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(pt) Crônicas de Ação Direta Popular II por Federação Anarquista Gaúcha

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Date Thu, 2 Dec 2004 20:35:38 +0100 (CET)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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A dor e a humilhação não dobram a espinha da vontade do povo e sua
solidariedade incansável.“A propaganda está para democracia assim como a repressão está para
ditadura” denunciou N. Chomsky em uma de suas críticas ao sistema
capitalista dos nossos dias. Nessa estruturação, democracia e comunicação
não estão necessariamente articulados pelo conceito de liberdade. Quando
se contesta o oligopólio das comunicações e a engenharia do consenso é
violada, a democracia burguesa apela para reação e golpeia com suas forças
policiais.Pois na sexta-feira pela manhã a ANATEL, agência federal reguladora das
telecomunicações, recebeu uma visita indesejada. Durante a semana grupos e
movimentos sociais fizeram seus planos para meter na pauta da política
nacional a voz das rádios comunitárias. É sabido que não tem diminuído a
repressão a esses projetos durante o governo Lula, o PMDB dirige a pasta
das comunicações com o aval petista (“o PT precisa do PMDB para governar o
país” já disse o presidente) e a ANATEL continua fazendo sombra da vontade
das corporações da mídia e telecomunicações. Também é preciso lembrar a
campanha de propaganda negativa e de ação da AGERT e ABERT(Associação
Gaúcha e Brasileira, respectivamente, de Emissoras de Rádio e Televisão).
No informativo “agert informa” de abril de 2004 podemos ler “Agert dá o
grito contra a pirataria e lança o Movimento da Legalidade”.
O fato é que, pirata ou ilegal, como queira a AGERT chamar, as rádios
comunitárias e movimentos populares decidiram não abaixar a cabeça perante
a repressão dos donos do monopólio da comunicação brasileira e, por volta
das 9:00 da manhã o prédio da ANATEL da av. Princesa Isabel em Porto
Alegre foi ocupado. A medida tomada na sexta-feira dispensava a burocracia
que sufocava as tentativas de cavar espaço para as rádios comunitárias e
procurava abrir caminhos pela ação direta popular. Aos empregados foi dado
o direito de ficar ou sair do prédio. Se aguardava uma audiência com o
delegado regional.
De uma janela dos andares de cima impunha-se uma longa faixa na vertical
reivindicando “liberdade para as rádios comunitários”, em um salão interno
os ocupantes fechavam o punho, gritavam em um só tempo suas chamadas e
cantavam temas de luta. A imprensa burguesa já rodeava quando veio o
assalto da polícia federal, com fúria reacionária, espalhando o medo, mas
encontrando prédio adentro uma firme resistência, pela qual os agentes da
repressão não esperavam.
O confronto deixou cinco companheiros presos, quatro deles logo soltos, e
distribuiu hematomas em uns quantos militantes do mov. popular. O racismo
internado na força repressiva deixou flagrante quando golpeou
seletivamente um querido companheiro do Mov. dos Catadores: negro, pobre e
catador. Foi levado até a superintendência da Polícia Federal e lá passou
longas horas. Porém a covardia custou caro para a repressão e dois agentes
saíram feridos.
A vigília começou no mesmo instante que era detido nosso companheiro. Ele
é daqueles tipos simpáticos, brincalhão, que te conquista em pouco tempo
de convívio, um militante dedicado e orgulhoso de seu trabalho. Ficha
limpa, nunca teve passagem na polícia. O crime que lhe acusaram: cárcere
privado, resistência a prisão, umas quantas coisas que o velho delegado da
Polícia Federal procedente do regime militar listava com gana de ver um
negão organizado preso “por se meter em assunto que não deve”.
As 13 horas e um pouco mais começa a concentrar no planetário da av.
Ipiranga a Marcha dos Sem. Rádios comunitárias, o Movimento dos Catadores,
Comitês de Resistência Popular, sindicatos solidários estão por lá. A
direção cutista da marcha tratou logo de eliminar a chance de prestar
solidariedade ao preso político desta manhã com o os manifestantes,
somente as palavras ocas sem efeito real que já conhecemos. A marcha batia
no governo estadual e fazia todo o silêncio possível quanto ao governo
Lula, ignorava o lugar do PMDB neste governo, trocava o eixo da dívida
externa e interna pela tal “mudança da política econômica”, por uma
crítica isolada do ministro Pallocci e a isenção de Lula. A CUT confirmava
seu papel de correia de transmissão da nova elite política brasileira,
chamada a ventilar o mesmo modelo de dominação operado por FHC.
Ao chegar em frente ao Palácio do Piratini o caso da ANATEL era comentado
com muita cautela, o governo federal era a vidraça. “Não dava pra quebrar
a lógica pensada pra marcha” nos alegou um dirigente da CUT. O movimento
feito de manhã ficou sem voz, o ato ganhava curtas notas de roda pé pela
fala da burocracia sindical e dos parlamentares, nunca pelos
protagonistas.
Os deputados pediam calma, pediam pra desmobilizar e aguardar em casa a
ação dos advogados mas nossa decisão era irrevogável: vamos concentrar
mais gente na vigíla em frente a Polícia Federal até que tenha liberdade
nosso companheiro. Dois ou três ônibus saíram da marcha com destino a
vigília.
Entre 6 e 7 da tarde o companheiro do Mov. dos Catadores é encaminhado a
triagem do presídio central. A sua saída é tumultuada, muita revolta,
entre os nossos gente tomada de emoção. A soltura fica sujeita ao plantão
da Justiça Federal. A vigília muda de endereço mais continua firme e
forte, sem dúvida que o decisivo nesta peleia será a capacidade de manter
mobilizada as forças do povo, fazer o companheiro saber que não está
sozinho, que nossa solidariedade é incansável.
Um acampamento é montado em frente ao prédio da Justiça Federal, a
fogueira aquece do frio que já começa a fazer na noite e o improviso do
lanche engana a fome. O canto e o grito não param, entram noite adentro
sem hora pra acabar. De longe se escutam os cerca de 50 acampados, a
firmeza de quem encarna o sentimento de companheiro na vida real e não se
conforta com o jargão que muitos usam e poucos praticam.
Pelas 4 horas da madrugada nos dirigimos para o presídio central, a
soltura foi confirmada. O companheiro é recebido com o abraço emocionado
de todos, as palavras de ordem do seu movimento lhe recepcionam, sai com a
cabeça erguida. As dores no corpo e a humilhação não foram suficientes
para derrubar esse querido companheiro, muito menos para cansar a nossa
solidariedade.
Como diz aquela música: “e há quem diga que a força do povo anda
distraída, que o caminho pra gente ser livre não tem mais saída. MAS QUEM
VIVER VERÁ! MAIS QUEM VIVER VERÁ!”
Nossa homenagem militante mais sincera a este cara que nos orgulhamos de
chamar companheiro.
Por Federação Anarquista Gaúcha – 30/11/04

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