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(pt) Carta de Jean-Marc Raynaud e Thyde Rosell, da Fed. Anar. Francófona: SIM NÓS DEMOS ABRIGO A UM «TERRORISTA» DE TRÊS ANOS!(fr)

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Fri, 3 Dec 2004 16:16:12 +0100 (CET)


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Quando lerem estas linhas nós, estaremos na prisão. Por alguns
dias. Algumas semanas. Alguns meses. Alguns...
Nosso «crime» ?
Ter fundado e animar uma escola libertária. Bonaventure. E ter
acolhido, sem formalidades, crianças de todos as origens.
E de nos termos afeiçoado tanto por uma delas, a ponto de a ter
acolhido em nossa casa durante dois anos e meio. Por isto, que
aconteceu há alguns anos, nos censuram hoje.
Porquê ?
Muito simplesmente porque essa criança em questão, veio a
saber-se, era filha de um casal de militantes da ETA presos há algumas
semanas atrás. É necessário afirma-lo, nós ignorávamos esse
detalhe.
É igualmente necessário dizer, que os pais apresentaram-se a
nós como tendo problemas de «papeis» (1) e nós tivemos algumas
dúvidas sobre a verdadeira motivação do pedido de escolarização e
acolhimento que nos foi feito. Mas é também necessário precisar
que: nós assumimos plenamente o facto de escolarizar, educar e
acolher todas as pequenas crianças do mundo em infortúnio, sem
perguntar pela identidade ou motivações dos seus pais.


É Assim !

Porque nós pensamos que as crianças não são responsáveis pelos
actos dos seus pais (2), só nos importará sempre o seu olhar
carregado de melancolia. Porque, enfim, que mais querem? Uma escola
libertária, poderá ela deixar de ser um lugar de acolhimento,
sem perder a sua alma?

Os libertários que não abrirem a sua grande porta e o seu
coração às crianças com falta de instrução, de educação e de amor,
poderão ser alguma coisa além de gatafunhos? Claro, sem dúvida,
este género de discurso é completamente incompreensível para as
autoridades e o cidadão acéfalo.

Para todo esse pequeno mundo, ninguém acolhe durante dois anos e
meio (e depois, de tempos a tempos, durante as férias) uma
criança dos terroristas sem fazer, mais ou menos parte da
confraria.

Para que, então, explicar-lhes, que as lutas de libertação
nacional visando instaurar um novo Estado, com novos patrões e novos
mestres, não são verdadeiramente a chávena de chá dos
anarquistas. Que o mito, diga-se, duma luta armada opondo algumas fundas a
mísseis Tomahawk nos parece grotesco. Que o assassinato de
figuras de segunda linha , sejam elas policias ou militares, é para
nós anarquistas, um verdadeiro insulto à moral universal e à
inteligência política.
E que por todas estas razões, é simplesmente impensável que nos
possamos regalar com certas concepções de uma revolta à qual, e
por outro lado, nós não contestamos uma certa legitimidade.

Se juntarmos que o hábito do momento é a criminalização de todo
o comportamento mais ou menos «dissidente», é claro que nós
temos o perfil mediático para sermos postos no pelourinho. É uma boa
guerra. Social.

O Mundo estará sempre dividido em dois. Com, dum lado, aqueles
que, durante a segunda guerra mundial, acolheram as crianças
judias e outras (os Israelitas chamaram-lhes os «justos»). E do
outro lado, aqueles que organizaram (ou participaram) nas
deportações dessas mesmas crianças.

Com, dum lado, aqueles que, neste mesmo lugar, na Ilha de
Oléron, organizaram (ou participaram) em 1941 no reenvio para as mãos
dos fascistas espanhóis, duma meia centena de crianças, filhas
de republicanos bascos que tinham vindo de barco refugiar-se no
pais da revolução e dos direitos do homem. E do outro lado a
gente simples como nós que será sempre terra de acolhimento para
todas as crianças do mundo.

Nestas condições, queiram perdoar-nos, o pecado de ter escolhido
o caminho da honra, de termos pelo menos recusado caminhar
naquilo que é a desonra.

Ser livre ou descansar, dizia um antigo poeta.

Esta será sempre a questão.

Sim, nós recolhemos e abrigamos um terrorista de três anos. Nós
ensinámo-lo a ler e a escrever. Nós transmitimos mesmo a ele os
nossos valores de liberdade, igualdade, de autogestão e de entre
ajuda. Nós também lhe ensinámos que os nacionais como os bascos,
são todos cidadãos do mundo. E nós simplesmente amámo-lo como
uma pequena criança perdida no meio de tantas coisas. E
persistimos em não ter vergonha disso. Abraçamos-te com força pequena
rãzinha.

Guarda bem as tuas mãozinhas fechadas sobre essas pedrinhas de
sonho a que te agarravas quando tinhas saudades do papá e da
mamã.

Nós te ajudaremos com todas as nossas forças e do fundo do
coração.

Nós amamos-te.

20 de Outubro de 2004

Jean-Marc Raynaud
Thyde Rosell



(1) Em Setembro de 2004, a Inspecção Académica de Renes, a
pedido da policia de estrangeiros e fronteiras enviou aos directores
das escolas uma carta pedindo informações para localizar uma
criança sem mencionar o motivo. Um director respondeu. Foi assim
que uma criança filha de «sem- papeis» foi enviada para um centro
de detenção. Em Outubro de 2004 a Inspecção Académica de La
Rochelle, sem denunciar o motivo, fez o papel da policia procurando
o nosso pequeno protegido. E teve uma resposta. Dai a nossa
situação neste momento.


(2) A carta da Boaventure começa assim: que eles sejam «fruto»
do acaso, do habito, do erro, da ignorância ou do amor, as
crianças não escolhem nunca nascer. Nestas condições....

Tradução de Agualva



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