
pelos compas do semanário anarquista italiano Umanita Nova, da Federação
Anarquista Italiana (FAI).Yossi é um anarquista israelense, objetor de
consciência e membro do grupo “Anarquistas Contra o Muro” e “Lavanderia
Negra”, que está na Itália realizando uma série de atividades para
divulgar a luta contra o Muro da Vergonha que divide a Palestina.O
primeiro grupo, especialmente, é de ação direta contra o Muro da
Vergonha, do apartheid, que o governo israelense está construindo desde
23 de julho de 2002, um muro imenso, com 8 metros de altura e 350 km de
comprimento, e só há um portão. Os muros já estão em avançado estágio.
Centenas de povoados, cidades inteiras, estão sendo cercadas pelo
concreto; o segundo, um grupo de reflexão e intervenção na temática gay,
transexual, de gênero, e direitos humanos. Seu objetivo é tentar art
icular as diversas lutas contra a opressão, de resistência contra a
ocupação, a homofobia, o chauvinismo, o capitalismo, o especismo, o
racismo.O nome do grupo é um jogo de palavras intraduzível em hebreu,
porque “Lavanderia Negra” e “Ovelha Negra” têm a mesma pronunciação. É
aludido assim a algo que é mantido escondido, vergonhoso, os chamados
“trapos sujos”, que o grupo, por outro lado, quer mostrar com todo
orgulho. Umanita Nova > Qual é a atividade da “Lavanderia Negra”?
Yossi Bartiel < Fazemos manifestações, performances, contra-informação.
Um exemplo recente foi à atividade organizada por causa da visita a
Israel de Arnold Schwarzenegger: nos manifestamos tanto contra sua
homofobia como contra o apoio à ocupação da faixa oriental (Cisjordânia)
e de Gaza. A manifestação mais importante de cada ano é a que se faz
dentro da Parada do Orgulho Gay, que é realizado em Tel Aviv ou em
Jerusalém. A nossa, aliás, é uma contra-manifestação: não somos
convidados, nós nos metemos na manifestação sem permissão, gritamos
palavras contra o exército, a ocupação e contra a chamada “família gay”,
porque consideramos que em Israel, onde a família é militarista, o que
serve é uma família
alternativa, não um gay com o modelo da heterossexual. Utilizamos a
provocação, inclusive com bonecos: uma vez desfilamos com bebês
uniformizados.Dizem q ue no seu grupo há também palestinos de
nacionalidade israelense.

UN > Quais são suas relações com os gays que vivem na Cisjordânia? Yossi
< Temos relações pessoais não organizativas com os gays na
Palestina, onde há um clima de repressão muito denso contra os gays. Nos
países árabes, quem leva vergonha à sua família pode ser assassinado por
seus parentes. Quando o Shin bet, o serviço secreto interno do Estado de
Israel, descobre um gay palestino, tenta envolve-lo como espião,
ameaçando-o revelar a sua família a tendência sexual. Os adolescentes
inclusive são obrigados a eleger entre ser assassinado por seus parentes
ou serem informantes dos serviços secretos.Acontece também que, quando na
Palestina um gay é “descoberto”, matam-no porque se suspeita que está a
serviço do Shin bet.Os gays palestinos que escapam para Israel são
imigrantes clandestinos, e são obrigados a ser prostituírem. Quando caem
nas mãos da polícia
israelense são entregues à autoridade P alestina com a marca de ser um
gay e prostituto, inclusive sabendo que serão torturados, humilhados e
morrer. A construção do Muro piora a situação, porque passar a fronteira
ficou mais difícil ainda.
UN > Falemos do Muro. Pode nos contar quais são suas atividades?
Yossi < No princípio nos concentramos nas ações diretas contra a cerca,
tentando cortar a malha. Durante uma destas ações em dezembro de 2003 o
companheiro Gil Naa’mati recebeu golpes nas pernas. Embora se tratando de
ações simbólicas, esperávamos que fossem explosivas, e convidamos a
participar da ação direta à comunidade das populações onde se construía o
Muro. O objetivo foi conseguido e nos primeiros meses do ano ocorreram
manifestações quase todos os dias contra o Muro. Ademais do nosso grupo e
dos internacionais, sempre participaram habitantes das populações
palestinas. A iniciativa tinha caráter não-violento do lado palestino,
enquanto o exército israelense ia aumentando a violência, com utilização
de gás lacrimogêneo, balas de borracha, e armas “de verdade” utilizadas
(salvo no caso do Gil) contra os palestinos, quando nós nã o estávamos.
Em outras três ocasiões o exército abriu fogo e matou 6 palestinos. UN >
Portanto é evidente a função de “proteção” que exercem vossa
presença. Yossi < Sim, de fato somos escudos humanos. Nossa presença
diminui o nível de violência. Inclusive fizemos ações para desarmar os
“blocos bélicos”, estruturas que cruzam as ruas para complicar a passagem
das pessoas e humilhá-las. Em outras ocasiões fizemos manifestações
dentro de Israel, inclusive junto com outros grupos da esquerda
radicalizada israelense.Nestes dias estão fazendo manifestações contínuas
contra o Muro da Vergonha. Todos os dias resistimos contra o Muro junto
com os palestinos, tentando impedir o avanço dos “buldozer”.
UN > Sabemos que o ferimento de Gil produziu um impacto forte na
sociedade israelense. Pode nos contar algo a respeito?Yossi < É certo que
o impacto foi muito forte, porque foi a primeira vez que se feriu um
israelense hebreu (se houvesse sido um palestino de nacionalidade
israelense o impacto teria sido muito menor: no princípio da segunda
Intifada, o exército matou 13 palestinos de nacionalidade
israelense). Como se a guerra não produzisse vítimas entre os palestinos
todos os dias. Para nós é uma espécie de paradoxo, semelhante a observada
depois da morte de Carlo Giuliani. A globalização mata milhares de
pessoas, mas o escândalo só foi feito quando caiu a primeira vítima
européia antiglobalização. O ferimento de Gil teve uma função análoga:
todos os dias o exército mata civis palestinos, mas o escândalo foi
produzido só porque os chumbos atinginram as pernas de um hebreu.
UN > Você é um objetor de consciência?
Yossi < Sim.

