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(pt) Nicolas Walter - AS DIVERSAS CORRENTES DO ANARQUISMO

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Fri, 27 Aug 2004 08:46:30 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Os anarquistas são célebres pelos seus desacordos e, na ausência de chefes
e de funcionários, de hierarquias e de ortodoxia, de punições e de
recompensas, de políticos e de programas, é normal que pessoas cujo
princípio de base é a recusa da autoridade tendam perpetuamente para
divergir de opinião. Não obstante, há vários tipos bem estabelecidos de
anarquismo entre os quais a maioria dos anarquistas escolheu o que exprime
melhor as suas ópticas pessoais.

Os anarquistas são célebres pelos seus desacordos e, na ausência de chefes
e de funcionários, de hierarquias e de ortodoxia, de punições e de
recompensas, de políticos e de programas, é normal que pessoas cujo
princípio de base é a recusa da autoridade tendam perpetuamente para
divergir de opinião. Não obstante, há vários tipos bem estabelecidos de
anarquismo entre os quais a maioria dos anarquistas escolheu o que exprime
melhor as suas ópticas pessoais.
O Anarquismo Filosófico


Na origem, o anarquismo era o que se chama agora anarquismo filosófico. É
a idéia que uma sociedade sem governo é bela, mas não verdadeiramente
desejável, ou então é desejável, mas não verdadeiramente possível, pelo
menos por enquanto. Tal atitude domina todos os escritos anarquistas
anteriores a 1840 e isso impediu os movimentos populares anárquicos de se
tornarem uma ameaça mais séria para os governos. É uma atitude que se
encontra ainda nos que se dizem anarquistas, mas ficam à margem de todo o
movimento organizado, e também nalgumas pessoas situadas dentro do
movimento anarquista. Muito freqüentemente, parece ser uma atitude
inconsciente crer que o anarquismo, como o Reino de Deus, está em vós.
Revela-se mais cedo ou mais tarde por frases como: «Com certeza, sou
anarquista, mas . . . »
Os anarquistas militantes tem tendência para desdenhar os anarquistas
filosóficos, e é compreensível, ainda que lamentável. Enquanto o
anarquismo permanecer um movimento minoritário, um sentimento de conjunto
favorável às idéias anarquistas, mesmo vago, cria um clima que faz com que
se escute a propaganda e que o movimento possa desenvolver-se. Por outro
lado, a adesão ao anarquismo filosófico pode ir contra uma apreciação
adequada do verdadeiro anarquismo; mas é pelo menos preferível à
indiferença total. Como os anarquistas filosóficos, há muitas pessoas
próximas de nós, mas que recusam a etiqueta de anarquistas, e outras que
recusam qualquer etiqueta. Todas elas tem um papel a desempenhar quando
mais não fosse para fornecerem um auditório simpatizante e labutarem pela
liberdade no seu meio ambiente.

