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(pt) [Rússia] Parte II: Mais detalhes sobre o problema em Zakamsk (texto escrito no acampamento)

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Date Tue, 24 Aug 2004 08:10:12 +0200 (CEST)


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de moésio reboucas
Segundo os acordos internacionais sobre o desarmamento a Rússia deve
construir uma quantidade de fábricas para queimar os mísseis de
combustível sólido (que se encontra dentro dos motores). Não é que somos
contra o desarmamento, mas compreendemos que isto deve ser feito sem
prejudicar a saúde e o bem-estar da população, que atualmente parecem
não existir para a indústria bélica.
Três anos atrás, em Votkinsk, eles não conseguiram construir a fábrica
de reciclagem de mísseis na distância de 8 km da cidade de 100 000
habitantes. Agora, o objeto de similar periculosidade está sendo ativado
justamente no meio do bairro periférico de 100 000 habitantes. A fábrica
de Votkinsk, inicialmente, foi planejada para ser construída na cidade
de Pierm, mas por causa dos protestos dos moradores no final da década
de 1990, foi transferida.

FGUP Perm Factory Mashinostroitel foi licenciada para ser a primeira
empresa russa de queimamento de mísseis com combustível sólido, SS-22
Scalpel, com raio de alcance de 10 000 km e cada um dos quais pode
carregar 20 ogivas nucleares de 550 toneladas (46 vezes maior que a
bomba de Hiroshima).

Os mísseis que serão queimados não possuem mais as ogivas nucleares, o
corpo deles está ligeiramente radioativo, mas o problema maior é o
combustível extremamente venenoso. Planeja-se construir um espaço dentro
da fábrica de S.M. Kirov, que atualmente produz e testa os motores dos
mísseis estratégicos. Mashinostroitel, a empresa responsável pelo
projeto em Pierm, decidiu cumprir suas metas com uma ação direta
anti-ecológica, uma vez que considera as análises de impacto ambiental
uma perca de tempo.

Fundos estadunidenses, liberados a partir da legislação Lugar-Nunn,
vigente há 13 anos, são cruciais para a realização do projeto. O
dinheiro para a fábrica vem através da transnacional Washington Group
International (http://www.wgint.com/). É uma empresa enorme, que opera
em 30 paises e tem 26 000 empregados. Atualmente, os poderes locais já
gastaram a verba fornecida há 7 anos pelo convênio de queimamento de
mísseis, assim, temendo possíveis investigações dos gestores do programa
estadunidenses, o governo de Pierm utiliza recursos do orçamento
público para o término do projeto. O membro de congresso estadunidense
Richard Lugar visitou Pierm pessoalmente no outono passado.

No procedimento utilizado para a queima dos mísseis, retira-se
primeiramente a ogiva nuclear. Em seguida, os mísseis com combustível
sólido (alojado dentro dos motores) e corpo ligeiramente radioativo são
incinerados a uma temperatura média de 3500 graus celsius. Segundo
especialistas russos e estadunidenses, dióxidos altamente tóxicos são
liberados durante o queimamento. Mesmo em poucas quantidades, tais
dióxidos se acumulam facilmente nas cadeias alimentares, contaminando
organismos vivos e iniciando processos cancerígenos. Os dióxidos
liberados são quimicamente estáveis, ou seja, indissolúveis
organicamente durante décadas. Tecnologias seguras de reciclagem dos
motores de mísseis com combustível sólido não existem.

Além dos dióxidos que contaminam a atmosfera da cidade, a alta
periculosidade da ferrovia que transporta os mísseis para a fábrica
também representa outro agravante. Atravessando a cidade, os trilhos
encontram-se em péssimas condições estruturais, ocasionando freqüentes
acidentes. Em 14 de julho deste ano, por exemplo, um vagão de trem que
transportava ácido hidroclórico descarrilou dos trilhos da ferrovia, a
400 metros da usina Kirovskii Zavod.