UN > Pode falar a respeito?
Yossi < O serviço militar é obrigatório para todos os homens e mulheres
hebreu/as a partir dos 18 anos de idade. Os homens são obrigados a
prestar um mês de serviço ao ano até os 50 anos. Há duas possibilidades
para evitar o serviço militar. A primeira consiste na declaração pública
de não aceitação, o que implica uma sentença de prisão que varia entre 4
meses e dois anos. A segunda opção é se fingir de louco.
UN > Quantos objetores estão presos na cadeia?
Yossi < Desde que se iniciou a segunda Intifada foram presos uns 300
objetores. Parte deles integram a reserva. Atualmente em Israel 10% dos
jovens em idade de serem incorporados ao exército e dos reservistas, se
declaram loucos para evitar o serviço militar. Todos os anarquistas se
recusam a ser incorporados ao exército.
UN > Pode nos falar a respeito do movimento anarquista israelense? Yossi
< Nos anos 50 era um grupo pequeno, cujo expoente principal era Toma
Shik, e que esteve ativo até os anos 90. Na década de 60, de uma das
cisões do PC um grupo anti-sionista foi formado, Matzpen, dentro do qual
havia uma presença forte de anarquistas.Esta organização teve muita
influência no país até meados da década de 70, embora internamente
conviviam componentes dos mais diversos: desde maoístas a
anarco-sindicalistas. Depois de alguns anos, cada um seguiu seu próprio
caminho.No fim da década de 80 e princípios de 90, começou uma nova onda
caracterizada especialmente pelo punk e os animalistas. Durante a década
de 90 surgiu uma dezena de grupos pequenos que se encarregavam dos
animais e da luta antiglobalização. O tema da ocupação da Cisjordânia e
de Gaza teve menor impacto que hoje, porque era num período chamad o
“processo de paz”. Surgiram muitíssimas publicações anarquistas: livros,
revistas, fanzines, historietas (comics). A segunda Intifada abriu outra
vertente. Em 2001 foi formado o grupo "One Struggle" (Uma Única Luta),
que reuniu os temas dos direitos humanos e dos animais. Se ocupam
especialmente de propaganda.Nós, como “Anarquistas Contra o Muro”, temos
nos convertido realmente num grupo durante o acampamento de Mash’a. Em
Mash’a havia anarquistas, palestinos, internacionais. Pela primeira vez
os israelenses e os
palestinos se uniram para estabelecer relações, se conhecer e elaborar
projetos: conseguimos construir uma relação contínua. Para nós, os
anarquistas, o Muro serviu de elemento catalisador de nossa própria
consciência: estamos contra todos os Muros, contra todas as fronteiras e
todos os Estados. Muitos, que não se consideram anarquistas, entenderam
que este Muro deve ser derrubado. Nós, dizia o companheiro Levinsky, nos
unimos para destruir algo que foi constru ído para dividir.
UN > Deseja acrescentar algo?
Yossi < Para nós é muito importante receber solidariedade, para nos
ajudar na luta contra o governo israelense (naturalmente, contra todos os
governos) e para difundir o que acontece lá, onde as pessoas resistem a
barbárie dos Estados.
Colaborou na tradução: Alicia Zaratea (Buenos Aires-Argentina)


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