Individualismo, Egoísmo, Corrente Libertária


O primeiro tipo de anarquismo que foi mais que simplesmente filosófico foi
o individualismo. É a idéia que a sociedade não é um organismo, mas uma
coleção de individualidades autônomas que não tem nenhuma obrigação para
com a sociedade, mas apenas umas para com as outras. Esta visão existia
bem antes que houvesse o que quer que fosse como anarquismo e continuou a
existir independentemente dele. Mas o individualismo tende sempre a supor
que os indivíduos que formam a sociedade devem ser livres e iguais e que
podem passar a sê-lo apenas por um esforço pessoal e não pela cação de
instituições exteriores; todo o desenvolvimento de tal atitude tende
evidentemente a fazer avançar o individualismo puro na direção do
verdadeiro anarquismo.
A primeira pessoa a elaborar uma teoria claramente anarquista foi um
individualista: William Godwin, em An Enquiry concerning Political Justice
(«Uma pesquisa sobre a justiça política»), obra publicada em 1793. Em
reação contra os partidários e os adversários da Revolução Francesa,
postulou uma sociedade sem governo e com o mínimo de organização possível,
na qual os indivíduos soberanos deveriam preservar-se de qualquer forma de
associação permanente apesar de numerosas variantes, é ainda a base do
anarquismo individualista. É o anarquismo dos intelectuais, dos artistas e
dos não-conformistas, das pessoas que trabalham sós e preferem ficar à
margem. Desde a época de Godwin, seduziu várias pessoas do gênero,
especialmente na Inglaterra e na América do Norte, por exemplo
personalidades como Shelley e Wilde, Emerson e Thoreau, AugustusJohn e
HerbertRead. Podem atribuir-se a si próprias outra etiqueta, mas sente-se
sempre o individualismo transparecer nelas.
Talvez nos faça um pouco cair no erro limitar o individualismo a uma
espécie de anarquismo; o individualismo teve uma influência profunda sobre
todo o movimento anarquista e, se se observa os anarquistas, vê-se que é
ainda uma parte essencial da sua teoria, ou pelo menos da sua motivação.
Os individualistas são, poder-se-ia dizer, os anarquistas de base, que
desejam simplesmente destruir a autoridade e não vêem a necessidade de pôr
o que quer que seja no seu lugar. É um ponto de vista válido até certo
ponto, mas não vai suficientemente longe para afrontar os problemas reais
da sociedade a qual tem certamente mais necessidade de cação social que
pessoal. Só podemos salvar-nos a nós mesmos mas nada podemos fazer pelos
outros.
Uma forma mais extrema do individualismo é o egoísmo, sobretudo sob a
forma expressa por Max Stirner, em Der Einzige und sein Eigentum («O único
e a sua propriedade»), obra publicada em 1843. Como acontece com Marx ou
Freud, é difícil interpretar Stirner sem irritar os seus discípulos, mas
pode-se ainda assim dizer que o seu egoísmo difere do individualismo em
geral, porque rejeita abstrações tais como a moralidade, a justiça, a
obrigação, a razão, o dever, em proveito dum reconhecimento intuitivo da
existência única de cada indivíduo. Recusa evidentemente o Estado, mas
recusa igualmente a sociedade e tende para o niilismo (a idéia de que nada
tem importância) e o solipsismo (a idéia que nada existe fora de si mesmo)
. É claramente anarquista, mas de maneira essencialmente improdutiva, já
que qualquer forma de organização que vise para além duma efêmera «união
de egoístas», é considerada como fonte duma nova opressão É o anarquismo
dos poetas e dos vagabundos, dos que querem uma solução absoluta e recusam
todo o compromisso. É a anarquia aqui e agora, se não no mundo, pelo menos
na nossa própria vida (1).
Uma tendência mais moderada que deriva do individualismo é a corrente
libertária. No sentido mais simples, significa que a liberdade é uma boa
coisa; num sentido mais estrito, é a idéia que a liberdade é o fim
político mais importante. Assim, o «libertarismo» não é tanto um tipo
específico de anarquismo quanto uma forma temperada deste, um primeiro
passo. Emprega-se por vezes tal termo como sinônimo ou eufemismo para o
anarquismo em geral, logo que há qualquer razão para evitar uma palavra
demasiado pesada de emotividade mas mais amiúde significa o reconhecimento
de idéias anarquistas num domínio particular, sem que isso implique a
aceitação completa do anarquismo. Os individualistas são libertários por
definição, porém os socialistas libertários ou os comunistas libertários
são os que trazem ao socialismo ou ao comunismo o reconhecimento do valor
essencial do indivíduo.

