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(pt) Charla com companheiro do Conselho Cidadão de Union Hidalgo [México, Oaxaca] n'A BATALHA, a 18-12-04

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Sun, 19 Dec 2004 22:35:27 +0100 (CET)


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Neste Sábado 18 de Dezembro, no Centro de Cultura Libertária (CEL) e
redacção d'"A BATALHA", reunimos com o companheiro Carlos Manzo, do
Conselho Cidadão de Union Hidalgo (Estado de Oaxaca, México).Este companheiro é membro da Associação "Ranchu Gubiña", que se tem oposto
aos atentados perpetrados pelos grandes interesses capitalistas, com a
conivência dos poderes municipais, estaduais e nacionais, contra as
populações e o ecossistema delicado de Union Hidalgo (17 mil habitantes) e
arredores.Carlos foi preso recentemente sob falsas acusações, tendo sido as
autoridades obrigadas, sob pressão popular, a libertá-lo
incondicionalmente.
Carlos explicou-nos o contexto da globalização no México e nos revelou que
a União Europeia, não apenas os E.U.A., têm sido parte interessada nesse
pseudo "desenvolvimento" que consiste em arrasar os meios de subsistência
dos cerca de vinte milhões de indígenas do México, para implantarem (entre
outras) as suas indústrias de produção de energia (exemplo "a febre do
ouro eólico": um corredor de geradoras eólicas com 100 mil hectares!!!).
Nomeadamente, as empresas Endesa, Gamesa, Psi (Iberdrola), Energía del
Istmo (em associação com Electricité de France), Fuerza Eólica (pertence à
General Electric) obtêm assim autênticas "reservas" em território
indígena.Também nos informou dos oleoductos, da construção de estradas e de
projecto de caminho de ferro para transportar mercadorias da costa
atlântica à pacífica, que cortam território indígena e cultivos ou lugares
de culto sem nenhum respeito pelos direitos legais que estas comunidades
possuem.Union Hidalgo situa-se à beira de um sistema lagunar, bordejado por
bosques de mangais, tendo as lagunas já sofrido com as fugas dos
pipe-lines dos terminais no Pacífico, no Estado de Oaxaca.Outro projecto que põe em risco o modo de vida da população de Unión
Hidalgo (um terço das famílias depende directamente da pesca) e do
ecossistema lagunar e de mangais é o de produção de camarão em piscinas
com muitos hectares, que irão perturbar irreversivelmente o ecossistema,
com a previsível diminuição acentuada ou extinção de espécies de peixes e
crustáceos que são o sustento destas populações desde tempos imemoriais.
Isto tudo para produzir toneladas de camarão exportado - na sua quase
totalidade - para os E.U.A. e Japão.O desrespeito total pelo modo de vida e pelos direitos (consignados em
tratados internacionais diversos, assinados pelo México), relativamente ao
usufruto da terra e dos recursos naturais pelas populações indígenas,
confere à luta destes povos um carácter simultaneamente de resistência ao
neo-liberalismo e pela defesa dos seus direitos humanos fundamentais.
Neste contexto, sobressai a duplicidade das instituições da União
Europeia, que, nos seus tratados negociados com o México, inclui artigos
que obrigam ao respeito pelos direitos humanos, mas se "esquecem" de os
defender no concreto, quando estes são ameaçados ou francamente
espezinhados. Ultimamente, tem sido este o caso e com muita violência, no
Estado de Oaxaca. Neste Estado, os pistoleiros,para-militares ou membros
da polícia, têm baleado - em vários casos, mortalmente - activistas
defensores dos direitos indígenas e populares.A esta ofensiva terrorista, as populações reagem vivamente numa
auto-organização em que as tradições assembleária e comunal indígenas se
exprimem: por exemplo, há um cerco popular que dura há meses para impedir
a reocupação do palácio municipal de Union Hidalgo, de onde foram expulsos
todos os funcionários pelos populares depois do assassinato (por
pistoleiros a soldo do presidente do município) de um membro do Conselho
Cidadão e de ferimentos com bala em mais dez companheiros.
Estas lutas, documentadas em vídeo e comentadas por Carlos Manzo, foram
tema do debate que se seguiu com os/as companheiros/as presentes.Lamentámos a curta duração da visita de Carlos a Lisboa, ao mesmo tempo
que lhe desejávamos um bom périplo pelas diversas cidades de Espanha.
Convidámos Carlos a renovar a sua visita. Vamos manter contacto e divulgar
aqui a luta dos companheiros indígenas, participando na rede mundial, em
construção e alargamento permanentes, de solidariedade à resistência dos
povos ameaçados na sua cultura, no seu modo de vida, pelo neo-liberalismo
predador.
Manuel Baptista
(membro do colectivo redactorial de A BATALHA)





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