As primeiras duas semanas no acampamento (Julho)
O acampamento foi aberto no dia 2 de Julho em Zakamsk pelos grupos:
Movimento Resistência Anarco-ecológica, União da Segurança Química,
Movimento Autônomo, Movimento Contra a Violência de Ekaterinburgo e os
Guardiões do Arco-Íris (ecologistas radicais). Ativistas acamparam na
frente da enorme fábrica de Kirov, por perto as hortas que são cruciais
para a sobrevivência da população de baixa renda. Graças aos vizinhos,
os acampados não estão precisando de comida para a sobrevivência, são
feitas muitas doações diárias de legumes, grãos e peixes.

Por enquanto não rolou nenhum tipo de repressão no acampamento, os
representantes da administração da região ligaram falando que vão
desligar o gás, a luz e a água do acampamento, inexistentes. Os soldados
que patrulham a fábrica visitaram o acampamento nos primeiros dias.

A fábrica é antiga e durante a URSS produziu os mísseis, é muito vigiada
e completamente fechada, sem acesso à população. Então, ninguém sabe o
que de fato está acontecendo lá dentro, nem os trabalhadores.

Em 9 de julho os ativistas do acampamento e cerca de 300 moradores se
reuniram na frente do cinema Ekran, no centro de Zakamsk e combinaram de
dar um ultimato aos poderes locais: governador da região de Pierm O.
Chirkunov, prefeito de Pierm A. Kamenev, diretores do NPO Iskra,
Mashinostroitel e do Instituto Científico de Materiais Polímeros,
exigindo documentos que garantissem a segurança do projeto de
queimamento dos combustíveis sólidos dos mísseis balísticos em Pierm.

Falaram durante o protesto os ecologistas, cientistas, os moradores de
Zakamsk e os ex-trabalhadores de Mashinostroitel e do Instituto
Científico de Materiais Polímeros, ambos situados dentro do conjunto
fabril de Kirov e participantes do projeto de queimamento dos mísseis.

Os representantes da administração de Pierm, convidados para o protesto,
não apareceram. Vencida a data do ultimato, os manifestantes iniciariam
métodos mais radicais de ação. Aguardariam a resposta até dia 16 de
julho.

O protesto terminou com uma marcha não legalizada (na Rússia, todas as
manifestações necessitam de aviso prévio ao Estado) pelas ruas de
Zakamsk, da frente do cinema Ekran até o acampamento situado na frente
dos muros da fábrica Kirov. Gritaram: "não aos mísseis!", "mande-nos
Trutnev para queimamento!" , "mísseis fora de Pierm!" , "Petrovich fez
um grande negócio, Zakamsk se tornará um necrotério!" , "resistência ou
morte!".

Antes do encontro, os muros da fábrica Kirov foram pichados com frases
"não aos mísseis!", "queimem Trutnev!", "direitos não são dados, são
conquistados!", dentre outras.

Na semana seguinte novos protestos no centro de Pierm, com pichações ao
redor dos prédios da administração local: "não aos mísseis", "limousines
para deputados, dióxidos para os habitantes de Pierm". Um banner com a
inscrição "faltando 3 dias" (data do ultimato) foi pendurado do lado de
fora do parlamento da cidade.

No dia 14 de julho, os participantes do acampamento de protesto
organizaram uma performance numa praça na frente da administração, onde
foi encenada uma batalha épica entre o bem e o mal, ou melhor, entre a
natureza e a fábrica perigosa. Dança de flores, acompanhada por música
pop, foi interrompida pela aparição de Bush e do governador Chirkunov.
Chirkunov carregava o dinheiro de Bush, uma pilha de dólares. Em
seguida, trabalhadores trouxeram uma fábrica com sinal de acidente
químico, e Chirkunov jogou um míssil em chamas na fábrica. A praça foi
tomada por fumaça, e a natureza simbólica murchou e morreu. Enquanto
isso, Bush estava convencendo a população sobre a segurança do projeto.
A cadeira do futuro governador de Pierm, que será eleito em 2005, estava
construída sobre os escombros da natureza. Nestes dias a ação d e
bloqueio da fábrica no dia 30 de agosto está sendo preparada.
Não Passarão!!!

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