Mutualismo e Federalismo


O tipo de anarquismo que aparece quando os individualistas põem as idéias
em prática é o mutualismo. É a idéia de que, em vez de se entregar ao
Estado, a sociedade deveria ser organizada por indivíduos que concluíssem
entre si acordos voluntários, numa base de igualdade e de reciprocidade. O
mutualismo é o aspecto de toda a associação que é mais que instintiva e
menos que oficial e não é necessariamente anarquista; mas foi
historicamente importante para o desenvolvimento do anarquismo e quase
todas as propostas anarquistas visando a reorganização da sociedade foram
essencialmente mutualistas.
O primeiro que se chamou deliberadamente anarquista, era mutualista:
Pierre-Joseph Proudhon, em Qu'est-ce que la proprieté? («O que é a
propriedade?), obra publicada em 1840. Em reação contra os socialistas
utópicos e revolucionários do século XIX, postulou uma sociedade composta
de grupos cooperativos de indivíduos livres, trocando os produtos
indispensáveis à vida na base do valor do trabalho e permitindo o crédito
gratuito graças a um Banco do povo. É o anarquismo dos artesãos, dos
pequenos proprietários e pequenos comerciantes, dos que exercem profissões
liberais e técnicas, das pessoas em suma que estão apegadas à sua
independência. Apesar dos seus contraditores Proudhon teve numerosos
discípulos, sobretudo no meio dos operários qualificados e dos
pequeno-burgueses (2) e a sua influência foi considerável em França
durante a segunda metade do século XIX; o mutualismo teve também uma
atração particular na América do Norte. Foi retomado mais tarde por
pessoas que queriam instaurar uma reforma monetária ou comunidades
autônomas medidas que prometem resultados rápidos, mas que não mudam a
estrutura fundamental da sociedade. É um ponto de vista válido até certo
ponto, contudo não vai suficientemente longe para tratar dos problemas da
indústria e do capital, do sistema de classes que os domina nem acima de
tudo do Estado.
O mutualismo é com certeza o princípio do movimento cooperativo, mas as
sociedades cooperativas seguem regras mais democráticas do que
anarquistas. Uma sociedade organizada segundo o princípio do anarquismo
mutualista seria uma sociedade na qual as atividades comunais estariam nas
mãos de sociedades cooperativas, sem diretores permanentes nem
administradores eleitos. O mutualismo econômico pode assim ser considerado
como um cooperativismo menos a burocracia, ou um capitalismo menos o
lucro.
No plano mais geográfico do que econômico, o mutualismo torna-se
federalismo. E a idéia de que a sociedade, num sentido mais largo que a
comunidade local, deveria ser coordenada por uma rede de conselhos
cobrindo maiores zonas. O traço essencial do anarquismo federalista é que
os membros de tais conselhos seriam delegados sem nenhuma autoridade
executiva, imediatamente revogáveis, e que os conselhos não teriam nenhum
poder central, mas apenas um simples secretariado. Proudhon, primeiro
teórico do mutualismo, foi também o primeiro teórico do federalismo na
obra Du principe fédératif («Do princípio federalista»), publicada em 1863
e os seus discípulos foram tanto chamados federalistas como mutualistas,
sobretudo os que participaram ativamente no movimento operário; assim, os
que no começo da Primeira Internacional e aquando da Comuna de Paris foram
percursores das idéias do movimento anarquista moderno, diziam-se na
maioria federalistas.
O federalismo não é tanto um tipo de anarquismo quanto uma parte
inevitável do anarquismo. Virtualmente, todos os anarquistas são
federalistas, mas nenhum se define como unicamente federalista. Ao fim e
ao cabo, o federalismo é um princípio comum que não é de maneira alguma
exclusivamente anarquista. Não comporta nada de utópico. Os sistemas
internacionais de coordenação dos caminhos de ferro, da navegação, das
ligações aéreas, dos serviços postais, do telégrafo e do telefone, da
pesquisa científica, das campanhas contra a fome ou contra os sinistros, e
muitas outras atividades à escala mundial são essencialmente de estrutura
federalista. Os anarquistas acrescentam simplesmente que tais sistemas
funcionariam tão bem no interior dum pais como entre diferentes países.
Aliás, é já uma realidade para o caso da enorme quantidade de sociedades,
de associações e de organizações voluntárias de todas as espécies que têm
entre mãos a parte das atividades sociais que não são rentáveis no plano
financeiro ou político.

Coletivismo, Comunismo, Sindicalismo


O tipo de anarquismo que vai mais longe do que o individualismo ou o
mutualismo e que comporta uma ameaça direta para o sistema de classes e
para o Estado, é o que se chamava outrora coletivismo. É a idéia de que a
sociedade só poderá ser reconstruída quando a classe operária tiver tomado
o controle da economia por meio duma revolução social, tiver destruído o
aparelho do Estado e reorganizado a produção com base na propriedade
coletiva controlada pelas associações de trabalhadores. Os instrumentos de
trabalho serão propriedade coletiva, mas os produtos do trabalho serão
distribuídos segundo a fórmula: «De cada um segundo as suas capacidades, a
cada um segundo o seu trabalho».
Os primeiros anarquistas modernos, os bakuninistas da Primeira
Internacional, eram coletivistas. Em reação contra os mutualistas e os
federalistas reformistas, bem como contra os blanquistas e os marxistas
autoritários, reivindicaram uma forma simples de anarquismo
revolucionário: o anarquismo da luta de classes e do proletariado, da
insurreição em massa dos pobres contra os ricos e a passagem imediata a
uma sociedade livre e sem classes, sem nenhum período transitório de
ditadura. É o anarquismo dos operários e dos camponeses que tem uma
consciência de classe, dos militantes do movimento operário dos
socialistas que querem tanto a liberdade como a igualdade.
Este coletivismo anarquista ou revolucionário não deve ser confundido com
o coletivismo autoritário e reformista, mais conhecido, dos
sociais-democratas e dos Fabianos coletivismo baseado na propriedade
coletiva da economia, mas também no controle da produção pelo Estado. Em
parte por causa do perigo de confusão, e em parte porque é aqui que os
anarquistas e os socialistas mais se aproximam, chamar-se-á com mais
propriedade a este tipo de anarquismo socialismo libertário; isto
compreende não apenas anarquistas que são socialistas, mas também
socialistas que se inclinam para o anarquismo, sem a ele aderirem
exatamente.
O tipo de anarquismo que aparece num coletivismo mais elaborado é o
comunismo. É a idéia de que não é suficiente que os meios de produção
sejam propriedade de todos, mas que os produtos do trabalho devem também
ser postos em comum e distribuídos segundo a fórmula: «De cada um segundo
as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades». O argumento
comunista é o seguinte: todo o homem tem direito ao pleno valor do seu
trabalho, mas é impossível calcular o valor do trabalho dum só homem,
porque o trabalho de cada um está englobado no trabalho de todos e
trabalhos diferentes tem valores diferentes. Portanto é melhor que a
economia inteira esteja nas mãos da sociedade no seu conjunto e que e
sistema dos salários e dos preços seja abolido.
As personalidades marcantes do movimento anarquista do fim do século XIX e
do começo do século XX como Kropotkine, Malatesta, Réclus, Grave, Faure,
Goldman, Berkman, Rocker, etc. eram comunistas. Partindo do coletivismo, e
em reação contra Marx, postularam uma forma de anarquismo revolucionário
mais elaborado um anarquismo contendo uma crítica das mais minuciosas da
sociedade atual e das propostas para a sociedade futura. É o anarquismo
dos que aceitam a luta de classes, mas têm uma visão do mundo mais larga.
Se o coletivismo é um anarquismo revolucionário centrado no problema do
trabalho e baseado na coletividade dos trabalhadores, então o comunismo é
um anarquismo revolucionário centrado no problema da vida e baseado na
comuna popular.
Desde os anos 1870, o princípio do comunismo é admitido pela maioria das
organizações anarquistas revolucionárias. A principal excepção foi o
movimento espanhol, que conservou o princípio do coletivismo, por causa
duma forte influência bakuninista; mas, na realidade, os seus fins mal
diferiam dos dos outros movimentos e praticamente o «comunismo
libertário», instaurado durante a revolução espanhola de 1936, foi o
exemplo mais marcante de comunismo anarquista na história.
O comunismo anarquista ou libertário não deve evidentemente ser confundido
com o comunismo muito mais conhecido dos marxistas comunismo baseado na
propriedade coletiva da economia e no controle do Estado sobre a produção
e a distribuição e baseado também na ditadura do Partido. A origem
histórica do movimento anarquista moderno reside nas polemicas com os
marxistas dentro da Primeira e Segunda Internacionais e reflete-se na
inflexível oposição teórica e prática dos anarquistas ao comunismo
autoritário, a qual se reforçou a seguir à Revolução Russa e à Revolução
Espanhola. O resultado foi que muitos anarquistas parecem ter-se chamado
comunistas não tanto por convicção profunda quanto pelo desejo de lançarem
um desafio aos marxistas, no seu próprio terreno, e de os desacreditarem
aos olhos da opinião pública. Pode-se reter que os anarquistas só
raramente são verdadeiramente comunistas, em parte porque são sempre
demasiado individualistas, e em parte também porque se recusam a fazer
planos precisos para um futuro que deve ter liberdade plena para se
organizar.
O tipo de anarquismo que aparece quando o coletivismo ou o comunismo se
concentram exclusivamente sobre o problema do trabalho é o sindicalismo. É
a idéia segundo a qual a sociedade deveria estar baseada nos sindicatos
considerados como a expressão da classe operária, reorganizados de maneira
a cobrirem ao mesmo tempo as atividades e o território em que se
desenvolvem, e transformados de maneira a estarem nas mãos da base, de
modo que a economia inteira fosse dirigida segundo o princípio do controle
operário.
A maioria dos coletivistas anarquistas e numerosos comunistas libertários
no século XIX eram implicitamente sindicalistas: era particularmente
verdade no caso dos anarquistas aderentes à Primeira Internacional. Mas o
anarco-sindicalismo não foi explicitamente desenvolvido antes do despontar
do movimento sindical francês no fim do século. (A palavra inglesa
«syndicalism» provém da palavra francesa «syndicalisme», que quer dizer
simplesmente unionismo profissional).
Quando o movimento unionista (sindical) francês se cindiu em seções
revolucionárias e seções reformistas, nos anos 1890, os sindicalistas
revolucionários tiveram a maioria e numerosos anarquistas juntaram-se a
eles. Alguns, como Fernand Pelloutier e Émile Pouget, tornaram-se
influentes e o movimento sindicalista francês, conquanto nunca
completamente anarquista, foi uma força importante para o anarquismo até à
primeira guerra mundial e à Revolução Russa. As organizações
anarco-sindicalistas também foram fortes nos movimentos operários da
Itália e da Rússia, logo a seguir à primeira guerra mundial, e sobretudo
na Espanha até ao fim da guerra civil, em 1939.
É o anarquismo dos elementos mais militantes e mais conscientes de um
movimento operário potente. Mas o sindicalismo não é necessariamente
anarquista nem mesmo revolucionário; na prática, os anarco-sindicalistas
tiveram tendência para se tornarem autoritários, ou reformistas ou ambas
as coisas ao mesmo tempo, e revelou-se difícil manter um equilíbrio entre
os princípios libertários e as pressões da luta quotidiana pela obtenção
de um salário e de melhores condições de trabalho. Isto não é tanto um
argumento contra os anarco-sindicalistas quanto o sinal do perigo que os
ameaça constantemente. O argumento verdadeiro contra o anarco-sindicalismo
e o sindicalismo em geral é que acentua em excesso a importância do
trabalho e o papel da classe operária. O sistema de classes é um problema
político crucial, mas a luta das classes não é a única atividade política
para os anarquistas. O sindicalismo é aceitável quando se considera como
um aspecto do anarquismo não quando dissimula todos os outros aspectos. É
um ponto da vista válido até certo ponto, mas não vai suficientemente
longe para tratar dos problemas da vida fora do trabalho (3).

Diferenças Mínimas


Reconheçamos que as diferenças entre os tipos de anarquismo se esfumaram
nestes últimos anos. À excepção dos sectários, a maioria dos anarquistas
tem tendência para considerar as velhas distinções como mais aparentes que
reais como diferenças artificiais de acentuação, até mesmo de vocabulário,
mais do que como sérias diferenças de princípio. Melhor seria
considerá-las de fato não como anarquismos diferentes, mas como aspectos
diferentes do anarquismo, em função da orientação dos nossos interesses
pessoais.
Assim, na nossa vida pessoal somos individualistas, tendo as nossas
próprias ocupações e escolhendo os nossos companheiros e amigos por razões
pessoais na nossa vida social somos mutualistas, concluindo livremente
acordos entre nós, dando o que temos e recebendo aquilo de que temos
necessidade por meio de trocas igualitárias (4): no nosso trabalho
seríamos praticamente coletivistas, juntando-nos aos nossos colegas para
produzirmos os bens comuns e na organização do trabalho seríamos
sindicalistas, juntando-nos aos nossos colegas para decidirmos como o
trabalho deve ser feito; na nossa vida política seríamos mais comunistas
do que outra coisa, aliando-nos aos nossos vizinhos para decidirmos como a
comunidade deve ser organizada. É com certeza um esquema, mas exprime
bastante bem o que os anarquistas pensam hoje.
Trechos do Livro de Nicolas Walter em Do Anarquismo publicado pela
Editoria Imaginário no brasil.
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